Questões SUS-SP 2026 comentadas: 89 questões oficiais da prova
A prova SUS-SP 2026 tem 89 questões oficiais disponíveis: 20 de Ginecologia e obstetrícia, 19 de Pediatria, 18 de Clínica médica, 17 de Preventiva, 15 de Cirurgia. O tema mais frequente foi Rastreamento e níveis de prevenção, com 6 questões.
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Ginecologia e obstetrícia | 20 |
| Pediatria | 19 |
| Clínica médica | 18 |
| Preventiva | 17 |
| Cirurgia | 15 |
- Rastreamento e níveis de prevenção6
- Esôfago, estômago e bariátrica5
- Cólon e proctologia4
- Endocrinologia4
- Infecções e doenças exantemáticas4
- Pré-natal e fisiologia da gestação4
- Atenção primária e ESF3
- Bioestatística e estudos3
- Cardiologia3
- Emergência pediátrica3
Questões oficiais comentadas
Questão 1 · SUS-SP 2026
Paciente de 55 anos com fibrilação atrial em uso de varfarina e doença renal crônica não dialítica utilizou ibuprofeno por 5 dias para dor lombar. Apresenta hematêmese com hipotensão (85x50 mmHg), taquicardia (110 bpm) e enchimento capilar prolongado. INR: 10,5. Após suspender varfarina, qual conduta imediata em relação à anticoagulação?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Sangramento maior (hematêmese com hipotensão e má perfusão) em uso de varfarina, com INR 10,5 potencializado por AINE. Além de suspender a varfarina, a reversão deve ser imediata: vitamina K intravenosa (5 a 10 mg), que restaura a síntese dos fatores em horas, associada a concentrado de complexo protrombínico de 4 fatores, que repõe II, VII, IX e X e corrige o INR em minutos. Plasma fresco é alternativa só na falta do CCP. A) Errada. A vitamina K IM tem absorção errática e efeito lento; isolada não reverte a tempo um sangramento grave. B) Errada. A vitamina K EV leva de 4 a 6 horas para começar a corrigir o INR; sozinha é insuficiente no paciente instável. C) Errada. Crioprecipitado repõe fibrinogênio, fator VIII, XIII e von Willebrand, não os fatores dependentes de vitamina K. D) Errada. Mesma limitação do crioprecipitado; a via EV da vitamina K está certa, mas o complemento não. E) Correta. Vitamina K EV mais CCP é a reversão recomendada no sangramento maior por antagonista de vitamina K. Análise de contexto do gabarito: Hipotensão, taquicardia e enchimento capilar lento definem sangramento maior com risco de vida; o INR muito alargado confirma o efeito da varfarina. Esses dados exigem reversão rápida e sustentada, e não apenas correção lenta do INR. Fontes: ACC. 2020 Expert Consensus Decision Pathway on Management of Bleeding in Patients on Oral Anticoagulants (Tomaselli et al.), 2020 | ACC/AHA/ACCP/HRS. Guideline for the Diagnosis and Management of Atrial Fibrillation, 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 1)
Questão 2 · SUS-SP 2026
Homem, 60 anos de idade, obeso (peso: 100 kg), com risco cardiovascular alto e em uso de glimepirida, empagliflozina e metformina, apresenta hemoglobina glicada acima da meta após 4 meses de terapia tripla. Nesse momento, segundo diretrizes brasileiras de diabetes, deve-se considerar
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
DM2 fora da meta após 4 meses de terapia tripla (metformina, sulfonilureia e iSGLT2) em homem obeso de alto risco cardiovascular. A Diretriz da SBD orienta intensificar sem demora e, havendo obesidade e risco cardiovascular, priorizar agonista do receptor de GLP-1 com benefício cardiovascular comprovado (liraglutida, semaglutida, dulaglutida), mantendo o iSGLT2. O GLP-1 RA reduz HbA1c, peso e eventos cardiovasculares maiores. A) Errada. Inércia terapêutica: a reavaliação deve ocorrer a cada 3 a 6 meses, e o paciente já está fora da meta. B) Correta. Associar GLP-1 RA soma benefício glicêmico, ponderal e cardiovascular ao do iSGLT2. C) Errada. Trocar iSGLT2 por pioglitazona retira proteção cardiorrenal e favorece ganho de peso e retenção hídrica. D) Errada. iSGLT2 e GLP-1 RA têm benefícios complementares; não há motivo para substituir um pelo outro. E) Errada. Não há catabolismo nem hiperglicemia sintomática grave que justifiquem insulina isolada, que ainda aumenta o peso. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são obesidade (100 kg), alto risco cardiovascular e falha da terapia tripla. A banca não informou o valor da HbA1c; sem sinais de descompensação grave, o perfil favorece o GLP-1 RA em vez da insulina. Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial da SBD: tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2, 2024 | American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 2)
Questão 3 · SUS-SP 2026
Mulher, 68 anos, tabagista 75 anos-maço, com dispneia e tosse há 2 anos. Espirometria mostrou VEF1 de 60% do predito e relação VEF1/CVF de 0,65. Apresentou exacerbação com internação há 4 meses. A terapia ambulatorial ideal é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
DPOC confirmada (VEF1/CVF pós-broncodilatador 0,65; VEF1 60%, GOLD 2) com uma exacerbação que levou à internação no último ano: pela classificação ABE do GOLD, isso basta para o grupo E. O tratamento inicial do grupo E é broncodilatação dupla LAMA + LABA de uso diário, como umeclidínio/vilanterol. O corticoide inalatório entra se eosinófilos ≥ 300/µL ou asma associada. A) Errada. Terapia de manutenção na DPOC é diária; uso só na crise não previne exacerbações. B) Errada. LABA + CI sem LAMA não é recomendado na DPOC; se houver indicação de CI, usa-se terapia tripla. C) Errada. Monoterapia com LABA é inferior à dupla broncodilatação no grupo E. D) Errada. LAMA isolado é opção para o grupo A/B em casos selecionados, não para o grupo E. E) Correta. LAMA + LABA diário é o tratamento inicial recomendado para o grupo E. Análise de contexto do gabarito: Uma internação por exacerbação no último ano coloca a paciente no grupo E, seja qual for a carga de sintomas. A banca não informou a contagem de eosinófilos; sem ela, a terapia inicial padrão é LAMA + LABA. Fontes: Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease. GOLD Report, 2025 | SBPT. Recomendações para o tratamento farmacológico da DPOC (J Bras Pneumol), 2017 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 3)
Questão 4 · SUS-SP 2026
Criança que completou 6 meses em novembro, com vacinação adequada até o momento, é trazida à UBS para receber as vacinas indicadas pelo calendário do PNI. Deve receber as seguintes vacinas:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Lactente de 6 meses com calendário em dia, em novembro. No Calendário Nacional de Vacinação vigente em 2025, aos 6 meses aplicam-se a 3ª dose de VIP e a 3ª de pentavalente. Desde 2024 a vacina Covid-19 faz parte da rotina infantil a partir dos 6 meses, e desde março de 2025 a influenza ficou disponível o ano todo na rotina para crianças de 6 meses a menores de 6 anos. A pneumocócica 10-valente segue o esquema de 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses. A) Errada. Não há dose de pneumocócica 10-valente aos 6 meses, e a alternativa omite a Covid-19. B) Correta. VIP, pentavalente, influenza e Covid-19 são as vacinas devidas aos 6 meses no calendário de rotina. C) Errada. Inclui a pneumo-10, que não está prevista aos 6 meses, e adia influenza e Covid-19, que hoje são de rotina. D) Errada. A VOP saiu do calendário (substituída pela VIP) e a pneumo-10 não é aplicada aos 6 meses. E) Errada. VOP e pneumo-10 não estão indicadas, e a vacina contra sarampo começa aos 12 meses (tríplice viral). Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são a idade (6 meses completos) e a vacinação em dia. Como influenza e Covid-19 passaram a ser de rotina, o mês (novembro) não leva a adiar essas vacinas. Fontes: Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação, 2025 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Calendário de Vacinação SBP, atualização 2025-2026 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 49)
Questão 5 · SUS-SP 2026
G.M.V., 37 anos, GIII PII 1C1N A0, IG 17 semanas, sem ultrassonografia prévia, apresenta sangramento vaginal escuro em quantidade moderada, vômitos incoercíveis, taquicardia e fraqueza muscular. Ao exame: AU 20 cm; BCF inaudível; PA 170 x 90 mmHg; colo amolecido, impérvio. Assinale o diagnóstico e complicação mais prováveis.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Gestação de 17 semanas com sangramento escuro, útero maior que a idade gestacional (AU 20 cm), BCF inaudível e hiperêmese: o quadro favorece mola hidatiforme completa. O hCG muito elevado estimula a tireoide (hipertireoidismo com taquicardia) e se associa a pré-eclâmpsia precoce. PA 170 x 90 mmHg antes de 20 semanas é, por definição, achado que obriga a investigar doença trofoblástica gestacional. A confirmação é feita por ultrassonografia e β-hCG quantitativo. A) Errada. Gestação ectópica não produz útero de 20 cm nem cursa com hipertensão. B) Errada. No aborto incompleto o colo costuma estar pérvio e o útero menor que a IG; hipertensão transitória não ocorre antes de 20 semanas. C) Errada. No aborto completo o útero é pequeno e o colo fechado, sem justificar hiperêmese e hipertensão. D) Errada. A ameaça de aborto tem BCF presente e útero compatível com a IG; hipotireoidismo não explica o quadro. E) Correta. Mola completa com doença hipertensiva específica da gestação de início precoce. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são a discrepância entre AU e IG, BCF inaudível, sangramento escuro, hiperêmese e hipertensão grave antes de 20 semanas. A banca não forneceu ultrassonografia nem β-hCG, então o diagnóstico é clínico e de maior probabilidade. Fontes: FIGO. Cancer Report: update on the diagnosis and management of gestational trophoblastic disease (Int J Gynecol Obstet), 2021 | ACOG. Practice Bulletin nº 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia, 2020 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 61)
Questão 6 · SUS-SP 2026
Menino, 8 anos de idade, aguardava atendimento na sala de espera de UPA, por febre e dor de garganta há 2 dias, quando escorregou da cadeira, com movimentos tônico-clônicos, perda de consciência e desvio do olhar para a direita. Foi levado rapidamente para a sala de emergência, foi medicado com diazepínico por via nasal, recebeu oxigênio por cateter nasal, e, após punção de acesso venoso e 5 minutos de crise, foi medicado IV. Permaneceu sonolento, respondendo ao seu nome. No exame, foi diagnosticada amigdalite purulenta e recebeu penicilina cristalina IV. A mãe refere que apresentou crises convulsivas aos 2, 4 e aos 7 anos de idade, em quadros febris, fez avaliação neurológica, e recebeu alta sem medicação. A medicação administrada intranasal, o diagnóstico e a conduta indicada, são respectivamente:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
O benzodiazepínico usado por via intranasal na crise convulsiva é o midazolam. Convulsão febril é definida na faixa de 6 meses a 5 anos; aos 8 anos, com crise focal (desvio do olhar) e várias crises prévias em vigência de febre, o quadro corresponde a crise epiléptica com febre como fator desencadeante, e não a convulsão febril. Havia foco infeccioso definido (amigdalite), sem sinais meníngeos, e o paciente recuperou a consciência. Assim, após recuperação, cabe alta com avaliação neurológica. A) Correta. Midazolam intranasal; crise epiléptica fora da faixa etária da convulsão febril; alta com seguimento neurológico. B) Errada. O lorazepam não é usado por via intranasal na prática brasileira, e não há indicação de internação. C) Errada. A droga está errada, e punção liquórica não está indicada sem sinais meníngeos com foco definido. D) Errada. O diazepam intranasal não é a apresentação usual, a idade invalida convulsão febril e a amigdalite já foi tratada com penicilina cristalina. E) Errada. O diagnóstico de convulsão febril não se aplica aos 8 anos. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são a idade (8 anos), a crise focal, as recorrências febris desde os 2 anos e o foco infeccioso evidente. Também pesa a recuperação do nível de consciência após o tratamento. Fontes: ILAE. Operational classification of seizure types (Fisher et al., Epilepsia), 2017 | AAP. Febrile Seizures: Guideline for the Neurodiagnostic Evaluation of the Child With a Simple Febrile Seizure (Pediatrics), 2011 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 44)
Questão 7 · SUS-SP 2026
Um estudo retrospectivo de caso-controle em um único centro de reumatologia analisou um novo tratamento para a síndrome antifosfolípide catastrófica. O estudo incluiu 50 mulheres que receberam o novo tratamento e foram pareadas com 50 mulheres que receberam o tratamento usual. As pacientes que receberam o novo tratamento tiveram duas vezes mais chances de sobreviver (OR: 0,51; IC95%: 0,42 a 0,67). A análise estatística controlou a situação do plano de saúde, faixa etária, comorbidades e medicações em uso. Constitui a variável que representa a ameaça mais importante à validade das conclusões desse estudo:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Estudo observacional (caso-controle retrospectivo, centro único) sem randomização: a escolha entre tratamento novo e usual pode ter dependido da gravidade ou de outras características que também influenciam a sobrevida (confundimento por indicação). O ajuste estatístico controla só as variáveis medidas (plano de saúde, idade, comorbidades, medicações); fatores não medidos ou mal medidos deixam confundimento residual, que é a principal ameaça à validade interna. A) Errada. A ausência de placebo não é o problema central: comparar com o tratamento usual é adequado. B) Errada. O intervalo de confiança é estreito e não cruza 1, o que torna improvável que falte poder. C) Errada. O efeito Hawthorne (mudança de comportamento por se saber observado) não se aplica a uma análise retrospectiva. D) Correta. Confundimento, sobretudo por indicação e residual, é a maior ameaça em estudo observacional de tratamento. E) Errada. A raridade da doença justifica o desenho caso-controle e limita a generalização, mas não invalida o resultado. Análise de contexto do gabarito: O texto informa desenho retrospectivo, ausência de randomização e ajuste para variáveis selecionadas. O enunciado não deixa claro a que desfecho se refere o OR de 0,51; isso não muda a resposta. Fontes: Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Epidemiologia Clínica: elementos essenciais, 5ª ed., 2014 | Gordis L, Celentano DD, Szklo M. Gordis Epidemiology, 6ª ed., 2019 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 85)
Questão 8 · SUS-SP 2026
Homem de 62 anos apresenta-se para uma consulta de rotina na UBS/Estratégia de Saúde da Família. O histórico é positivo para: hipertensão, há 5 anos, em uso regular de enalapril, 10 mg/dia; dislipidemia mista, em tratamento com rosuvastatina, 10 mg/dia. Não há antecedente pessoal de eventos cardiovasculares, tabagismo ou etilismo. Histórico familiar: pai com infarto agudo do miocárdio aos 58 anos. Ao exame físico: pressão arterial: 138 x 86 mmHg; frequência cardíaca: 78 bpm; peso: 95 kg; IMC: 31,1 kg/m²; circunferência abdominal: 108 cm; cardiopulmonar sem alteração; ausência de edema de membros inferiores. Exames séricos recentes: glicemia de jejum: 102 mg/dL; hemoglobina glicada (HbA1c): 5,9%; colesterol total: 195 mg/dL; HDL: 38 mg/dL; LDL: 121 mg/dL; triglicerídeos: 180 mg/dL; creatinina: 0,9 mg/dL (clearance > 60 mL/min/1.73m²); alanina aminotransferase: 43 U/L; aspartato aminotransferase: 38 U/L. O ultrassom Doppler demonstra placas ateroscleróticas em carótidas < 50%. Para esse paciente, considerando as melhores evidências científicas, a conduta de maior relevância é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Homem de 62 anos com hipertensão, dislipidemia, obesidade abdominal, pré-diabetes e placas carotídeas: a aterosclerose subclínica documentada eleva a categoria para alto risco cardiovascular. Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025, a meta para alto risco é LDL-c < 70 mg/dL. Com LDL de 121 mg/dL em rosuvastatina 10 mg, a conduta de maior impacto é intensificar para estatina de alta intensidade. A) Correta. Rosuvastatina 40 mg busca a redução necessária para LDL < 70 mg/dL. B) Errada. Metformina pode ser considerada no pré-diabetes, mas tem impacto cardiovascular menor que a correção do LDL nesse paciente. C) Errada. GLP-1 RA não é primeira escolha em quem não tem diabetes nem doença cardiovascular estabelecida para prevenir eventos. D) Errada. A meta da diretriz brasileira de 2025 é PA < 130/80 mmHg; a meta de < 120 x 70 não é recomendada de rotina. E) Errada. Transaminases discretamente alteradas justificam FIB-4, mas pioglitazona não é prioridade nem a conduta de maior relevância. Análise de contexto do gabarito: Os dados decisivos são as placas carotídeas (reclassificam o risco) e o LDL de 121 mg/dL em estatina de intensidade moderada, muito acima da meta. A PA de 138 x 86 também está acima da meta, mas o LDL está muito mais distante da meta e sua redução traz maior benefício. Fontes: SBC. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2025 | SBC/SBH/SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 90)
Questão 9 · SUS-SP 2026
Homem, 75 anos de idade, ex-tabagista, portador de insuficiência cardíaca, em uso de furosemida, losartana, espironolactona, carvedilol e dapaglifozina, é admitido por rebaixamento do nível de consciência. Apresenta sódio de 114 mEq/L. A osmolaridade sérica está diminuída e a urinária está aumentada. O sódio urinário é de 5 mEq/L. A causa da hiponatremia é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Hiponatremia grave (114 mEq/L) hipotônica, com urina concentrada e sódio urinário muito baixo (5 mEq/L) em portador de IC. Sódio urinário baixo indica que os rins estão retendo sódio com avidez porque percebem volume arterial efetivo reduzido. É o padrão da hiponatremia hipervolêmica da IC descompensada, mantida pela liberação não osmótica de ADH. Isso ocorre mesmo em uso de furosemida, espironolactona e dapagliflozina, que tenderiam a elevar a natriurese. A) Correta. IC descompensada com baixo volume arterial efetivo explica sódio urinário baixo e urina concentrada. B) Errada. A hiponatremia por diurético cursa com sódio urinário alto (natriurese), não de 5 mEq/L. C) Errada. Na SIADH há euvolemia e sódio urinário geralmente > 30 a 40 mEq/L. D) Errada. Na insuficiência adrenal o sódio urinário costuma estar elevado. E) Errada. A polidipsia primária produz urina diluída (osmolaridade urinária baixa). Análise de contexto do gabarito: O dado decisivo é o sódio urinário de 5 mEq/L, somado à urina concentrada e ao contexto de IC. A banca não descreveu o exame físico volêmico; o sódio urinário baixo apesar dos diuréticos favorece a IC como causa. Fontes: Spasovski G et al. Clinical practice guideline on diagnosis and treatment of hyponatraemia (Eur J Endocrinol), 2014 | Verbalis JG et al. Diagnosis, evaluation, and treatment of hyponatremia: expert panel recommendations (Am J Med), 2013 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 7)
Questão 10 · SUS-SP 2026
Homem, 30 anos de idade, apresenta cefaleia e rigidez de nuca. Coleta líquido cefalorraquidiano, que mostra: pressão de abertura discretamente elevada; células: 300/mm³ – predomínio linfomononuclear; proteína: 450 mg/dL (normal: 15 a 60 mg/dL); glicose: 35 mg/dL (normal: 50 a 80 mg/dL). Esses achados sugerem qual etiologia da meningite?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Liquor com pleocitose moderada (300/mm³) de predomínio linfomononuclear, proteína muito elevada (450 mg/dL) e glicose baixa (hipoglicorraquia): esse padrão favorece meningite tuberculosa. Esse padrão também ocorre na meningite fúngica (criptococo) e no início de algumas meningites bacterianas tratadas. Pressão de abertura elevada e o quadro clínico reforçam a hipótese. A confirmação usa o teste rápido molecular para TB no liquor (Xpert MTB/RIF Ultra), cultura e ADA. A) Errada. A meningite meningocócica tem pleocitose neutrofílica exuberante. B) Errada. A pneumocócica também é neutrofílica, em geral com milhares de células. C) Errada. Na meningite viral há linfocitose, mas a glicose é normal e a proteína pouco elevada. D) Correta. Linfomononucleares, proteína muito alta e glicose baixa são o padrão da meningite tuberculosa. E) Errada. A meningoencefalite herpética cursa com glicose normal e proteína discretamente elevada, com sinais de encefalite. Análise de contexto do gabarito: Os dados que definem a resposta são a combinação de predomínio linfomononuclear com hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia acentuada. A banca não informou tempo de evolução nem estado imunológico, que ajudariam no diferencial com criptococose. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed. atualizada, 2019 | Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SUS-SP 2026, nº 8)