Questões de Cirurgia: Santa Casa SP 2026
Esta área reúne 14 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Abdome agudo (4), Cólon e proctologia (2), Oncologia cirúrgica (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Cirurgia | 14 |
- Abdome agudo4
- Cólon e proctologia2
- Oncologia cirúrgica2
- Trauma / ATLS2
- Cirurgia torácica1
- Esôfago, estômago e bariátrica1
- Hérnias e parede abdominal1
- Perioperatório e anestesia1
Todas as questões da área
Questão 1 · Santa Casa SP 2026
Paciente idoso é admitido na sala de trauma após queda da própria altura, segundo relato informado, trazido pelo serviço de resgate imobilizado com colar cervical e prancha longa. Está entubado, com Glasgow 3, pupilas isocóricas e fotorreagentes, hipotenso e com bradicardia. SatO2: 95%. Apresenta movimentação em todos os quatro membros e não há estigmas externos de trauma. O próximo passo mais adequado na investigação diagnóstica inicial é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Idoso politraumatizado intubado, com Glasgow 3, hipotensão e bradicardia, está em choque de causa indefinida. A movimentação dos quatro membros torna o choque neurogênico menos provável, e não há estigmas de trauma que apontem uma fonte de sangramento. Paciente instável não deve ser levado à tomografia: a ultrassonografia à beira-leito (RUSH, que amplia o eFAST) avalia rapidamente bomba (coração), tanque (volemia e líquido livre) e tubos (aorta e TVP). A) Errada. Toracocentese às cegas não se justifica com SatO2 de 95% e sem diagnóstico de hemo ou pneumotórax. B) Correta. POCUS/RUSH é o próximo passo diagnóstico no choque indiferenciado. C) Errada. A tomografia de corpo inteiro exige estabilidade hemodinâmica. D) Errada. Radiografia de coluna cervical não é prioridade; tórax e pelve podem ser feitos, mas não esclarecem o tipo de choque como o RUSH. E) Errada. RM de coluna é inviável no paciente instável. Análise de contexto do gabarito: a instabilidade hemodinâmica define a sequência. Antes de transportar o paciente, é preciso identificar o mecanismo do choque à beira-leito. Fontes: American College of Surgeons. ATLS, 11ª ed., 2025 | Perera P et al. The RUSH exam: Rapid Ultrasound in SHock. Emerg Med Clin North Am, 2010 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 31)
Questão 2 · Santa Casa SP 2026
Paciente masculino, 32 anos, portador de Polipose Adenomatosa Familiar (PAF), com história familiar positiva e colectomia prévia, apresenta quadro de icterícia colestática, hipocolia e colúria. A colangiografia endoscópica com biópsia revelou adenoma tubuloviloso da papila duodenal maior, com displasia de baixo grau. Foi submetido à drenagem biliar, evoluindo com pancreatite aguda grave. A conduta mais adequada a médio prazo para este paciente, dentre as abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Na polipose adenomatosa familiar (PAF), os adenomas duodenais e da papila são a principal causa de câncer após a colectomia. O manejo segue o estadiamento de Spigelman e o grau de displasia. O enunciado informa displasia de baixo grau. Por isso, a conduta a médio prazo é seguimento endoscópico rigoroso com ressecção endoscópica quando indicada, e não cirurgia de grande porte, ainda mais após pancreatite aguda grave. A) Errada. Imunoterapia não tem papel em adenoma. B) Errada. Pancreatoduodenectomia é reservada para displasia de alto grau, Spigelman IV ou carcinoma. C) Correta. Vigilância endoscópica rigorosa para lesão com displasia de baixo grau. D) Errada. Radioterapia não se aplica. E) Errada. Embolização não trata adenoma. Análise de contexto do gabarito: displasia de baixo grau e a recente pancreatite grave definem a escolha. A banca não informa o estádio de Spigelman, e a resposta se apoia apenas no grau de displasia. Fontes: NCCN. Genetic/Familial High-Risk Assessment: Colorectal, v.2025 | ASGE. Guideline on the role of endoscopy in familial adenomatous polyposis syndromes, 2020 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 22)
Questão 3 · Santa Casa SP 2026
Paciente feminina, 51 anos, com obesidade mórbida (148 kg, IMC > 50 kg/m²), foi submetida previamente à cirurgia de Hartmann após quadro de diverticulite complicada. Evoluiu com hérnia paracolostômica volumosa. Com o objetivo de viabilizar futura reconstrução do trânsito intestinal, foi submetida a gastrectomia vertical (sleeve), apresentando perda ponderal significativa, com peso atual de 98 kg. Sua tomografia de controle mostrou colostomia em fossa ilíaca direita e hérnia paracolostômica contendo alças delgadas, cólon e parte do estômago, com dimensões de 9,5 × 9,7 cm e volume estimado de 4.250 cc. O volume da cavidade abdominal é de cerca de 8.200 cc. Com base nos dados apresentados, a melhor estratégia para correção da hérnia e reconstrução do trânsito intestinal neste cenário é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O volume herniário (4.250 cc) corresponde a mais de 50% do volume da cavidade abdominal (8.200 cc), o que caracteriza perda de domicílio. A redução do conteúdo sem preparo expõe a paciente a hipertensão intra-abdominal, síndrome compartimental e falha da correção. O pneumoperitônio progressivo pré-operatório (com ou sem toxina botulínica) expande a parede e permite a correção da hérnia junto à reconstrução do trânsito. A) Errada. Fechamento primário sem preparo, com perda de domicílio, tem alto risco de complicação e recidiva. B) Correta. O pneumoperitônio progressivo viabiliza a correção em tempo único. C) Errada. Tela sintética intraperitoneal em campo que será contaminado pela reconstrução do trânsito aumenta o risco de infecção e não resolve a perda de domicílio. D) Errada. Manter a hérnia não atende ao objetivo da questão. E) Errada. Corrigir sem tela uma hérnia desse tamanho tem recidiva elevada. Análise de contexto do gabarito: a banca fornece os volumes para que se calcule a relação hérnia/cavidade. Esse cálculo indica perda de domicílio e preparo da parede. Fontes: European Hernia Society. Guidelines on prevention and treatment of parastomal hernias, 2018 | Tanaka EY et al. A computerized tomography scan method for calculating the hernia sac and abdominal cavity volume in complex large incisional hernia with loss of domain. Hernia, 2010 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 24)
Questão 4 · Santa Casa SP 2026
Paciente assintomático com massa retroperitoneal de aspecto heterogêneo, contendo componente gorduroso, sem sinais de infiltração. A conduta mais adequada a ser adotada inicialmente é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Massa retroperitoneal heterogênea com componente gorduroso tem como principal hipótese o lipossarcoma, o sarcoma retroperitoneal mais comum. Na resposta da banca, a conduta inicial é a biópsia percutânea por agulha grossa (core) guiada por imagem, por via retroperitoneal, que confirma o tipo histológico e o grau e orienta a ressecção ou um tratamento pré-operatório. O risco de disseminação no trajeto é baixo com a técnica correta. A) Correta. Biópsia por agulha antes de definir o tratamento. B) Errada. Observar sem diagnóstico atrasa o tratamento de um possível sarcoma. C) Errada. Quimioterapia empírica sem histologia não é aceitável. D) Errada. Transplante renal não tem relação com o quadro. E) Errada. Não há dado infeccioso. Análise de contexto do gabarito: o componente gorduroso e a heterogeneidade favorecem neoplasia mesenquimal. A banca pede a conduta inicial, que é o diagnóstico histológico. Fontes: Transatlantic Australasian RPS Working Group (TARPSWG). Management of primary retroperitoneal sarcoma in the adult: an updated consensus approach, Ann Surg Oncol 2021 | NCCN. Soft Tissue Sarcoma, v.2025 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 25)
Questão 5 · Santa Casa SP 2026
Mulher de 69 anos, transplantada renal há 7 anos, em uso de imunossupressores (ciclosporina, micofenolato de mofetila e prednisona), procura pronto-socorro com dor abdominal de forte intensidade iniciada há 1 dia, localizada inicialmente em flanco e fossa ilíaca esquerda, associada a náuseas, vômitos e diarreia. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, com abdome distendido, doloroso difusamente e ruídos hidroaéreos abolidos. Evolui com instabilidade hemodinâmica. A tomografia computadorizada evidenciou espessamento circunferencial subestenosante em íleo distal, densificação da gordura adjacente, distensão de alças a montante e líquido livre abdominal, sem coleções organizadas. A principal hipótese diagnóstica, dentre as abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Paciente transplantada renal, com imunossupressão tripla, dor abdominal aguda, diarreia, íleo, instabilidade hemodinâmica e espessamento parietal do íleo distal com densificação da gordura. Esse quadro é compatível com enterocolite infecciosa grave do imunossuprimido. A banca adota o diagnóstico de enterocolite neutropênica (tiflite), que acomete ceco e íleo terminal. Observação: o enunciado não informa a contagem de neutrófilos, dado clássico para essa hipótese. A) Errada. Crohn costuma ter curso insidioso e é incomum surgir aos 69 anos com esse padrão agudo. B) Errada. A isquemia não oclusiva ocorre em estados de baixo fluxo e não costuma produzir espessamento subestenosante segmentar. C) Errada. O linfoma pós-transplante é possível, mas tende a curso subagudo. D) Correta. É a hipótese da banca para o quadro agudo grave no imunossuprimido. E) Errada. Gastroenterite viral não explica espessamento subestenosante com instabilidade. Análise de contexto do gabarito: o início agudo, a instabilidade e a imunossupressão favorecem uma causa infecciosa e inflamatória aguda. A ausência do hemograma limita a confirmação no próprio enunciado. Fontes: Rodrigues FG et al. Neutropenic enterocolitis. World J Gastroenterol, 2017 | KDIGO. Clinical Practice Guideline for the Care of Kidney Transplant Recipients, 2009 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 26)
Questão 6 · Santa Casa SP 2026
Mulher de 69 anos, transplantada renal há 7 anos, em uso de imunossupressores (ciclosporina, micofenolato de mofetila e prednisona), procura pronto-socorro com dor abdominal de forte intensidade iniciada há 1 dia, localizada inicialmente em flanco e fossa ilíaca esquerda, associada a náuseas, vômitos e diarreia. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, com abdome distendido, doloroso difusamente e ruídos hidroaéreos abolidos. Evolui com instabilidade hemodinâmica. A tomografia computadorizada evidenciou espessamento circunferencial subestenosante em íleo distal, densificação da gordura adjacente, distensão de alças a montante e líquido livre abdominal, sem coleções organizadas. A paciente evoluiu com instabilidade hemodinâmica, sendo submetida a laparotomia exploradora, que revelou segmento de íleo isquêmico e estenosado (30 cm), sem perfuração. Foi realizada enterectomia com ileostomia. O anatomopatológico da peça cirúrgica demonstrou granulomas epitelioides com necrose caseosa e células gigantes multinucleadas. O diagnóstico mais provável com base nesses achados clínico-histopatológicos, dentre os abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
O anatomopatológico define o diagnóstico: granulomas epitelioides com necrose caseosa e células gigantes multinucleadas no íleo distal de paciente imunossuprimida favorecem fortemente tuberculose intestinal. O íleo terminal e a região ileocecal são os sítios mais acometidos pela tuberculose, que se reativa com mais frequência em transplantados. A confirmação inclui pesquisa de BAAR, cultura e PCR no tecido. A) Errada. Crohn forma granulomas não caseosos. B) Errada. Actinomicose forma abscessos com grânulos de enxofre, não granuloma caseoso. C) Correta. Granuloma caseoso no íleo é a marca da tuberculose intestinal. D) Errada. Linfoma não forma granuloma caseoso. E) Errada. Histoplasmose pode formar granulomas, mas é menos provável; o diagnóstico exige visualizar leveduras. Análise de contexto do gabarito: a necrose caseosa separa tuberculose de Crohn. O íleo distal e a imunossupressão reforçam essa hipótese. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed. atualizada, 2019 | Ministério da Saúde. Manual de recomendações para o controle da tuberculose, atualização 2024 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 27)
Questão 7 · Santa Casa SP 2026
Paciente feminina, 79 anos, com comorbidades (diabetes, fibrilação atrial e hipertensão arterial) e constipação crônica, evoluiu com suboclusão intestinal refratária ao tratamento clínico. Tomografia evidenciou impactação fecal, dilatação do sigmoide e espessamento parietal, sem sinais de perfuração ou abscesso. Após 5 dias, persistência do quadro foi confirmada. Com relação à indicação de cirurgia, nesse caso, é correto afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Suboclusão por impactação fecal no sigmoide, com espessamento parietal, que persiste após 5 dias de tratamento clínico (laxativos, enemas, desimpactação, hidratação) configura falha terapêutica. A permanência do fecaloma expõe a paciente idosa a isquemia, úlcera estercorácea e perfuração. Por isso, a falha do tratamento clínico já indica intervenção cirúrgica (ressecção, frequentemente com colostomia), sem esperar perfuração ou infecção. A) Errada. A ausência de infecção não contraindica a cirurgia. B) Errada. Esperar perfuração aumenta a morbimortalidade. C) Errada. O diagnóstico já está estabelecido pela tomografia; a laparoscopia diagnóstica não muda a conduta. D) Correta. Falha clínica persistente indica intervenção cirúrgica. E) Errada. O tratamento não operatório já falhou. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são refratariedade ao tratamento clínico, persistência confirmada após 5 dias e espessamento parietal (sofrimento da parede). Fontes: ASCRS. Clinical Practice Guidelines for the Evaluation and Management of Constipation, 2024 | Serrano Falcón B et al. Fecal impaction: a systematic review of its medical complications. BMC Geriatrics, 2016 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 28)
Questão 8 · Santa Casa SP 2026
Homem de 63 anos, tabagista, com queixa de dispneia e tosse seca há 15 dias, sem perda ponderal. Apresentava-se em bom estado geral e exame físico sem alterações significativas. A tomografia de tórax demonstrou massa pulmonar central no lobo superior direito. Biópsia revelou tumor neuroendócrino bem diferenciado (carcinoide típico). Com base no quadro, a conduta terapêutica mais adequada, dentre as abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Carcinoide típico é tumor neuroendócrino pulmonar bem diferenciado, de baixo grau, com baixa resposta a quimioterapia e radioterapia. Em doença localizada e paciente operável, o tratamento curativo é a ressecção cirúrgica com a maior preservação de parênquima possível (lobectomia ou ressecção broncoplástica/sleeve nas lesões centrais) associada a linfadenectomia hilar e mediastinal, pois metástase linfonodal ocorre em parte dos casos. A) Errada. Radioterapia fica para pacientes inoperáveis ou paliação. B) Errada. Cisplatina-etoposídeo é esquema de carcinoma neuroendócrino de alto grau (pequenas células), não de carcinoide típico ressecado. C) Errada. Imunoterapia não tem papel em carcinoide localizado. D) Errada. Análogos de somatostatina são usados em doença avançada/metastática ou com síndrome funcional. E) Correta. Ressecção com preservação pulmonar e linfadenectomia sistemática é o padrão. Análise de contexto do gabarito: bom estado geral, ausência de perda ponderal e massa única central sem menção a metástases indicam doença localizada e paciente candidato à cirurgia. Fontes: Baudin E et al. Lung and thymic carcinoids: ESMO Clinical Practice Guidelines, Ann Oncol, 2021 | NCCN Guidelines Neuroendocrine and Adrenal Tumors, 2025 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 29)
Questão 9 · Santa Casa SP 2026
Paciente masculino, 38 anos, com histórico de uso abusivo de álcool e cocaína, foi vítima de colisão de moto versus automóvel, sendo ejetado da motocicleta a cerca de 30 m a alta velocidade. Score de Glasgow 3, sangramento oral intenso, fratura exposta de fêmur direito distal com ferimento descolante e sangramento intenso no membro, múltiplas fraturas craniofaciais, além de sinais de choque hipovolêmico. Além das medidas de proteção da coluna para o transporte, das condutas iniciais abaixo, a mais apropriada no atendimento pré-hospitalar desse paciente é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Politraumatizado com Glasgow 3, sangramento oral intenso, fraturas craniofaciais e hemorragia exsanguinante de membro em choque. No pré-hospitalar, a sequência XABCDE prioriza o controle da hemorragia externa grave (torniquete), seguido de via aérea definitiva (intubação orotraqueal), já que Glasgow 8 ou menos e sangramento em via aérea exigem proteção da via aérea. O tempo na cena deve ser curto, com transporte rápido a centro de trauma. A) Errada. Máscara laríngea não protege a via aérea de sangue e é limitada por trauma craniofacial extenso; acesso intraósseo não controla a hemorragia. B) Errada. Hemocomponentes não fazem parte da rotina pré-hospitalar e não são prioridade antes de conter o sangramento. C) Errada. Cristaloide agressivo piora coagulopatia e sangramento; preconiza-se reposição restrita (hipotensão permissiva, exceto se TCE grave, em que se evita hipotensão). D) Errada. Imobilização e oxigênio por máscara não controlam a hemorragia nem protegem a via aérea. E) Correta. Torniquete, intubação e transporte rápido atendem às prioridades. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são hemorragia intensa do membro com fratura exposta (X), Glasgow 3 e sangramento oral (A). Fontes: NAEMT. PHTLS: Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado, 10ª ed., 2023 | American College of Surgeons. ATLS Student Course Manual, 10ª ed., 2018 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 32)
Questão 10 · Santa Casa SP 2026
Paciente feminina, 68 anos, com obesidade grau III, diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, doença renal crônica em diálise e fibrilação atrial, apresenta quadro de febre persistente, dor abdominal difusa e leucocitose há 10 dias. Foi iniciado tratamento com antibióticos de largo espectro. Com base no quadro clínico, exames de imagem e antecedentes da paciente, a etiologia mais provável do abscesso esplênico e o tratamento mais indicado:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Paciente com fibrilação atrial, diálise (bacteremias recorrentes de acesso vascular), diabetes e febre prolongada com abscesso esplênico: a via mais provável é a hematogênica por embolia séptica (classicamente associada a endocardite). O tratamento clássico é antibioticoterapia associada a esplenectomia, sobretudo em abscessos múltiplos, multiloculados ou sem resposta clínica; a drenagem percutânea é alternativa em coleção única e unilocular ou em paciente sem condição cirúrgica. A) Errada. Cisto esplênico infectado é causa rara e não se relaciona aos antecedentes descritos. B) Correta. Embolia séptica é a etiologia mais frequente; esplenectomia é o tratamento definitivo. C) Errada. Diverticulite não explica abscesso esplênico e o quadro não se resolve com observação. D) Errada. Isquemia/infarto esplênico pode infectar secundariamente, mas febre persistente com abscesso exige tratamento da coleção. E) Errada. Não há dados de pancreatite. Análise de contexto do gabarito: a banca menciona exames de imagem que não estão descritos no enunciado; a resposta se apoia nos antecedentes (FA, diálise) e na falha clínica após 10 dias de antibiótico. Fontes: Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2021 | Schwartz's Principles of Surgery, 11ª ed., 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 33)
Questão 11 · Santa Casa SP 2026
Paciente feminina, 36 anos, previamente hígida, apresenta dor abdominal difusa há 48 horas, associada a náusea, sem vômitos ou febre. Ao exame físico geral não há sinais de sepse e apresenta dor à palpação no quadrante superior direito, sem sinais de irritação peritoneal. A tomografia de abdome revela imagem hiperdensa linear compatível com corpo estranho na extremidade distal da porção ascendente do duodeno. A paciente nega ingestão intencional de objetos. A conduta mais apropriada, dentre as abaixo, neste caso é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Corpo estranho linear e hiperdenso no duodeno, em paciente estável e sem peritonite. Objetos longos ou pontiagudos que ultrapassam o estômago têm risco aumentado de impactação e perfuração, e as diretrizes recomendam remoção endoscópica urgente enquanto estiverem ao alcance do endoscópio. A cirurgia fica reservada para perfuração, obstrução ou falha da endoscopia. A) Errada. Observação é aceitável para objetos rombos e pequenos, não para objeto linear retido com dor há 48 horas. B) Correta. Endoscopia urgente diagnostica e trata, com baixo risco. C) Errada. Laparotomia não é primeira escolha sem sinais de perfuração. D) Errada. Laxante não tem papel e pode favorecer lesão em objeto linear. E) Errada. Carvão ativado é usado em intoxicações, não em corpo estranho. Análise de contexto do gabarito: ausência de sepse e de irritação peritoneal e localização duodenal acessível definem a via endoscópica. Fontes: Birk M et al. Removal of foreign bodies in the upper gastrointestinal tract in adults: ESGE Clinical Guideline, Endoscopy, 2016 | ASGE Standards of Practice Committee. Management of ingested foreign bodies and food impactions, Gastrointest Endosc, 2011 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 35)
Questão 12 · Santa Casa SP 2026
Paciente masculino, 65 anos, com obesidade grau III, apresenta dor anal intensa há 12 dias com secreção purulenta e odor fétido. Ao exame, lesões perianais ulceradas com secreção, leucócitos: 22.000/mm³, creatinina: 3, sódio: 128, potássio: 5,8. Com base no quadro clínico e imagem, das abaixo, a melhor conduta inicial, além da antibioticoterapia, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Dor anal intensa há 12 dias, secreção purulenta fétida e lesões ulceradas perianais, com leucocitose, lesão renal, hiponatremia e hiperpotassemia em obeso: quadro de infecção necrosante de partes moles perineal (gangrena de Fournier) com repercussão sistêmica. O tratamento depende de desbridamento cirúrgico precoce e extenso de todo tecido desvitalizado, associado a antibiótico de amplo espectro e suporte clínico, com reabordagens programadas. A) Correta. Desbridamento extenso é a medida que altera a mortalidade. B) Errada. Corticoide não tem papel e pode piorar a infecção. C) Errada. Derivação (colostomia) pode ser necessária depois, para controle de contaminação, mas não é a conduta inicial. D) Errada. Exenteração é cirurgia oncológica, sem indicação. E) Errada. Oxigenoterapia hiperbárica é adjuvante de evidência limitada e nunca substitui o desbridamento. Análise de contexto do gabarito: secreção fétida, tempo de evolução e disfunção orgânica laboratorial favorecem infecção necrosante; a banca cita imagem que não está descrita no enunciado. Fontes: Sartelli M et al. 2018 WSES/SIS-E consensus conference: recommendations for the management of skin and soft-tissue infections, World J Emerg Surg, 2018 | Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 36)
Questão 13 · Santa Casa SP 2026
Paciente masculino, 45 anos, com IMC: 38 kg/m², previamente hígido, foi submetido a colecistectomia videolaparoscópica por colelitíase sintomática. O insuflador de gás carbônico aponta pressão de 14 mmHg e fluxo de 20 L/min. Sobre tais parâmetros é correto afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Na colecistectomia videolaparoscópica em adulto, a pressão intra-abdominal de trabalho recomendada fica em torno de 12 a 15 mmHg; 14 mmHg é adequado, inclusive em obeso. O fluxo do insuflador (L/min) define a velocidade de reposição do gás perdido por aspiração e trocas de instrumental; o insuflador interrompe a insuflação ao atingir a pressão programada, de modo que fluxo alto não gera pressão excessiva por si. A) Errada. 14 mmHg não é pressão baixa. B) Errada. O limite é dado pela pressão programada, não pelo fluxo. C) Correta. Pressão e fluxo estão dentro do usual. D) Errada. 14 mmHg está dentro da faixa recomendada. E) Errada. Hipercapnia e acidose se relacionam à absorção de CO2, à pressão e ao tempo cirúrgico, não à vazão isolada. Análise de contexto do gabarito: paciente sem comorbidades além da obesidade, procedimento eletivo e parâmetros dentro do padrão. Fontes: Neudecker J et al. The European Association for Endoscopic Surgery clinical practice guideline on the pneumoperitoneum for laparoscopic surgery, Surg Endosc, 2002 | Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 37)
Questão 14 · Santa Casa SP 2026
Paciente masculino, 20 anos, previamente hígido, procurou atendimento seis dias após inserção voluntária de corpo estranho no reto, referindo dor abdominal progressiva e ausência de evacuações. Ao exame, apresentava dor em fossa ilíaca esquerda, sem sinais de peritonite. O toque retal não mostrou palpação do corpo estranho ou lesões no reto, mas verificou-se secreção sero-sanguinolenta à retirada da luva. Tomografia evidenciou corpo estranho no retossigmoide, sem sinais de pneumoperitônio, clinicamente estável. Das indicações de abordagem cirúrgica abaixo, nesse contexto, a mais indicada é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Corpo estranho retal introduzido há 6 dias, paciente estável, sem peritonite e sem pneumoperitônio na tomografia. Sem sinais de perfuração, a primeira opção é a extração transanal, idealmente em centro cirúrgico com sedação ou anestesia e relaxamento esfincteriano, podendo-se associar manobras de compressão abdominal para trazer o objeto ao reto. Após a retirada, é necessário avaliar a mucosa (retossigmoidoscopia) pela secreção sero-sanguinolenta. A) Errada. Laparotomia fica para perfuração, peritonite ou falha da via transanal. B) Errada. Videolaparoscopia também é reservada a falha das tentativas transanais ou suspeita de lesão. C) Errada. Laxante não é método seguro de extração. D) Correta. Extração transanal é a abordagem inicial no paciente estável. E) Errada. Endoscopia flexível pode auxiliar objetos altos, mas não é a abordagem principal entre as opções. Análise de contexto do gabarito: estabilidade clínica, ausência de peritonite e de pneumoperitônio indicam abordagem transanal. Fontes: Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2021 | Steele SR et al. (eds.). The ASCRS Textbook of Colon and Rectal Surgery, 4ª ed., 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 38)