Questões de Cirurgia: IAMSPE 2026
Esta área reúne 19 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Esôfago, estômago e bariátrica (5), Cólon e proctologia (4), Trauma / ATLS (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Cirurgia | 19 |
- Esôfago, estômago e bariátrica5
- Cólon e proctologia4
- Trauma / ATLS2
- Abdome agudo1
- Cirurgia torácica1
- Cirurgia vascular1
- Fígado, vias biliares e pâncreas1
- Hérnias e parede abdominal1
- Perioperatório e anestesia1
- Queimados1
Todas as questões da área
Questão 1 · IAMSPE 2026
Mulher de 57 anos com fraqueza e mal-estar há 1 dia, sem náusea ou vômito, procura atendimento após episódio de evacuação enegrecida de odor intenso. Pressão arterial 100 x 70 mmHg, pulso 106 bpm, consciente e orientada. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Evacuação enegrecida de odor intenso (melena) com taquicardia e PA limítrofe indica hemorragia digestiva alta com repercussão hemodinâmica. Entre as afirmativas, a única correta é a de que antibióticos (ceftriaxona ou quinolona) em cirróticos com sangramento varicoso reduzem infecção, ressangramento e mortalidade. A) Errada. Coágulos vermelhos ao toque retal sugerem sangramento baixo ou alto volumoso; melena é o achado típico de HDA. B) Errada. Acessos calibrosos são indicados, mas sonda nasogástrica de rotina não é recomendada para diagnóstico. C) Errada. IBP é superior ao bloqueador H2 na HDA péptica. D) Correta. A antibioticoprofilaxia é parte do tratamento padrão do sangramento varicoso. E) Errada. Sem sangramento ativo, angiografia não está indicada; preparo intestinal se aplica à colonoscopia. Análise de contexto do gabarito: o enunciado não informa cirrose nem achado endoscópico. A alternativa D é uma afirmação geral sobre HDA varicosa, válida independentemente da etiologia deste caso. Fontes: de Franchis R et al. Baveno VII: Renewing consensus in portal hypertension. J Hepatol, 2022 | Laine L et al. ACG Clinical Guideline: Upper Gastrointestinal and Ulcer Bleeding. Am J Gastroenterol, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 25)
Questão 2 · IAMSPE 2026
Homem de 62 anos se apresenta no pronto socorro com dor mesogástrica e distensão abdominal, náusea com vômitos incoercíveis há 1 dia. Fumante de alta carga tabágica, tem antecedente de hipertensão arterial, pré-diabetes e dislipidemia. Nega procedimentos cirúrgicos abdominais. À entrada, apresenta Pressão Arterial 120 x 80 mmHg, pulso 92 bpm, glicemia capilar 123 mg/dL. À avaliação e conduta de entrada, assinale a melhor alternativa neste momento:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Dor mesogástrica, distensão e vômitos incoercíveis há 1 dia sugerem obstrução intestinal. A conduta inicial é ressuscitação com cristaloide balanceado, correção de eletrólitos e descompressão gástrica por sonda nasogástrica, que alivia vômitos, reduz risco de broncoaspiração e permite medir o débito como indicador de resposta. A investigação de imagem de escolha é a tomografia de abdome. A) Errada. A hérnia de Petersen é interna, ocorre após bypass em Y de Roux e não é avaliada pelo exame da parede. B) Errada. O quadro não sugere pancreatite como hipótese principal; amilase com TC não é a prioridade de entrada. C) Errada. Hérnia encarcerada irredutível com obstrução é indicação de cirurgia; USG não deve atrasar a conduta. D) Errada. A USG tem acurácia limitada pela distensão gasosa; a TC é o exame de escolha. E) Correta. Ressuscitação volêmica e descompressão por SNG são a base do manejo inicial. Análise de contexto do gabarito: o paciente nega cirurgias prévias, está estável e tem vômitos incoercíveis. Esses dados tornam improvável a hérnia de Petersen e priorizam estabilização e descompressão. Fontes: Ten Broek RPG et al. Bologna guidelines for diagnosis and management of adhesive small bowel obstruction: 2017 update. World J Emerg Surg, 2018 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 26)
Questão 3 · IAMSPE 2026
Durante consulta de seguimento habitual de Hipertensão Arterial na Unidade Básica de Saúde, seu paciente masculino de 67 anos pede sua avaliação sobre ferimento em sua perna. Ele teve um trauma leve há cerca de 7 dias com área de 3 cm de afastamento de bordos cutâneos, com exposição de tecido subcutâneo. No momento, a ferida apresenta-se seca, bordos ligeiramente elevados e róseos claros, com uma crosta sobre cicatrização da ferida.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Ferida de 7 dias, seca, com bordas elevadas e róseas e crosta, está em cicatrização por segunda intenção, sem sinais de infecção. Curativos oclusivos mantêm o leito úmido, com pH levemente ácido e baixa tensão de oxigênio na superfície, o que estimula angiogênese e proliferação de fibroblastos e acelera a epitelização em relação à ferida exposta. A) Correta. Descreve o microambiente gerado pelo curativo oclusivo. B) Errada. A epitelização sob curativo oclusivo é mais rápida que em ferida descoberta. C) Errada. Após 7 dias, ferida em granulação não é candidata a fechamento primário; seguiria segunda intenção ou fechamento primário tardio. D) Errada. Qualquer ferimento com solução de continuidade pode ser porta de entrada para tétano; a profilaxia depende da situação vacinal. E) Errada. Não há sinais de infecção que justifiquem antibiótico. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são ferida seca, bordas róseas e ausência de sinais flogísticos. O enunciado não informa a situação vacinal antitetânica, que deveria ser checada na consulta. Fontes: Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 | Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 22)
Questão 4 · IAMSPE 2026
Homem, 32 anos, piloto de avião, procura o pronto socorro com dor leve em hemitórax direito há cerca de 2 horas, de início súbito, sem dispneia ou história de trauma. Na admissão, apresenta pouca dor, sem uso de musculatura acessória ou turgência jugular. Na suspeita de pneumotórax espontâneo, aponte a alternativa correta para este caso
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Dor torácica súbita em homem jovem, sem trauma e estável, sugere pneumotórax espontâneo primário. A ultrassonografia de tórax com transdutor linear tem alta sensibilidade: a presença de deslizamento pleural tem valor preditivo negativo próximo de 100% para pneumotórax no ponto avaliado. Em profissões com variação de pressão barométrica, como piloto, recomenda-se tratamento definitivo para prevenir recorrência. A) Errada. O padrão-ouro é a tomografia de tórax. B) Correta. O deslizamento pleural na USG torna o pneumotórax muito improvável. C) Errada. Punção com agulha é reservada ao pneumotórax hipertensivo. D) Errada. Em pilotos, a resolução do episódio não dispensa tratamento definitivo. E) Errada. Pneumotórax pequeno pode cursar com murmúrio normal; o exame físico não é essencial ao diagnóstico. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são estabilidade clínica, ausência de sinais de hipertensão e profissão de risco. Eles tornam a punção inadequada e a alternativa D incorreta. Fontes: Roberts ME et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax, 2023 | Volpicelli G et al. International evidence-based recommendations for point-of-care lung ultrasound. Intensive Care Med, 2012 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 23)
Questão 5 · IAMSPE 2026
Dumping é um complexo de sintomas causado pelo rápido esvaziamento gástrico pós-prandial. Sobre o Dumping, assinale a alternativa correta
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Dumping resulta do esvaziamento gástrico rápido após cirurgias gástricas. O precoce ocorre em até 30 a 60 minutos: o conteúdo hiperosmolar atrai líquido para a luz intestinal, com sintomas gastrointestinais e vasomotores. O tardio ocorre 1 a 3 horas após a refeição, por hiperinsulinemia reativa à absorção rápida de carboidratos, com sintomas de hipoglicemia. A) Errada. O dumping precoce ocorre nos primeiros 30 a 60 minutos. B) Correta. O dumping tardio se manifesta por hipoglicemia reativa. C) Errada. O diagnóstico é clínico (escore de Sigstad) e pode usar teste oral de tolerância à glicose modificado; cintilografia não é exame de escolha. D) Errada. O alimento é hipertônico e o líquido migra do espaço extracelular para a luz intestinal. E) Errada. Após gastrectomia, é mais frequente na reconstrução a Billroth II; a reconstrução em Y de Roux é opção cirúrgica para dumping refratário. Análise de contexto do gabarito: a questão é conceitual e avalia tempo de início e fisiopatologia de cada forma. A hipoglicemia é o marcador do dumping tardio. Fontes: Scarpellini E et al. International consensus on the diagnosis and management of dumping syndrome. Nat Rev Endocrinol, 2020 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 24)
Questão 6 · IAMSPE 2026
A neoplasia de próstata é o câncer mais frequente no homem, quando não consideramos tumores de pele. No Brasil, devido estado atual de cobertura de detecção e assistência, cerca de um quarto dos pacientes vão morrer da doença. O rastreamento tem como objetivo identificar a doença em estágio localizado, o que está associado a taxas de cura superiores a 90%, contribuindo para modificar significativamente o atual panorama da condição. Para rastreamento de câncer de próstata, assinale a alternativa correta:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O rastreamento do câncer de próstata com PSA envolve decisão compartilhada, por risco de sobrediagnóstico. No Brasil, o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam rastreamento populacional organizado; sociedades de urologia orientam avaliação individualizada. Em homens saudáveis com expectativa de vida > 10 anos e PSA baixo, o intervalo pode ser de 2 a 4 anos, segundo a AUA. A) Errada. Em alto risco (homens negros, história familiar, mutação BRCA2), a avaliação começa mais cedo, a partir de 40 a 45 anos. B) Correta. Intervalos de 2 a 4 anos são aceitos em homens com PSA baixo e boa expectativa de vida. C) Errada. O toque retal não é obrigatório para todos com PSA baixo; tem papel complementar. D) Errada. Polipose adenomatosa familiar se associa a câncer colorretal; BRCA2 e síndrome de Lynch aumentam risco prostático. E) Errada. Tabagismo associa-se a maior mortalidade e agressividade do câncer de próstata. Análise de contexto do gabarito: a pergunta avalia regras do rastreamento oportunístico. A expectativa de vida > 10 anos e o intervalo espaçado são os elementos que tornam B a alternativa correta. Fontes: Wei JT et al. Early Detection of Prostate Cancer: AUA/SUO Guideline. J Urol, 2023 | Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 27)
Questão 7 · IAMSPE 2026
Paciente masculino de 26 anos de idade, vítima de acidente de moto contra anteparo (árvore na via pública), em uso de capacete, com velocidade aproximada de 80 Km/h, foi socorrido por equipe especializada e encaminhado ao hospital. Recebido em sala de pronto socorro queixando-se de forte dor abdominal, realizada avaliação inicial, com via aérea pérvia, sem cervicalgia, mantido colar cervical, saturação de 94% em ar ambiente, frequência respiratória de 20 ipm, frequência cardíaca de 96 bpm, pressão arterial de 100/70 mmHg, abdome plano, tenso, com dor à palpação difusa, pior em quadrante superior esquerdo, escala de Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes, ausência de lesões externas relacionadas ao trauma. Submetido a exames laboratoriais com hemoglobina em 12,9 g/dL, hematócrito 40%, demais sem outras alterações.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: E
Trauma de alta energia com paciente hemodinamicamente normal (PA 100/70, FC 96, Hb 12,9) e dor abdominal pior no quadrante superior esquerdo: o cenário favorece lesão esplênica e pede tomografia. Em paciente estável, a TC de abdome com contraste EV é o exame de escolha, pois gradua a lesão de víscera sólida e mostra extravasamento ativo (blush). O mecanismo também justifica TC de coluna cervical (colar mantido) e de tórax. A) Errada. Alta energia e dor abdominal importante não permitem alta após observação curta sem imagem. B) Errada. Via aérea pérvia e Glasgow 15: não há indicação de intubação. C) Errada. Radiografias simples não avaliam vísceras sólidas nem sangramento intra-abdominal. D) Errada. TC sem contraste não gradua lesão de baço/fígado nem detecta sangramento ativo. E) Correta. Imagem dirigida ao mecanismo, com contraste EV no abdome para estadiar lesão de víscera sólida. Análise de contexto do gabarito: a estabilidade hemodinâmica é o dado que leva à TC; instabilidade levaria a FAST e laparotomia. A dor em quadrante superior esquerdo orienta a suspeita de baço, cuja avaliação exige contraste. Fontes: American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 10ª ed., 2018 | WSES. Splenic trauma: WSES classification and guidelines for adult and pediatric patients, 2017 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 28)
Questão 8 · IAMSPE 2026
Paciente feminina de 56 anos de idade, com antecedente de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus, faz uso irregular de losartana e insulina. Vai ao pronto socorro do hospital acompanhada de sua filha, com relato de mal-estar geral e febre de 38,6 °C com 2 dias de evolução, relata que observou ferida no pé direito, com saída de secreção purulenta escassa, e que sente pouca dor no local. Em avaliação inicial paciente consciente, frequência respiratória de 22 ipm, frequência cardíaca de 106 bpm, pressão arterial de 130/87 mmHg. Membro direito com edema no pé até terço médio da perna associado com hiperemia em todo pé estendendo até tornozelo, úlcera em região plantar do antepé direito com centro necrótico e saída de secreção purulenta à expressão. Exames laboratoriais com leucograma em 2.000/mm³, hemoglobina 11 g/dL, proteína C reativa 28 mg/dL (V.R. <1,0 mg/dL), creatinina 2,5 mg/dL, ureia 130 mg/dL, glicemia 356 mg/dL. Radiografia simples de pé direito sem sinais de osteomielite. Assinale alternativa que reúne a melhor conduta a seguir.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Pé diabético com úlcera necrótica e secreção purulenta, celulite até o tornozelo e resposta sistêmica (febre 38,6 °C, FC 106, FR 22, leucócitos 2.000/mm³) é infecção grave (IWGDF/IDSA grau 4). Há ainda lesão renal (creatinina 2,5) e hiperglicemia. Conduta: internação, antibiótico parenteral de amplo espectro, desbridamento cirúrgico precoce do foco necrótico/purulento, insulina, hidratação com cristaloide e suspensão de drogas que pioram a função renal, como a losartana. A) Errada. Infecção grave com sinais sistêmicos não é tratada por via oral nem ambulatorialmente. B) Errada. Infecção grave exige antibiótico parenteral; a TC atrasa a drenagem já indicada clinicamente. C) Correta. Reúne internação, antibiótico EV, abordagem cirúrgica, controle glicêmico, suspensão do BRA e hidratação. D) Errada. Amputação não é a primeira medida; metformina é contraindicada com essa função renal; coloides não são preferidos. E) Errada. Regime ambulatorial é inadequado para infecção grave com disfunção renal. Análise de contexto do gabarito: leucopenia, taquicardia, taquipneia e febre definem a gravidade; a necrose com pus define a necessidade de desbridamento; a creatinina elevada justifica suspender a losartana. Fontes: IWGDF/IDSA. Guidelines on the diagnosis and treatment of diabetes-related foot infections, 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 29)
Questão 9 · IAMSPE 2026
Paciente feminina de 63 anos de idade, faz uso de rivaroxabana. Procura o pronto socorro do hospital por queda após tropeçar em desnível da calçada com trauma em região frontal direita. Via aérea pérvia, sem cervicalgia, mantém expansibilidade torácica normal com frequência respiratória de 19 ipm, saturação de 97% em ar ambiente, pressão arterial de 134/70 mmHg, frequência cardíaca de 85 bpm, escala de Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes, presença de escoriações e edema em região frontal direita. Assinale a alternativa com a melhor conduta a seguir:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Paciente idosa em uso de rivaroxabana com trauma craniano frontal, Glasgow 15 e exame neurológico normal. O uso de anticoagulante aumenta o risco de hematoma intracraniano, inclusive tardio, e é indicação de tomografia de crânio mesmo sem sintomas. Regras de decisão como a Canadian CT Head Rule não se aplicam a anticoagulados. A) Errada. A radiografia de crânio não avalia lesão intracraniana. B) Errada. Alta sem imagem é inadequada em anticoagulada com trauma craniano. C) Correta. TC de crânio é o exame indicado para todo anticoagulado com TCE. D) Errada. O coagulograma convencional não mede bem o efeito da rivaroxabana e não substitui a imagem. E) Errada. Internação por 72 horas sem imagem não é conduta padrão; a decisão depende da TC. Análise de contexto do gabarito: o dado decisivo é o anticoagulante oral direto; com ele, Glasgow 15 e pupilas normais não dispensam a TC. Fontes: NICE. Head injury: assessment and early management (NG232), 2023 | American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 10ª ed., 2018 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 30)
Questão 10 · IAMSPE 2026
Paciente feminina de 68 anos de idade, procura o pronto socorro por quadro de vômitos escuros hoje e fezes pretas há 3 dias. Refere ser o primeiro episódio. Tem antecedente de Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e Dislipidemia, faz uso contínuo de losartana, dapaglifozina e atorvastatina. Após avaliar e corrigir alterações hemodinâmicas, assinale a alternativa com melhor sequência de atendimento inicial
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Hematêmese escura e melena indicam hemorragia digestiva alta. Após estabilização hemodinâmica, a sequência inicial é: toque retal (confirma melena), jejum, inibidor de bomba de prótons EV em dose de ataque e endoscopia digestiva alta em até 24 horas, que é diagnóstica e terapêutica. A) Correta. Reúne confirmação clínica, IBP e endoscopia precoce. B) Errada. Não se trata H. pylori empiricamente nem se espera novo sangramento para indicar endoscopia. C) Errada. Procinético isolado e antibiótico para H. pylori não são o manejo inicial. D) Errada. IBP é preferido ao antagonista H2, e colonoscopia não é o exame inicial de HDA. E) Errada. Sangramento ativo não é investigado ambulatorialmente. Análise de contexto do gabarito: o enunciado já informa estabilização; com hematêmese e melena, a localização alta orienta a endoscopia precoce. Fontes: ESGE. Endoscopic diagnosis and management of nonvariceal upper gastrointestinal hemorrhage: Guideline Update, 2021 | ACG. Clinical Guideline: Upper Gastrointestinal and Ulcer Bleeding, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 31)
Questão 11 · IAMSPE 2026
Paciente masculino de 46 anos de idade, chega ao pronto socorro do hospital, trazido por seus familiares por relato de haver sofrido acidente com água fervente após cair panela sobre seu dorso há cerca de 2 horas, apresenta-se consciente, com via aérea pérvia, sem cervicalgia, boa expansibilidade torácica, frequência respiratória 24 ipm, pulsos cheios, pressão arterial de 150/90 mmHg, frequência cardíaca 110 bpm, escala de Glasgow 15, com pupilas isofotorreagentes. Ao realizar exposição, observa-se as seguintes lesões: queimadura com eritema, muito dolorosa e sem bolha em região anterior do tórax; queimadura com fundo rosado, com bolhas, dolorosas, associado a áreas mais opacas, sem bolha em toda região do dorso; queimadura com aspecto amarronzado, áspero e sem dor em região cervical posterior estendendo-se para ombro direito.
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Escaldadura com três padrões: tórax anterior com eritema doloroso sem bolhas (superficial, 1º grau); dorso com bolhas, fundo rosado e áreas opacas (espessura parcial); região cervical posterior e ombro com lesão amarronzada, áspera e indolor (espessura total). No adulto, o ATLS 10ª ed. recomenda 2 mL x kg x %SCQ de Ringer lactato nas primeiras 24 horas, titulado por diurese de 0,5 mL/kg/h. A) Correta. Dorso de espessura parcial; fórmula e meta de diurese do ATLS. B) Errada. O tórax tem queimadura superficial, que não entra no cálculo da SCQ. C) Errada. A lesão cervical é de espessura total, e o acometimento do pescoço é critério de encaminhamento a centro de queimados. D) Errada. A classificação está certa, mas o ATLS usa 2 mL e não indica antibiótico profilático sistêmico. E) Errada. Queimadura superficial não entra no cálculo da SCQ. Análise de contexto do gabarito: a descrição de cada lesão define a profundidade; o eritema sem bolha fica fora do cálculo, e a fórmula cobrada é a do ATLS. Fontes: American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 10ª ed., 2018 | Ministério da Saúde. Cartilha para tratamento de emergência das queimaduras, 2012 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 32)
Questão 12 · IAMSPE 2026
Mulher de 36 anos, dois partos normais, refere dor leve e abaulamento na linha média supraumbilical. Ultrassonografia confirma hérnia epigástrica de 1,5 cm. Qual alternativa é verdadeira?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Hérnia epigástrica é defeito primário da linha alba, sem relação com incisão prévia. O anel costuma ser estreito, o que favorece encarceramento. Sintomática, tem indicação de reparo cirúrgico eletivo. Para defeitos a partir de 1 cm, as diretrizes sugerem tela; a via (aberta ou laparoscópica) é individualizada. A) Correta. Hérnia sintomática tem indicação cirúrgica pelo risco de encarceramento. B) Errada. A via laparoscópica não é obrigatória; o reparo aberto com tela é aceito. C) Errada. Hérnia secundária a incisão é a incisional; a epigástrica é primária. D) Errada. Conduta expectante pode ser discutida em assintomáticos com defeito pequeno, não neste caso sintomático. E) Errada. A tela é recomendada para defeitos a partir de 1 cm, pois reduz recidiva. Análise de contexto do gabarito: a paciente tem dor e abaulamento (hérnia sintomática) e defeito de 1,5 cm, dados que sustentam o reparo eletivo. Fontes: EHS/AHS. Guidelines for treatment of umbilical and epigastric hernias, Henriksen et al., Br J Surg, 2020 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 33)
Questão 13 · IAMSPE 2026
Homem de 42 anos, IMC 41 kg/m², com refluxo gastroesofágico sintomático documentado por endoscopia (esofagite grau C de Los Angeles) e pHmetria positiva. Sem cirurgias prévias. Deseja tratamento cirúrgico para obesidade. Qual o melhor procedimento?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Obesidade grau III (IMC 41) com DRGE erosiva documentada (esofagite Los Angeles C e pHmetria positiva). O bypass gástrico em Y de Roux é o procedimento de escolha: o pouch pequeno, com pouca produção ácida, e o desvio do conteúdo biliopancreático tratam o refluxo junto com a obesidade. A gastrectomia vertical tende a piorar ou causar DRGE e é evitada nesse cenário. A) Errada. Ser mais simples não compensa a piora do refluxo após sleeve. B) Errada. A banda gástrica tem resultados ruins a longo prazo e está em desuso. C) Correta. Trata as duas doenças com a mesma cirurgia. D) Errada. Derivação biliopancreática tem alta morbidade nutricional e não é indicada para este perfil. E) Errada. O mini-bypass (OAGB) pode causar refluxo biliar e não é preferido em DRGE erosiva. Análise de contexto do gabarito: a esofagite grau C com pHmetria positiva é o dado que define a escolha do Y de Roux. Fontes: IFSO. Consensus on definitions and clinical practice guidelines for obesity management, 2024 | SBCBM. Diretrizes de cirurgia bariátrica e metabólica (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 34)
Questão 14 · IAMSPE 2026
Dentre as indicações de gastrostomia, destaca-se:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A gastrostomia cria via de alimentação enteral prolongada quando a ingestão oral é inviável mas o estômago funciona: disfagia neurológica (AVC, ELA, demências avançadas) e obstruções altas de faringe e esôfago. Também pode ser usada para descompressão gástrica, mas não para descompressão de obstruções distais do delgado. A) Errada. Drenagem biliar se faz por CPRE, drenagem percutânea ou derivação biliodigestiva. B) Errada. Gastrostomia não descomprime obstrução distal do delgado. C) Errada. Reposição volêmica é venosa; HDA não é indicação de gastrostomia. D) Correta. Alimentação em obstrução alta ou disfagia neurológica é a indicação clássica. E) Errada. Tumor de cárdia/TEG pode impedir o acesso e comprometer o estômago como futuro substituto do esôfago; prefere-se jejunostomia quando necessário. Análise de contexto do gabarito: a pergunta pede a indicação clássica; só a alternativa D descreve função nutricional com estômago funcionante. Fontes: ESPEN. Guideline on home enteral nutrition, 2020 | ASGE. The role of endoscopy in enteral feeding, 2011 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 35)
Questão 15 · IAMSPE 2026
Mulher de 50 anos é internada com um dia de história de dor epigástrica intensa associada a náuseas e vômitos, com hemograma normal e amilase 1189 U/L (normal até 100 U/L), e achado de colelitíase à ultrassonografia. Melhora da dor e retorno do apetite após 24 horas de tratamento clínico, aceitando dieta. Qual a conduta definitiva para prevenir recidiva?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Pancreatite aguda biliar leve (dor epigástrica, amilase acima de 3 vezes o limite e colelitíase) com melhora rápida e retorno da dieta. A conduta para evitar recidiva é a colecistectomia videolaparoscópica na mesma internação. No estudo PONCHO, adiar a cirurgia elevou as complicações biliares recorrentes de cerca de 5% para cerca de 17%. A) Errada. CPRE fica para colangite ou obstrução biliar persistente; isolada, não substitui a colecistectomia. B) Correta. Colecistectomia na mesma internação na pancreatite biliar leve. C) Errada. Esperar meses expõe a novos episódios; adiar só se justifica na forma grave com coleções. D) Errada. Ácido ursodesoxicólico não previne recidiva de forma eficaz. E) Errada. Sem tratamento, o risco de recidiva é alto. Análise de contexto do gabarito: a melhora em 24 horas com aceitação de dieta caracteriza quadro leve, o que permite a cirurgia ainda na internação. Fontes: ACG. Guideline: Management of Acute Pancreatitis, Am J Gastroenterol, 2024 | da Costa et al. Same-admission versus interval cholecystectomy for mild gallstone pancreatitis (PONCHO), Lancet, 2015 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 36)
Questão 16 · IAMSPE 2026
Em relação aos pólipos colônicos, assinale a alternativa INCORRETA
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A alternativa incorreta é a A: os pólipos da síndrome de Peutz-Jeghers são hamartomatosos, com eixo de músculo liso arborizado, e não adenomatosos. A síndrome é autossômica dominante (gene STK11) e associa pólipos no tubo digestivo a manchas melanocíticas mucocutâneas. A) Incorreta (resposta). Peutz-Jeghers cursa com pólipos hamartomatosos. B) Correta. A PAF é autossômica dominante, ligada ao gene APC. C) Correta. Pólipos hiperplásicos pequenos de reto e sigmoide são benignos e sem risco relevante. D) Correta. Quanto maior o componente viloso, maior o risco de carcinoma. E) Correta. Pólipos juvenis são hamartomas. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a INCORRETA; a classificação histológica das poliposes é o ponto avaliado. Fontes: ACG. Clinical Guideline: Genetic Testing and Management of Hereditary Gastrointestinal Cancer Syndromes, 2015 | NCCN. Genetic/Familial High-Risk Assessment: Colorectal, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 37)
Questão 17 · IAMSPE 2026
Em relação à doença hemorroidária é correto afirmar:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Hemorroidas internas ficam acima da linha pectínea, em mucosa com inervação visceral: manifestam-se principalmente por sangramento vermelho-vivo indolor e prolapso. As externas, abaixo da linha pectínea, causam dor quando trombosam. A) Errada. A ligadura elástica é para mamilos internos; nos externos causa dor intensa. B) Errada. Prolapso que exige redução manual é grau III; grau IV é irredutível. C) Errada. A trombose hemorroidária externa costuma ser muito dolorosa. D) Correta. Sangramento e prolapso são os sintomas típicos das hemorroidas internas. E) Errada. Fibras e água fazem parte também do tratamento, não só da prevenção. Análise de contexto do gabarito: a questão avalia a anatomia em relação à linha pectínea e a classificação de Goligher. Fontes: ASCRS. Clinical Practice Guidelines for the Management of Hemorrhoids, Dis Colon Rectum, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 38)
Questão 18 · IAMSPE 2026
Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao câncer colorretal:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
A alternativa incorreta é a C: o CEA não é ferramenta de rastreamento do câncer colorretal, por baixa sensibilidade e especificidade (eleva-se também em tabagistas e doenças benignas). Seu papel é prognóstico pré-operatório e seguimento após ressecção. O rastreamento é feito com colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes. A) Correta. A ressecção de adenomas interrompe a sequência adenoma-carcinoma. B) Correta. A localização colonoscópica pode ser imprecisa; por isso se tatua a lesão. C) Incorreta (resposta). CEA não se presta a rastreamento. D) Correta. Invasão linfovascular, perineural e budding tumoral pioram o prognóstico. E) Correta. Fígado, pulmão e peritônio são os sítios de metástase mais comuns. Análise de contexto do gabarito: a questão pede a INCORRETA; a confusão entre marcador de seguimento e teste de rastreamento é o ponto avaliado. Fontes: INCA. Detecção precoce do câncer, 2021 | ASCRS. Clinical Practice Guidelines for the Management of Colon Cancer, 2022 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 39)
Questão 19 · IAMSPE 2026
Paciente do sexo masculino, 62 anos, com quadro de dor abdominal, febre e leucocitose. Ao exame físico, PA 90 x 60 mmHg e FC 110 bpm, com dor à palpação difusa do abdome e descompressão brusca positiva. A tomografia computadorizada apresenta divertículos em cólon sigmoide e espessamento de sua parede, além de grande quantidade de líquido livre no abdome. A melhor conduta neste caso é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Diverticulite com peritonite difusa (descompressão brusca positiva, grande volume de líquido livre) e instabilidade hemodinâmica (PA 90x60, FC 110) corresponde a Hinchey III/IV. A conduta é antibiótico de amplo espectro, ressuscitação e cirurgia de urgência; a operação de Hartmann é a opção habitual no paciente instável. A) Errada. Tratamento clínico é para diverticulite não complicada ou abscesso pequeno. B) Errada. Drenagem percutânea serve para abscesso localizado em paciente estável, não para peritonite difusa. C) Correta. Peritonite generalizada com instabilidade exige cirurgia de urgência. D) Errada. Colonoscopia na fase aguda é contraindicada pelo risco de perfuração; fica para depois. E) Errada. Observação com nutrição parenteral atrasa o controle do foco. Análise de contexto do gabarito: a descompressão brusca positiva, o líquido livre em grande quantidade e a hipotensão são os dados que definem cirurgia. Fontes: ASCRS. Clinical Practice Guidelines for the Management of Left-Sided Colonic Diverticulitis, 2020 | WSES. Guidelines for the management of acute left sided colonic diverticulitis, 2020 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 40)