Questões de Ginecologia e obstetrícia: Santa Casa SP 2026
Esta área reúne 21 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Endocrinologia ginecológica (2), Infecções na gestação (2), Intercorrências obstétricas (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Ginecologia e obstetrícia | 21 |
- Endocrinologia ginecológica2
- Infecções na gestação2
- Intercorrências obstétricas2
- ISTs e vulvovaginites2
- Parto e puerpério2
- Pré-natal e fisiologia da gestação2
- Sangramentos da gestação2
- Climatério1
- Contracepção1
- Mastologia1
Todas as questões da área
Questão 1 · Santa Casa SP 2026
Paciente feminina, 31 anos, previamente hígida, procurou o pronto-socorro com dor abdominal e pélvica há 6 horas. Negava atraso menstrual. Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral, hidratada, porém descorada (2+/4+), com dor abdominal difusa, predominando no hipogástrio. Exames laboratoriais revelaram anemia (Hb: 9,1 g/dL). O exame laboratorial que deve ser realizado antes da tomografia é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Mulher em idade fértil com dor abdominopélvica aguda, palidez e anemia deve ter gravidez, inclusive ectópica rota, investigada antes de qualquer exame de imagem com radiação. A ausência de atraso menstrual referido não torna a gestação improvável: o sangramento da ectópica pode ser confundido com menstruação. O beta-hCG sérico orienta o diagnóstico e a escolha do exame de imagem (ultrassom transvaginal em vez de tomografia). A) Errada. VHS é inespecífico e não muda a conduta. B) Errada. Gasometria pode avaliar perfusão, mas não define a hipótese principal nem a segurança da tomografia. C) Errada. Coombs direto investiga hemólise imune, que não é a hipótese do quadro. D) Correta. Beta-hCG antes da tomografia em mulher em idade fértil. E) Errada. Procalcitonina não tem papel nessa decisão. Análise de contexto do gabarito: idade de 31 anos, dor pélvica, palidez e Hb de 9,1 g/dL sugerem hemoperitônio de causa ginecológica. A expressão "antes da tomografia" aponta para a exclusão de gestação. Fontes: FEBRASGO. Gravidez ectópica, Protocolo FEBRASGO 2021 | ACOG. Practice Bulletin nº 193: Tubal Ectopic Pregnancy, 2018 (reafirmado) (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 30)
Questão 2 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 42 anos de idade, assintomática, faz mamografia que mostrou microcalcificações agrupadas e pleomórficas no quadrante superior externo, com cerca de 1 cm de extensão. A biópsia por mamotomia foi compatível com carcinoma ductal in situ. Nesse momento, indica-se
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Carcinoma ductal in situ (CDIS) pequeno, unifocal (microcalcificações em cerca de 1 cm), em paciente de 42 anos, é candidato a cirurgia conservadora com margens livres seguida de radioterapia, que reduz pela metade a recidiva local. Hormonioterapia adjuvante pode ser considerada se o tumor for RE positivo, mas não é neoadjuvante. A) Errada. Mastectomia fica para CDIS extenso, multicêntrico ou com contraindicação à radioterapia. B) Errada. Hormonioterapia neoadjuvante não é tratamento padrão do CDIS. C) Errada. Radioterapia exclusiva sem ressecção não é tratamento do CDIS. D) Correta. Cirurgia conservadora mais radioterapia é o padrão. E) Errada. Biópsia de linfonodo sentinela não é rotina no CDIS tratado com cirurgia conservadora; é indicada na mastectomia ou se houver suspeita de invasão. Análise de contexto do gabarito: lesão de 1 cm, unifocal e sem componente invasivo descrito favorece a abordagem conservadora com radioterapia. Fontes: NCCN. Breast Cancer Guidelines, v.2025 | FEBRASGO. Carcinoma ductal in situ, Protocolo FEBRASGO 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 80)
Questão 3 · Santa Casa SP 2026
Primigesta, na 22ª semana de gestação, cardiopata crônica, tem como recomendação a vacina:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Gestante com cardiopatia crônica é grupo de risco para doença pneumocócica invasiva e tem indicação de vacina pneumocócica, que é inativada e pode ser aplicada na gestação. As vacinas de vírus vivos atenuados são contraindicadas na gestação, e a HPV não é recomendada durante a gravidez. A) Correta. Pneumocócica é indicada pela cardiopatia crônica. B) Errada. Tríplice viral é de vírus vivo, contraindicada na gestação. C) Errada. As vacinas de dengue disponíveis são de vírus vivo atenuado, contraindicadas na gestação. D) Errada. HPV não é recomendada na gestação; o esquema é adiado para o pós-parto. E) Errada. Varicela é de vírus vivo, contraindicada na gestação. Análise de contexto do gabarito: a cardiopatia crônica é o dado que gera a indicação; a gestação exclui as vacinas vivas. Fontes: Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 | Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendário de vacinação SBIm gestante, 2025-2026 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 61)
Questão 4 · Santa Casa SP 2026
Primigesta, 40 anos de idade, encontra-se na 36ª semana da gestação e apresentou sangramento vaginal moderado há 30 minutos. Refere cólica abdominal. Exame físico: descorada +/4, PA: 130 × 85 mmHg, FC: 94 bpm, altura uterina: 33 cm, dinâmica uterina 1/10 contrações/minuto, tônus uterino aumentado, 100 batimentos cardíacos fetais por minuto, exame especular: saída de coágulos pela vagina. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Gestante de 36 semanas, 40 anos, com sangramento vaginal, cólica, hipertonia uterina e bradicardia fetal (BCF 100 bpm): o quadro é típico de descolamento prematuro de placenta. Hipertonia e comprometimento fetal favorecem descolamento em relação a placenta prévia, que costuma sangrar sem dor e com útero de tônus normal. A) Errada. Vasa prévia sangra classicamente na rotura de membranas, com sofrimento fetal, sem hipertonia. B) Errada. Placenta prévia cursa com sangramento indolor e útero normotônico. C) Correta. Dor, hipertonia e bradicardia fetal. D) Errada. HELLP é diagnóstico laboratorial (hemólise, enzimas hepáticas, plaquetopenia), não sangramento vaginal. E) Errada. Hemangioma de cordão é raro e não explica a hipertonia. Análise de contexto do gabarito: os dados que separam DPP de placenta prévia são cólica, tônus aumentado e BCF de 100 bpm. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | FEBRASGO. Tratado de Obstetrícia FEBRASGO, 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 62)
Questão 5 · Santa Casa SP 2026
Primigesta, encontra-se na 12ª semana de gestação, em consulta de pré-natal traz urocultura positiva para E. coli sensível a todos os antibióticos descritos no antibiograma. Paciente refere que há 3 anos apresentou 3 episódios de cistite e uma pielonefrite, durante relacionamento com parceiro anterior. Nega disúria e refere corrimento genital branco inodoro. O diagnóstico mais provável, dentre os abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Urocultura positiva em gestante sem sintomas urinários define bacteriúria assintomática. Na gestação, ela deve ser rastreada e tratada guiada pelo antibiograma, com urocultura de controle, porque aumenta o risco de pielonefrite e de desfechos obstétricos adversos. Os episódios de ITU de 3 anos atrás não definem quadro atual, e corrimento branco inodoro sugere leucorreia fisiológica. A) Errada. ITU de repetição exige episódios sintomáticos recentes, não descritos. B) Errada. Cistite exige sintomas, e a paciente nega disúria. C) Errada. Pielonefrite cursa com febre e dor lombar. D) Errada. Uretrite cursa com disúria e secreção uretral. E) Correta. Cultura positiva sem sintomas. Análise de contexto do gabarito: a negação de disúria e a ausência de outros sintomas definem bacteriúria assintomática. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | Nicolle LE et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Asymptomatic Bacteriuria: 2019 Update by the IDSA, Clin Infect Dis, 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 63)
Questão 6 · Santa Casa SP 2026
Secundigesta, 36 anos de idade, encontra-se gestante na 32ª semana de gestação resultante de fertilização in vitro, comparece a consulta de pré-natal com cefaleia, edema de membros inferiores e pressão arterial sistêmica 130 × 85 mmHg. Refere parto anterior, cesárea há 11 anos, com peso do recém-nascido 2.430 gramas, com 40 semanas de gestação. Refere que sua mãe teve pré-eclâmpsia em sua gestação. Dos marcadores clínicos abaixo, o que caracteriza ISOLADAMENTE essa paciente de alto risco para indicação de prevenção de pré-eclâmpsia é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Na classificação brasileira de risco para pré-eclâmpsia, gestação decorrente de reprodução assistida é fator de alto risco, que isoladamente indica profilaxia com AAS (associada a cálcio quando a ingestão é baixa). Idade acima de 35 anos, história familiar, intervalo interpartal maior que 10 anos e RN prévio de baixo peso são fatores moderados, que indicam profilaxia quando combinados. A) Errada. Intervalo longo é fator moderado. B) Correta. Reprodução assistida é fator de alto risco. C) Errada. História familiar é fator moderado. D) Errada. Idade acima de 35 anos é fator moderado. E) Errada. RN de baixo peso prévio é fator moderado. Análise de contexto do gabarito: a palavra isoladamente pede o fator de alto risco; em diretrizes internacionais, como a do ACOG, a fertilização in vitro aparece como fator moderado, mas a banca segue a classificação brasileira. Fontes: Rede Brasileira de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez (RBEHG). Pré-eclâmpsia: protocolo, 2023 | Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 64)
Questão 7 · Santa Casa SP 2026
Primigesta, na 32ª semana de gestação, com diabetes gestacional controlada com dieta e exercício físico, refere perda de líquido amniótico confirmado no Pronto Atendimento. Dinâmica uterina ausente. Boa vitalidade fetal no momento, com peso fetal estimado de 2 kg. A conduta mais adequada, dentre as abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Rotura prematura de membranas com 32 semanas, sem trabalho de parto, sem sinais de infecção e com boa vitalidade fetal: a conduta é expectante, com internação, vigilância materno-fetal, corticoide para maturação pulmonar e antibioticoprofilaxia para prolongar a latência e reduzir infecção. A resolução é programada a partir de 34 semanas ou antes, se houver corioamnionite, descolamento ou comprometimento fetal. A) Errada. Não há indicação de interrupção imediata. B) Correta. Conduta conservadora com corticoide e antibiótico. C) Errada. Não há indicação de parto nesse momento. D) Errada. Indução com 32 semanas sem indicação não é recomendada. E) Errada. Interromper após corticoide aumenta a prematuridade sem benefício na ausência de complicações. Análise de contexto do gabarito: idade gestacional de 32 semanas, ausência de contrações e boa vitalidade definem a conduta expectante; o diabetes controlado com dieta não muda a conduta. Fontes: ACOG Practice Bulletin nº 217: Prelabor Rupture of Membranes, Obstet Gynecol, 2020 | Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 65)
Questão 8 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 21 anos de idade, teve uma relação sexual desprotegida e foi orientada a usar um método contraceptivo de emergência na UBS. Essa conduta está corretamente indicada caso essa paciente tenha
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A contracepção de emergência está indicada após relação desprotegida ou com falha do método. Espermicida isolado tem alta taxa de falha no uso típico, e a relação com esse método é considerada sem proteção adequada. Nas demais situações, o método segue eficaz ou não há risco de ovulação. A) Correta. Espermicida isolado não oferece proteção adequada. B) Errada. Esquecer 1 pílula combinada por até 24 horas não exige contracepção de emergência. C) Errada. Atraso de 1 semana no injetável trimestral está dentro da janela de tolerância. D) Errada. Retirada do anel por pouco tempo na 3ª semana não indica contracepção de emergência. E) Errada. Antes de 21 dias pós-parto, sem amamentação, a ovulação é improvável. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a situação de falha real do método, e só o espermicida isolado se enquadra. Fontes: Curtis KM et al. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, CDC, MMWR, 2024 | World Health Organization. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 3ª ed., 2016 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 66)
Questão 9 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 58 anos de idade, tercípara (3 cesáreas), menopausa há 8 anos, refere perda urinária aos grandes esforços, incontinência de urgência e noctúria (2 vezes/noite) há 6 meses. Nega comorbidades. Exame físico: sem perda urinária ao esforço solicitado, ponto Ba -1 (POP-q), nota 4 na Avaliação Funcional do Assoalho Pélvico. A conduta mais adequada nesse caso, dentre as abaixo, é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Mulher pós-menopausa com incontinência mista (esforço e urgência) e noctúria, sem perda ao esforço no exame, prolapso de parede anterior pouco acentuado (Ba -1) e força muscular do assoalho preservada: o tratamento inicial é conservador, com medidas comportamentais (ajuste de ingesta, treinamento vesical) e fisioterapia do assoalho pélvico. Medicamento e cirurgia ficam para falha da primeira linha. A) Errada. Antimuscarínico entra se a urgência persistir após o tratamento conservador. B) Errada. Hormônio sistêmico não trata incontinência e pode piorá-la; estrogênio vaginal é o que tem papel. C) Correta. Primeira linha. D) Errada. Sling exige incontinência de esforço demonstrada e falha do tratamento conservador. E) Errada. Prolapso pouco acentuado não justifica colpoplastia. Análise de contexto do gabarito: ausência de perda no exame, prolapso leve e incontinência mista sem tratamento prévio definem a conduta conservadora. Fontes: NICE Guideline NG123: Urinary incontinence and pelvic organ prolapse in women: management, 2019 | FEBRASGO. Tratado de Ginecologia FEBRASGO, 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 67)
Questão 10 · Santa Casa SP 2026
Em relação à possibilidade de preservação da fertilidade em mulher com câncer de ovário sem prole definida é necessário que
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Tumores borderline de ovário têm excelente prognóstico, e a cirurgia com preservação da fertilidade pode ser oferecida a mulheres jovens mesmo em doença além do estádio I, desde que o estadiamento seja completo e haja seguimento. No carcinoma epitelial invasor, a preservação é restrita a estádios iniciais com tumor de baixo grau. Nos germinativos malignos, a preservação é a regra, e não se exige biópsia de ovário contralateral de aspecto normal. A) Errada. Second look não é requisito para preservar fertilidade. B) Errada. Carcinoma epitelial de alto grau (G3) não é candidato padrão à preservação, e biópsia contralateral de ovário normal não é exigida. C) Errada. No tumor germinativo, a biópsia contralateral de ovário normal não é necessária. D) Correta. No borderline, a preservação pode ser feita em estádios I a III. E) Errada. No borderline também não se exige biópsia de ovário contralateral de aspecto normal. Análise de contexto do gabarito: a questão compara critérios por tipo histológico, e a única afirmação sem requisito indevido é a do borderline. Fontes: Colombo N et al. ESMO-ESGO consensus conference recommendations on ovarian cancer, Ann Oncol, 2019 | FEBRASGO. Tratado de Ginecologia FEBRASGO, 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 68)
Questão 11 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 45 anos de idade, nuligesta, realizou uma ultrassonografia transvaginal e observou que no laudo estava descrito um mioma uterino FIGO 7. A orientação mais adequada para essa paciente é indicar que se trata de um nódulo uterino
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Na classificação FIGO dos leiomiomas (PALM-COEIN), a numeração vai de 0 (submucoso pediculado intracavitário) a 7 (subseroso pediculado); o tipo 8 inclui localizações como cervical e parasitário. O mioma FIGO 7 é subseroso pediculado, não distorce a cavidade e geralmente não causa sangramento uterino anormal, podendo ser assintomático. A) Errada. Intramural corresponde aos tipos 3 e 4, e a classificação não define vascularização. B) Errada. Dismenorreia é mais associada a miomas que distorcem a cavidade ou a adenomiose. C) Errada. Hemorragia é característica dos submucosos (tipos 0 a 2); o risco no pediculado é torção. D) Errada. A presença de mioma não contraindica terapia hormonal. E) Correta. FIGO 7 é subseroso pediculado. Análise de contexto do gabarito: a questão é de definição; basta saber que o tipo 7 é subseroso pediculado. Fontes: Munro MG et al. The two FIGO systems for normal and abnormal uterine bleeding symptoms and classification of causes of abnormal uterine bleeding in the reproductive years: 2018 revisions, Int J Gynaecol Obstet, 2018 | FEBRASGO. Tratado de Ginecologia FEBRASGO, 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 69)
Questão 12 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 52 anos de idade, refere fogachos e sudorese noturna há 6 meses. Refere secura vaginal e dispareunia de penetração. É sobrevivente de câncer de mama, faz uso de anastrozol. Nega outras comorbidades. A conduta mais adequada, dentre as abaixo, é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Sobrevivente de câncer de mama em uso de inibidor de aromatase (anastrozol) não deve receber terapia hormonal sistêmica. Para os fogachos, a primeira linha são os não hormonais, como os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (desvenlafaxina, venlafaxina). Para a síndrome geniturinária, após falha de hidratantes e lubrificantes, admite-se estrogênio vaginal de mínima absorção (promestrieno), em decisão compartilhada com o oncologista. A) Errada. Testosterona não tem indicação para fogachos e pode ser aromatizada a estradiol; não é tratamento recomendado. B) Errada. Óleo de prímula não tem eficácia comprovada para fogachos; o hidratante isolado é aceitável, mas a conduta fica incompleta. C) Errada. Progesterona transdérmica não tem eficácia demonstrada e hormônios sistêmicos são evitados após câncer de mama. D) Errada. Tibolona aumenta a recorrência de câncer de mama (estudo LIBERATE) e é contraindicada; estradiol vaginal tem maior absorção que o promestrieno. E) Correta. Trata os dois problemas: fogachos com IRSN não hormonal e atrofia vaginal com estrogênio local de absorção mínima. Análise de contexto do gabarito: A história de câncer de mama em uso de anastrozol define a resposta: qualquer terapia que eleve o estrogênio sistêmico compromete o bloqueio hormonal. A combinação de fogachos e dispareunia exige uma conduta para cada sintoma. Fontes: The North American Menopause Society. The 2023 nonhormone therapy position statement, Menopause 2023 | ACOG Clinical Consensus nº 2: Treatment of urogenital symptoms in individuals with a history of estrogen-dependent breast cancer, 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 70)
Questão 13 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 26 anos de idade, refere ter menstruado normalmente há 50 dias, apresenta mamas doloridas, náuseas e cólica em baixo ventre há 10 dias. Exame: abdome sem alterações, útero de tamanho normal, anexos palpáveis e indolores, conteúdo vaginal aumentado, esbranquiçado e sem odor. Nesse momento, dentre as condutas abaixo, está indicado realizar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Atraso menstrual (50 dias desde a última menstruação) com mastalgia e náuseas em mulher em idade fértil sugere gestação inicial. Diante de qualquer atraso menstrual, o primeiro passo é confirmar ou descartar gravidez. O teste imunológico urinário de β-hCG é barato, rápido e disponível na UBS, e é positivo já por volta do atraso menstrual. A) Correta. É o exame inicial para confirmar gravidez em atraso menstrual. B) Errada. FSH e LH entram na investigação de amenorreia apenas depois de descartada a gestação. C) Errada. A ultrassonografia pode vir depois, para localizar a gestação e datar; não é o primeiro passo diagnóstico. D) Errada. Prolactina e progesterona fazem parte da investigação de amenorreia secundária, após β-hCG negativo. E) Errada. Não há sinais de hiperandrogenismo no enunciado e a gestação ainda não foi descartada. Análise de contexto do gabarito: O tempo desde a última menstruação, os sintomas gravídicos e o exame pélvico sem alterações apontam para gestação inicial, e a pergunta é o que fazer 'nesse momento'. O primeiro passo de qualquer amenorreia secundária é o β-hCG. Fontes: Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 32: Atenção ao pré-natal de baixo risco, 2012 | Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres, 2016 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 71)
Questão 14 · Santa Casa SP 2026
Primigesta na 24ª semana de gestação, previamente hígida, faz exame de VDRL com resultado 1:16 e tem o teste treponêmico reagente. Refere não ter usado nenhum antibiótico nos 6 meses antes de engravidar. Tem parceiro fixo há 1 ano. Nesse caso está indicada
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Gestante com VDRL 1:16 e teste treponêmico reagente, sem tratamento prévio, tem sífilis. Sem data de infecção conhecida e sem lesões, classifica-se como sífilis latente tardia (ou de duração ignorada). O tratamento é penicilina benzatina 2.400.000 UI IM por semana, por 3 semanas (total 7.200.000 UI). Na gestação, a penicilina é o único esquema que trata o feto, e o intervalo entre as doses não deve passar de 7 dias. A) Errada. A ceftriaxona não é considerada tratamento adequado da sífilis na gestação, porque não trata o feto. B) Correta. É o esquema da sífilis latente tardia ou de duração ignorada. C) Errada. A dose única serve para sífilis recente (primária, secundária ou latente com menos de 1 ano), o que o enunciado não comprova. D) Errada. A penicilina cristalina IV por 10 a 14 dias é reservada para neurossífilis, sem sinais neurológicos aqui. E) Errada. Não há indicação de punção lombar sem sintomas neurológicos ou oftalmológicos. Análise de contexto do gabarito: Sem lesão ativa e sem exame anterior negativo, não é possível datar a infecção: por isso ela é tratada como latente tardia. O parceiro fixo também deve ser testado e tratado. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 | Ministério da Saúde. PCDT para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 72)
Questão 15 · Santa Casa SP 2026
O aleitamento materno é liberado sem restrições para mães que
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
A varfarina passa ao leite em quantidade mínima e é compatível com a amamentação, sem efeito anticoagulante relevante no lactente. No Brasil, HIV e HTLV I/II contraindicam o aleitamento materno. A quimioterapia antineoplásica exige suspender a amamentação durante o tratamento. Na tuberculose pulmonar bacilífera, a amamentação pode continuar, mas com restrições: máscara e início do tratamento. A) Errada. HTLV I/II contraindica a amamentação no Brasil, pela transmissão pelo leite. B) Errada. É possível amamentar, mas com máscara e tratamento iniciado; não é 'sem restrições'. C) Correta. A varfarina é compatível com o aleitamento. D) Errada. No Brasil, a amamentação é contraindicada para mães vivendo com HIV, e a fórmula infantil é fornecida. E) Errada. Antineoplásicos são tóxicos ao lactente e contraindicam a amamentação durante o uso. Análise de contexto do gabarito: O termo 'sem restrições' define a resposta: elimina a tuberculose, que permite amamentar com cuidados, e deixa apenas o fármaco compatível. Fontes: Ministério da Saúde. Amamentação e uso de medicamentos e outras substâncias, 2ª ed., 2010 | Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed., 2019 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 73)
Questão 16 · Santa Casa SP 2026
Primigesta, 30 anos de idade, com gestação gemelar dicoriônica e diamniótica, confirmada em ultrassonografia precoce, está com 33 semanas, com crescimento adequado para ambos os fetos, que se encontram em apresentação pélvica. A conduta mais adequada é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Gestação gemelar dicoriônica e diamniótica não complicada, com crescimento adequado, deve ter conduta expectante com vigilância seriada do crescimento e da vitalidade. A resolução é eletiva com 38 semanas (ACOG: 38+0 a 38+6), com faixa de 37 a 38 semanas em protocolos nacionais. Como os dois fetos estão em apresentação pélvica, a via será cesariana, mas isso não antecipa a data. Monocoriônicas não complicadas resolvem-se antes (34 a 37+6 semanas pela ACOG). A) Errada. Sem risco de parto prematuro ou complicação, não há indicação de corticoide nem de parto com 34 semanas. B) Errada. 36 semanas é cedo para dicoriônica não complicada. C) Errada. 39 semanas passa do limite recomendado para gemelares, com aumento do risco de óbito fetal. D) Correta. Vigilância seriada e resolução com 38 semanas. E) Errada. Esperar o trabalho de parto expõe ao risco de passar do momento ideal e de cesárea de urgência; a resolução deve ser programada. Análise de contexto do gabarito: A corionicidade (dicoriônica), o crescimento adequado de ambos e a ausência de complicações definem a idade gestacional de resolução. A apresentação pélvica define apenas a via de parto. Fontes: ACOG Practice Bulletin nº 231: Multifetal Gestations: Twin, Triplet, and Higher-Order Multifetal Pregnancies, 2021 | ACOG Committee Opinion nº 831: Medically Indicated Late-Preterm and Early-Term Deliveries, 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 74)
Questão 17 · Santa Casa SP 2026
Durante a cesárea, gestante de 41 anos de idade, com 39 semanas, apresenta dispneia súbita, cianose, e hipotensão importante. O diagnóstico mais provável, dentre as abaixo, é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Colapso cardiorrespiratório súbito (dispneia, cianose e hipotensão grave) durante o parto ou a cesárea, ou logo depois, é a apresentação clássica da embolia de líquido amniótico. Costuma evoluir com coagulação intravascular disseminada precoce e hemorragia. Idade materna avançada e cesárea são fatores de risco. O diagnóstico é clínico, e o manejo é suporte imediato (suporte avançado de vida, tratamento da coagulopatia). A) Errada. A atonia causa hemorragia pós-parto e choque hipovolêmico, sem dispneia e cianose súbitas como quadro inicial. B) Errada. O TEP é um diferencial, mas é menos frequente no momento do nascimento e não tem a mesma relação temporal com o parto. C) Errada. O infarto é raro nessa faixa etária; o quadro iniciaria com dor torácica e alterações isquêmicas. D) Errada. A anafilaxia costuma ter manifestações cutâneas e broncoespasmo após exposição a fármaco, ausentes no enunciado. E) Correta. É a tríade clássica de hipóxia, hipotensão e coagulopatia, no momento do parto. Análise de contexto do gabarito: O momento (durante a cesárea) e a instalação súbita de hipóxia e choque favorecem a embolia amniótica. Fontes: Society for Maternal-Fetal Medicine. Clinical Guideline nº 9: Amniotic fluid embolism: diagnosis and management, Am J Obstet Gynecol 2016 | Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 75)
Questão 18 · Santa Casa SP 2026
Em uma mulher de 23 anos de idade, com ciclos regulares de 28 dias, o pico de LH ocorre
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Em um ciclo regular de 28 dias, o pico de LH ocorre no meio do ciclo (cerca do 13º-14º dia), na transição da fase folicular para a lútea. Ele é disparado pelo feedback positivo do estradiol elevado, produzido pelo folículo dominante. A ovulação ocorre de 34 a 36 horas após o início do pico (10 a 12 horas após o seu ponto máximo). A) Errada. Na metade da fase lútea predomina a progesterona do corpo lúteo, com LH baixo. B) Errada. Na metade da fase folicular o estradiol ainda está subindo e o LH está estável. C) Errada. No início da fase folicular o FSH sobe para recrutar folículos; o LH não faz pico. D) Correta. O pico de LH marca a transição folicular-lútea e desencadeia a ovulação. E) Errada. No final da fase lútea, a queda do corpo lúteo libera o FSH para o próximo ciclo. Análise de contexto do gabarito: Os ciclos regulares de 28 dias permitem situar a ovulação no meio do ciclo, porque a fase lútea dura cerca de 14 dias. Fontes: Taylor HS, Pal L, Seli E. Speroff's Clinical Gynecologic Endocrinology and Infertility, 9ª ed., 2020 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 76)
Questão 19 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 26 anos de idade, apresenta verrugas genitais acinzentadas, aveludadas, de aspecto em couve-flor na vulva, com extensão de 2 cm há 3 meses. A conduta inicial é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Verrugas vulvares em couve-flor, de aspecto típico e pequena extensão, são condiloma acuminado (HPV 6 e 11). O diagnóstico é clínico. Os métodos destrutivos locais estão entre as opções de primeira linha: ácido tricloroacético (ATA), crioterapia ou eletrocauterização. Também existem opções aplicadas pela própria paciente (imiquimode creme, podofilotoxina). A) Correta. A cauterização (química ou elétrica) é tratamento inicial adequado para lesões pequenas e típicas. B) Errada. A exérese cirúrgica fica para lesões extensas, volumosas ou refratárias. C) Errada. O imiquimode existe em creme, para uso tópico; não há apresentação oral. D) Errada. A vacina HPV é preventiva e não trata lesões já presentes. E) Errada. A biópsia é indicada em lesões atípicas (pigmentadas, endurecidas, ulceradas), em imunossuprimidas ou sem resposta ao tratamento, o que não ocorre aqui. Análise de contexto do gabarito: O aspecto típico, a extensão pequena (2 cm) e a paciente jovem sem imunossupressão permitem tratar sem biópsia prévia. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 | CDC. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 77)
Questão 20 · Santa Casa SP 2026
Adolescente, 18 anos de idade, refere que nunca menstruou. Ao exame, observa-se IMC: 22 kg/m²; mamas desenvolvidas, pelos pubianos ausentes, vulva de aspecto normal. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Amenorreia primária com mamas desenvolvidas e pelos pubianos ausentes é o quadro típico da síndrome de insensibilidade androgênica completa (síndrome de Morris; cariótipo 46,XY). Os testículos produzem testosterona, que é convertida perifericamente em estrogênio e desenvolve as mamas. Os receptores androgênicos não funcionam, por isso faltam pelos. O hormônio antimülleriano impede a formação do útero, e a vagina é curta e termina em fundo cego. A) Errada. No Kallmann (hipogonadismo hipogonadotrófico com anosmia) as mamas não se desenvolvem. B) Correta. A combinação de mamas presentes e pelos ausentes favorece este diagnóstico. C) Errada. Na disgenesia gonadal (por exemplo, Turner) falta estrogênio e as mamas não se desenvolvem. D) Errada. Anomalias müllerianas têm caracteres sexuais secundários normais, com pelos presentes. E) Errada. Na síndrome de Rokitansky (agenesia mülleriana, 46,XX) os pelos pubianos são normais. Análise de contexto do gabarito: O dado que discrimina é a ausência de pelos pubianos com mamas desenvolvidas: Rokitansky e insensibilidade androgênica têm mamas, mas só a segunda não tem pelos. Fontes: Taylor HS, Pal L, Seli E. Speroff's Clinical Gynecologic Endocrinology and Infertility, 9ª ed., 2020 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 78)
Questão 21 · Santa Casa SP 2026
Mulher, 25 anos de idade, procura o pronto-socorro com queixa de lesão dolorosa na vulva, que apareceu há 2 dias. Ao exame, encontram-se úlceras confluentes de bordas irregulares no grande lábio direito, dolorosas ao toque, com fundo purulento, medindo cerca de 2 cm. Os linfonodos inguinais direitos encontram-se aumentados e dolorosos. O agente etiológico mais provável é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Úlceras genitais dolorosas, múltiplas ou confluentes, de bordas irregulares e fundo purulento, com adenopatia inguinal dolorosa e geralmente unilateral (que pode fistulizar por orifício único), favorecem o cancro mole, causado por Haemophilus ducreyi. O tratamento é azitromicina 1 g VO em dose única ou ceftriaxona 250 mg IM em dose única. A) Errada. O linfogranuloma venéreo começa com lesão pequena e indolor, que passa despercebida; o que domina é o bubão. B) Errada. O herpes começa com vesículas agrupadas que formam úlceras rasas, de fundo limpo, sem fundo purulento. C) Correta. Dor, fundo purulento, bordas irregulares e adenopatia dolorosa formam o quadro do cancro mole. D) Errada. O cancro duro é geralmente único, indolor, de fundo limpo e bordas endurecidas. E) Errada. A donovanose causa úlceras indolores, vermelho-vivas, de evolução lenta e sem adenopatia verdadeira. Análise de contexto do gabarito: A dor das úlceras, o fundo purulento e a adenopatia inguinal dolorosa unilateral favorecem o H. ducreyi frente às outras causas de úlcera genital. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 | CDC. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 (Questão oficial: Santa Casa SP 2026, nº 79)