Questões de Ginecologia e obstetrícia: SUS-SP 2026
Esta área reúne 20 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Pré-natal e fisiologia da gestação (4), Sangramentos da gestação (3), Climatério (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Ginecologia e obstetrícia | 20 |
- Pré-natal e fisiologia da gestação4
- Sangramentos da gestação3
- Climatério2
- Endocrinologia ginecológica2
- Intercorrências obstétricas2
- Contracepção1
- Diabetes gestacional1
- Endometriose e dor pélvica1
- Infecções na gestação1
- Mastologia1
Todas as questões da área
Questão 1 · SUS-SP 2026
G.M.V., 37 anos, GIII PII 1C1N A0, IG 17 semanas, sem ultrassonografia prévia, apresenta sangramento vaginal escuro em quantidade moderada, vômitos incoercíveis, taquicardia e fraqueza muscular. Ao exame: AU 20 cm; BCF inaudível; PA 170 x 90 mmHg; colo amolecido, impérvio. Assinale o diagnóstico e complicação mais prováveis.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Gestação de 17 semanas com sangramento escuro, útero maior que a idade gestacional (AU 20 cm), BCF inaudível e hiperêmese: o quadro favorece mola hidatiforme completa. O hCG muito elevado estimula a tireoide (hipertireoidismo com taquicardia) e se associa a pré-eclâmpsia precoce. PA 170 x 90 mmHg antes de 20 semanas é, por definição, achado que obriga a investigar doença trofoblástica gestacional. A confirmação é feita por ultrassonografia e β-hCG quantitativo. A) Errada. Gestação ectópica não produz útero de 20 cm nem cursa com hipertensão. B) Errada. No aborto incompleto o colo costuma estar pérvio e o útero menor que a IG; hipertensão transitória não ocorre antes de 20 semanas. C) Errada. No aborto completo o útero é pequeno e o colo fechado, sem justificar hiperêmese e hipertensão. D) Errada. A ameaça de aborto tem BCF presente e útero compatível com a IG; hipotireoidismo não explica o quadro. E) Correta. Mola completa com doença hipertensiva específica da gestação de início precoce. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a discrepância entre AU e IG, BCF inaudível, sangramento escuro, hiperêmese e hipertensão grave antes de 20 semanas. A banca não forneceu ultrassonografia nem β-hCG, então o diagnóstico é clínico e de maior probabilidade. Fontes: FIGO. Cancer Report: update on the diagnosis and management of gestational trophoblastic disease (Int J Gynecol Obstet), 2021 | ACOG. Practice Bulletin nº 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia, 2020 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 61)
Questão 2 · SUS-SP 2026
M. A. F., GII PI 1C (há 3 anos) A0, idade gestacional de 24 semanas, vem à consulta de pré-natal com dúvidas em relação à vacinação. Gostaria de ter informações sobre as vacinas: hepatite B, tétano, dentre outras. Sorologias: HBsAg negativo; Anti-Hbs negativo, rubéola IgM negativo, IgG negativo. Tipagem sanguínea A negativo. Parceiro: tipagem sanguínea B negativo. Com relação a esse caso, assinale a alternativa que representa a conduta correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A tríplice viral é vacina de vírus vivos atenuados e está contraindicada na gestação; a gestante suscetível à rubéola (IgG negativo) deve ser vacinada no puerpério. A dTpa é indicada em toda gestação a partir de 20 semanas, mesmo que aplicada em gestação anterior. A hepatite B pode e deve ser iniciada em qualquer idade gestacional em suscetível (anti-HBs negativo). A vacina HPV é adiada para após o parto. A febre amarela é contraindicada na gestação, exceto em situação de risco elevado, após avaliação de risco-benefício. A) Errada. A contraindicação da febre amarela na gestação é relativa: pode ser feita em situação de risco epidemiológico. B) Errada. A vacina HPV não é aplicada na gestação. C) Errada. A dTpa deve ser repetida em cada gestação. D) Correta. Tríplice viral no puerpério. E) Errada. A hepatite B deve ser iniciada já, sem esperar o 3º trimestre. Análise de contexto do gabarito: a sorologia com rubéola IgG negativo mostra suscetibilidade, e a idade gestacional de 24 semanas impede a vacina de vírus vivo até o puerpério. Fontes: Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 | Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 62)
Questão 3 · SUS-SP 2026
A ultrassonografia é o método diagnóstico mais utilizado para a pesquisa pré-natal das inúmeras anomalias congênitas. Essa técnica permite uma análise detalhada da anatomia fetal, auxilia o diagnóstico das malformações e as possíveis associações com as cromossomopatias. Sobre o ultrassom morfológico de primeiro trimestre, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
No ultrassom de 11 a 14 semanas, o índice de pulsatilidade das artérias uterinas é um dos componentes do rastreio combinado de pré-eclâmpsia (com história materna, pressão arterial média e PlGF), pelo algoritmo da Fetal Medicine Foundation. Rastreio de alto risco indica AAS em baixa dose até 16 semanas. O rastreio de trissomias exige CCN entre 45 e 84 mm. A) Errada. A regurgitação tricúspide é marcador de aneuploidia e de cardiopatia, mas não marcador maior definitivo. B) Correta. Doppler das artérias uterinas integra o cálculo de risco de pré-eclâmpsia. C) Errada. Artérias umbilicais não fazem parte do protocolo de 1º trimestre. D) Errada. A faixa de CCN validada é 45 a 84 mm. E) Errada. O colo uterino é medido por via transvaginal, com bexiga vazia. Análise de contexto do gabarito: a questão é conceitual sobre o protocolo do exame de 11-14 semanas; os números de CCN e a via de medida do colo diferenciam as alternativas. Fontes: Bilardo CM et al. ISUOG Practice Guidelines (updated): performance of 11–14-week ultrasound scan. Ultrasound Obstet Gynecol, 2023 | Poon LC et al. FIGO initiative on pre-eclampsia: a pragmatic guide for first-trimester screening and prevention. Int J Gynaecol Obstet, 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 63)
Questão 4 · SUS-SP 2026
A prematuridade é a principal causa de morbimortalidade neonatal, com riscos graves de complicações neonatais e incapacidade em longo prazo. Assim, identificar gestantes que apresentam maior risco para parto pré-termo é estratégia importante para prevenção secundária. A respeito dessa investigação, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Na gestante com antecedente de parto pré-termo espontâneo antes de 34 semanas, colo uterino menor que 25 mm na ultrassonografia transvaginal antes de 24 semanas indica cerclagem. O colo é medido por via transvaginal com bexiga vazia; o afunilamento (dedo de luva) acrescenta risco mas não é necessário para definir colo curto. Desnutrição, tabagismo e vaginose bacteriana são fatores de risco para prematuridade. A) Errada. Todos são fatores de risco reconhecidos. B) Errada. O ponto de corte mais usado é 25 mm, e o rastreio é recomendado também para a população geral. C) Errada. A medida é transvaginal. D) Errada. Colo curto é definido pelo comprimento, independentemente do afunilamento. E) Correta. Colo < 25 mm + parto prévio < 34 semanas indica cerclagem. Análise de contexto do gabarito: a associação entre colo curto e antecedente de parto pré-termo é o que define a indicação de cerclagem; colo curto isolado, sem esse antecedente, é tratado com progesterona vaginal. Fontes: ACOG Practice Bulletin nº 142: Cerclage for the Management of Cervical Insufficiency, 2014 | Coutinho CM et al. ISUOG Practice Guidelines: role of ultrasound in the prediction of spontaneous preterm birth. Ultrasound Obstet Gynecol, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 64)
Questão 5 · SUS-SP 2026
Puérpera, encontra-se no tempo de 3 horas após parto vaginal e inicia quadro de sangramento vaginal aumentado e persistente. Estável hemodinamicamente. Assinale a alternativa que representa a primeira conduta a ser tomada diante do conhecimento da principal causa de hemorragia pós-parto.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A atonia uterina é a principal causa de hemorragia pós-parto (cerca de 70% dos casos, o "tônus" dos 4 Ts). Diante de sangramento aumentado no pós-parto, a primeira conduta, junto com a avaliação do fundo uterino, é a massagem uterina bimanual, acompanhada de uterotônico (ocitocina) e ácido tranexâmico em até 3 horas do parto. Avaliação de trauma, retenção de tecido e coagulopatia vem em seguida. A) Errada. Exame especular busca lacerações (trauma), segunda causa mais frequente. B) Errada. Ultrassom ajuda a avaliar restos placentários, mas não é a primeira conduta. C) Errada. O teste do tubo seco avalia coagulopatia, etapa posterior. D) Correta. Massagem uterina trata a causa mais comum. E) Errada. Laparotomia é reservada a falha das medidas clínicas e menos invasivas. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede a primeira conduta com base na principal causa; com a paciente estável, inicia-se pelo tratamento da atonia. Fontes: Organização Pan-Americana da Saúde. Recomendações assistenciais para prevenção, diagnóstico e tratamento da hemorragia obstétrica, 2018 | WHO recommendations on the assessment of postpartum blood loss and use of a treatment bundle for postpartum haemorrhage, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 65)
Questão 6 · SUS-SP 2026
T.F.N., 34 anos, GII PI 1C A0, idade gestacional cronológica de 8 semanas, deu entrada em PSO com queixa de dor de início súbito em abdome inferior. Refere sangramento vaginal escuro em pequena quantidade há alguns dias. Ao exame: paciente hipocorada ++/4+, especular: colo uterino sem lesões, pequena quantidade de sangue escuro coletado em fundo de saco posterior. Sem sangramento ativo. TV: colo impérvio. Abdome: DB (dor à descompressão brusca): positiva. PA: 80 x 50 mmHg, FC: 110 bpm. De acordo com o caso apresentado, assinale alternativa que representa o diagnóstico mais provável.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Gestação de 8 semanas com dor abdominal súbita, sangramento escuro discreto, colo impérvio, sangue em fundo de saco, descompressão brusca positiva e choque (PA 80 x 50 mmHg, FC 110 bpm) desproporcional ao sangramento externo sugere prenhez ectópica rota com hemoperitônio. A conduta é estabilização e cirurgia de urgência. A) Errada. A mola costuma ter sangramento externo, útero aumentado e hiperêmese, sem peritonite. B) Errada. Aborto retido tem colo fechado, mas sem dor súbita, choque ou peritonite. C) Errada. Aborto incompleto tem colo pérvio e sangramento externo volumoso. D) Errada. Torção de ovário causa dor súbita, mas não choque hemorrágico com sangue em fundo de saco. E) Correta. Choque com peritonite e sangramento externo pequeno indica hemoperitônio. Análise de contexto do gabarito: a combinação de choque, descompressão brusca positiva e colo impérvio com sangramento escasso define o sangramento intra-abdominal. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | ACOG Practice Bulletin nº 193: Tubal Ectopic Pregnancy, 2018 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 66)
Questão 7 · SUS-SP 2026
R.B.M., 28 anos, secundigesta, idade gestacional de 11 semanas, vem à segunda consulta de pré-natal com resultado de glicemia de jejum de 92 mg/dL. Nega comorbidades. IMC 24 kg/m². Com relação a esse caso, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
No Brasil, pelo consenso OPAS/MS/FEBRASGO/SBD, glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL em qualquer momento da gestação, inclusive no 1º trimestre, diagnostica diabetes mellitus gestacional, sem necessidade de TOTG confirmatório. Valores ≥ 126 mg/dL indicam diabetes prévio (overt diabetes). O tratamento inicial é dieta, atividade física e monitorização glicêmica; se não houver controle, a insulina é a primeira escolha farmacológica. A) Correta. Jejum de 92 mg/dL fecha o diagnóstico de diabetes gestacional. B) Errada. Overt diabetes exige jejum ≥ 126 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%. C) Errada. O diagnóstico já foi feito; não se repete com TOTG. D) Errada. Glicada não é necessária para o diagnóstico. E) Errada. O tratamento inicial é não farmacológico; metformina não é a primeira escolha. Análise de contexto do gabarito: o único dado laboratorial é a glicemia de jejum de 92 mg/dL com 11 semanas, exatamente no limite inferior do critério diagnóstico. Fontes: OPAS, Ministério da Saúde, FEBRASGO, SBD. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil, 2017 | Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial da SBD, 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 67)
Questão 8 · SUS-SP 2026
A gemelidade tem uma importância fundamental, pois eleva a taxa de morbidade materna e morbidade e mortalidade fetal. A respeito da gestação gemelar, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A corionicidade é o principal determinante de risco da gestação gemelar e deve ser definida no ultrassom precoce, idealmente entre 11 e 14 semanas, quando os sinais do lambda e do T são mais confiáveis. Depois do 2º trimestre a membrana afina e o sinal do lambda pode desaparecer, reduzindo a acurácia. A) Correta. O ultrassom do 1º trimestre é o melhor momento para definir corionicidade e amnionicidade. B) Errada. O sinal do lambda (projeção coriônica entre as membranas) indica gestação dicoriônica. C) Errada. O sinal do T indica gestação monocoriônica diamniótica; na monoamniótica não há membrana. D) Errada. Cerca de um terço das monozigóticas (divisão até o 3º dia) é dicoriônica e diamniótica. E) Errada. A transfusão feto-fetal depende de anastomoses vasculares placentárias e ocorre em monocoriônicas. Análise de contexto do gabarito: O enunciado pede a afirmação correta sobre conceitos gerais; a única alternativa que não troca sinal ultrassonográfico, zigosidade ou corionicidade é a que define o momento ideal de avaliação. Fontes: ISUOG. Practice Guidelines: role of ultrasound in twin pregnancy, 2016 | Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 68)
Questão 9 · SUS-SP 2026
O uso da ultrassonografia endovaginal possibilitou o diagnóstico correto de uma gestação, antes mesmo do atraso menstrual, tornando-o cada vez mais precoce e preciso. Assinale a alternativa que representa, corretamente, os sinais ecográficos, em ordem cronológica de aparecimento e desenvolvimento na gestação.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Na ultrassonografia transvaginal, a sequência de aparecimento é: reação decidual, saco gestacional (cerca de 4,5 a 5 semanas), vesícula vitelínica (cerca de 5 a 5,5 semanas), embrião e, logo depois, batimentos cardioembrionários (cerca de 6 semanas). A vesícula vitelínica é a primeira estrutura visível dentro do saco gestacional e precede o embrião. A) Errada. Coloca embrião e batimentos antes da vesícula vitelínica e do saco gestacional. B) Errada. A reação decidual antecede o saco gestacional. C) Errada. Sequência invertida. D) Correta. Reação decidual, saco gestacional, vesícula vitelínica, embrião e batimentos. E) Errada. A vesícula vitelínica aparece antes do embrião, e a reação decidual é o primeiro sinal. Análise de contexto do gabarito: A questão cobra apenas a cronologia; os dois pontos que separam as alternativas são a reação decidual antes do saco e a vesícula vitelínica antes do embrião. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | Doubilet PM et al. Diagnostic criteria for nonviable pregnancy early in the first trimester. N Engl J Med, 2013 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 69)
Questão 10 · SUS-SP 2026
Há um conceito emergente de que a pré-eclampsia, na verdade, seja uma síndrome que compreenda diferentes doenças e que a manifestação clínica de cada uma resulte da resposta constitucional materna à placentação, com subsequente inflamação, estresse oxidativo e disfunção endotelial e angiogênica. Com relação a essa suposta síndrome, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
A pré-eclâmpsia é hipertensão após 20 semanas com proteinúria ou, na ausência dela, sinais de lesão de órgão-alvo ou disfunção uteroplacentária. A relação proteína/creatinina em amostra isolada maior ou igual a 0,3 equivale à proteinúria significativa (maior ou igual a 300 mg/24 h). A forma precoce é a mais associada à má placentação e à isquemia placentária. A) Errada. Quanto mais precoce, maior a relação com isquemia placentária e disfunção angiogênica. B) Errada. A proteinúria não é obrigatória para o diagnóstico desde as classificações atuais (ACOG, ISSHP, MS). C) Errada. A magnitude da proteinúria não define gravidade nem conduta. D) Errada. A maioria das convulsões ocorre antes do parto ou no periparto. E) Correta. Relação proteína/creatinina maior ou igual a 0,3 caracteriza proteinúria significativa. Análise de contexto do gabarito: O enunciado trata a pré-eclâmpsia como síndrome heterogênea e pede o critério correto; a única alternativa que traz um ponto de corte diagnóstico aceito é a da relação proteína/creatinina. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | ACOG Practice Bulletin 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia, 2020 | ISSHP. Classification, diagnosis and management of the hypertensive disorders of pregnancy, 2021 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 70)
Questão 11 · SUS-SP 2026
P.L.M., 32 anos, GIII PII 2C A0, idade gestacional de 36 semanas, deu entrada em PSO com queixa de sangramento vaginal vermelho vivo, de início há 30 minutos. Nega dor, nega contração uterina. Ao exame físico: exame especular: colo uterino sem lesões, moderada quantidade de sangue coletado em fundo de saco posterior. BCF 140 bpm. PA 100 x 70 mmHg; FC 85 bpm. De acordo com esse caso acima, o diagnóstico mais provável é de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Sangramento vaginal vermelho vivo, indolor, sem contrações, no 3º trimestre, com mãe estável e BCF normal é o quadro clássico de placenta prévia. Duas cesáreas anteriores são fator de risco importante. A conduta inicial é não realizar toque vaginal e confirmar a localização placentária por ultrassonografia. A) Errada. O descolamento prematuro de placenta cursa com dor, hipertonia e frequentemente sofrimento fetal. B) Correta. Sangramento indolor, vermelho vivo e útero sem contrações em multípara com cesáreas prévias. C) Errada. A vasa prévia sangra após amniorrexe, com sofrimento fetal agudo; o BCF aqui é normal. D) Errada. A rotura de seio marginal é diagnóstico de exclusão, geralmente pós-parto. E) Errada. A rotura uterina cursa com dor intensa, instabilidade e alteração do BCF. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são ausência de dor e de contração, sangue vermelho vivo, BCF 140 bpm e o antecedente de duas cesáreas. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | RCOG Green-top Guideline 27a: Placenta Praevia and Placenta Accreta, 2018 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 71)
Questão 12 · SUS-SP 2026
Na avaliação da menina com suspeita de puberdade precoce, é importante investigar o histórico familiar, as condições de nascimento e desenvolvimento, a ingestão de medicamentos, entre outros fatores. Assinale a alternativa que apresenta a medicação mais indicada para o tratamento de puberdade precoce verdadeira.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A puberdade precoce verdadeira (central) decorre da ativação precoce do eixo hipotálamo-hipófise-gônada. O tratamento de escolha é o análogo de GnRH de depósito: o estímulo contínuo dessensibiliza os receptores hipofisários, suprime LH e FSH, interrompe a progressão puberal e preserva a estatura final. A) Correta. Análogos de GnRH (leuprorrelina, triptorrelina) são o tratamento padrão. B) Errada. Estrogênio acelera a maturação óssea e a puberdade. C) Errada. Terapia hormonal combinada não suprime o eixo e agrava os efeitos puberais. D) Errada. Progestagênios isolados (medroxiprogesterona) são opção antiga e inferior, sem preservar a estatura. E) Errada. Hidrocortisona trata hiperplasia adrenal congênita, causa periférica (independente de GnRH). Análise de contexto do gabarito: O termo puberdade precoce verdadeira define a origem central; isso direciona para o bloqueio do eixo, não para reposição ou glicocorticoide. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Puberdade Precoce Central, 2017 | Bangalore Krishna K et al. Use of GnRH analogs in children: update by an international consortium. Horm Res Paediatr, 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 72)
Questão 13 · SUS-SP 2026
A endometriose é uma afecção que acomete cerca de 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva, sendo um problema de saúde pública, tanto por impactar a saúde física e psicológica, como socioeconomicamente, pelos custos do diagnóstico, tratamento e monitoramento. A respeito dessa doença, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A confirmação definitiva da endometriose é feita pela visualização das lesões na laparoscopia, idealmente com histologia, por isso é considerada padrão-ouro. A ESHRE 2022 passou a valorizar a ultrassonografia transvaginal especializada e a ressonância como exames de primeira linha, reservando a laparoscopia diagnóstica para casos com imagem negativa e falha terapêutica. A) Errada. Há relatos em homens (exposição a estrogênio) e em meninas pré-menarca. B) Errada. A tomografia tem baixo valor; os exames de imagem de escolha são USG transvaginal com preparo e ressonância. C) Errada. O marcador eventualmente elevado é o CA-125, de baixa especificidade. D) Correta. A laparoscopia com biópsia é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica. E) Errada. Combinados e progestagênios isolados têm eficácia semelhante no controle da dor. Análise de contexto do gabarito: A questão pede conceitos clássicos; a pergunta é sobre padrão-ouro, e não sobre o primeiro exame a solicitar. Fontes: ESHRE. Guideline Endometriosis, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 73)
Questão 14 · SUS-SP 2026
Mulher de 49 anos vem ao consultório ginecológico queixando-se de irritabilidade, distúrbio de sono, calorões noturnos e irregularidade menstrual há cerca de 4 meses. Refere apenas 1 cirurgia prévia: tireoidectomia por câncer de tireoide, há cerca de 5 anos. Comorbidade: Obesidade, com IMC 32 kg/m². Mamografia sem alterações; FSH: 80 mUI/mL. Assinale a alternativa que apresenta a melhor opção de tratamento para essa paciente.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Mulher na transição menopáusica com sintomas vasomotores, distúrbio do sono e FSH elevado tem indicação de terapia hormonal, sem contraindicação no enunciado (câncer de tireoide não contraindica). Como tem útero, precisa de progestagênio para proteção endometrial. A obesidade aumenta o risco tromboembólico, e a via transdérmica do estrogênio, sem primeira passagem hepática, tem menor risco de trombose. A) Errada. Estrogênio isolado em mulher com útero aumenta o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. B) Errada. Progesterona isolada não é o tratamento de escolha para sintomas vasomotores. C) Correta. Estrogênio transdérmico com progesterona protege o endométrio e reduz risco tromboembólico. D) Errada. O estrogênio oral tem maior risco tromboembólico, relevante com IMC 32. E) Errada. A paroxetina é alternativa para quem tem contraindicação à terapia hormonal. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são útero presente (sem histerectomia relatada), IMC 32 e mamografia normal; o antecedente de câncer de tireoide não altera a indicação hormonal. Fontes: SOBRAC. Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal da Menopausa, 2018 | The Menopause Society. The 2022 Hormone Therapy Position Statement, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 76)
Questão 15 · SUS-SP 2026
I.S.K., 28 anos, em PO3 de parto vaginal, sem intercorrências. Em amamentação exclusiva. Prole constituída. Solicita, ainda antes da alta, um método anticoncepcional. Nega comorbidades. Nega tabagismo. Assinale a alternativa que apresenta o método anticoncepcional mais adequado, em relação ao período de puerpério e a história clínica dessa paciente.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
No puerpério imediato com amamentação exclusiva, métodos com estrogênio (pílula combinada, anel) são contraindicados pelo risco tromboembólico e pela interferência na lactação. O implante de etonogestrel é contraceptivo reversível de longa duração, apenas com progestagênio, não prejudica a amamentação e pode ser inserido antes da alta, sendo o mais adequado para quem tem prole constituída. A) Errada. Contém estrogênio, contraindicado no puerpério precoce com amamentação. B) Errada. O anel vaginal também contém estrogênio. C) Correta. Implante de etonogestrel: alta eficácia, só progestagênio, inserção imediata. D) Errada. No 3º dia pós-parto o DIU está fora da janela ideal (até 10 minutos pós-dequitação ou após 4 semanas), com maior risco de expulsão. E) Errada. O injetável trimestral é opção aceitável, mas de menor eficácia e com retorno mais lento da fertilidade que o implante. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são o 3º dia pós-parto, a amamentação exclusiva e o desejo de método antes da alta em quem já tem prole constituída. Fontes: WHO. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 5th ed., 2015 | CDC. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 77)
Questão 16 · SUS-SP 2026
Menina de 9 anos de idade com corrimento genital mucoide há 3 meses. Mãe relata que, há 12 meses, iniciou pubarca e telarca. Ao exame, pelos pubianos e mamas no estádio II de Tanner, clitóris e formação labial normais, introito vaginal sem corrimento. Qual é o diagnóstico mais provável?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Em meninas, puberdade precoce é o início de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos. Aqui, telarca e pubarca começaram por volta dos 8 anos, evoluíram de forma harmônica para Tanner II em 12 meses, com genitália normal. O corrimento mucoide é a leucorreia fisiológica causada pelo estímulo estrogênico da puberdade. A) Errada. O início ocorreu aos 8 anos, dentro da faixa normal. B) Errada. Não há sinais de virilização (clitóris normal) ou de fonte hormonal autônoma. C) Errada. Telarca precoce isolada não inclui pubarca. D) Errada. Pubarca precoce isolada não inclui telarca. E) Correta. Puberdade fisiológica com leucorreia fisiológica. Análise de contexto do gabarito: A idade de início (9 anos menos 12 meses) define a resposta; a progressão em sequência normal e o exame genital normal tornam improvável causa patológica. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Puberdade Precoce Central, 2017 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 78)
Questão 17 · SUS-SP 2026
A relação entre densitometria óssea e fraturas é tão estreita que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu pontos de corte densitométricos para a classificação diagnóstica de osteoporose e osteopenia na população. Assinale a alternativa que representa informações corretas sobre o T-score.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
O T-score compara a densidade mineral óssea do paciente com o pico de massa óssea de adultos jovens do mesmo sexo, em desvios-padrão. Pela OMS, T-score maior que -1 é normal, entre -1 e -2,5 é osteopenia e menor ou igual a -2,5 é osteoporose. Cada desvio-padrão a menos aumenta o risco relativo de fratura em cerca de 1,5 a 2 vezes. A) Errada. Risco absoluto em 10 anos é estimado pelo FRAX. B) Errada. A comparação com pessoas da mesma idade e sexo é o Z-score. C) Correta. O T-score expressa o risco relativo em comparação com adultos jovens. D) Errada. O T-score não estima risco em período definido. E) Errada. Quanto mais negativo o T-score, menor a densidade óssea e maior o risco de fratura. Análise de contexto do gabarito: A questão cobra a definição do T-score e o diferencia do Z-score e do FRAX. Fontes: Radominski SC et al. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Rev Bras Reumatol, 2017 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 79)
Questão 18 · SUS-SP 2026
Mulher de 52 anos, nulípara, menopausa há 1 ano. Submetida à mamografia de rotina, evidenciou: área em QSL de mama esquerda, demonstrando calcificações 'em pipoca'. Considerando-se o exposto, assinale a alternativa que representa a orientação adequada à paciente.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Calcificações grosseiras em pipoca são típicas de fibroadenoma em involução e classificadas como BI-RADS 2 (achado benigno). Esse achado não requer biópsia nem exame complementar: mantém-se o rastreamento mamográfico de rotina conforme idade e risco. A) Errada. Não há indicação de punção em achado benigno. B) Errada. Mamotomia é usada em microcalcificações suspeitas, não em calcificações benignas típicas. C) Correta. BI-RADS 2: controle mamográfico de rotina. D) Errada. A ultrassonografia não muda a conduta em calcificação benigna típica. E) Errada. A ressonância não está indicada. Análise de contexto do gabarito: A descrição em pipoca define a categoria benigna; idade, nuliparidade e menopausa não mudam a conduta. Fontes: American College of Radiology. ACR BI-RADS Atlas, 5th ed., 2013 | Urban LABD et al. Recomendações do CBR, SBM e FEBRASGO para o rastreamento do câncer de mama. Radiol Bras, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 80)
Questão 19 · SUS-SP 2026
Mulher grávida de 27 anos passa o dia com seu sobrinho de 12 anos em uma festa familiar. No dia seguinte, o seu sobrinho desenvolve uma erupção vesicular generalizada, que é diagnosticada como varicela. Ela entrou em contato com o médico obstetra no mesmo dia, preocupada com os riscos da varicela, pois nunca havia tido essa doença e não lembra de ter sido vacinada. A paciente está com 34 semanas de gravidez e tem apenas asma intermitente. Nesse cenário, constitui a próxima recomendação de escolha:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Gestante exposta à varicela sem história de doença e sem registro vacinal deve ter a imunidade confirmada por sorologia (IgG anti-VZV), porque a maioria dos adultos sem história lembrada já é imune. Se o resultado sair rápido, a imunoglobulina específica (VZIG) é reservada às suscetíveis, e pode ser aplicada até 10 dias após a exposição. A vacina é de vírus vivo e contraindicada na gestação. A) Errada. Vacina de vírus vivo atenuado é contraindicada na gestação. B) Errada. A imunoglobulina é indicada após confirmar suscetibilidade, quando a sorologia pode ser obtida dentro da janela. C) Correta. Coletar sorologia IgG para VZV define se há suscetibilidade e necessidade de VZIG. D) Errada. Antiviral pós-exposição não é a conduta inicial de escolha. E) Errada. A exposição foi significativa (dia inteiro, contato próximo), não cabe apenas observar. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são exposição no dia anterior, ausência de comprovação de imunidade e contato precoce com o médico, o que permite colher a sorologia antes de indicar imunoglobulina. Fontes: RCOG. Green-top Guideline 13: Chickenpox in Pregnancy, 2015 | CDC. Updated recommendations for use of VariZIG. MMWR, 2013 | Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 84)
Questão 20 · SUS-SP 2026
Gestante de 30 anos, G2P1A0, é atendida em primeira consulta de pré-natal, com idade gestacional calculada em 10 semanas. Ela trabalha como assistente administrativa, é casada e tem bom suporte familiar. A gestação anterior resultou em um recém-nascido de 3.850 g, nascido de parto vaginal. Atualmente, queixa-se de náuseas moderadas ao longo do dia, sem vômitos, e pirose leve, principalmente após o almoço. Peso pré-gestacional: 75 kg; IMC: 27,5 kg/m². Ao exame físico: pressão arterial: 118 x 76 mmHg; frequência cardíaca: 84 bpm; a altura uterina é compatível com a idade gestacional e os batimentos cardiofetais estão presentes e rítmicos. Exames atuais: hemograma: normal; tipagem sanguínea: grupo A/Rh positivo; glicemia de jejum: 95 mg/dL; VDRL, anti-HIV e HBsAg: não reagentes; toxoplasmose: IgG reagente e IgM não reagente. Exame de urina e urocultura: normais. Seu cartão de vacina mostra esquema primário completo para difteria e tétano (dT) na adolescência, com a última dose de reforço há 8 anos. Nesse momento, a conduta de escolha é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Pelo critério adotado no Brasil (OPAS/MS/FEBRASGO/SBD, baseado no IADPSG), glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL em qualquer momento da gestação já fecha o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional. Glicemia de 95 mg/dL com 10 semanas é, portanto, DMG, e a conduta inicial é orientação nutricional, atividade física e monitorização glicêmica capilar. A) Errada. O manejo da náusea é adequado, mas não é a conduta prioritária diante de um diagnóstico de DMG. B) Errada. Consulta só em dois meses ignora o diagnóstico de DMG e o calendário mínimo de pré-natal. C) Correta. Glicemia de jejum de 95 mg/dL diagnostica DMG e indica tratamento não farmacológico com monitorização. D) Errada. Sobrepeso e recém-nascido de 3.850 g não indicam isoladamente pré-natal de alto risco. E) Errada. O TOTG de 24 a 28 semanas é para quem tem jejum inicial abaixo de 92 mg/dL. Análise de contexto do gabarito: O dado decisivo é a glicemia de jejum de 95 mg/dL; os demais exames, a vacina e os sintomas digestivos são distratores. Fontes: OPAS/Ministério da Saúde/FEBRASGO/SBD. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil, 2017 | Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial: Rastreamento e diagnóstico de DMG, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 86)