Questões de Pediatria: Santa Casa SP 2026
Esta área reúne 19 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Infecções e doenças exantemáticas (4), Endocrinologia pediátrica (3), Neonatologia (3).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Pediatria | 19 |
- Infecções e doenças exantemáticas4
- Endocrinologia pediátrica3
- Neonatologia3
- Imunização2
- Nefrologia e urologia pediátrica2
- Respiratório e otorrino pediátrico2
- Cardiologia pediátrica1
- Crescimento e desenvolvimento1
- Hematologia e oncologia pediátrica1
Todas as questões da área
Questão 1 · Santa Casa SP 2026
A icterícia fisiológica acomete cerca de 2/3 dos recém-nascidos de termo, devendo ser distinguida da icterícia secundária a doenças. Pode-se afirmar que, nesta população
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A icterícia fisiológica do recém-nascido a termo resulta de maior produção de bilirrubina, pela massa eritrocitária elevada e pela vida média menor das hemácias fetais (cerca de 70 a 90 dias), somada à imaturidade da glicuroniltransferase hepática e ao aumento da circulação êntero-hepática. A) Correta. Massa eritrocitária maior e hemácias de vida mais curta aumentam a carga de bilirrubina. B) Errada. A neurotoxicidade (kernicterus) depende de níveis elevados de bilirrubina indireta livre que cruza a barreira hematoencefálica; valores baixos não causam morte neuronal. C) Errada. O intestino do RN tem pouca flora; a β-glicuronidase da mucosa desconjuga a bilirrubina direta em indireta, que é reabsorvida. D) Errada. Ao nascer, a atividade da glicuroniltransferase é muito inferior a 50% da do adulto, e a conjugação é o principal fator limitante. E) Errada. A β-glicuronidase tem atividade alta no RN, e é isso que aumenta a reabsorção da bilirrubina. Análise de contexto do gabarito: a alternativa correta descreve o aumento da produção; as demais invertem mecanismos (atividade da β-glicuronidase, papel da flora, grau de imaturidade enzimática). Fontes: SBP. Hiperbilirrubinemia indireta no período neonatal, Documento Científico 2021 | AAP. Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 50)
Questão 2 · Santa Casa SP 2026
Em uma enfermaria de pediatria foi isolado um agente infeccioso de uma lactente, que adquiriu quadro de infecção durante a internação. O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) recomendou as precauções, incluindo que a equipe fizesse a higiene das mãos com água e sabão, e não álcool. Trata-se de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Clostridioides difficile forma esporos resistentes ao álcool. Por isso, além da precaução de contato, a higiene das mãos deve ser feita com água e sabão, que remove os esporos mecanicamente. A limpeza ambiental exige produtos esporicidas, como o hipoclorito. A) Errada. Metapneumovírus é envelopado e inativado pelo álcool; exige precaução de contato e gotículas. B) Errada. Bordetella pertussis exige precaução de gotículas; o álcool é eficaz. C) Errada. Klebsiella ESBL exige precaução de contato; a preparação alcoólica é a forma preferencial de higiene das mãos. D) Errada. HSV é vírus envelopado, sensível ao álcool. E) Correta. Esporos de C. difficile não são inativados pelo álcool. Análise de contexto do gabarito: o dado decisivo do enunciado é a recomendação de água e sabão em vez de álcool, característica dos agentes formadores de esporos. Entre as opções, só C. difficile se encaixa. Fontes: ANVISA. Medidas de prevenção e controle de infecções por Clostridioides difficile, Nota Técnica GVIMS/GGTES 2023 | SHEA/IDSA/APIC. Strategies to prevent Clostridioides difficile infections in acute-care hospitals, 2022 Update (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 51)
Questão 3 · Santa Casa SP 2026
Criança de 4 anos, com antecedente de asma, chega ao pronto-socorro com febre alta, toxemia, dor torácica e consolidação em lobo superior direito à radiografia. Diante desse quadro, o agente etiológico mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Pré-escolar com febre alta, toxemia, dor torácica e consolidação lobar tem pneumonia bacteriana típica. O Streptococcus pneumoniae segue sendo o principal agente bacteriano da pneumonia adquirida na comunidade nessa faixa etária, e a consolidação lobar é sua apresentação clássica. A) Errada. Coqueluche cursa com tosse paroxística, em geral sem febre alta nem consolidação lobar. B) Errada. Adenovírus pode ser grave, mas costuma produzir infiltrado difuso, não consolidação lobar isolada. C) Errada. Mycoplasma predomina em escolares e adolescentes, com quadro mais arrastado e menos toxemia. D) Errada. S. aureus é causa de pneumonia grave e necrotizante, com pneumatoceles ou empiema, frequentemente pós-influenza; é menos frequente. E) Correta. Pneumococo é o agente mais provável da pneumonia lobar aguda na criança. Análise de contexto do gabarito: idade de 4 anos, início agudo, toxemia e consolidação lobar favorecem o pneumococo. A asma não muda o agente mais provável, e não há pneumatocele, empiema ou influenza prévia que favoreçam S. aureus. Fontes: SBP. Pneumonia adquirida na comunidade na infância, Documento Científico 2022 | IDSA/PIDS. The Management of Community-Acquired Pneumonia in Infants and Children Older Than 3 Months, 2011 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 52)
Questão 4 · Santa Casa SP 2026
Um recém-nascido com 18 horas de vida, do sexo masculino, adequado para a idade gestacional, filho de mãe com diabetes gestacional controlada com dieta, sem outras intercorrências, apresenta icterícia, classificada clinicamente como de Zona II de Kramer, de intensidade leve a moderada. A medida da bilirrubina transcutânea (BTC) foi de 9,8 mg/dL. Tipagem sanguínea AB Rh positivo, com Coombs direto negativo. Nesse caso,
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Icterícia nas primeiras 24 horas de vida é considerada patológica até prova em contrário. Com 18 horas, zona II de Kramer e BTC de 9,8 mg/dL, valor alto para a idade em horas, a principal hipótese é hiperbilirrubinemia por hemólise. Coombs direto negativo não afasta hemólise (deficiência de G6PD, esferocitose, outras incompatibilidades). A conduta é confirmar com bilirrubina sérica, coletar exames de hemólise (hemoglobina, reticulócitos, esfregaço, G6PD) e indicar fototerapia conforme curva. A) Errada. Icterícia antes de 24 horas não é fisiológica. B) Correta. Quadro precoce exige investigação de hemólise e fototerapia. C) Errada. Diabetes gestacional controlada com dieta não explica icterícia tão precoce. D) Errada. A BTC é coerente com zona II; o método perde acurácia em valores altos e após fototerapia, não em icterícia leve. E) Errada. O diabetes materno não é a explicação do quadro. Análise de contexto do gabarito: o dado central é a idade de 18 horas com bilirrubina elevada; o enunciado não deixa claro se a tipagem AB Rh positivo é da mãe ou do RN. Fontes: Kemper AR et al. Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation, AAP, Pediatrics, 2022 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 41)
Questão 5 · Santa Casa SP 2026
Os pais de uma menina com 8 anos de idade e sinais avançados de puberdade procuram o pediatra, pois ouviram que a aceleração da puberdade pode estar associada a disruptores (desreguladores) endócrinos. Pode-se afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Desreguladores endócrinos são substâncias exógenas, como bisfenóis e ftalatos, que interferem na síntese, transporte, ação ou metabolismo hormonal; vários são lipofílicos e se acumulam no organismo. Há literatura científica consistente associando a exposição a alterações puberais, entre outros efeitos, e o tema é objeto de posicionamentos de sociedades médicas. A) Errada. Não houve retirada geral desses compostos do mercado brasileiro. B) Errada. Há evidência experimental e epidemiológica de efeito hormonal. C) Errada. O conceito tem base científica, não é apenas tema de mídias sociais. D) Errada. No Brasil, a Anvisa proibiu o BPA em mamadeiras (RDC 41/2011), mas ele segue presente em outros plásticos. E) Correta. Define corretamente os desreguladores e cita exemplos clássicos. Análise de contexto do gabarito: a pergunta é conceitual; a única alternativa compatível com a literatura é a definição com exemplos. Fontes: Gore AC et al. EDC-2: The Endocrine Society's Second Scientific Statement on Endocrine-Disrupting Chemicals, Endocr Rev, 2015 | Anvisa. RDC nº 41, de 16 de setembro de 2011 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 43)
Questão 6 · Santa Casa SP 2026
Uma menina com 7 anos apresenta pubarca, com características de estágio 3 pela classificação de Tanner, além de leve odor em axilas, sem qualquer outro sinal de puberdade. Os pais procuram endocrinologista e, após exames, conclui-se que se trata de adrenarca prematura. Sobre esta manifestação:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Adrenarca prematura é o aumento precoce dos andrógenos da zona reticulada adrenal (DHEA-S), manifestando-se por pubarca e odor axilar sem telarca. É considerada variante benigna, sem tratamento específico, mas estudos longitudinais associam o quadro a maior risco de resistência insulínica e síndrome dos ovários policísticos, o que justifica seguimento clínico. A) Errada. Não é causada por tumor hipofisário. B) Errada. Pubarca aos 7 anos em menina é precoce, e a adrenarca isolada não costuma progredir rapidamente para puberdade precoce central. C) Correta. Benigna, com maior risco futuro de SOP. D) Errada. Pode haver discreto avanço de idade óssea, sem perda de estatura final ou menarca antes dos 9 anos. E) Errada. Hiperplasia adrenal congênita é diagnóstico diferencial a excluir, e o enunciado já firmou adrenarca prematura. Análise de contexto do gabarito: a ausência de outros sinais puberais e a conclusão diagnóstica dada no enunciado definem a resposta. Fontes: Rosenfield RL. Normal and Premature Adrenarche, Endocr Rev, 2021 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 44)
Questão 7 · Santa Casa SP 2026
Uma lactente com 6 meses de idade, com histórico de tratamento para sífilis logo ao nascimento, em acompanhamento ambulatorial, apresenta títulos mantidos de teste não treponêmico, realizados no mesmo laboratório. Criança sem sinais clínicos e evoluindo bem. Nesse caso, a conduta deve ser:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Na criança tratada para sífilis congênita, espera-se queda do teste não treponêmico a partir dos 3 meses e não reatividade por volta dos 6 meses. Títulos mantidos aos 6 meses indicam falha terapêutica ou reinfecção: a criança deve ser reinvestigada, incluindo punção lombar com VDRL, celularidade e proteína no líquor, e retratada com penicilina parenteral por 10 dias. A) Errada. O teste treponêmico não diferencia anticorpo materno de infecção nessa idade, e o líquor não depende de outro exame alterado. B) Errada. A queda esperada é do teste não treponêmico, e manter títulos aos 6 meses já exige ação. C) Errada. Mesmo com penicilina por 10 dias, o líquor é necessário para documentar neurossífilis e orientar seguimento. D) Correta. Reavaliação com líquor e retratamento parenteral. E) Errada. Penicilina benzatina em dose única não é adequada para retratamento de sífilis congênita. Análise de contexto do gabarito: o dado decisivo é a manutenção dos títulos no mesmo laboratório aos 6 meses, mesmo com criança assintomática. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2022 | Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 45)
Questão 8 · Santa Casa SP 2026
Um adolescente com 14 anos de idade apresenta quadro de tosse prolongada, diurna e noturna, há 10 dias, com piora nos últimos 2 dias. Febre baixa nos últimos 4 dias, associada a dor de cabeça, cansaço e perda de apetite, além de manchas na pele. A radiografia de tórax revela a presença de broncopneumonia em bases, mais à esquerda. O médico descreve a presença de eritema multiforme. O principal agente e a conduta a ser adotada são, respectivamente:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Adolescente com tosse arrastada, febre baixa, cefaleia, mal-estar e broncopneumonia, associada a eritema multiforme: quadro típico de pneumonia atípica por Mycoplasma pneumoniae, agente mais comum de pneumonia em escolares e adolescentes e com manifestações extrapulmonares cutâneas. O tratamento de escolha é macrolídeo (azitromicina ou claritromicina); por não ter parede celular, o agente não responde a betalactâmicos. A) Errada. Fluoroquinolona é alternativa restrita em menores de 18 anos, não a primeira escolha. B) Correta. Agente e conduta adequados. C) Errada. Mycoplasma hominis é agente geniturinário, e cefalosporinas não agem em micoplasma. D) Errada. M. hominis não causa este quadro. E) Errada. M. hominis não causa este quadro. Análise de contexto do gabarito: idade, curso subagudo e eritema multiforme definem o agente; a classe terapêutica separa B de A. Fontes: Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 46)
Questão 9 · Santa Casa SP 2026
Um menino com 6 anos de idade é levado ao médico pois apresenta quadro de náusea e vômitos recorrentes, dor abdominal e aumento da diurese, além de "estar sem energia para brincar". Durante a anamnese o médico identifica o uso excessivo de uma vitamina. Das vitaminas abaixo, a que tem relação com esse quadro clínico é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Náuseas, vômitos recorrentes, dor abdominal, poliúria e letargia após uso excessivo de vitamina são o quadro de hipercalcemia por intoxicação por vitamina D. A hipercalcemia reduz a capacidade de concentração urinária (diabetes insípido nefrogênico), causando poliúria, e pode evoluir com nefrocalcinose e lesão renal. A) Errada. Hipervitaminose A causa hipertensão intracraniana, alterações cutâneas, hepatotoxicidade e dor óssea; poliúria não é típica. B) Errada. Excesso de vitamina C causa sobretudo sintomas gastrointestinais e risco de cálculo de oxalato. C) Correta. Vitamina D causa hipercalcemia com esse quadro. D) Errada. Vitamina K tem toxicidade mínima por via oral. E) Errada. Vitamina E em excesso pode interferir na coagulação, sem este quadro. Análise de contexto do gabarito: o dado que define a resposta é a poliúria associada a sintomas gastrointestinais e letargia. Fontes: Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 47)
Questão 10 · Santa Casa SP 2026
Uma menina com 4 anos de idade adquire infecção intestinal por Escherichia coli O157:H7. Após 1 semana do início do quadro evoluiu com anemia hemolítica, trombocitopenia e insuficiência renal. O diagnóstico desta complicação é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda cerca de uma semana após diarreia por Escherichia coli O157:H7, produtora de toxina Shiga, definem a síndrome hemolítico-urêmica típica. É a principal causa de lesão renal aguda intrínseca em pré-escolares, e o tratamento é de suporte (hidratação, controle hidroeletrolítico e diálise quando indicada), evitando antibiótico e antimotilidade na fase diarreica. A) Errada. Trombose de veia renal ocorre mais em neonatos e síndrome nefrótica, sem hemólise com trombocitopenia. B) Errada. PTT é microangiopatia por deficiência de ADAMTS13, mais comum em adultos e não relacionada à toxina Shiga. C) Errada. Hemoglobinúria pode agravar a lesão renal, mas não explica a tríade. D) Errada. Necrose tubular aguda não explica anemia hemolítica com trombocitopenia. E) Correta. Tríade clássica após infecção por E. coli produtora de toxina Shiga. Análise de contexto do gabarito: idade de 4 anos, agente O157:H7 e a tríade hemólise, plaquetopenia e insuficiência renal definem o diagnóstico. Fontes: Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 48)
Questão 11 · Santa Casa SP 2026
Os pais de um menino morador da capital de São Paulo, que está com 6 anos e tem diagnóstico de deficiência de G-6PD (Glicose-6 fosfato desidrogenase), querem saber se existe alguma doença cujo tratamento seja de alto risco para hemólise grave, bem como algum alimento, uma vez que desejam viajar e querem estar mais seguros. O médico deve esclarecer que convém evitar exposição a
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Na deficiência de G6PD, fármacos oxidantes podem causar hemólise grave. O exemplo clássico ligado a uma doença infecciosa é a primaquina, usada na cura radical da malária por Plasmodium vivax; no Brasil, a testagem de G6PD orienta o uso de primaquina e tafenoquina. Por isso, ao planejar viagem para área endêmica, a orientação é evitar a exposição à malária. O alimento clássico relacionado a hemólise é a fava (favismo), que não aparece nas alternativas. A) Errada. Gergelim não é desencadeante reconhecido. B) Correta. O tratamento da malária envolve fármaco de alto risco para hemólise. C) Errada. Infecções em geral podem precipitar hemólise, mas salmonela não tem tratamento de alto risco específico. D) Errada. Alga não é desencadeante clássico. E) Errada. Lentilha não é desencadeante clássico. Análise de contexto do gabarito: a pergunta liga doença e tratamento de alto risco, e a viagem a partir de São Paulo sugere exposição a área endêmica. Fontes: Ministério da Saúde. Guia de Tratamento da Malária no Brasil, 2020 | Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 49)
Questão 12 · Santa Casa SP 2026
Adolescente de 14 anos apresenta febre, dor de garganta intensa, exsudato tonsilar e linfonodomegalia cervical posterior. Teste rápido de estreptococo é negativo. Esplenomegalia palpável ao exame. O diagnóstico mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Adolescente com febre, faringite exsudativa intensa, linfonodomegalia cervical posterior e esplenomegalia, com teste rápido para estreptococo negativo: o quadro favorece mononucleose infecciosa pelo vírus Epstein-Barr. A confirmação usa hemograma com linfocitose atípica e sorologia (anticorpos heterófilos ou anti-VCA IgM). Deve-se orientar afastamento de esportes de contato pelo risco de ruptura esplênica. A) Errada. Teste rápido negativo e esplenomegalia tornam a faringite estreptocócica menos provável. B) Errada. Adenovírus costuma cursar com conjuntivite e sem esplenomegalia. C) Correta. Tríade de febre, faringite e linfonodomegalia posterior, com esplenomegalia. D) Errada. Escarlatina é estreptocócica e cursa com exantema áspero. E) Errada. Citomegalovirose congênita se manifesta no período neonatal. Análise de contexto do gabarito: os discriminantes são cadeia cervical posterior, baço palpável e teste estreptocócico negativo. Fontes: Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 53)
Questão 13 · Santa Casa SP 2026
Criança de 6 anos apresenta febre, artralgia e exantema em 'asa de borboleta' no rosto. Mãe refere contato com colega diagnosticado com 'quinta doença'. O agente etiológico mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O eritema infeccioso (quinta doença) é causado pelo parvovírus B19. O quadro típico é eritema facial em face esbofeteada, seguido de exantema rendilhado em tronco e membros; artralgia pode ocorrer, sobretudo em crianças maiores e adultos. O contato com caso confirmado reforça o diagnóstico. Outras associações do B19 são crise aplástica em doença falciforme e hidropisia fetal na gestação. A) Errada. Rubéola cursa com exantema maculopapular craniocaudal e linfonodos retroauriculares e occipitais. B) Correta. Agente da quinta doença. C) Errada. Enterovírus causam exantemas inespecíficos e mão-pé-boca. D) Errada. EBV causa mononucleose. E) Errada. Sarampo cursa com febre alta, tosse, conjuntivite e manchas de Koplik. Análise de contexto do gabarito: o contato com quinta doença e o eritema facial definem o agente. Fontes: Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 54)
Questão 14 · Santa Casa SP 2026
Criança, resgatada de enchente, apresenta febre, mialgia em panturrilhas, conjuntivite não purulenta e icterícia progressiva. O diagnóstico mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Exposição a água de enchente, febre, mialgia em panturrilhas, sufusão conjuntival sem secreção e icterícia progressiva é a apresentação clássica da leptospirose. A icterícia indica a forma grave (síndrome de Weil), com risco de insuficiência renal e hemorragia pulmonar. O tratamento não deve esperar confirmação laboratorial. A) Correta. Epidemiologia e quadro clínico típicos. B) Errada. Malária exige exposição em área endêmica e não cursa com mialgia de panturrilhas e sufusão conjuntival. C) Errada. Hepatite A causa icterícia, mas sem mialgia de panturrilhas e sem vínculo com enchente. D) Errada. Febre tifoide cursa com febre prolongada e sintomas gastrointestinais. E) Errada. Febre maculosa se associa a carrapato e exantema. Análise de contexto do gabarito: o resgate de enchente é o dado epidemiológico que define o diagnóstico. Fontes: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 | Ministério da Saúde. Leptospirose: diagnóstico e manejo clínico, 2014 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 55)
Questão 15 · Santa Casa SP 2026
Um menino de 3 anos apresenta quadro de edema palpebral, ascite, urina espumosa; albumina sérica de 1,9 g/dL, sem hematúria. E função renal normal. O diagnóstico mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Pré-escolar com edema, ascite, urina espumosa e albumina de 1,9 g/dL, sem hematúria e com função renal normal: síndrome nefrótica pura. Nessa faixa etária, a causa mais provável é a doença de lesões mínimas, e o tratamento inicial é corticoide sem biópsia; a biópsia fica para corticorresistência ou características atípicas. A) Errada. Glomerulonefrite rapidamente progressiva cursa com perda rápida de função renal. B) Errada. GNPE é síndrome nefrítica, com hematúria e hipertensão. C) Errada. Nefropatia por IgA se manifesta com hematúria. D) Errada. Nefrite lúpica classe IV é rara nessa idade e cursa com hematúria e disfunção renal. E) Correta. Quadro típico de lesão mínima. Análise de contexto do gabarito: idade de 3 anos, ausência de hematúria e função renal normal definem a resposta. Fontes: KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Glomerular Diseases, Kidney Int, 2021 | Trautmann A et al. IPNA clinical practice recommendations for the diagnosis and management of children with steroid-sensitive nephrotic syndrome, Pediatr Nephrol, 2023 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 56)
Questão 16 · Santa Casa SP 2026
Um bebê de 6 meses apresenta taquicardia com QRS estreito e FC: 280 bpm. Perfusão preservada. A melhor conduta, nesse momento, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Lactente com taquicardia de QRS estreito e FC de 280 bpm, frequência acima da esperada para taquicardia sinusal, sugere taquicardia supraventricular. Com perfusão preservada, a conduta inicial é manobra vagal (gelo na face no lactente) e, se não houver resposta, adenosina IV em bolus rápido seguido de flush. A cardioversão sincronizada é para o paciente instável. A) Correta. Sequência recomendada no paciente estável. B) Errada. Lidocaína não é usada em TSV. C) Errada. Amiodarona fica para casos refratários, com orientação de especialista. D) Errada. Cardioversão sincronizada é indicada se houver instabilidade hemodinâmica. E) Errada. Verapamil é evitado em lactentes pelo risco de hipotensão grave e colapso. Análise de contexto do gabarito: QRS estreito, FC muito alta e perfusão preservada definem a sequência vagal e adenosina. Fontes: Topjian AA et al. Part 4: Pediatric Basic and Advanced Life Support, American Heart Association Guidelines, Circulation, 2020 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 57)
Questão 17 · Santa Casa SP 2026
Uma criança de 4 anos é atendida em consulta de puericultura. Não apresenta comorbidades e tem esquema vacinal completo até 2 anos. Nesse momento, a recomendação vacinal é indicar reforço de:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Aos 4 anos, com esquema completo até os 2 anos, a criança deve receber o segundo reforço da tríplice bacteriana (DTP) e o reforço da poliomielite, conforme as recomendações das sociedades (SBIm/SBP); no PNI, o reforço de VIP aos 4 anos passou a fazer parte do calendário nacional em 2026. Nessa idade também é aplicada a segunda dose de varicela, mas tecnicamente é dose do esquema, não reforço, e aparece isolada na alternativa. A) Correta. DTP e pólio compõem o reforço previsto aos 4 anos. B) Errada. Hepatite A no PNI é dose única aos 15 meses. C) Errada. A pneumocócica conjugada termina com o reforço aos 12 meses no PNI. D) Errada. A varicela aos 4 anos é segunda dose, não reforço, e a alternativa está incompleta. E) Errada. No PNI, o reforço da meningocócica após o primeiro ano é feito com ACWY na adolescência. Análise de contexto do gabarito: a palavra reforço e a idade de 4 anos apontam para DTP e pólio. Fontes: Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendário de vacinação SBIm criança, 2025-2026 | Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação da criança, 2026 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 58)
Questão 18 · Santa Casa SP 2026
Um lactente de 2 meses, filho de mãe portadora de HIV positivo em tratamento, não amamentado ao seio materno, chega para vacinação. A melhor conduta vacinal para esse bebê é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Lactente exposto ao HIV, ainda sem diagnóstico de infecção, deve seguir o calendário de rotina. A BCG é recomendada ao nascer ou o mais cedo possível em crianças expostas assintomáticas e sem sinais de imunodeficiência. Restrições a vacinas vivas valem para a criança com infecção pelo HIV e imunossupressão grave, situação não descrita no enunciado. A) Errada. Suspender vacinas deixa a criança desprotegida, sem justificativa. B) Errada. A BCG não é contraindicada em criança exposta assintomática. C) Correta. Calendário de rotina, incluindo BCG. D) Errada. Não se aguarda o diagnóstico para iniciar o calendário. E) Errada. Não há regra de adiamento de vacinas vivas para criança apenas exposta. Análise de contexto do gabarito: o dado central é exposição, não infecção; o enunciado não relata sintomas nem imunodeficiência. Fontes: Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 | Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 59)
Questão 19 · Santa Casa SP 2026
Uma criança de 9 meses apresenta perímetro cefálico no p97, mas desde o nascimento acompanha esse canal de crescimento sem desvio. Tem fontanela anterior aberta e desenvolvimento neurológico normal. Nesse momento, a melhor conduta é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Perímetro cefálico no p97, mas estável no mesmo canal desde o nascimento, com fontanela aberta e desenvolvimento normal, favorece macrocefalia benigna, frequentemente familiar. A conduta é considerar variante do normal, medir o perímetro cefálico dos pais e manter seguimento. Investigação com imagem é indicada se houver cruzamento ascendente de percentis, sinais de hipertensão intracraniana ou atraso do desenvolvimento. A) Errada. Ressonância não é necessária sem sinais de alarme. B) Errada. Encaminhamento ao neuropediatra não é necessário com crescimento estável e desenvolvimento normal. C) Errada. Ultrassonografia não está indicada sem sinais de alarme. D) Errada. Tomografia expõe a radiação sem indicação. E) Correta. Variante normal com seguimento. Análise de contexto do gabarito: a estabilidade do canal de crescimento e o desenvolvimento normal definem a conduta expectante. Fontes: Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed., 2024 | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 60)