Questões de Clínica médica: SUS-SP 2026

Esta área reúne 18 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Endocrinologia (4), Cardiologia (3), Emergência e terapia intensiva (2).

Perfil da prova em números

Questões por área
ÁreaQuestões
Clínica médica18
Os 10 temas mais frequentes
  • Endocrinologia4
  • Cardiologia3
  • Emergência e terapia intensiva2
  • Hematologia2
  • Infectologia2
  • Pneumologia2
  • Gastroenterologia e hepatologia1
  • Nefrologia1
  • Neurologia1

Todas as questões da área

Questão 1 · SUS-SP 2026

Paciente de 55 anos com fibrilação atrial em uso de varfarina e doença renal crônica não dialítica utilizou ibuprofeno por 5 dias para dor lombar. Apresenta hematêmese com hipotensão (85x50 mmHg), taquicardia (110 bpm) e enchimento capilar prolongado. INR: 10,5. Após suspender varfarina, qual conduta imediata em relação à anticoagulação?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Sangramento maior (hematêmese com hipotensão e má perfusão) em uso de varfarina, com INR 10,5 potencializado por AINE. Além de suspender a varfarina, a reversão deve ser imediata: vitamina K intravenosa (5 a 10 mg), que restaura a síntese dos fatores em horas, associada a concentrado de complexo protrombínico de 4 fatores, que repõe II, VII, IX e X e corrige o INR em minutos. Plasma fresco é alternativa só na falta do CCP. A) Errada. A vitamina K IM tem absorção errática e efeito lento; isolada não reverte a tempo um sangramento grave. B) Errada. A vitamina K EV leva de 4 a 6 horas para começar a corrigir o INR; sozinha é insuficiente no paciente instável. C) Errada. Crioprecipitado repõe fibrinogênio, fator VIII, XIII e von Willebrand, não os fatores dependentes de vitamina K. D) Errada. Mesma limitação do crioprecipitado; a via EV da vitamina K está certa, mas o complemento não. E) Correta. Vitamina K EV mais CCP é a reversão recomendada no sangramento maior por antagonista de vitamina K. Análise de contexto do gabarito: Hipotensão, taquicardia e enchimento capilar lento definem sangramento maior com risco de vida; o INR muito alargado confirma o efeito da varfarina. Esses dados exigem reversão rápida e sustentada, e não apenas correção lenta do INR. Fontes: ACC. 2020 Expert Consensus Decision Pathway on Management of Bleeding in Patients on Oral Anticoagulants (Tomaselli et al.), 2020 | ACC/AHA/ACCP/HRS. Guideline for the Diagnosis and Management of Atrial Fibrillation, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 1)

Questão 2 · SUS-SP 2026

Homem, 60 anos de idade, obeso (peso: 100 kg), com risco cardiovascular alto e em uso de glimepirida, empagliflozina e metformina, apresenta hemoglobina glicada acima da meta após 4 meses de terapia tripla. Nesse momento, segundo diretrizes brasileiras de diabetes, deve-se considerar

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

DM2 fora da meta após 4 meses de terapia tripla (metformina, sulfonilureia e iSGLT2) em homem obeso de alto risco cardiovascular. A Diretriz da SBD orienta intensificar sem demora e, havendo obesidade e risco cardiovascular, priorizar agonista do receptor de GLP-1 com benefício cardiovascular comprovado (liraglutida, semaglutida, dulaglutida), mantendo o iSGLT2. O GLP-1 RA reduz HbA1c, peso e eventos cardiovasculares maiores. A) Errada. Inércia terapêutica: a reavaliação deve ocorrer a cada 3 a 6 meses, e o paciente já está fora da meta. B) Correta. Associar GLP-1 RA soma benefício glicêmico, ponderal e cardiovascular ao do iSGLT2. C) Errada. Trocar iSGLT2 por pioglitazona retira proteção cardiorrenal e favorece ganho de peso e retenção hídrica. D) Errada. iSGLT2 e GLP-1 RA têm benefícios complementares; não há motivo para substituir um pelo outro. E) Errada. Não há catabolismo nem hiperglicemia sintomática grave que justifiquem insulina isolada, que ainda aumenta o peso. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são obesidade (100 kg), alto risco cardiovascular e falha da terapia tripla. A banca não informou o valor da HbA1c; sem sinais de descompensação grave, o perfil favorece o GLP-1 RA em vez da insulina. Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial da SBD: tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2, 2024 | American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 2)

Questão 3 · SUS-SP 2026

Mulher, 68 anos, tabagista 75 anos-maço, com dispneia e tosse há 2 anos. Espirometria mostrou VEF1 de 60% do predito e relação VEF1/CVF de 0,65. Apresentou exacerbação com internação há 4 meses. A terapia ambulatorial ideal é

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

DPOC confirmada (VEF1/CVF pós-broncodilatador 0,65; VEF1 60%, GOLD 2) com uma exacerbação que levou à internação no último ano: pela classificação ABE do GOLD, isso basta para o grupo E. O tratamento inicial do grupo E é broncodilatação dupla LAMA + LABA de uso diário, como umeclidínio/vilanterol. O corticoide inalatório entra se eosinófilos ≥ 300/µL ou asma associada. A) Errada. Terapia de manutenção na DPOC é diária; uso só na crise não previne exacerbações. B) Errada. LABA + CI sem LAMA não é recomendado na DPOC; se houver indicação de CI, usa-se terapia tripla. C) Errada. Monoterapia com LABA é inferior à dupla broncodilatação no grupo E. D) Errada. LAMA isolado é opção para o grupo A/B em casos selecionados, não para o grupo E. E) Correta. LAMA + LABA diário é o tratamento inicial recomendado para o grupo E. Análise de contexto do gabarito: Uma internação por exacerbação no último ano coloca a paciente no grupo E, seja qual for a carga de sintomas. A banca não informou a contagem de eosinófilos; sem ela, a terapia inicial padrão é LAMA + LABA. Fontes: Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. GOLD Report, 2025 | SBPT. Recomendações para o tratamento farmacológico da DPOC (J Bras Pneumol), 2017 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 3)

Questão 4 · SUS-SP 2026

Homem de 62 anos apresenta-se para uma consulta de rotina na UBS/Estratégia de Saúde da Família. O histórico é positivo para: hipertensão, há 5 anos, em uso regular de enalapril, 10 mg/dia; dislipidemia mista, em tratamento com rosuvastatina, 10 mg/dia. Não há antecedente pessoal de eventos cardiovasculares, tabagismo ou etilismo. Histórico familiar: pai com infarto agudo do miocárdio aos 58 anos. Ao exame físico: pressão arterial: 138 x 86 mmHg; frequência cardíaca: 78 bpm; peso: 95 kg; IMC: 31,1 kg/m²; circunferência abdominal: 108 cm; cardiopulmonar sem alteração; ausência de edema de membros inferiores. Exames séricos recentes: glicemia de jejum: 102 mg/dL; hemoglobina glicada (HbA1c): 5,9%; colesterol total: 195 mg/dL; HDL: 38 mg/dL; LDL: 121 mg/dL; triglicerídeos: 180 mg/dL; creatinina: 0,9 mg/dL (clearance > 60 mL/min/1.73m²); alanina aminotransferase: 43 U/L; aspartato aminotransferase: 38 U/L. O ultrassom Doppler demonstra placas ateroscleróticas em carótidas < 50%. Para esse paciente, considerando as melhores evidências científicas, a conduta de maior relevância é

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Homem de 62 anos com hipertensão, dislipidemia, obesidade abdominal, pré-diabetes e placas carotídeas: a aterosclerose subclínica documentada eleva a categoria para alto risco cardiovascular. Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, a meta para alto risco é LDL-c < 70 mg/dL. Com LDL de 121 mg/dL em rosuvastatina 10 mg, a conduta de maior impacto é intensificar para estatina de alta intensidade. A) Correta. Rosuvastatina 40 mg busca a redução necessária para LDL < 70 mg/dL. B) Errada. Metformina pode ser considerada no pré-diabetes, mas tem impacto cardiovascular menor que a correção do LDL nesse paciente. C) Errada. GLP-1 RA não é primeira escolha em quem não tem diabetes nem doença cardiovascular estabelecida para prevenir eventos. D) Errada. A meta da diretriz brasileira de 2025 é PA < 130/80 mmHg; a meta de < 120 x 70 não é recomendada de rotina. E) Errada. Transaminases discretamente alteradas justificam FIB-4, mas pioglitazona não é prioridade nem a conduta de maior relevância. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são as placas carotídeas (reclassificam o risco) e o LDL de 121 mg/dL em estatina de intensidade moderada, muito acima da meta. A PA de 138 x 86 também está acima da meta, mas o LDL está muito mais distante da meta e sua redução traz maior benefício. Fontes: SBC. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2025 | SBC/SBH/SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 90)

Questão 5 · SUS-SP 2026

Homem, 75 anos de idade, ex-tabagista, portador de insuficiência cardíaca, em uso de furosemida, losartana, espironolactona, carvedilol e dapaglifozina, é admitido por rebaixamento do nível de consciência. Apresenta sódio de 114 mEq/L. A osmolaridade sérica está diminuída e a urinária está aumentada. O sódio urinário é de 5 mEq/L. A causa da hiponatremia é

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Hiponatremia grave (114 mEq/L) hipotônica, com urina concentrada e sódio urinário muito baixo (5 mEq/L) em portador de IC. Sódio urinário baixo indica que os rins estão retendo sódio com avidez porque percebem volume arterial efetivo reduzido. É o padrão da hiponatremia hipervolêmica da IC descompensada, mantida pela liberação não osmótica de ADH. Isso ocorre mesmo em uso de furosemida, espironolactona e dapagliflozina, que tenderiam a elevar a natriurese. A) Correta. IC descompensada com baixo volume arterial efetivo explica sódio urinário baixo e urina concentrada. B) Errada. A hiponatremia por diurético cursa com sódio urinário alto (natriurese), não de 5 mEq/L. C) Errada. Na SIADH há euvolemia e sódio urinário geralmente > 30 a 40 mEq/L. D) Errada. Na insuficiência adrenal o sódio urinário costuma estar elevado. E) Errada. A polidipsia primária produz urina diluída (osmolaridade urinária baixa). Análise de contexto do gabarito: O dado decisivo é o sódio urinário de 5 mEq/L, somado à urina concentrada e ao contexto de IC. A banca não descreveu o exame físico volêmico; o sódio urinário baixo apesar dos diuréticos favorece a IC como causa. Fontes: Spasovski G et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia (Eur J Endocrinol), 2014 | Verbalis JG et al. Diagnosis, evaluation, and treatment of hyponatremia: expert panel recommendations (Am J Med), 2013 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 7)

Questão 6 · SUS-SP 2026

Homem, 30 anos de idade, apresenta cefaleia e rigidez de nuca. Coleta líquido cefalorraquidiano, que mostra: pressão de abertura discretamente elevada; células: 300/mm³ – predomínio linfomononuclear; proteína: 450 mg/dL (normal: 15 a 60 mg/dL); glicose: 35 mg/dL (normal: 50 a 80 mg/dL). Esses achados sugerem qual etiologia da meningite?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Liquor com pleocitose moderada (300/mm³) de predomínio linfomononuclear, proteína muito elevada (450 mg/dL) e glicose baixa (hipoglicorraquia): esse padrão favorece meningite tuberculosa. Esse padrão também ocorre na meningite fúngica (criptococo) e no início de algumas meningites bacterianas tratadas. Pressão de abertura elevada e o quadro clínico reforçam a hipótese. A confirmação usa o teste rápido molecular para TB no liquor (Xpert MTB/RIF Ultra), cultura e ADA. A) Errada. A meningite meningocócica tem pleocitose neutrofílica exuberante. B) Errada. A pneumocócica também é neutrofílica, em geral com milhares de células. C) Errada. Na meningite viral há linfocitose, mas a glicose é normal e a proteína pouco elevada. D) Correta. Linfomononucleares, proteína muito alta e glicose baixa são o padrão da meningite tuberculosa. E) Errada. A meningoencefalite herpética cursa com glicose normal e proteína discretamente elevada, com sinais de encefalite. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são a combinação de predomínio linfomononuclear com hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia acentuada. A banca não informou tempo de evolução nem estado imunológico, que ajudariam no diferencial com criptococose. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed. atualizada, 2019 | Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 8)

Questão 7 · SUS-SP 2026

Mulher, 55 anos de idade, portadora de cirrose hepática com ascite volumosa, sem dor à palpação, faz uso de espironolactona 200 mg/dia e carvedilol 25 mg/dia. Em exames laboratoriais, apresenta creatinina de 2,1 mg/dL e ureia de 100 mg/dL. Níveis anteriores de creatinina e ureia de 1,0 mg/dL e 40 mg/dL, respectivamente. Urina tipo I sem leucocitose. A conduta apropriada nesse momento em relação à função renal é

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Cirrose com ascite e creatinina que dobrou em relação ao basal (1,0 para 2,1 mg/dL): lesão renal aguda, estágio 2 pelos critérios do International Club of Ascites. A conduta inicial é suspender diuréticos (e reavaliar o betabloqueador e outros nefrotóxicos) e expandir com albumina 20%, 1 g/kg/dia por 2 dias (máximo 100 g/dia). A albumina trata a hipovolemia e funciona como teste diagnóstico: se não houver resposta, confirma-se a LRA-síndrome hepatorrenal, tratada com terlipressina + albumina. A) Errada. Soro fisiológico não é a expansão de escolha no cirrótico com ascite e piora a sobrecarga de sódio. B) Errada. Ringer lactato também não é a expansão recomendada nesse contexto. C) Correta. Albumina é a expansão recomendada na LRA do cirrótico antes de definir síndrome hepatorrenal. D) Errada. A terlipressina só entra após falta de resposta à albumina e exclusão de outras causas. E) Errada. Diurético agrava a hipovolemia efetiva e a LRA; deve ser suspenso. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a creatinina duas vezes maior que o basal, a ascite volumosa em uso de diurético e o sedimento urinário sem leucócitos (sem sinais de infecção urinária). A banca não informou sinais de PBE nem de choque, então o passo inicial é suspender diuréticos e expandir com albumina. Fontes: Biggins SW et al. AASLD Practice Guidance: Diagnosis, Evaluation, and Management of Ascites, SBP and Hepatorenal Syndrome (Hepatology), 2021 | Nadim MK et al. Acute kidney injury in patients with cirrhosis: ADQI and ICA joint consensus (J Hepatol), 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 9)

Questão 8 · SUS-SP 2026

Mulher, 75 anos de idade, apresenta infecção por influenza, com evolução para síndrome do desconforto respiratório agudo e necessidade de intubação orotraqueal. Ventilação mecânica iniciada com fração inspirada de oxigênio de 80% e PEEP de 8 cmH2O. A relação PaO2/FiO2 está em 100, e há dificuldade em manter oxigenação adequada. Para melhora da saturação de oxigênio, opta-se por aumentar PEEP (12 cmH2O) e iniciar bloqueio neuromuscular (rocurônio). A pressão arterial média diminui de 70 mmHg para 60 mmHg após esse ajuste, o que ocorre por

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Na SDRA com aumento da PEEP de 8 para 12 cmH2O, a pressão intratorácica sobe e reduz o retorno venoso (pré-carga do VD). A distensão alveolar também comprime os capilares pulmonares e eleva a resistência vascular pulmonar (pós-carga do VD). Ao mesmo tempo, o bloqueio neuromuscular elimina o esforço respiratório espontâneo que ajudava o retorno venoso. O resultado é queda do débito cardíaco e da pressão arterial média. Trata-se de interação mecânica coração-pulmão, que costuma responder a volume ou vasopressor. A) Errada. O rocurônio tem efeito hemodinâmico mínimo e não causa vasodilatação significativa. B) Errada. PEEP não causa vasodilatação reflexa sistêmica; seu efeito é mecânico sobre o retorno venoso. C) Errada. Não há base para liberação aguda de citocinas como causa de hipotensão imediata após ajuste de PEEP. D) Correta. A queda do débito cardíaco por menor pré-carga e maior pós-carga do VD explica a hipotensão. E) Errada. O aumento do espaço morto não leva a vasodilatação pulmonar; a PEEP tende a aumentar a resistência vascular pulmonar. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a relação temporal entre o aumento da PEEP e a queda da PAM em paciente com SDRA grave. A banca não informou volemia nem função do VD, que modulam a magnitude do efeito. Fontes: Qadir N et al. An Update on Management of Adult Patients with ARDS: An Official ATS Clinical Practice Guideline (Am J Respir Crit Care Med), 2024 | AMIB/SBPT. Diretrizes Brasileiras de Ventilação Mecânica, 2013 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 10)

Questão 9 · SUS-SP 2026

Homem, 37 anos de idade, etnia caucasiana, apresenta hipertensão arterial resistente. Em pesquisa para causa secundária, encontra-se: creatinina sérica: 0,9 mg/dL; sódio: 147 mEq/L; potássio: 3,3 mEq/L; cortisol sérico 20% acima do limite superior da normalidade; ACTH reduzido; aldosterona plasmática elevada e atividade de renina plasmática reduzida. Após teste de infusão de solução salina, a aldosterona plasmática mantém-se elevada. Metanefrinas plasmáticas discretamente elevadas, com redução para níveis normais após clonidina. Assinale a alternativa com a interpretação correta desses achados.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Hipertensão resistente com hipocalemia, aldosterona elevada, renina suprimida e aldosterona que não suprime após infusão salina: diagnóstico confirmado de hiperaldosteronismo primário. As metanefrinas discretamente elevadas normalizaram com a clonidina, o que torna improvável o feocromocitoma. O cortisol 20% acima do normal com ACTH baixo merece investigação de cossecreção de cortisol (comum em adenomas), mas não muda o diagnóstico principal. O próximo passo é a TC de adrenais e a lateralização. A) Errada. O tiazídico causa hipocalemia, mas eleva a renina (hiperaldosteronismo secundário) e não explica aldosterona não suprimível. B) Correta. Aldosterona autônoma (não suprime com sal) e renina suprimida definem hiperaldosteronismo primário. C) Errada. Uma elevação discreta do cortisol não define síndrome de Cushing, e o quadro mineralocorticoide é explicado pela aldosterona. D) Errada. A supressão das metanefrinas com clonidina torna o feocromocitoma improvável. E) Errada. Na síndrome de Liddle, aldosterona e renina estão ambas baixas. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são renina suprimida e aldosterona não suprimível após sobrecarga salina (teste confirmatório). A normalização das metanefrinas após clonidina é o dado que torna improvável o principal diferencial. Fontes: Adler GK et al. Primary Aldosteronism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline (J Clin Endocrinol Metab), 2025 | SBC/SBH/SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 11)

Questão 10 · SUS-SP 2026

Homem, 20 anos de idade, portador de diabetes mellitus tipo 1 em tratamento irregular, é admitido por vômitos há 1 dia e sonolência. Apresenta: glicemia capilar: 450 mg/dL; pH: 7,0; bicarbonato: 8 mEq/L (normal: 22 a 29 mEq/L); potássio sérico: 4,4 mEq/L (normal: 3,5 – 5,0 mEq/L); sódio sérico: 134 mEq/L; fosfato: 2,3 mg/dL (normal: 2,5 a 4,5 mg/dL); cetonúria positiva. Deve-se iniciar imediatamente

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Cetoacidose diabética grave (pH 7,0, bicarbonato 8 mEq/L, cetonúria, glicemia 450 mg/dL). A primeira hora usa cristaloide isotônico (SF 0,9% ou solução balanceada), insulina regular EV em infusão contínua e reposição de potássio. Com K entre 3,5 e 5,0 mEq/L, repõe-se potássio junto com a insulina, porque ela leva o potássio para dentro das células. Bicarbonato só está indicado se pH < 7,0, e fosfato só se < 1,0 mg/dL, disfunção cardíaca ou respiratória ou anemia. A) Errada. SF 0,45% não é a expansão inicial, e fosfato não está indicado com 2,3 mg/dL. B) Errada. Solução hipotônica inicial e bicarbonato com pH 7,0 não são recomendados. C) Errada. O bicarbonato não está indicado porque o pH não está abaixo de 7,0. D) Errada. Falta a reposição de potássio, obrigatória com K de 4,4 mEq/L ao iniciar insulina. E) Correta. SF 0,9%, insulina EV e potássio são o tripé inicial nesse paciente. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o pH exatamente 7,0 (não indica bicarbonato), o fosfato de 2,3 mg/dL (acima do limiar de reposição) e o potássio de 4,4 mEq/L (repor junto com a insulina). O sódio de 134 mEq/L não justifica solução hipotônica na fase inicial. Fontes: Umpierrez GE et al. Hyperglycemic Crises in Adults With Diabetes: A Consensus Report (Diabetes Care), 2024 | Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial da SBD: cetoacidose diabética e estado hiperglicêmico hiperosmolar, 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 12)

Questão 11 · SUS-SP 2026

Mulher, 35 anos de idade, tabagista, é admitida para investigação de fraqueza muscular ascendente e progressiva que se iniciou cerca de três semanas após quadro de síndrome gripal, sendo diagnosticada síndrome de Guillain-Barré. Evoluiu com desconforto respiratório progressivo, expansibilidade torácica globalmente reduzida, sons respiratórios presentes, porém difusamente diminuídos sem ruídos adventícios. Frequência respiratória de 16 rpm. Radiografia de tórax sem alterações significativas. Qual gasometria arterial em ar ambiente é compatível com o quadro clínico?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Na síndrome de Guillain-Barré com insuficiência respiratória, a falha é da bomba ventilatória (fraqueza diafragmática e dos músculos acessórios), com pulmões normais na radiografia. A hipoventilação alveolar eleva a PaCO2 e reduz a PaO2 de forma proporcional, com gradiente alvéolo-arterial preservado: insuficiência respiratória tipo II. A FR de 16 rpm mostra que o paciente não consegue compensar com taquipneia. A) Errada. Hipoxemia com hipocapnia sugere doença do parênquima ou vascular com hiperventilação (tipo I). B) Correta. PaO2 55 com PaCO2 55 corresponde à hipoventilação alveolar pura. C) Errada. Gasometria praticamente normal com hipocapnia leve não corresponde à falência ventilatória. D) Errada. PaCO2 de 55 em ar ambiente reduz a PaO2 alveolar; PaO2 de 80 seria incompatível com hipoventilação desse grau. E) Errada. Gasometria normal não corresponde ao desconforto respiratório progressivo descrito. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a expansibilidade globalmente reduzida, a radiografia normal e a FR não elevada, que indicam falência neuromuscular, e não doença pulmonar. A gasometria esperada é hipercápnica, com hipoxemia proporcional. Fontes: van Doorn PA et al. European Academy of Neurology/Peripheral Nerve Society guideline on diagnosis and treatment of Guillain-Barré syndrome (Eur J Neurol), 2023 | West JB, Luks AM. Fisiopatologia Pulmonar de West, 9ª ed., 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 14)

Questão 12 · SUS-SP 2026

Mulher, 66 anos de idade, com queixa de dispneia progressiva há um ano e tosse seca. Ex-tabagista 20 anos-maço. Sem outros antecedentes relevantes. Em espirometria, apresenta CVF de 68% do previsto e VEF1/CVF: 0,84. Tomografia de tórax mostra padrão de reticulado subpleural e basal, favo de mel e bronquiectasias de tração, sem vidro fosco significativo. A terapia deve ser iniciada com

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Espirometria com padrão restritivo (CVF 68%, VEF1/CVF 0,84) e TC com reticulado subpleural e basal, faveolamento e bronquiectasias de tração, sem vidro fosco: padrão de pneumonia intersticial usual (PIU). Em ex-tabagista de 66 anos sem antecedentes que sugiram outra causa, o quadro favorece fibrose pulmonar idiopática. O tratamento é antifibrótico (nintedanibe ou pirfenidona), que reduz o declínio da CVF. Corticoide e imunossupressores pioram desfechos na FPI. A) Correta. Nintedanibe é antifibrótico recomendado para FPI. B) Errada. Micofenolato é usado em doença intersticial associada a colagenose, não na FPI. C) Errada. Pulsoterapia não é indicada fora de exacerbação aguda, e mesmo nela o benefício é incerto. D) Errada. Corticoide de manutenção aumenta morbimortalidade na FPI (estudo PANTHER-IPF). E) Errada. Não há obstrução ao fluxo aéreo; broncodilatadores não tratam fibrose. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o padrão de PIU típico na TC, a ausência de vidro fosco e a ausência de exposições ou colagenose. A banca não descreveu investigação de autoimunidade; na ausência desses dados, a FPI é o diagnóstico mais provável. Fontes: Baddini-Martinez J et al. Diretrizes brasileiras para o tratamento farmacológico da fibrose pulmonar idiopática (J Bras Pneumol), 2020 | Raghu G et al. Idiopathic Pulmonary Fibrosis (an Update) and Progressive Pulmonary Fibrosis: ATS/ERS/JRS/ALAT Guideline, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 15)

Questão 13 · SUS-SP 2026

Homem, 26 anos de idade, apresenta dispneia aos esforços. Ao exame físico, apresenta sopro sistólico em foco aórtico e ausculta pulmonar normal. Frequência cardíaca e pressão arterial normais. Foi solicitado ecocardiograma, que mostra átrio esquerdo dilatado, ventrículos com dimensões normais, espessura miocárdica aumentada no septo (20 mm; anormal > 10 mm) com demais paredes miocárdicas com espessura normal. Valva mitral tem movimento anterior sistólico e insuficiência discreta. Apresenta gradiente sistólico máximo de 70 mmHg. Qual é melhor estratégia indicada para melhora sintomática desse paciente?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Hipertrofia septal assimétrica (20 mm), movimento anterior sistólico da mitral e gradiente de 70 mmHg (≥ 30 mmHg) definem cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva sintomática. A primeira linha para sintomas é betabloqueador não vasodilatador titulado. Ele reduz frequência e contratilidade, prolonga a diástole e diminui o gradiente dinâmico. Se não houver resposta, usam-se verapamil/diltiazem, disopiramida, mavacamten ou redução septal. A) Errada. Diurético reduz pré-carga e pode aumentar a obstrução; só com cautela se houver congestão. B) Correta. Betabloqueador é a terapia inicial para sintomas na CMH obstrutiva. C) Errada. Vasodilatadores como nitratos reduzem pré-carga e pós-carga e agravam o gradiente. D) Errada. A ressincronização é para disfunção sistólica com bloqueio de ramo, não para CMH obstrutiva. E) Errada. O CDI previne morte súbita em pacientes de alto risco, mas não melhora sintomas. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o movimento anterior sistólico com gradiente de 70 mmHg e a dispneia aos esforços. A pergunta é sobre melhora sintomática, não sobre prevenção de morte súbita. Fontes: Ommen SR et al. 2024 AHA/ACC/AMSSM/HRS/PACES/SCMR Guideline for the Management of Hypertrophic Cardiomyopathy (Circulation), 2024 | ESC. Guidelines for the management of cardiomyopathies, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 16)

Questão 14 · SUS-SP 2026

Mulher de 78 anos de idade, portadora de insuficiência cardíaca crônica com fração de ejeção preservada, é internada com hemoglobina de 6,8 g/dL, sendo indicada transfusão de concentrado de hemácias. Após aproximadamente uma hora do início da transfusão, inicia dispneia súbita, ortopneia. Frequência cardíaca de 105 bpm e pressão arterial de 150 x 90 mmHg. Saturação de oxigênio: 87% em ar ambiente. Estase jugular presente, ausculta pulmonar com estertores bilaterais, temperatura normal e sem outros sintomas. Qual é a hipótese diagnóstica?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Dispneia súbita até 6 horas após transfusão, com hipertensão, taquicardia, estase jugular, estertores bilaterais e afebril, em idosa com IC de FE preservada: quadro de TACO (sobrecarga circulatória associada à transfusão), um edema pulmonar hidrostático. Conduta: interromper a transfusão, sentar o paciente, oferecer oxigênio e diurético. O principal diferencial é a TRALI, que costuma cursar com hipotensão, febre e edema não cardiogênico, sem sinais de hipervolemia. A) Errada. A anafilaxia cursa com hipotensão, broncoespasmo, urticária ou angioedema. B) Correta. Hipertensão com sinais de congestão em cardiopata durante a transfusão define TACO. C) Errada. A reação hemolítica aguda tem febre, dor lombar, hipotensão e hemoglobinúria. D) Errada. A sepse transfusional tem febre alta, calafrios e hipotensão. E) Errada. A TRALI cursa com hipotensão e febre, sem estase jugular nem resposta a diurético. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são PA elevada, estase jugular e IC prévia, que indicam sobrecarga de volume, e a temperatura normal. Esses achados tornam improváveis a TRALI e as reações infecciosas ou hemolíticas. Fontes: ISBT. Transfusion-associated circulatory overload (TACO): revised surveillance definition, 2018 | Ministério da Saúde. Guia para o uso de hemocomponentes, 2ª ed., 2015 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 17)

Questão 15 · SUS-SP 2026

Homem, 40 anos de idade, sem comorbidades e assintomático, realizou sorologia para HIV, que foi positiva (confirmada por segundo método). A carga viral é menor que 100 cópias/mL, o CD4 é maior de 250 células/mm³. Foi iniciada terapia antirretroviral e, após 4 semanas, paciente apresenta reativação de herpes simples, carga viral indetectável e CD4 maior que 350 células/mm³. Assinale a alternativa correspondente à conduta adequada em relação à TARV.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Herpes simples que reaparece cerca de 4 semanas após o início da TARV, com carga viral indetectável e CD4 em alta, sugere síndrome inflamatória de reconstituição imune (SIRI) na forma desmascarada. Nesse quadro, a TARV deve ser mantida e a infecção oportunista tratada (no caso, aciclovir ou valaciclovir). Suspender a TARV traria rebote viral, e trocar o esquema não faz sentido porque ele está funcionando. Corticoide fica reservado para SIRI grave. A) Errada. Interromper a TARV leva à perda de resposta virológica e imunológica. B) Errada. Mesma razão: não se suspende a TARV por SIRI leve. C) Errada. Não há falha nem toxicidade; o esquema está funcionando. D) Correta. A conduta é manter a TARV e tratar o herpes. E) Errada. Prednisona é reservada para formas graves de SIRI (por exemplo, neurológica ou respiratória), não para herpes mucocutâneo. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a relação temporal com o início da TARV, a carga viral indetectável e a subida do CD4. Juntos, eles indicam que o herpes reflete a recuperação imune, e não falha do tratamento. Fontes: DHHS. Guidelines for the Use of Antiretroviral Agents in Adults and Adolescents With HIV, 2024 | Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, 2018 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 18)

Questão 16 · SUS-SP 2026

Mulher, 55 anos de idade, portadora de miocardiopatia dilatada idiopática. Eletrocardiograma com bloqueio de ramo esquerdo (QRS: 150 ms). Ecocardiograma mostra fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 25%, insuficiência mitral moderada a importante e disfunção sistólica do ventrículo direito. A paciente faz uso regular de furosemida 120 mg/dia, hidroclorotiazida 12,5 mg/dia, enalapril 20 mg/dia, carvedilol 50 mg/dia, espironolactona 25 mg/dia e empagliflozina 10 mg/dia. Apesar disso, mantém classe funcional III. Frequência cardíaca de 60 bpm e pressão arterial de 110 × 60 mmHg. Qual é a melhor conduta adicional nesse momento?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

IC com FEVE de 25% e classe funcional III, apesar de terapia otimizada (IECA, betabloqueador, espironolactona e iSGLT2), em ritmo sinusal com BRE e QRS de 150 ms: indicação classe I de terapia de ressincronização cardíaca. A TRC melhora sintomas, reduz hospitalizações e mortalidade e pode reduzir a insuficiência mitral funcional pelo remodelamento reverso. A) Errada. A ivabradina exige ritmo sinusal com FC ≥ 70 bpm; a paciente tem 60 bpm. B) Errada. A digoxina melhora sintomas, mas não tem o benefício de mortalidade da TRC e não é prioridade aqui. C) Errada. Hidralazina e nitrato são opção para intolerantes a IECA/BRA/INRA ou negros autodeclarados, não o próximo passo nesse perfil. D) Correta. TRC é a conduta adicional com indicação classe I. E) Errada. O reparo mitral percutâneo só é considerado após otimizar o tratamento, inclusive com TRC. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o BRE com QRS ≥ 150 ms, a FEVE ≤ 35% e a persistência de sintomas apesar da terapia otimizada. A FC de 60 bpm tira a ivabradina das opções. Fontes: SBC. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, 2018, e Atualização de Tópicos Emergentes, 2021 | ESC. Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure, 2021, e Focused Update, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 19)

Questão 17 · SUS-SP 2026

Mulher de 60 anos, portadora de diabetes mellitus do tipo 2 há 15 anos, em uso irregular de insulina e sem controle glicêmico adequado, procura atendimento médico devido a queixas de náuseas, plenitude pós-prandial e distensão associada aos sintomas. Refere episódios de vômitos alimentares mesmo após longos períodos em jejum. Nos últimos 7 meses, evidenciou uma perda ponderal de 8 kg. Nega dor abdominal. Realizou duas endoscopias recentes que evidenciaram resíduos alimentares gástricos em grande quantidade, mas sem lesões expansivas ou estenosantes no antro gástrico, piloro ou duodeno. Com base no caso clínico, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Diabética de longa data com mau controle, saciedade precoce, plenitude, vômitos de alimentos ingeridos horas antes e perda de peso. As endoscopias mostram resíduo gástrico sem obstrução mecânica: o quadro favorece gastroparesia diabética. A base é a neuropatia autonômica vagal causada pela hiperglicemia crônica, e a hiperglicemia aguda também retarda o esvaziamento. O diagnóstico é confirmado por cintilografia de esvaziamento gástrico. A) Errada. A disfunção está ligada à hiperglicemia, não à hipoglicemia. B) Errada. A metoclopramida é procinético recomendado (atenção à discinesia tardia), não contraindicado. C) Errada. A dieta recomendada tem pouca gordura e pouca fibra, em refeições pequenas e frequentes. D) Correta. Neuropatia autonômica vagal por hiperglicemia crônica é a base fisiopatológica. E) Errada. Nos casos refratários há opções como procedimentos pilóricos (G-POEM, piloroplastia) e estimulação elétrica; gastrojejunostomia aberta não é a escolha. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o DM de 15 anos com mau controle e o resíduo alimentar sem lesão obstrutiva em duas endoscopias. A banca não informou cintilografia; o quadro clínico torna a gastroparesia o diagnóstico mais provável. Fontes: Camilleri M et al. ACG Clinical Guideline: Gastroparesis (Am J Gastroenterol), 2022 | Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial da SBD, 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 28)

Questão 18 · SUS-SP 2026

Um homem de 45 anos encontra-se internado há 05 dias em leito de UTI devido a quadro de choque séptico de foco cutâneo (abscesso perianal) revertido após drenagem cirúrgica. Em uso de noradrenalina em baixas doses e necessidade de ventilação mecânica há 3 dias, quadro de insuficiência respiratória secundária à pneumonia hospitalar. Hoje, foi submetido a sondagem nasoenteral para alimentação. Exames laboratoriais revelam melhora lenta, porém progressiva do quadro infeccioso. Exames laboratoriais: Hb: 9,8 mg/dL, leucócitos: 11.000, PCR de 2,2 (antes 6,2), INR de 2,2 e plaquetas de 58.000/mm³. A equipe médica discute a necessidade de profilaxia medicamentosa para úlcera de estresse com inibidor da bomba de prótons (IBP). Assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Paciente de UTI em ventilação mecânica há mais de 48 horas, com choque em uso de vasopressor e coagulopatia (INR 2,2; plaquetas 58 mil): somam-se vários fatores de risco para sangramento por úlcera de estresse, e a profilaxia está indicada. As diretrizes de 2024 preferem IBP aos bloqueadores H2. O ensaio REVISE (2024) mostrou menos sangramento clinicamente importante com pantoprazol em pacientes ventilados. A nutrição enteral deve ser mantida. A) Errada. Com esses fatores de risco, o benefício supera o risco de pneumonia. B) Errada. A nutrição enteral não aumenta o risco e deve ser mantida. C) Correta. Ventilação mecânica, choque e coagulopatia indicam profilaxia com IBP. D) Errada. Idade não define indicação, e a ventilação mecânica é fator de risco. E) Errada. Os bloqueadores H2 não são superiores aos IBP; as diretrizes sugerem IBP. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o INR de 2,2, as plaquetas de 58 mil, a ventilação mecânica há 3 dias e o uso de noradrenalina. Juntos, eles colocam o paciente em alto risco de sangramento gastrointestinal. Fontes: MacLaren R et al. SCCM/ASHP Guidelines for the Prevention of Stress-Related Gastrointestinal Bleeding in Critically Ill Adults (Crit Care Med), 2024 | Cook D et al. Stopping Stress Ulcer Prophylaxis in Ventilated Patients: REVISE trial (N Engl J Med), 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 29)

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