Questões de Cirurgia: SUS-SP 2026

Esta área reúne 15 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Esôfago, estômago e bariátrica (5), Cólon e proctologia (4), Fígado, vias biliares e pâncreas (2).

Perfil da prova em números

Questões por área
ÁreaQuestões
Cirurgia15
Os 10 temas mais frequentes
  • Esôfago, estômago e bariátrica5
  • Cólon e proctologia4
  • Fígado, vias biliares e pâncreas2
  • Trauma / ATLS2
  • Cirurgia torácica1
  • Perioperatório e anestesia1

Todas as questões da área

Questão 1 · SUS-SP 2026

Mulher de 36 anos com histórico de DPOC, em uso de prednisona 10 mg/dia, há 2 anos, dá entrada no pronto atendimento com quadro de dor abdominal difusa associada a distensão e febre. A tomografia de abdome, realizada na admissão, evidenciou sinais de pneumoperitônio. Foi submetida à laparotomia exploradora com achado de úlcera duodenal perfurada, sendo submetida à duodenorrafia primária com confecção de patch omental. Durante a abordagem cirúrgica, apresentou quadro de hipotensão refratária à reposição volêmica, sendo necessário uso de drogas vasoativas. Evoluiu com manutenção da hipotensão no pós-operatório imediato, mantendo PA: 80 x 50 mmHg, hipoglicemia (glicemia capilar 56 mg/dL). A diurese também mostra-se diminuída, havendo hiponatremia (Na+ 128 mEq/L) com potássio sérico normal. Com base na hipótese diagnóstica mais provável, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Corticoterapia crônica (prednisona 10 mg/dia há 2 anos) suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Sob o estresse de cirurgia e peritonite, a adrenal não responde e sobrevém crise adrenal: hipotensão refratária a volume e vasopressor, hipoglicemia e hiponatremia. O potássio normal é esperado na forma secundária, porque a aldosterona depende do sistema renina-angiotensina. Tratamento imediato: hidrocortisona EV (100 mg em bolus, depois 200 mg/dia), sem aguardar exames. A) Errada. A forma é secundária (iatrogênica), e no pós-operatório imediato a prioridade é hidrocortisona EV, não mineralocorticoide oral. B) Correta. Crise adrenal por supressão do eixo após corticoterapia prolongada, tratada com hidrocortisona EV. C) Errada. O uso prévio de prednisona é justamente o que predispõe à insuficiência adrenal perioperatória. D) Errada. Na crise adrenal o tratamento não deve ser adiado por teste diagnóstico. E) Errada. Potássio normal é compatível com insuficiência adrenal secundária e não torna o diagnóstico improvável. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a corticoterapia prolongada sem cobertura de estresse e a tríade hipotensão refratária, hipoglicemia e hiponatremia com potássio normal. A sepse abdominal também contribui para o choque, o que não muda a indicação de hidrocortisona. Fontes: Beuschlein F et al. ESE/Endocrine Society Clinical Practice Guideline on Glucocorticoid-Induced Adrenal Insufficiency, 2024 | Bornstein SR et al. Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency: Endocrine Society Clinical Practice Guideline, 2016 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 22)

Questão 2 · SUS-SP 2026

Um homem de 55 anos é admitido na sala de urgência devido à hematêmese volumosa há 2 horas, presenciada por familiares. Associou-se de melena e hipotensão. Na admissão, apresentava PA: 90 x 50 mmHg, FC: 118 bpm e hemoglobina de 7,8 mg/dL. O cirurgião iniciou medidas de reanimação com solução cristaloide, terapia medicamentosa com omeprazol intravenoso em dose plena e solicitação de transfusão de hemocomponentes. Após cerca de 24 horas da admissão, foi realizada endoscopia digestiva alta que revelou úlcera duodenal, na parede posterior, com presença de vasos visíveis. O endoscopista classificou lesão como Forrest IIa. Foram realizadas terapia com adrenalina e aplicação de um clipe hemostático sobre o coto vascular. Com base nos sintomas, considerando as diretrizes do manejo da hemorragia digestiva e a classificação de Forrest, avalie a conduta realizada.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Úlcera duodenal com vaso visível não sangrante (Forrest IIa) é lesão de alto risco, com ressangramento em torno de 40 a 50% sem tratamento, e tem indicação de hemostasia endoscópica. A adrenalina não deve ser usada sozinha; deve ser combinada a método mecânico (clipe) ou térmico, como foi feito. A endoscopia é recomendada em até 24 horas após a ressuscitação. Endoscopia muito precoce (< 12 horas) não mostrou benefício, e second look de rotina não é recomendado. A) Errada. Forrest IIa é de alto risco e tem indicação de terapia endoscópica. B) Correta. Lesão de alto risco tratada com terapia combinada (adrenalina e clipe), conforme as diretrizes. C) Errada. As diretrizes recomendam endoscopia em até 24 horas, não em 4 horas. D) Errada. A adrenalina em monoterapia é inferior e não é recomendada. E) Errada. Second look de rotina não é recomendado; reserva-se para sinais de ressangramento. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a classificação Forrest IIa e a terapia combinada realizada em até 24 horas. A banca escreveu hemoglobina em mg/dL; o valor (7,8) corresponde a g/dL. Fontes: Gralnek IM et al. Endoscopic diagnosis and management of nonvariceal upper gastrointestinal hemorrhage: ESGE Guideline Update (Endoscopy), 2021 | Laine L et al. ACG Clinical Guideline: Upper Gastrointestinal and Ulcer Bleeding (Am J Gastroenterol), 2021 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 24)

Questão 3 · SUS-SP 2026

Paciente do sexo masculino dá entrada na sala de emergência por quadro de hematêmese franca e melena, associado à instabilidade hemodinâmica. Foi submetido a medidas de reanimação com expansão volêmica seguidas de intubação orotraqueal para proteção das vias aéreas. Assim que as condições clínicas permitiram, foi realizada uma endoscopia digestiva alta, que evidenciou uma úlcera duodenal bulbar com sangramento ativo em jato. Foi realizada hemostasia com aplicação de clipes hemostáticos havendo a interrupção do sangramento. Após 48 horas de internação, mantém quadro de melena importante, com níveis de hemoglobina ainda baixos. Uma segunda endoscopia foi realizada, e evidenciou-se sangue na região duodenal, não sendo conclusiva. Ao todo, foram necessárias múltiplas transfusões, totalizando 8 concentrados de hemácias no período. No momento: mau estado geral, descorado ++. PA: 90 x 70 mmHg, FC: 105 bpm. Diante do caso, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Úlcera duodenal com sangramento em jato (Forrest Ia) tratada por endoscopia, mas com sangramento persistente apesar de uma segunda endoscopia não conclusiva, oito concentrados de hemácias e instabilidade mantida. Isso caracteriza falha do tratamento endoscópico. Nessa situação, as diretrizes indicam hemostasia definitiva por embolização angiográfica ou cirurgia; entre as alternativas, a única com tratamento definitivo é a cirurgia (ulcerorrafia com ligadura da artéria gastroduodenal). A) Correta. Sangramento contínuo com alta demanda transfusional após falha endoscópica indica cirurgia. B) Errada. Instabilidade e queda de hemoglobina com transfusões repetidas não são compatíveis com melena residual. C) Errada. Após duas endoscopias e oito unidades transfundidas, adiar o tratamento definitivo aumenta a mortalidade. D) Errada. A fonte já é conhecida (duodenal); a cápsula serve para sangramento de origem obscura no delgado. E) Errada. A fonte já é conhecida, e a cintilografia não trata o sangramento. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o sangramento persistente após hemostasia endoscópica, o volume transfundido e a instabilidade hemodinâmica. A embolização seria alternativa à cirurgia, mas não foi oferecida. Fontes: Gralnek IM et al. Endoscopic diagnosis and management of nonvariceal upper gastrointestinal hemorrhage: ESGE Guideline Update (Endoscopy), 2021 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 25)

Questão 4 · SUS-SP 2026

Um homem de 35 anos é admitido no pronto atendimento devido a quadro de hematêmese. Refere viagem recente para o litoral, com retorno há 3 dias, após a qual desenvolveu quadro de infecção intestinal aguda com diarreia e vômitos desde então. Refere piora recente dos quadros de vômitos nas últimas 24 horas. Encontra-se hemodinamicamente estável e sem sinais de peritonite. Foi submetido à endoscopia digestiva alta após estabilização inicial que identificou uma laceração linear na região da transição esofagogástrica, sem sangramento ativo. Assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Hematêmese após vômitos repetidos, com laceração linear na transição esofagogástrica: síndrome de Mallory-Weiss. Na maioria dos casos o sangramento para sozinho (80 a 90%) e a mucosa cicatriza em 48 a 72 horas com suporte, antiemético e IBP. O tratamento endoscópico é reservado para sangramento ativo ou estigmas de alto risco, e a endoscopia também é a primeira opção no ressangramento. A) Errada. A laceração costuma ficar na junção esofagogástrica, do lado da pequena curvatura. B) Errada. O ressangramento é incomum, e a cirurgia é exceção. C) Errada. No ressangramento, a primeira linha é nova terapia endoscópica; a embolização fica para falhas. D) Errada. Biópsia não é necessária em laceração típica com contexto clínico compatível. E) Correta. A evolução é autolimitada na maioria dos casos. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são os vômitos repetidos antes da hematêmese, a laceração linear na transição e a estabilidade sem sangramento ativo. Juntos, eles indicam tratamento conservador. Fontes: Gralnek IM et al. Endoscopic diagnosis and management of nonvariceal upper gastrointestinal hemorrhage: ESGE Guideline Update (Endoscopy), 2021 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 26)

Questão 5 · SUS-SP 2026

Um paciente de 38 anos com obesidade grau III foi submetido a bypass gástrico laparoscópico com reconstrução em Y de Roux há cerca de 2 anos. Hoje, deu entrada no pronto atendimento devido a quadro de dor abdominal intensa localizada em mesogástrio associada a vômitos biliosos em grande quantidade e de forma recorrente. Refere não evacuar há 3 dias. Ao exame, apresenta abdome globoso e distendido com timpanismo difuso à percussão, bem como ruídos hidroaéreos aumentados. Foi submetido à radiografia de abdome que demonstrou alças de delgado dilatadas com sinal de empilhamento de moedas na região hipogástrica e presença de níveis hidroaéreos, bem como ausência de ar no cólon e reto. Com base no caso clínico descrito, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Obstrução de delgado 2 anos após bypass gástrico em Y de Roux: a principal causa é hérnia interna (espaço de Petersen ou brecha mesentérica), favorecida pela perda de peso. Quando a obstrução envolve a alça biliopancreática, ela forma uma alça fechada que a sonda nasogástrica não descomprime. Há risco de estrangulamento e de distensão do estômago excluso, com ruptura da linha de grampeamento. Por isso, a abordagem cirúrgica (preferencialmente laparoscópica) deve ser precoce. A) Errada. Após bypass laparoscópico, a principal causa é hérnia interna, não incisional. B) Errada. Tratamento conservador não resolve a hérnia interna e atrasa a cirurgia. C) Errada. O risco de estrangulamento na hérnia interna é alto, e bridas não são a causa mais provável. D) Correta. A cirurgia precoce previne isquemia e ruptura por distensão da alça excluída. E) Errada. O exame de escolha é a TC com contraste (sinal do redemoinho mesentérico); a radiografia é limitada. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são o bypass laparoscópico prévio, a dor intensa e os vômitos biliosos com obstrução de delgado. A banca não informou TC; no contexto pós-bariátrico, o quadro já justifica exploração precoce. Fontes: Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 | Brunicardi FC et al. Schwartz's Principles of Surgery, 11ª ed., 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 27)

Questão 6 · SUS-SP 2026

Homem de 70 anos, antecedentes de hipertensão arterial e tabagismo de longa data (parou há 15 anos). Antecedente de câncer de próstata tratado há 5 anos com cirurgia e radioterapia. Procurou atendimento devido a alterações do hábito intestinal. Refere que há 4 meses iniciou quadro de constipação alternado com evacuações líquidas em grande quantidade, de odor fétido. Refere ainda que são frequentes episódios de empachamento e dor hipogástrica leve. Observa ainda sensação de urgência evacuatória, mas ao ir ao banheiro, frequentemente não apresenta evacuação, mesmo após esforço. No período, observou perda ponderal de 5 kg, mesmo sem alterações do apetite. Nega sangramento nas fezes, mas refere astenia aos esforços e desânimo crescente. Ao exame: abdome doloroso à palpação do hipogástrio, sem sinais de peritonite e toque retal sem presença de sangue ou fezes. Qual o diagnóstico mais provável desse paciente?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Homem de 70 anos com alteração recente do hábito intestinal (constipação alternada com diarreia líquida fétida, típica do transbordamento acima de uma estenose), tenesmo, empachamento, perda de 5 kg e astenia (possível anemia). O quadro favorece neoplasia estenosante da transição retossigmoide. A ausência de sangue visível não torna o diagnóstico improvável. A confirmação é feita por colonoscopia com biópsia, seguida de estadiamento. A) Errada. A colite pseudomembranosa se associa a antibiótico ou internação recente e cursa com diarreia aguda, sem tenesmo crônico com perda de peso. B) Errada. Doença diverticular não complicada não explica a perda ponderal e o tenesmo progressivo. C) Errada. A retocolite costuma ter diarreia sanguinolenta e pico de incidência em adultos jovens. D) Correta. A combinação de idade, mudança do hábito intestinal, tenesmo e emagrecimento favorece adenocarcinoma de retossigmoide. E) Errada. A retopatia actínica é diferencial pela radioterapia prévia, mas costuma cursar com sangramento e não explica a perda de peso. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a idade, os 4 meses de alteração do hábito com tenesmo e a perda ponderal sem mudança do apetite. A radioterapia pélvica prévia levanta a retopatia actínica como diferencial, e o quadro consumptivo favorece neoplasia. Fontes: INCA. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil, 2022 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 30)

Questão 7 · SUS-SP 2026

Um homem de 40 anos apresenta queixa de sangramento anal esporádico às evacuações. Além disso, refere sensação de evacuação incompleta, mas nega dor. Ao exame, exibe hemorroidas internas com prolapso aos esforços, mas com redução espontânea, isto é, sem a necessidade de manobras. O paciente é hígido e nega uso de medicações. Com base nas queixas e no exame físico, qual o tratamento definitivo mais adequado?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Prolapso aos esforços com redução espontânea define hemorroida interna grau II (Goligher). Para grau II sintomático (sangramento) que não responde a medidas clínicas, o tratamento definitivo de escolha é a ligadura elástica ambulatorial: eficaz, barata e de baixa morbidade. Cirurgia (hemorroidectomia ou PPH) fica para graus III e IV ou falha dos métodos ambulatoriais. A) Errada. Hemorroidectomia é reservada a graus III/IV, doença mista ou falha da ligadura. B) Errada. Escleroterapia é opção para graus I e II leves, com recidiva maior que a ligadura; não é a primeira escolha. C) Correta. Ligadura elástica em consultório é o tratamento de escolha para grau II. D) Errada. PPH (grampeamento) é indicado em prolapso circunferencial grau III. E) Errada. Medidas clínicas fazem parte de todo tratamento, mas não são tratamento definitivo de doença com prolapso e sangramento. Análise de contexto do gabarito: o dado central é a redução espontânea do prolapso (grau II), associada a sangramento sem dor. A pergunta pede o tratamento definitivo, o que leva ao procedimento ambulatorial. Fontes: Hawkins AT et al. ASCRS Clinical Practice Guidelines for the Management of Hemorrhoids. Dis Colon Rectum, 2024 | Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 31)

Questão 8 · SUS-SP 2026

Um jovem de 24 anos, estudante, procura atendimento devido à queixa de dor em região sacrococcígea com início há 07 dias. Refere aumento do volume local e saída de secreção purulenta e fétida de forma intermitente da região afetada. Nos últimos meses, teve episódios semelhantes, mas com menos dor e com melhora espontânea, motivo pelo qual não procurou atendimento médico. Ao exame físico, observa-se região endurecida e dolorosa na linha média da região interglútea, sobre o cóccix. Há um orifício cutâneo com drenagem de secreção. O paciente é hirsuto e possui sobrepeso (IMC 32 kg/m²). Qual o diagnóstico mais provável?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Homem jovem, hirsuto e com obesidade, com dor, endurecimento e orifício drenante na linha média da fenda interglútea sobre o cóccix, com episódios prévios de drenagem espontânea, configura doença pilonidal com abscesso/infecção recorrente. A doença resulta da penetração de pelos na pele da fenda glútea; hirsutismo, obesidade e sexo masculino são fatores de risco. A) Errada. Fístula anorretal tem orifício externo perianal, relacionado ao canal anal, não sobre o cóccix. B) Errada. Cisto dermoide é congênito e raramente se apresenta com drenagem recorrente nessa topografia. C) Errada. Abscesso isquiorretal localiza-se lateralmente ao ânus, na fossa isquiorretal. D) Errada. Hidradenite acomete áreas de glândulas apócrinas (axilas, virilhas, períneo), de forma multifocal, com trajetos e cicatrizes. E) Correta. Quadro clássico de cisto pilonidal infectado. Análise de contexto do gabarito: a topografia (linha média interglútea sobre o cóccix), o orifício na linha média e o perfil do paciente (jovem, hirsuto, IMC 32) definem a resposta. Fontes: Johnson EK et al. ASCRS Clinical Practice Guidelines for the Management of Pilonidal Disease. Dis Colon Rectum, 2019 | Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 32)

Questão 9 · SUS-SP 2026

Uma jovem de 27 anos procura atendimento devido à queixa de lesões verrucosas em região perianal. Refere que as lesões apresentaram crescimento progressivo nos últimos três meses. Nega dor, sangramento ou secreções. Refere vida sexual promíscua com múltiplos parceiros e coito anal desprotegido. Ao exame, notam-se lesões múltiplas e extensas, papilomatosas (aspecto de "couve-flor"), exofíticas e de coloração rósea com distribuição na margem anal. A anuscopia demonstra extensão da lesão para o interior do canal anal. Há ainda lesões de aspecto semelhante na região vulvar. Com base nos achados, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Lesões papilomatosas em couve-flor, múltiplas e extensas, perianais, com extensão para o canal anal e lesões vulvares, em paciente com múltiplos parceiros e coito anal desprotegido, configuram condilomatose acuminada (HPV). Para doença extensa e intracanal, o tratamento é ablativo: ácido tricloroacético e/ou eletrocauterização/excisão sob sedação. Toda IST exige rastreio das demais (HIV, sífilis, hepatites B e C) e abordagem das parcerias sexuais. A) Errada. Podofilina não deve ser usada em mucosa do canal anal e é contraindicada na gestação; não é a melhor escolha para doença extensa intracanal. B) Errada. Biópsia não é obrigatória antes do tratamento em lesão típica; o rastreio deve incluir HIV, não só hepatite B. C) Errada. Laser é opção, mas a alternativa omite o rastreio de outras ISTs; a vacina não trata lesões já instaladas. D) Errada. Margens ampliadas não se aplicam a lesão benigna, e terapia antirretroviral exige diagnóstico de HIV. E) Correta. Combina tratamento ablativo adequado à extensão e rastreio de HIV, incluindo parcerias. Análise de contexto do gabarito: a extensão intracanal e a extensão da doença definem o tratamento ablativo sob sedação; o comportamento sexual de risco define o rastreio de HIV e das parcerias. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 33)

Questão 10 · SUS-SP 2026

Em relação à anatomia da veia porta-hepática, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

A veia porta forma-se atrás do colo do pâncreas, na altura de L1-L2, pela confluência das veias mesentérica superior e esplênica (a mesentérica inferior costuma drenar na esplênica). Sobe no ligamento hepatoduodenal e divide-se no hilo em ramos direito e esquerdo. É um sistema sem válvulas e responde por cerca de 75% do fluxo sanguíneo hepático. A) Errada. O sistema porta não tem válvulas, por isso a hipertensão portal inverte o fluxo e abre colaterais. B) Errada. Descreve o inverso: no hilo a veia porta se divide nos ramos direito e esquerdo. C) Errada. A porta fornece cerca de 75% do fluxo; a artéria hepática, cerca de 25% (mas metade do oxigênio). D) Correta. Formação retropancreática, na junção das veias mesentérica superior e esplênica. E) Errada. Segmentos V a VIII são irrigados pelo ramo portal direito; o esquerdo irriga II, III e IV. Análise de contexto do gabarito: questão conceitual de anatomia; cada alternativa testa um dado específico (local de formação, válvulas, fluxo e segmentação de Couinaud). Fontes: Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 | Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia Orientada para a Clínica, 8ª ed., 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 34)

Questão 11 · SUS-SP 2026

Um homem de 55 anos, etilista e tabagista crônico, é admitido na sala de emergência devido à hematêmese volumosa, iniciada há duas horas. Evoluiu com sinais de choque hemorrágico. Logo à admissão, foi submetido à intubação orotraqueal em sequência rápida em decorrência do alto volume do sangramento. Deu-se continuidade ao atendimento com coleta de exames laboratoriais e acesso venoso central, tipagem sanguínea de urgência e administração de drogas vasoativas (terlipressina). Mesmo após essas medidas, o paciente mantém sinais de sangramento ativo. Considerando a gravidade do quadro, a equipe discute sobre a melhor conduta nesse momento e opta pela aplicação do balão de Sengstaken-Blakemore. Frente a essa conduta e com base nos seus conhecimentos sobre essa alternativa de tratamento, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Na hemorragia varicosa refratária ao tratamento inicial (vasoativo) e sem endoscopia disponível ou eficaz, o balão de Sengstaken-Blakemore é ponte temporária: controla o sangramento na grande maioria dos casos, mas com alta taxa de ressangramento após a desinsuflação. Deve ser usado com via aérea protegida, técnica correta e por tempo limitado (até cerca de 24 horas), pelo risco de necrose, ulceração e perfuração esofágica e de aspiração. A) Errada. A indicação do balão é justamente o sangramento ativo refratário; para varizes de fundo gástrico usa-se o balão gástrico. B) Correta. Alta taxa de hemostasia inicial, com uso por tempo determinado e técnica adequada para evitar necrose. C) Errada. O balão pode ser usado antes da endoscopia em sangramento maciço refratário; a endoscopia é recomendada em até 12 horas. D) Errada. O Sengstaken-Blakemore tem lúmen para aspiração gástrica. E) Errada. Tem complicações graves e exige equipe treinada. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve paciente intubado, em choque, com sangramento persistente apesar de terlipressina, cenário clássico de uso do balão como ponte até tratamento definitivo. Fontes: de Franchis R et al. Baveno VII – Renewing consensus in portal hypertension. J Hepatol, 2022 | Kaplan DE et al. AASLD Practice Guidance on risk stratification and management of portal hypertension and varices in cirrhosis. Hepatology, 2024 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 35)

Questão 12 · SUS-SP 2026

Um homem de 62 anos, etilista crônico, procura atendimento devido à queixa de epigastralgia esporádica e recorrente. Refere que os sintomas já persistem por anos, mas que nunca se preocupou em procurar atendimento, até que recentemente começou a perder peso. Refere que os episódios de dor costumam ser de forte intensidade, tipo queimação, com irradiação para o dorso e, geralmente, ocorrem após as refeições. A perda de peso foi de 15 kg em 03 meses. Observa ainda que apresenta fezes volumosas e malcheirosas e que "boiam na água", sendo visíveis gotículas de gordura ao redor. Nega náuseas ou vômitos. Os exames laboratoriais revelam glicemia de jejum de 152 mg/dL, hemoglobina de 11,2 g/dL, bilirrubina total de 0,6 mg/dL e deficiência de vitamina D. O ultrassom de abdome mostrou que o pâncreas tem dimensões reduzidas, parênquima heterogêneo, com focos esparsos de calcificação e dilatação do ducto pancreático principal. Com base no quadro clínico descrito, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Etilista com dor epigástrica recorrente irradiada para o dorso, emagrecimento, esteatorreia, deficiência de vitamina D (lipossolúvel) e hiperglicemia, com pâncreas atrófico, calcificações e ducto principal dilatado, tem pancreatite crônica com insuficiência exócrina e endócrina. A doença é irreversível; o tratamento é abstinência de álcool e tabaco, suporte nutricional, reposição de enzimas pancreáticas, reposição de vitaminas e controle do diabetes pancreatogênico (tipo 3c), além do manejo da dor. A) Errada. Descreve pancreatite aguda; o quadro aqui é crônico, de anos. B) Errada. Esteatorreia indica insuficiência exócrina (lipase), tratada com enzimas. C) Correta. Doença crônica e irreversível com insuficiência exócrina e endócrina. D) Errada. A dor da pancreatite crônica não depende de icterícia. E) Errada. Bilirrubina normal e achados de atrofia com calcificações difusas favorecem pancreatite crônica; a investigação de neoplasia seria por TC/RM e ecoendoscopia, não CPRE como primeira escolha. Análise de contexto do gabarito: as calcificações e o ducto dilatado no ultrassom, somados à esteatorreia e à glicemia de jejum de 152 mg/dL, definem as duas insuficiências. Fontes: Gardner TB et al. ACG Clinical Guideline: Chronic Pancreatitis. Am J Gastroenterol, 2020 | Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 37)

Questão 13 · SUS-SP 2026

Um homem de 68 anos, portador de insuficiência cardíaca congestiva, encontra-se no primeiro dia de internação devido à queixa de dispneia progressiva, iniciada há alguns dias. Ao exame, apresentou macicez à punho-percussão da base pulmonar direita, bem como murmúrio vesicular abolido. Radiografia de tórax evidencia velamento do seio costofrênico direito. Foi solicitada avaliação da cirurgia torácica que realizou toracocentese diagnóstica. No procedimento, houve saída de 600 mL de líquido claro. A relação proteína pleural/proteína sérica é de 0,2, e a relação DHL pleural/DHL sérica é de 0,4. A análise citológica negou malignidade. Houve melhora dos sintomas, mas a radiografia de controle mostrou falha na expansão pulmonar. Considerando os achados e o caso clínico descrito, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Pelos critérios de Light, o derrame é exsudato se houver pelo menos um: proteína pleural/sérica > 0,5; DHL pleural/sérica > 0,6; DHL pleural > 2/3 do limite superior sérico. Aqui as relações são 0,2 e 0,4, o que define transudato, cuja principal causa é a insuficiência cardíaca. A falha de reexpansão após o esvaziamento sugere pulmão encarcerado (trapped lung) por pleura visceral espessada. A) Errada. Os critérios de Light classificam o líquido como transudato. B) Errada. Falha de reexpansão não é patognomônica de neoplasia; a citologia foi negativa. C) Correta. Transudato por insuficiência cardíaca, com falha de reexpansão sugerindo encarceramento. D) Errada. Não é exsudato e não há infecção demonstrada; pleurodese exige pulmão que reexpanda. E) Errada. Videotoracoscopia pode ser útil para diagnóstico e decorticação em casos selecionados; não há contraindicação absoluta. Análise de contexto do gabarito: as duas relações dadas (0,2 e 0,4), o paciente com insuficiência cardíaca e a radiografia de controle sem expansão definem a resposta. Fontes: Roberts ME et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax, 2023 | Light RW. Pleural Diseases, 6ª ed., 2013 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 38)

Questão 14 · SUS-SP 2026

Um homem de 27 anos é encaminhado à sala de emergência após colisão de carro contra poste, em alta velocidade. Apresenta-se agitado, com fala desconexa e entrecortada. A equipe pré-hospitalar refere que observou equimose e exposição óssea no membro inferior esquerdo. Frequência cardíaca de 138 bpm, PA: 80 x 50 mmHg, saturação de oxigênio de 85% em ar ambiente. À inspeção inicial, observou-se turgência jugular com desvio traqueal para a direita. Assimetria torácica às custas de hiperdistensão do hemitórax esquerdo e murmúrio vesicular abolido nessa região. O cirurgião realiza punção de alívio no segundo espaço intercostal à esquerda. Com base no cenário descrito e nos princípios do atendimento inicial ao trauma, avalie a conduta do cirurgião.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Choque, turgência jugular, desvio traqueal contralateral, hiperdistensão do hemitórax e murmúrio abolido configuram pneumotórax hipertensivo, diagnóstico clínico que exige descompressão imediata, sem aguardar imagem. Pelo ATLS, ameaças à vida identificadas no exame primário são tratadas no momento em que são encontradas, seguidas de drenagem torácica definitiva. O ATLS 10ª ed. passou a recomendar, em adultos, a punção no 4º/5º espaço intercostal anterior à linha axilar média; o 2º espaço na linha hemiclavicular continua aceito, sobretudo em crianças. A) Errada. O diagnóstico é clínico; imagem atrasaria o tratamento. B) Errada. O paciente fala, portanto a via aérea está pérvia; a agitação é explicada pela hipóxia e pelo choque. C) Errada. O choque é obstrutivo; volume não resolve sem descompressão. D) Errada. Falar não garante ventilação adequada; o problema do B precisa ser tratado antes do D. E) Correta. Identificou e tratou a ameaça imediata à vida antes de prosseguir. Análise de contexto do gabarito: o enunciado traz todos os sinais clínicos do pneumotórax hipertensivo e SatO2 de 85% com hipotensão, o que justifica a descompressão imediata. Fontes: American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 10ª ed., 2018 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 39)

Questão 15 · SUS-SP 2026

Uma jovem de 24 anos é admitida na sala de trauma após queda de motocicleta em alta velocidade. Está sonolenta, desorientada e apresenta hálito etílico. Responde com poucas palavras aos questionamentos da equipe assistente. Apresenta escoriações em face e epistaxe bilateral ativa. Ao exame, observam-se esforço respiratório leve e dificuldade para falar. A equipe pré-hospitalar aplicou o colar cervical rígido ainda na cena do trauma, mantendo-o durante todo o transporte e realizou a remoção do capacete (que estava rachado) a quatro mãos. Atualmente, a saturação de oxigênio se encontra em 87%. Considerando a abordagem inicial da via aérea dessa paciente, assinale a alternativa correta.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Paciente com trauma de alta energia, rebaixamento de consciência, capacete rachado e colar cervical deve ser tratada como portadora de lesão cervical até prova em contrário. Com via aérea comprometida (dificuldade para falar, SatO2 87%), a primeira manobra é a tração da mandíbula (jaw-thrust), que abre a via aérea com mínima movimentação da coluna, associada a O2 em alto fluxo por máscara com reservatório. A cânula nasofaríngea deve ser evitada com epistaxe e suspeita de trauma de face/base de crânio. A) Correta. Jaw-thrust com O2 por máscara não reinalante é a abordagem inicial adequada. B) Errada. Paciente com rebaixamento e intoxicação não pode ter a coluna liberada clinicamente; a restrição de movimento deve ser mantida. C) Errada. Cânula nasofaríngea é evitada com epistaxe e possível fratura de base de crânio. D) Errada. O chin-lift mobiliza mais a coluna cervical; no trauma prefere-se o jaw-thrust. E) Errada. A via aérea (A) é prioridade e não espera exames de imagem. Análise de contexto do gabarito: o colar cervical, o mecanismo de alta energia, a epistaxe bilateral e a hipoxemia definem a escolha pela manobra que protege a coluna. Fontes: American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 10ª ed., 2018 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 40)

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