Questões de Preventiva: SUS-SP 2026
Esta área reúne 17 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Rastreamento e níveis de prevenção (6), Atenção primária e ESF (3), Bioestatística e estudos (3).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Preventiva | 17 |
- Rastreamento e níveis de prevenção6
- Atenção primária e ESF3
- Bioestatística e estudos3
- Saúde do trabalhador2
- Vigilância e notificação2
- Imunização (PNI)1
Todas as questões da área
Questão 1 · SUS-SP 2026
Um estudo retrospectivo de caso-controle em um único centro de reumatologia analisou um novo tratamento para a síndrome antifosfolípide catastrófica. O estudo incluiu 50 mulheres que receberam o novo tratamento e foram pareadas com 50 mulheres que receberam o tratamento usual. As pacientes que receberam o novo tratamento tiveram duas vezes mais chances de sobreviver (OR: 0,51; IC95%: 0,42 a 0,67). A análise estatística controlou a situação do plano de saúde, faixa etária, comorbidades e medicações em uso. Constitui a variável que representa a ameaça mais importante à validade das conclusões desse estudo:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Estudo observacional (caso-controle retrospectivo, centro único) sem randomização: a escolha entre tratamento novo e usual pode ter dependido da gravidade ou de outras características que também influenciam a sobrevida (confundimento por indicação). O ajuste estatístico controla só as variáveis medidas (plano de saúde, idade, comorbidades, medicações); fatores não medidos ou mal medidos deixam confundimento residual, que é a principal ameaça à validade interna. A) Errada. A ausência de placebo não é o problema central: comparar com o tratamento usual é adequado. B) Errada. O intervalo de confiança é estreito e não cruza 1, o que torna improvável que falte poder. C) Errada. O efeito Hawthorne (mudança de comportamento por se saber observado) não se aplica a uma análise retrospectiva. D) Correta. Confundimento, sobretudo por indicação e residual, é a maior ameaça em estudo observacional de tratamento. E) Errada. A raridade da doença justifica o desenho caso-controle e limita a generalização, mas não invalida o resultado. Análise de contexto do gabarito: O texto informa desenho retrospectivo, ausência de randomização e ajuste para variáveis selecionadas. O enunciado não deixa claro a que desfecho se refere o OR de 0,51; isso não muda a resposta. Fontes: Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Epidemiologia Clínica: elementos essenciais, 5ª ed., 2014 | Gordis L, Celentano DD, Szklo M. Gordis Epidemiology, 6ª ed., 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 85)
Questão 2 · SUS-SP 2026
O câncer de colo uterino é um problema de saúde pública no mundo, sendo o terceiro tipo de tumor mais incidente entre as mulheres no país. Segundo as atuais Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo uterino (Ministério da Saúde – MS) de 18/08/2025, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (MS, 2025) adotam o teste de DNA-HPV oncogênico, com genotipagem parcial ou estendida, como método de rastreamento primário entre 25 e 64 anos, a cada 5 anos se negativo. A citologia passa a ser exame de triagem (reflexo) apenas nas mulheres com teste positivo para HPV não 16/18, por isso o co-teste simultâneo não é recomendado. A) Errada. O rastreamento começa aos 25 anos. B) Errada. O DNA-HPV é o método de rastreamento primário, não secundário. C) Correta. Não se recomenda co-teste; a citologia é usada apenas como triagem dos positivos. D) Errada. A coleta pode ser feita por profissional de saúde capacitado, como enfermeiros. E) Errada. O encerramento aos 64 anos exige histórico de rastreamento adequado e negativo, não apenas um teste negativo. Análise de contexto do gabarito: O enunciado cita expressamente a diretriz do MS de 2025; a resposta depende de saber que o DNA-HPV substituiu a citologia como exame primário. Fontes: Ministério da Saúde/INCA. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero: Parte I – Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 74)
Questão 3 · SUS-SP 2026
O papiloma vírus humano é a causa da infecção de transmissão sexual mais comum no mundo e o risco de ser infectado pelo vírus pelo menos uma vez na vida é de 50%. Ainda, é o fator de risco mais importante no desenvolvimento das neoplasias de colo uterino, vagina, vulva, pênis, ânus e orofaringe. Sendo a vacina contra HPV uma estratégia de prevenção, assinale a alternativa que representa as informações corretas a respeito das determinações do Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), da vacina contra o HPV.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Pelo PNI, a vacina HPV está disponível gratuitamente, de 9 a 45 anos, para grupos com condições especiais, como pessoas vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes oncológicos, em esquema de 3 doses. Desde 2024 a rotina é dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e o MS fez estratégia de resgate de 15 a 19 anos não vacinados. A vacina é profilática e não trata infecção existente. A) Errada. Meninos e meninas recebem a vacina dos 9 aos 14 anos. B) Errada. O esquema de rotina passou a ser de dose única em 2024. C) Errada. O resgate foi definido para 15 a 19 anos, não até 30. D) Errada. A vacina não tem efeito terapêutico sobre infecção ou lesão já estabelecida. E) Correta. Imunossuprimidos e transplantados de 9 a 45 anos são vacinados gratuitamente. Análise de contexto do gabarito: A questão cobra as regras do PNI; os números (idades e doses) diferenciam as alternativas, e só o grupo especial de 9 a 45 anos está correto. Fontes: Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação, 2025 | Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 75)
Questão 4 · SUS-SP 2026
Considerando a Atenção Primária à Saúde, a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e sua implementação, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), no contexto brasileiro, é correto afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
O apoio matricial é a retaguarda especializada às equipes de Saúde da Família, feita hoje pelas equipes eMulti (Portaria GM/MS nº 635/2023, que substituiu o NASF-AB). Ele amplia a capacidade clínica da equipe para lidar com casos complexos, como saúde mental, no próprio território, fortalecendo a integralidade e reduzindo encaminhamentos desnecessários. A) Errada. A integralidade não depende primariamente da busca ativa do ACS, e o vínculo é com a equipe, não só com o médico. B) Errada. A PNAB 2017 flexibilizou as equipes e reconheceu outros modelos de atenção básica, sem garantir padrão homogêneo. C) Errada. A territorialização organiza a atuação, mas a eSF não gerencia com autonomia a agenda de média e alta complexidade. D) Correta. O matriciamento das eMulti amplia a resolutividade da APS no território. E) Errada. A captação ponderada do Previne Brasil foi baseada em cadastro e não garante integralidade; o modelo foi substituído pelo novo cofinanciamento da APS em 2024. Análise de contexto do gabarito: A questão cobra conceitos de organização da APS; a alternativa correta é a que descreve a função do apoio matricial sem exageros como único, autônomo ou garante. Fontes: Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica, Portaria nº 2.436, 2017 | Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 635, institui as equipes Multiprofissionais (eMulti), 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 81)
Questão 5 · SUS-SP 2026
Homem assintomático de 66 anos com histórico de hiperlipidemia, diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial é atendido em consulta de rotina. Ele tem antecedente de tabagismo de 15 anos-maço e parou de fumar há 30 anos. Refere beber uma taça de 300 mL de vinho tinto por dia e diz que faz longas caminhadas diariamente para se exercitar. Relata tomar a vacina contra a gripe anualmente e que recebeu a vacina pneumocócica no ano passado. Uma colonoscopia, realizada há 5 anos, normal. Medicações de uso contínuo: enalapril, anlodipino e rosuvastatina. Seus sinais vitais são normais e o exame físico não apresenta alterações. Com base nas melhores evidências comprovadas de benefício, a próxima conduta para o rastreamento e promoção da saúde é solicitar
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Homem de 65 a 75 anos que já fumou tem indicação de rastreamento único de aneurisma de aorta abdominal por ultrassom (USPSTF, grau B), com redução de mortalidade por ruptura. Ele não preenche critérios para TC de baixa dose: carga de 15 anos-maço e cessação há 30 anos (critério: 20 anos-maço ou mais, cessação há menos de 15 anos). A) Errada. Angiotomografia de coronárias não é rastreamento em assintomático. B) Errada. O PSA aos 55 a 69 anos é decisão compartilhada (grau C), não a recomendação de maior benefício comprovado. C) Errada. Teste ergométrico não é recomendado como rastreamento em assintomáticos. D) Errada. Carga tabágica e tempo de cessação ficam fora do critério de rastreamento de câncer de pulmão. E) Correta. Ultrassom abdominal para rastreio de aneurisma de aorta. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são sexo masculino, 66 anos, tabagismo prévio de 15 anos-maço cessado há 30 anos e colonoscopia normal há 5 anos (próxima em 10 anos). Fontes: USPSTF. Abdominal Aortic Aneurysm: Screening, 2019 | USPSTF. Lung Cancer: Screening, 2021 | USPSTF. Prostate Cancer: Screening, 2018 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 82)
Questão 6 · SUS-SP 2026
Considerando os pontos de vista de Bradford Hill e a evolução da inferência causal em epidemiologia, desde a sua formalização para doenças crônicas, em meados do século XX, até as críticas e refinamentos contemporâneos, é correto afirmar que
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Entre os pontos de vista de Bradford Hill, a temporalidade (a causa precede o efeito) é o único considerado indispensável: se violada, a hipótese causal é refutada naquela observação. Os demais são critérios de apoio, que reforçam ou enfraquecem a inferência, sem serem obrigatórios. A) Errada. A reprodutibilidade em diferentes populações e métodos corresponde à consistência, não à coerência. B) Errada. A analogia é um dos pontos de vista mais fracos e não permite transferência quantitativa de evidência. C) Errada. A plausibilidade depende do conhecimento da época; sua ausência não é forte evidência contra causalidade. D) Errada. Controles negativos são ferramenta moderna, não fazem parte dos nove pontos originais de Hill. E) Correta. A temporalidade é o único critério indispensável. Análise de contexto do gabarito: A questão exige diferenciar consistência de coerência e reconhecer que só a temporalidade é necessária. Fontes: Hill AB. The environment and disease: association or causation? Proc R Soc Med, 1965 | Rothman KJ, Lash TL et al. Modern Epidemiology, 4th ed., 2021 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 87)
Questão 7 · SUS-SP 2026
Homem de 63 anos retorna para acompanhamento médico. Ele deseja ter certeza de que está fazendo tudo o que pode para se manter saudável. Ele não fuma cigarros e faz uso de 1 a 2 taças (175 mL) de vinho tinto por semana. Relata que segue uma dieta vegana e pratica exercícios físicos 4 dias por semana. Não há comorbidades conhecidas. Ao exame físico: pressão arterial: 120 x 68 mmHg; IMC: 28 kg/m². O valor recente da hemoglobina A1c é de 6,3%. Com base nas informações apresentadas, esse paciente apresenta o maior risco de desenvolver qual das seguintes condições?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
HbA1c de 6,3% define pré-diabetes (5,7 a 6,4%). Nessa fase o risco de doença cardiovascular já está aumentado, e a neuropatia periférica pode surgir precocemente, inclusive antes do diabetes estabelecido. Retinopatia e doença renal dialítica dependem de hiperglicemia mais intensa e prolongada. A) Errada. A doença renal crônica dialítica é complicação tardia do diabetes estabelecido. B) Correta. Doença cardiovascular e neuropatia periférica são os maiores riscos no pré-diabetes. C) Errada. Doença renal crônica e comprometimento cognitivo são menos prováveis nesse estágio. D) Errada. A retinopatia é rara no pré-diabetes. E) Errada. A retinopatia torna a combinação menos provável. Análise de contexto do gabarito: O dado decisivo é a HbA1c de 6,3% em paciente sem outras comorbidades; o estilo de vida saudável não anula o risco associado ao pré-diabetes. Fontes: American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes, 2025 | Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial: Diagnóstico do diabetes e rastreamento do diabetes tipo 2, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 88)
Questão 8 · SUS-SP 2026
Durante o acompanhamento clínico, é coletada uma classificação subjetiva da dor de dois grupos não pareados de pacientes com dor crônica na articulação patelofemoral. Um dos grupos de pacientes recebeu uma intervenção cirúrgica e o outro recebeu tratamento conservador. O objetivo do estudo é comparar as classificações subjetivas da dor entre os dois grupos. O teste estatístico apropriado a ser usado nesse estudo é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Para comparar uma variável numérica entre dois grupos independentes (não pareados), entre as opções, o teste adequado é o teste t para amostras independentes. Se o escore de dor for tratado como ordinal ou sem distribuição normal, a alternativa não paramétrica seria o Mann-Whitney, que não está entre as opções. A) Errada. ANOVA de medidas repetidas exige medidas seriadas no mesmo indivíduo. B) Errada. Spearman mede correlação entre duas variáveis, não diferença entre grupos. C) Errada. Qui-quadrado compara proporções de variáveis categóricas. D) Errada. Regressão logística modela desfecho binário. E) Correta. Teste t para amostras independentes compara médias de dois grupos não pareados. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são dois grupos, não pareados, e desfecho expresso como classificação numérica de dor. Fontes: Altman DG. Practical Statistics for Medical Research, 1991 | Kirkwood BR, Sterne JAC. Essential Medical Statistics, 2nd ed., 2003 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 89)
Questão 9 · SUS-SP 2026
Um médico pesquisador é encarregado de desenvolver um plano estratégico multifacetado para combater a alta prevalência da síndrome de burnout (SB) entre os residentes de medicina. O plano poderá incorporar intervenções com base em evidências que correspondam aos quatro níveis de prevenção (primária, secundária, terciária e quaternária). Nesse sentido, constitui a atitude ou recomendação correta:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Prevenção quaternária é evitar a medicalização desnecessária e a iatrogenia. Exigir revisão por pares e avaliação das causas organizacionais do estresse antes de prescrever psicofármacos a residentes protege contra o tratamento excessivo de um problema de origem ocupacional. É a única alternativa em que a medida e o nível de prevenção estão coerentes. A) Correta. Revisão da prescrição para evitar iatrogenia é prevenção quaternária. B) Errada. Grupo focal para melhorar o clima e o equilíbrio vida-trabalho é prevenção primária, não secundária. C) Errada. Reabilitação é prevenção terciária e se aplica a quem já tem a síndrome, não a residentes de risco. D) Errada. O Maslach Burnout Inventory é instrumento de pesquisa e não foi criado para diagnóstico individual. E) Errada. O sistema de denúncia anônima de colegas fere a confidencialidade e pode estigmatizar. Análise de contexto do gabarito: O enunciado pede a medida correta dentro dos quatro níveis de prevenção; as demais alternativas trazem nível de prevenção ou instrumento em descompasso com a medida descrita. Fontes: Jamoulle M. Quaternary prevention, an answer of family doctors to overmedicalization. Int J Health Policy Manag, 2015 | Maslach C, Jackson SE, Leiter MP. Maslach Burnout Inventory Manual, 4th ed., 2016 | West CP et al. Interventions to prevent and reduce physician burnout: systematic review and meta-analysis. Lancet, 2016 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 92)
Questão 10 · SUS-SP 2026
Homem transgênero de 51 anos com histórico de depressão e tabagismo comparece para acompanhamento anual. Ele fez a transição social aos 18 anos e tem feito o tratamento semanal com testosterona subcutânea desde então. O tratamento de afirmação de gênero incluiu histerectomia e ooforectomia, além do uso de bandagens para diminuir o tamanho dos seios. Ele diz estar feliz com seu humor, a masculinização geral e a aparência física. Ao exame físico: sinais vitais normais; IMC: 29,5 kg/m²; aparência totalmente masculinizada; seios no estágio 5 de Tanner e uso de um colete; sua pontuação no Ferriman-Gallwey é 24. Os resultados laboratoriais anuais dos hormônios estão normais. Nesse momento, constitui a próxima conduta adequada:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Em pessoas trans, o rastreamento de câncer segue a anatomia presente. Este homem trans de 51 anos mantém tecido mamário (Tanner 5, uso de colete, sem mastectomia), por isso tem indicação de mamografia de rastreamento conforme a idade. Não há colo uterino (histerectomia), e a testosterona com bom resultado não deve ser suspensa. A) Errada. Sem colo uterino, não há indicação de citologia. B) Errada. A reconstrução torácica é decisão do paciente e não é a conduta preventiva prioritária. C) Correta. Mamografia de rastreamento pela anatomia presente e idade. D) Errada. Não há história familiar que indique teste genético BRCA. E) Errada. Os exames hormonais estão normais e o paciente está satisfeito. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são 51 anos, mamas presentes e histerectomia prévia. Fontes: WPATH. Standards of Care for the Health of Transgender and Gender Diverse People, Version 8, 2022 | INCA. Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil, 2015 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 93)
Questão 11 · SUS-SP 2026
Homem de 78 anos, viúvo há 2 anos, reside sozinho, tem hipertensão, diabetes, osteoartrite sintomática em ambos os joelhos e hiperplasia prostática benigna. Na consulta de retorno, relata episódio de queda em casa há um mês. A queda ocorreu sem perda de consciência, ao se levantar rapidamente do sofá, resultando em contusões leves, sem fraturas. Queixa-se também de tontura ocasional, principalmente ao mudar de postura, e dor nos joelhos que limita sua capacidade de realizar caminhadas longas, impactando suas atividades sociais. Medicações em uso: losartana (50 mg/dia); clortalidona (25 mg/dia); glibenclamida (10 mg/dia); metformina (2.550 mg/dia); doxazosina (4 mg à noite); diclofenaco (50 mg, 1 cp/dia, utilizado de forma intermitente quando a dor aperta). Ao exame físico: pressão arterial: 132 x 78 mmHg (sentado), 110 x 68 mmHg (em pé, após 1 minuto); frequência cardíaca: 72 bpm; IMC: 28 kg/m²; teste Timed Up and Go: realizado em 15 segundos, com alguma dificuldade para se levantar da cadeira. Exames séricos (HbA1c: 7,0%; creatinina: 1,3 mg/dL, clearance: 55 mL/min/1.73m²). Caderneta de vacinação: registros da infância e algumas doses de reforço da vacina dupla adulto (dT), porém desatualizada. Considerando o cenário clínico apresentado e as diretrizes mais recentes para a promoção do envelhecimento saudável e prevenção de complicações na atenção primária à saúde, a melhor conduta é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Idoso com queda recente, Timed Up and Go de 15 segundos, dificuldade para levantar e limitação por osteoartrite tem alto risco de novas quedas. A intervenção isolada com melhor evidência é o exercício multicomponente (força, equilíbrio e marcha). A revisão de medicamentos é complementar, mas a alternativa que a propõe traz erros. A) Errada. Rastreio cognitivo de rotina não é a medida prioritária para prevenir quedas. B) Errada. A vacina recombinante de zóster é preferida, e a vacina pneumocócica conjugada deve preceder a 23-valente. C) Errada. Meta de PA abaixo de 120x70 com hipotensão ortostática aumenta o risco de queda. D) Correta. Exercício multicomponente é estratégia primária para prevenir quedas e melhorar função. E) Errada. Trocar glibenclamida por glimepirida mantém uma sulfonilureia com risco de hipoglicemia. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o TUG alterado, a queda recente e a limitação funcional; a hipotensão ortostática e os medicamentos são problemas reais, mas as alternativas que tratam deles trazem erros. Fontes: Montero-Odasso M et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults. Age Ageing, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 94)
Questão 12 · SUS-SP 2026
Homem de 48 anos comparece à UBS para uma consulta de rotina. Relata um trabalho de alta demanda com rotina predominantemente sedentária e uma dieta com consumo frequente de alimentos processados e ultra-processados. Refere consumo de 3 a 4 latas de cerveja durante os fins de semana. Nega tabagismo. Possui histórico familiar de pai com infarto agudo do miocárdio aos 55 anos. A pressão arterial, aferida em 3 ocasiões distintas durante a consulta, seguindo a técnica recomendada, apresenta média de 128 x 84 mmHg. IMC: 28,5 kg/m² e circunferência abdominal: 99 cm. Exames séricos recentes: colesterol total: 210 mg/dL; HDL: 42 mg/dL; triglicerídeos: 160 mg/dL; glicemia de jejum: 98 mg/dL. Segundo o exposto, é correto afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Paciente com vários fatores de risco (pai com infarto aos 55 anos, PA 128x84, IMC 28,5, circunferência abdominal 99 cm, HDL baixo, sedentarismo) precisa de estratificação do risco cardiovascular global com ferramenta validada. Essa estimativa orienta a intensidade das medidas, incluindo o início de tratamento farmacológico. Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão 2025, PA de 120 a 139/80 a 89 mmHg é pré-hipertensão, com metas de sódio abaixo de 2 g/dia e 150 minutos semanais de atividade física. A) Errada. A terminologia não existe na diretriz, e a pré-hipertensão com fatores de risco exige intervenção. B) Errada. Hipertensão limítrofe não é a classificação; a PA está na faixa de pré-hipertensão. C) Errada. A recomendação é de pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada. D) Correta. A estratificação de risco global orienta a conduta. E) Errada. A meta é sódio abaixo de 2 g/dia. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a soma de fatores de risco e a PA na faixa de pré-hipertensão, o que torna a estratificação o passo central. Fontes: SBC/SBH/SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 95)
Questão 13 · SUS-SP 2026
Homem de 52 anos é atendido na UBS em consulta de rotina e manifesta o desejo de discutir a obesidade. Ele controla o peso desde criança e lembra-se de ter feito sua primeira dieta aos 10 anos. O menor peso na idade adulta foi de 91 kg, e o mais alto de 139 kg. Relata ter ganhado e perdido pelo menos 25 kg em várias ocasiões ao longo da vida. O peso atual é 110 kg. Refere que tem reduzido diligentemente a ingestão calórica e estima consumir cerca de 1.800 kcal por dia; passeia com o cachorro várias vezes por semana. Ele está mantendo seu peso, mas deseja perder mais e mantê-lo a longo prazo. Não há uso de medicamento. Ao exame físico: pressão arterial: 120 x 85 mmHg; altura: 175 cm; peso: 110 kg; a obesidade está distribuída preferencialmente na parte inferior do corpo; não há estigmas de hipercortisolismo. Exames séricos atuais: glicemia de jejum: 90 mg/dL; perfil da tireoide: normal. O gasto energético basal estimado é de 1.940 kcal/dia. Medidas dietéticas e de mudança de hábitos são iniciadas. Constitui a próxima intervenção adicional de maior utilidade a ser recomendada para esse paciente atingir seus objetivos de perda de peso:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
O paciente já restringe calorias e quer perder mais peso e mantê-lo a longo prazo. A atividade física estruturada de 200 a 300 minutos semanais de intensidade moderada é o fator mais associado à manutenção do peso perdido, e é a próxima intervenção mais útil entre as alternativas. A) Errada. Com IMC cerca de 36 sem comorbidades, a cirurgia não é a próxima etapa antes de otimizar o tratamento clínico. B) Errada. A terapia indicada para obesidade é a cognitivo-comportamental, não a dialética. C) Correta. Exercício moderado com meta de 200 minutos semanais. D) Errada. Inibidores catecolaminérgicos têm uso restrito e não são a próxima opção mais útil. E) Errada. Ajustar proteína não resolve a manutenção do peso a longo prazo. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a ingestão abaixo do gasto basal, o padrão de ganhos e perdas repetidos e o objetivo explícito de manter o peso. Fontes: ABESO. Diretrizes Brasileiras de Obesidade, 2016 | Donnelly JE et al. ACSM Position Stand: Appropriate physical activity intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults, 2009 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 96)
Questão 14 · SUS-SP 2026
Homem de 52 anos atua, há 25 anos, na aplicação de agrotóxicos em lavouras de grande escala. Ele relata contato frequente com produtos dos grupos organofosforados e carbamatos, muitas vezes com equipamento de proteção individual inadequado. Nos últimos dois anos, vem apresentando fraqueza muscular progressiva, fasciculações, dores de cabeça persistentes e lapsos de memória. Ele evolui com episódio de tontura intensa, visão turva e dificuldade respiratória durante a jornada de trabalho, sendo hospitalizado. O exame revela: miose simétrica, bradicardia, salivação excessiva e tremores nas extremidades. Considerando o quadro clínico e o histórico ocupacional apresentados, é correto afirmar que
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Organofosforados e carbamatos inibem a acetilcolinesterase e causam síndrome colinérgica (miose, bradicardia, sialorreia, broncorreia, fasciculações). A dosagem da atividade da colinesterase plasmática e eritrocitária, reduzida, confirma o diagnóstico e ajuda no seguimento da exposição ocupacional. A) Correta. Colinesterase reduzida confirma a intoxicação. B) Errada. Esses agrotóxicos são inibidores da colinesterase, não agonistas. C) Errada. O quadro colinérgico é típico de organofosforados e carbamatos, não de piretroides. D) Errada. Síndrome avançada medular não é complicação descrita dessa exposição. E) Errada. O tratamento agudo é atropina com oxima (pralidoxima) nos organofosforados, não quelante. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o histórico ocupacional com organofosforados e carbamatos e os sinais colinérgicos no exame. Fontes: Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico e Tratamento de Intoxicações por Agrotóxicos, 2018 | Nelson LS et al. Goldfrank's Toxicologic Emergencies, 11th ed., 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 97)
Questão 15 · SUS-SP 2026
Homem de 68 anos apresenta-se para uma consulta de seguimento de rotina na UBS/Estratégia de Saúde da Família. Ele tem Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) diagnosticada, há oito anos, e tabagismo de 35 maços-ano, tendo cessado o consumo de tabaco há cinco anos. Atualmente, a terapêutica consiste de tiotrópio e salmeterol (LAMA + LABA), ao qual demonstra boa adesão. Apesar da terapêutica correta, o paciente relata dispneia persistente que impacta significativamente a sua qualidade de vida. A pontuação na escala de dispneia do Modified Medical Research Council (mMRC) é de 3. Essa limitação afeta a sua capacidade de realizar tarefas domésticas e atividades de lazer. No último ano, ele teve uma exacerbação moderada, que foi gerida em ambulatório com um ciclo de corticosteroide e antibioterapia orais. Os resultados laboratoriais recentes são notáveis por contagem sérica de eosinófilos de 96 células/mm³. O paciente reside numa região caracterizada por invernos frios e verões quentes e úmidos, com alertas esporádicos sobre a qualidade do ar devido a incêndios florestais em áreas vizinhas. A partir do quadro clínico apresentado, é correto afirmar que a conduta de escolha é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Paciente com DPOC, dispneia mMRC 3 apesar de LAMA + LABA e eosinófilos abaixo de 100/µL. Pelo GOLD, eosinófilos abaixo de 100 tornam improvável o benefício do corticoide inalatório, e a exacerbação moderada única não justifica escalonamento. A reabilitação pulmonar é a intervenção com melhor evidência para dispneia, tolerância ao exercício e qualidade de vida. A) Errada. A orientação de temperatura é complementar, não a conduta de escolha. B) Errada. A espirometria diagnóstica usa valor pós-broncodilatador, e o tratamento é guiado por sintomas e exacerbações. C) Errada. A vacina conjugada deve preceder a polissacarídica. D) Errada. Eosinófilos abaixo de 100 não favorecem corticoide inalatório. E) Correta. Reabilitação pulmonar para dispneia persistente. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são mMRC 3, tratamento broncodilatador duplo otimizado, uma exacerbação moderada e eosinófilos de 96/µL. Fontes: GOLD. Global Strategy for the Diagnosis, Management and Prevention of COPD, 2025 Report (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 98)
Questão 16 · SUS-SP 2026
Mulher de 32 anos é examinada como parte do rastreamento de contatos de um caso de hepatite aguda relacionada ao vírus da hepatite A (VHA) em uma creche. Relata que trabalha como enfermeira pediátrica e que nasceu e foi criada na capital do estado de São Paulo, sem nenhuma viagem recente. Ela está assintomática, não tem antecedentes mórbidos, seu exame físico é normal e não toma nenhuma medicação regularmente. Em relação à enfermeira avaliada, nesse momento, a próxima ação de maior efetividade prática é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
A profilaxia pós-exposição da hepatite A deve ser feita até 14 dias após o contato. Em pessoa saudável de 12 meses a 40 anos, a vacina inativada é preferida: tem eficácia semelhante à imunoglobulina e confere proteção duradoura. A imunoglobulina é reservada para menores de 12 meses, imunossuprimidos, hepatopatas crônicos e, conforme o risco, maiores de 40 anos. A) Errada. Imunoglobulina não é a escolha em adulta saudável de 32 anos. B) Correta. Uma dose da vacina é a profilaxia de maior efetividade prática. C) Errada. Exames gerais não previnem a infecção. D) Errada. Aguardar sorologia pode atrasar a profilaxia. E) Errada. Há exposição relevante, então a profilaxia está indicada. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são idade de 32 anos, ausência de comorbidades e exposição recente a caso confirmado. Fontes: Nelson NP et al. Prevention of Hepatitis A Virus Infection in the United States: Recommendations of the ACIP. MMWR Recomm Rep, 2020 | Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 99)
Questão 17 · SUS-SP 2026
A Vigilância Epidemiológica inicia a avaliação de um caso para identificar falhas no cuidado nos sistemas de informação do SUS. (1) A gestante: 22 anos de idade, G2P1A0, iniciou o pré-natal com 20 semanas de gestação. Os registros no sistema e-SUS Atenção Primária (e-SUS AB) indicam a realização de apenas três consultas. (2) O diagnóstico materno: na 2ª consulta, foi registrado o resultado de VDRL: 1:64. Contudo, não há registros de evolução no e-SUS AB, nem anotação clara sobre a conclusão do esquema de tratamento adequado para a gestante e seu parceiro sexual. (3) O nascimento: sexo masculino, nasceu prematuro, com 34 semanas de idade gestacional, pesando 1.900 gramas. O Apgar foi 6, no primeiro minuto, e 8, no quinto minuto. Esses dados foram extraídos do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), preenchido a partir da Declaração de Nascido Vivo (DNV). (4) A internação hospitalar: o recém-nascido foi admitido na UTI neonatal. Essa admissão gerou um registro no Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS), por meio de uma Autorização de Internação Hospitalar (AIH), com o diagnóstico principal de "Prematuridade" e um CID secundário para "Sífilis Congênita". (5) O desfecho: o recém-nascido faleceu aos 15 dias de vida. O óbito foi registrado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), mediante a Declaração de Óbito (DO); a causa básica foi registrada como "Sepse Neonatal"; "Sífilis Congênita" foi listada como uma das causas contribuintes. (6) A notificação do agravo: uma ficha de notificação para Sífilis Congênita foi inserida no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) vários dias após o óbito do recém-nascido. A ficha apresenta vários campos relacionados ao tratamento da mãe preenchidos como "ignorado" ou deixados em branco. Com base na investigação epidemiológica relatada, é correto afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O e-SUS APS registra os atendimentos individuais da atenção primária, incluindo consultas de pré-natal, e é a fonte adequada para auditar frequência e qualidade do pré-natal. O SINASC registra nascidos vivos, o SIM registra óbitos, o SINAN registra agravos notificáveis e o SIH-SUS é sistema de faturamento hospitalar. A) Errada. A vinculação clássica para óbito neonatal é SIM-SINASC, com SINAN para sífilis; o SIH não recupera dados do pré-natal. B) Correta. O e-SUS APS é a fonte para auditoria do pré-natal na atenção primária. C) Errada. O cruzamento SINAN-SIM não é automático; o encerramento depende de investigação e ação da vigilância. D) Errada. O SisPreNatal foi descontinuado e substituído pelo e-SUS APS. E) Errada. O SIH-SUS cobre apenas internações pagas pelo SUS e não serve para calcular incidência populacional. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são os sistemas listados no caso e o objetivo de identificar falhas no cuidado pré-natal. Fontes: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 100)