Questões de Ginecologia e obstetrícia: IAMSPE 2026
Esta área reúne 16 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Intercorrências obstétricas (3), ISTs e vulvovaginites (2), Oncologia ginecológica e rastreamento (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Ginecologia e obstetrícia | 16 |
- Intercorrências obstétricas3
- ISTs e vulvovaginites2
- Oncologia ginecológica e rastreamento2
- Síndromes hipertensivas da gestação2
- Uroginecologia e anatomia pélvica2
- Diabetes gestacional1
- Endometriose e dor pélvica1
- Parto e puerpério1
- Pré-natal e fisiologia da gestação1
- Sangramento uterino anormal1
Todas as questões da área
Questão 1 · IAMSPE 2026
Uma paciente gestante, com 32 semanas, é admitida na sala de emergência com diagnóstico de pré-eclampsia grave, apresentando cefaleia, escotomas visuais e níveis pressóricos elevados. A equipe médica decide iniciar a infusão de sulfato de magnésio 10% para neuroproteção e prevenção de eclampsia. Determine o parâmetro de monitoramento e a via de administração adequados durante a terapia:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia na pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. Como a excreção é renal, a vigilância de toxicidade inclui reflexos tendinosos profundos (patelar), frequência respiratória, diurese e função renal, além dos sinais vitais. A dose de ataque EV (4 a 6 g) é infundida lentamente, em 15 a 20 minutos, e o gluconato de cálcio deve estar disponível como antídoto. A) Errada. Infusão rápida aumenta o risco de depressão respiratória e arritmia; o ataque é lento. B) Correta. Sinais vitais, reflexos, diurese e função renal são o núcleo da monitorização; ECG é útil se houver suspeita de toxicidade. C) Errada. A via IM (esquema de Pritchard) é alternativa quando não há acesso EV ou bomba de infusão. D) Errada. Pode ocorrer hipocalcemia; hipercalcemia não é efeito adverso típico. E) Errada. Não existe essa restrição pediátrica para a solução a 10%. Análise de contexto do gabarito: o enunciado informa acesso venoso e uso de solução a 10% em gestante com cefaleia e escotomas. A pergunta foca monitorização e via, e só a alternativa B descreve parâmetros de segurança corretos. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | ACOG Practice Bulletin nº 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia, 2020 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 20)
Questão 2 · IAMSPE 2026
Paciente com queixa de corrimento vaginal de odor fétido, que piora durante a menstruação. Ao exame observado corrimento abundante, branco acinzentado e com pequenas bolhas. Após adição de KOH a 10% sobre uma gota do conteúdo vaginal notou-se odor semelhante a peixe cru. Qual o provável agente etiológico?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Corrimento abundante branco-acinzentado, com odor de peixe que piora na menstruação e teste das aminas positivo com KOH a 10%, define vaginose bacteriana, cujo agente mais associado é a Gardnerella vaginalis. O sangue menstrual e o sêmen, alcalinos, liberam as aminas voláteis. O diagnóstico usa os critérios de Amsel (3 de 4: corrimento homogêneo, pH > 4,5, teste das aminas positivo, clue cells) ou o escore de Nugent. A) Errada. Tricomoníase também pode ter bolhas e odor, mas o corrimento tende a ser amarelo-esverdeado, com colpite. B) Errada. Candidíase causa corrimento branco grumoso, prurido e pH < 4,5, sem odor. C) Correta. Corrimento branco-acinzentado com teste das aminas positivo é típico da vaginose bacteriana. D) Errada. E. coli não é agente de vulvovaginite com esse padrão. E) Errada. HPV causa verrugas e lesões precursoras, não corrimento. Análise de contexto do gabarito: a cor branco-acinzentada e o teste das aminas positivo definem a resposta. As bolhas, isoladamente, aparecem tanto na vaginose quanto na tricomoníase, por isso a cor do corrimento é o dado que diferencia. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 | Workowski KA et al. CDC Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 44)
Questão 3 · IAMSPE 2026
Paciente de 25 anos, previamente sem queixas ginecológicas, procura o PS de Ginecologia com quadro de dor em baixo-ventre de forte intensidade associada à febre nos últimos 3 dias. Vida sexual ativa, sem método contraceptivo no momento. Na admissão apresentava-se normotensa, temperatura axilar de 38,5 °C, frequência cardíaca de 100 bpm. No exame físico tinha descompressão brusca abdominal dolorosa, dor à mobilização de colo uterino ao toque bimanual e à palpação de fundo de saco de Douglas, além de cervicite mucopurulenta no exame especular. Presença de leucocitose com desvio à esquerda e aumento de 5 vezes o valor de referência laboratorial para PCR. USG transvaginal mostrava imagens anexiais bilaterais, 7 cm à direita e 9 cm à esquerda, com conteúdo heterogêneo e debris no seu interior, sem fluxo vascular ao doppler, com moderada quantidade de líquido livre na cavidade pélvica. Qual a principal hipótese diagnóstica e a melhor conduta nesse caso?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Dor pélvica, febre, cervicite mucopurulenta e dor à mobilização do colo definem doença inflamatória pélvica. Massas anexiais bilaterais volumosas (7 e 9 cm), heterogêneas, com debris e sem fluxo, mais sinais de irritação peritoneal, líquido livre e marcadores inflamatórios elevados, indicam abscesso tubo-ovariano com peritonite. O tratamento exige internação, antibiótico parenteral de amplo espectro e abordagem cirúrgica (preferencialmente videolaparoscópica) para drenagem. A) Correta. É a hipótese e a conduta compatíveis com abscesso tubo-ovariano complicado. B) Errada. Febre, cervicite e leucocitose com sinais peritoneais favorecem processo infeccioso, não neoplasia. C) Errada. Abscesso tubo-ovariano e peritonite são critérios de internação; tratamento domiciliar está contraindicado. D) Errada. Endometriose não explica febre, cervicite e leucocitose com desvio. E) Errada. Torção costuma ser unilateral e não cursa com cervicite mucopurulenta. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são febre, cervicite, massas bilaterais com debris e sinais peritoneais. Na classificação de Monif, abscesso íntegro corresponde ao estágio III e abscesso roto ao IV; nos dois casos a conduta é internação e abordagem cirúrgica. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, 2022 | Workowski KA et al. CDC Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 48)
Questão 4 · IAMSPE 2026
A portaria conjunta SAES/SECTICS n°13, de 29 de julho de 2025 aprovou as novas diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer de colo do útero, utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico. Segundo essa atualização, como rastreamento primário, as mulheres consideradas como de risco padrão devem:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025 aprovou as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero com teste molecular de DNA-HPV oncogênico como rastreamento primário. Mulheres de risco padrão iniciam aos 25 anos e, com teste negativo, repetem a cada 5 anos, até os 64 anos. O intervalo maior é possível pelo alto valor preditivo negativo do teste. A) Errada. Início aos 21 anos e citologia primária não são o modelo da nova diretriz. B) Errada. O início é aos 25 anos, não aos 21. C) Errada. Com DNA-HPV negativo, o intervalo é de 5 anos, não 3. D) Correta. DNA-HPV a partir dos 25 anos, a cada 5 anos se negativo. E) Errada. Citologia trienal era o esquema anterior, mantido apenas onde o teste molecular ainda não foi implantado. Análise de contexto do gabarito: o enunciado cita a portaria de 2025 e pede o rastreamento primário; a resposta segue a idade de início e o intervalo dessa diretriz. Fontes: Ministério da Saúde/INCA. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero – Parte I: Rastreamento organizado utilizando testes moleculares para detecção de DNA-HPV oncogênico, 2025 (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025) (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 42)
Questão 5 · IAMSPE 2026
Paciente de 32 anos, nuligesta, procura seu ginecologista com queixa de sangramento uterino anormal, refratário ao tratamento clínico medicamentoso nos últimos 3 anos. Está tentando engravidar nesse período sem sucesso. Investigação de infertilidade do parceiro não identificou alterações. Realizou histeroscopia diagnóstica evidenciando: útero pouco aumentado de volume, com mioma submucoso único, classificação da FIGO tipo 1, medindo 1,5 cm. A base do nódulo ocupa 1/3 da cavidade endometrial e está localizada na parede lateral direita, terço médio da cavidade. Segundo a classificação proposta por Lasmar, conhecida como STEP-W (Size, Topography, Extension, Penetration - lateral Wall), qual é a melhor conduta para essa paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Mioma submucoso FIGO 1 de 1,5 cm, base ocupando até 1/3 da cavidade, no terço médio e na parede lateral. Pelo STEP-W: tamanho até 2 cm = 0; terço médio = 1; base até 1/3 = 0; penetração até 50% (FIGO 1) = 1; parede lateral = +1. Total 3 pontos, grupo I (0 a 4): miomectomia histeroscópica de baixa complexidade em tempo único. A cirurgia trata o sangramento refratário e o possível fator uterino da infertilidade. A) Errada. O DIU hormonal é contraceptivo e contraria o desejo de gestação. B) Correta. Escore baixo indica miomectomia histeroscópica simples em um tempo. C) Errada. Preparo com análogo de GnRH ou dois tempos são para escores 5 a 6 (grupo II). D) Errada. Via não histeroscópica fica para escore acima de 7 (grupo III). E) Errada. Indução ovulatória não trata o mioma submucoso, que prejudica implantação e causa o sangramento. Análise de contexto do gabarito: tamanho, localização, extensão da base e grau de penetração descritos no enunciado permitem calcular o escore e definir a via. Fontes: Lasmar RB et al. Submucous myomas: a new presurgical classification to evaluate the viability of hysteroscopic surgical treatment, Fertil Steril, 2005 | FEBRASGO. Miomatose uterina, Protocolo FEBRASGO, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 43)
Questão 6 · IAMSPE 2026
O câncer de colo do útero é o segundo mais frequente em mulheres que vivem em regiões em desenvolvimento. Como prevenção, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a prática sexual segura, incluindo educação para jovens e promoção do uso e fornecimento de preservativos para pessoas que já iniciaram atividade sexual. Contudo, a prevenção mais eficaz e eficiente – indicada pela OMS – é a vacinação contra o HPV. Segundo a recomendação do Programa Nacional de Imunizações, deve-se vacinar os seguintes grupos, EXCETO:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
A vacina HPV é profilática: não trata lesões já existentes e não é recomendada na gestação. O PNI indica a vacina para meninas e meninos de 9 a 14 anos (rotina), para pessoas de 9 a 45 anos vivendo com HIV, transplantadas ou em tratamento oncológico, para vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos e para usuários de PrEP de 15 a 45 anos sem esquema completo. A) Correta (indicação). Faixa de rotina do PNI. B) Correta (indicação). Imunossuprimidos de 9 a 45 anos. C) Correta (indicação). Vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos. D) Correta (indicação). Usuários de PrEP de 15 a 45 anos. E) Errada (resposta). Gestantes não devem ser vacinadas; a vacina não reduz transmissão vertical nem papilomatose respiratória. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a EXCEÇÃO; a gestação é a única situação listada fora das indicações do PNI. Fontes: Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 41/2024-DPNI/SVSA/MS (vacina HPV dose única e grupos prioritários), 2024 | Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação, 2025 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 45)
Questão 7 · IAMSPE 2026
Nuligesta, 32 anos com dor pélvica cíclica limitante, associada à dispareunia de profundidade, tentando engravidar há 2 anos sem sucesso. Investigação de infertilidade do parceiro sem alterações. Relata presença de sangue nas fezes no período menstrual nos últimos 6 meses. Procurou o ginecologista que solicitou USG transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de endometriose que mostrou sinais de endometriose profunda em compartimento posterior da pelve. Fez colonoscopia evidenciando lesão sugestiva de endometriose intestinal a 12 cm da borda anal, comprometendo ao redor de 20% da luz da alça, com extensão de 2,0 cm no maior diâmetro. Biópsia da lesão confirmou presença de células endometriais na amostra avaliada. Dosagens hormonais dentro da normalidade, sugerindo manutenção da ovulação. A melhor conduta no caso seria:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Endometriose profunda com lesão intestinal sintomática (hematoquezia catamenial), infertilidade e ovulação preservada. A lesão de reto/sigmoide tem 2 cm, ocupa cerca de 20% da circunferência e está a 12 cm da borda anal. Lesões menores que 3 cm e com menos de 1/3 da circunferência podem ser tratadas por ressecção discoide com grampeador circular, menos mórbida que a segmentar. Após cirurgia completa, um bloqueio curto com análogo de GnRH e tentativa de gestação logo em seguida aproveitam o período de menor atividade da doença. A) Errada. Não há dado de hidrossalpinge que justifique salpingectomia bilateral. B) Errada. Não há evidência de obstrução tubária; a doença intestinal sintomática pede cirurgia. C) Correta. Lesão pequena e com pouco acometimento da circunferência permite ressecção discoide. D) Errada. A ressecção segmentar é reservada para lesões maiores ou multifocais; esta lesão permite técnica menos agressiva. E) Errada. Ostomia de proteção não se justifica em lesão alta e pequena. Análise de contexto do gabarito: tamanho de 2 cm e 20% da circunferência são os dados que indicam ressecção discoide em vez de segmentar. Fontes: ESHRE. Guideline: Endometriosis, 2022 | Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose, 2016 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 47)
Questão 8 · IAMSPE 2026
A drenagem venosa do infundíbulo pélvico à esquerda se dá para:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
O ligamento infundíbulo-pélvico (suspensor do ovário) contém os vasos ovarianos. A veia ovariana direita drena diretamente na veia cava inferior; a esquerda desemboca na veia renal esquerda, em ângulo reto. Essa assimetria ajuda a explicar a maior frequência de varizes pélvicas e de varicocele à esquerda. A) Correta. A veia ovariana esquerda drena para a veia renal esquerda. B) Errada. A drenagem direta na veia cava é do lado direito. C) Errada. A veia ilíaca comum não recebe a veia ovariana. D) Errada. A ilíaca interna drena o útero e as vísceras pélvicas, não o ovário. E) Errada. A ilíaca externa drena o membro inferior. Análise de contexto do gabarito: a questão especifica o lado esquerdo, que é o ponto de diferença anatômica. Fontes: Moore KL, Dalley AF, Agur AMR. Anatomia Orientada para a Clínica, 8ª ed., 2019 | Netter FH. Atlas de Anatomia Humana, 7ª ed., 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 49)
Questão 9 · IAMSPE 2026
Paciente de 55 anos, refere sensação de desconforto pélvico, principalmente quando a bexiga está cheia, com sensação de alívio após a micção. Esses sintomas iniciaram há 1 ano, com piora progressiva desde então. Tem disúria associada a episódios de hematúria, urgência miccional e urge-incontinência. Depois da realização de exames laboratoriais e de imagem sem conseguir esclarecer a causa dos sintomas, seu ginecologista solicitou uma cistoscopia com biópsia que evidenciou úlceras de Hunner na parede vesical. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Dor pélvica crônica que piora com o enchimento vesical e alivia após a micção, com urgência e disúria, exames iniciais sem causa e úlceras de Hunner à cistoscopia caracterizam síndrome da bexiga dolorosa (cistite intersticial). As lesões de Hunner definem um subtipo da doença. A biópsia ajuda a tornar improvável a neoplasia e outras causas. A) Errada. Exames laboratoriais e de imagem não esclareceram o quadro, o que torna infecção de repetição improvável. B) Errada. Bexiga hiperativa causa urgência sem dor relacionada ao enchimento. C) Errada. Incontinência mista não explica a dor nem as úlceras de Hunner. D) Correta. Dor ligada ao enchimento vesical e úlceras de Hunner são típicas. E) Errada. A biópsia não mostrou neoplasia; o achado foi de úlceras de Hunner. Análise de contexto do gabarito: dor com bexiga cheia e alívio após a micção, somada ao achado cistoscópico, define o diagnóstico. Fontes: AUA. Diagnosis and Treatment of Interstitial Cystitis/Bladder Pain Syndrome, 2022 | EAU. Guidelines on Chronic Pelvic Pain, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 50)
Questão 10 · IAMSPE 2026
A cirurgia fetal antenatal para correção de espinha bífida (meningomielocele fetal) é considerada atualmente o padrão ouro para tratamento da doença. Sabe-se que ela pode não só dobrar as chances do acometido deambular sem auxílio de aparelhos, como também reduzir a necessidade de colocação de válvula de derivação ventrículo peritoneal para tratamento de hidrocefalia em mais de 50% dos casos, assim como melhorar o prognóstico urológico e intestinal, quando comparada ao tratamento pós-natal neurocirúrgico convencional. Sobre a cirurgia fetal pela técnica SAFER (Skin-over-biocellulose for Antenatal FEtoscopic Repair) para correção de meningomielocele, assinale a alternativa CORRETA:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A técnica SAFER (Skin-over-biocellulose for Antenatal FEtoscopic Repair), desenvolvida no Brasil, corrige a meningomielocele por fetoscopia, sem histerotomia. Por isso pode ser realizada em situações que contraindicam a cirurgia fetal aberta, como gestações gemelares (há relatos publicados) e útero com cicatriz prévia. A principal complicação é a rotura prematura de membranas com parto prematuro. A) Errada. Cicatriz uterina prévia limita a cirurgia aberta, não a fetoscópica. B) Errada. A janela usual é de 19 a 27 semanas; não há limite obrigatório de 25 semanas para a técnica. C) Errada. Nenhuma cirurgia fetal é isenta de risco; em gemelares há risco para ambos os fetos. D) Correta. A técnica já foi realizada em gestações gemelares. E) Errada. Rotura uterina é complicação típica da via aberta; na SAFER predomina a rotura de membranas. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a afirmação correta sobre a técnica fetoscópica; a ausência de histerotomia é o que permite seu uso em gemelares. Fontes: Adzick NS et al. A randomized trial of prenatal versus postnatal repair of myelomeningocele (MOMS), N Engl J Med, 2011 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 51)
Questão 11 · IAMSPE 2026
Paciente de 21 anos descobre gravidez após procurar PS de ginecologia referindo aumento do volume abdominal e atraso menstrual de aproximadamente 4 meses. Ciclos sempre irregulares, sem método contraceptivo, vida sexual ativa. Nega acompanhamento ginecológico nos últimos 3 anos, desde que teve um abortamento, ocorrido com 9 semanas de gestação e sem necessidade de curetagem. Ao exame apresenta abdome gravídico, compatível com 22 semanas de gravidez, BCF 144 bpm. Foram solicitados exames de rotina e encaminhada a paciente para consulta de pré-natal. Na consulta ela traz os exames realizados, sorologias negativas, tipagem sanguínea O Rh negativo, Coombs indireto positivo, anti-D com titulação 1:8, demais exames laboratoriais sem alterações significativas. Realiza USG morfológico que confirma gestação de aproximadamente 22 semanas, morfológico normal, cujo doppler fetal mostra aumento da velocidade do pico sistólico da artéria cerebral média (1,7 MoM), sem outras alterações. A principal hipótese diagnóstica e a conduta neste caso seria:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Gestante Rh negativo com Coombs indireto positivo e anti-D 1:8 já está aloimunizada: a imunoglobulina anti-D não tem mais papel. O seguimento é feito com Doppler da artéria cerebral média; pico sistólico acima de 1,5 MoM prediz anemia fetal moderada a grave. Nesse caso, indica-se cordocentese, que mede Hb/Ht fetal e permite transfusão intrauterina no mesmo procedimento. A) Errada. O Doppler alterado é da ACM fetal, não das uterinas; não há dado de pré-eclâmpsia. B) Correta. Aloimunização com anemia fetal provável: cordocentese e transfusão conforme o resultado. C) Errada. Não há restrição de crescimento descrita. D) Errada. ACM com 1,7 MoM indica anemia fetal; não cabe apenas repetir o Doppler. E) Errada. Imunoglobulina anti-D é profilaxia para não sensibilizadas; esta gestante já está sensibilizada. Análise de contexto do gabarito: Coombs indireto positivo define a sensibilização, e o pico sistólico da ACM acima de 1,5 MoM define a conduta invasiva. Fontes: FEBRASGO. Aloimunização Rh, Protocolo FEBRASGO de Obstetrícia, 2021 | SMFM. Management of alloimmunization during pregnancy, Clinical Guideline, 2018 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 53)
Questão 12 · IAMSPE 2026
Mulher de 27 anos, primigesta nulípara procurou a maternidade com gravidez de 39 semanas e bolsa rota há 3 horas. Sinais vitais sem alterações. Ao exame físico apresentava altura uterina de 35 cm, feto único, batimentos cardíacos fetais de 148/min, colo dilatado para 2,0 cm, 50% esvaecido, apresentação cefálica no plano 0 de De Lee, escoamento espontâneo de líquido amniótico claro com grumos grossos pela vagina. Optou-se por indução de parto que teve sucesso, com parto normal, recém-nascido do sexo feminino, peso 3120 g, Apgar 8 e 10 respectivamente no primeiro e no quinto minutos, dequitação espontânea. Teve alta após 3 dias, sem queixas. No sétimo dia de pós-parto apresentou sangramento vaginal importante e retornou ao hospital. Estava com mucosas descoradas, PA de 90x60 mmHg, pulso 100 bpm, útero 3,0 cm abaixo da cicatriz umbilical, colo dilatado para 3,0 cm, sangramento vaginal ativo em moderada quantidade. Qual o mais provável diagnóstico e qual a melhor conduta?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Hemorragia pós-parto tardia (após 24 horas, aqui no 7º dia), com útero subinvoluído (3 cm abaixo da cicatriz umbilical) e colo pérvio (3 cm), sugere restos placentários, causa comum de sangramento puerperal tardio. A conduta é estabilizar e esvaziar a cavidade uterina, por curetagem ou aspiração. A) Errada. Hipotonia causa hemorragia principalmente nas primeiras 24 horas. B) Errada. Laceração de canal sangra logo após o parto, não no 7º dia. C) Correta. Restos placentários são tratados com esvaziamento uterino. D) Errada. Não há febre, dor uterina nem lóquios fétidos descritos para endomiometrite. E) Errada. O diagnóstico está certo, mas ocitocina isolada não remove o tecido retido. Análise de contexto do gabarito: o momento do sangramento, o útero aumentado e o colo pérvio definem o diagnóstico e a necessidade de esvaziamento. Fontes: FEBRASGO. Hemorragia pós-parto, Protocolo FEBRASGO de Obstetrícia, 2021 | OPAS. Recomendações assistenciais para prevenção, diagnóstico e tratamento da hemorragia obstétrica, 2018 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 54)
Questão 13 · IAMSPE 2026
Considerando o consenso da International Association of Diabetes in Pregnancy Study Group (IADPSG), referendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro de uma situação de viabilidade financeira e disponibilidade técnica total, para diagnóstico adequado das alterações glicêmicas durante a gravidez, assinale a alternativa INCORRETA
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Pelos critérios IADPSG/OMS, glicemia de jejum de 126 mg/dL ou mais na gestação já define diabetes diagnosticado na gestação (overt diabetes). Não há indicação de TOTG para confirmar; o teste é desnecessário e expõe a gestante a sobrecarga de glicose. Jejum entre 92 e 125 mg/dL define DMG, e o TOTG 75 g de 24 a 28 semanas é diagnóstico com um único valor alterado (92/180/153 mg/dL). A) Correta. Overt diabetes usa os critérios de fora da gestação. B) Correta. Jejum de 92 a 125 mg/dL confirma DMG. C) Correta. Pontos de corte do TOTG 75 g com um valor alterado. D) Correta. Com viabilidade total, o TOTG é feito em todas as gestantes com exames iniciais normais. E) Incorreta (resposta). Jejum acima de 126 mg/dL já define overt diabetes, sem TOTG. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a INCORRETA e especifica viabilidade financeira e técnica total, cenário em que vale o rastreamento universal do IADPSG. Fontes: OPAS/MS/FEBRASGO/SBD. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil, 2017 | Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial SBD: diagnóstico de DMG, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 55)
Questão 14 · IAMSPE 2026
Anomalias cromossômicas ocorrem em 0,1% a 0,2% dos nascidos vivos, sendo a aneuploidia clinicamente significativa mais comum entre os recém-nascidos vivos a síndrome de Down (trissomia 21). Os marcadores ultrassonográficos de aneuploidia fetal podem indicar um risco aumentado, mas não são diagnósticos por si só, pois também podem aparecer em fetos saudáveis. Frente a cálculo de risco aumentado, há possibilidade de testes mais específicos ou invasivos, como por exemplo cariótipo fetal em amostra de líquido amniótico. As alternativas abaixo indicam marcadores de aneuploidia fetal observados no primeiro trimestre de gravidez, EXCETO:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Os marcadores ultrassonográficos de aneuploidia avaliados no primeiro trimestre (11 a 13+6 semanas) incluem translucência nucal aumentada, osso nasal ausente ou hipoplásico, regurgitação tricúspide, onda A reversa no ducto venoso e ângulo frontomaxilar aumentado. A dilatação do trato urinário (pielectasia) é marcador menor do segundo trimestre. A) Correta (marcador). Osso nasal ausente/hipoplásico. B) Correta (marcador). Translucência nucal aumentada. C) Correta (marcador). Regurgitação tricúspide. D) Errada (resposta). Dilatação do trato urinário é marcador do segundo trimestre. E) Correta (marcador). Ângulo frontomaxilar aumentado. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a EXCEÇÃO entre marcadores de primeiro trimestre; o período gestacional é o dado que separa a alternativa D. Fontes: ISUOG. Practice Guidelines (updated): performance of 11–14-week ultrasound scan, 2023 | Fetal Medicine Foundation. The 11–13+6 weeks scan, Nicolaides KH (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 56)
Questão 15 · IAMSPE 2026
São causas possíveis de polidrâmnio, EXCETO:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Polidrâmnio resulta de aumento da diurese fetal ou de redução da deglutição/absorção do líquido. Isoimunização com hidropsia, transfusão feto-fetal (gêmeo receptor) e infecções congênitas aumentam a produção; atresia de esôfago impede a deglutição. O pós-datismo associa-se ao contrário: insuficiência placentária reduz a perfusão renal fetal e leva a oligoâmnio. A) Errada (resposta). Pós-datismo causa oligoâmnio. B) Correta (causa). Anemia e hidropsia fetal elevam o líquido. C) Correta (causa). Falha na deglutição fetal. D) Correta (causa). Infecções congênitas podem causar polidrâmnio. E) Correta (causa). O gêmeo receptor tem poliúria e polidrâmnio. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a EXCEÇÃO; a fisiologia da produção e reabsorção do líquido amniótico separa a alternativa A. Fontes: SMFM. Consult Series #46: Evaluation and management of polyhydramnios, 2018 | FEBRASGO. Alterações do volume de líquido amniótico, Protocolo FEBRASGO de Obstetrícia, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 58)
Questão 16 · IAMSPE 2026
Paciente de 25 anos, sem comorbidades, gestante de 8 semanas, na sua primeira consulta de pré-natal relata ao seu obstetra estar preocupada com o risco de hipertensão gestacional, visto que sua mãe teve pré-eclampsia na gravidez de sua irmã. Para melhor avaliar o risco de desenvolvimento de pré-eclampsia durante a gravidez, seu obstetra utiliza uma combinação de parâmetros maternos, segundo o modelo de pré-eclampsia da Fetal Medicine Foundation (FMF) e, após análise dos exames colhidos na 12ª semana de gravidez, opta por prescrever medicação até 36 semanas. Sobre o algoritmo proposto pela FMF, assinale a alternativa correta:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
O modelo de pré-eclâmpsia da FMF, aplicado entre 11 e 13+6 semanas, combina fatores maternos (incluindo mãe com pré-eclâmpsia), pressão arterial média, índice de pulsatilidade das artérias uterinas e PlGF (ou PAPP-A). Risco acima de 1:100 classifica alto risco. A profilaxia é AAS 150 mg à noite, iniciada antes de 16 semanas e mantida até 36 semanas (estudo ASPRE). A) Errada. Homocisteína não faz parte do modelo. B) Errada. Mãe com pré-eclâmpsia é fator materno considerado no cálculo. C) Errada. O Doppler usado é o das artérias uterinas, não o da ACM fetal. D) Correta. Risco acima de 1:100 define alto risco. E) Errada. A medicação de escolha é AAS; heparina não previne pré-eclâmpsia. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve o rastreamento combinado de primeiro trimestre e a prescrição até 36 semanas, compatíveis com o protocolo FMF/ASPRE. Fontes: Rolnik DL et al. Aspirin versus placebo in pregnancies at high risk for preterm preeclampsia (ASPRE), N Engl J Med, 2017 | FIGO. Initiative on pre-eclampsia: a pragmatic guide for first-trimester screening and prevention, 2019 | FEBRASGO. Pré-eclâmpsia, Protocolo FEBRASGO, 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 60)