Questões de Clínica médica: IAMSPE 2026

Esta área reúne 29 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Cardiologia (15), Psiquiatria (5), Pneumologia (3).

Perfil da prova em números

Questões por área
ÁreaQuestões
Clínica médica29
Os 10 temas mais frequentes
  • Cardiologia15
  • Psiquiatria5
  • Pneumologia3
  • Gastroenterologia e hepatologia2
  • Reumatologia2
  • Emergência e terapia intensiva1
  • Endocrinologia1

Todas as questões da área

Questão 1 · IAMSPE 2026

Um paciente é diagnosticado com pancreatite aguda e evolui com piora do quadro clínico. Identifique o marcador laboratorial cuja elevação está mais consistentemente associada a um prognóstico grave e a maior risco de complicações nesta condição

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Na pancreatite aguda, amilase e lipase servem ao diagnóstico, mas seus níveis não se correlacionam com gravidade. Entre os marcadores laboratoriais isolados, a proteína C-reativa é o mais validado para prognóstico: valores acima de 150 mg/L após 48 a 72 horas do início associam-se a necrose pancreática e complicações. A gravidade é definida pela classificação de Atlanta revisada (falência orgânica persistente > 48 h). A) Errada. Amilase é marcador diagnóstico; o nível não prediz gravidade. B) Errada. Lipase é mais sensível e específica para o diagnóstico, mas também não estratifica gravidade. C) Correta. PCR > 150 mg/L em 48-72 h favorece pancreatite grave e necrose. D) Errada. A DHL compõe escores (Ranson), mas não é o marcador isolado mais consistente. E) Errada. A GGT pode sugerir etiologia biliar ou alcoólica, sem valor prognóstico. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede o marcador cuja elevação se associa a prognóstico grave e complicações, e não o de diagnóstico. Isso direciona para a PCR, único marcador inflamatório isolado com ponto de corte prognóstico validado. Fontes: Banks PA et al. Classification of acute pancreatitis 2012: revision of the Atlanta classification. Gut, 2013 | Tenner S et al. American College of Gastroenterology Guidelines: Management of Acute Pancreatitis. Am J Gastroenterol, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 7)

Questão 2 · IAMSPE 2026

Um adulto de meia-idade, previamente hígido, inicia quadro abrupto de febre, calafrios, tosse e dispneia, evoluindo com dor torácica e opacidade radiográfica focal. Estabeleça a conduta diagnóstica inicial mais adequada.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Febre e calafrios de início abrupto, tosse, dispneia, dor torácica e opacidade focal em adulto previamente hígido configuram pneumonia adquirida na comunidade. A avaliação inicial combina quadro clínico e confirmação radiográfica, seguida de estratificação de gravidade (CURB-65 ou CRB-65) para definir local de tratamento e antibioticoterapia empírica precoce. A) Errada. Tuberculose costuma ter evolução subaguda ou crônica; o quadro abrupto favorece PAC bacteriana. B) Correta. O diagnóstico de PAC se apoia em clínica compatível e imagem com opacidade nova. C) Errada. Febre, calafrios e opacidade focal não são explicados por broncoespasmo. D) Errada. Hemorragia alveolar difusa cursa com opacidades difusas e hemoptise; LBA não é teste inicial. E) Errada. Pneumonia hospitalar exige início ≥ 48 h após internação; o paciente vem da comunidade. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são o início abrupto, o paciente previamente hígido, a origem comunitária e a opacidade focal. Não há fator de risco para germes multirresistentes nem dados de cronicidade. Fontes: Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Recomendações para o manejo da pneumonia adquirida na comunidade 2018. J Bras Pneumol, 2018 | Metlay JP et al. Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia. ATS/IDSA. Am J Respir Crit Care Med, 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 8)

Questão 3 · IAMSPE 2026

Um médico plantonista recebe um paciente de 68 anos com queixa de palpitações e dispneia leve há 3 horas. O paciente é hipertenso, pressão arterial de 130/80 mmHg, frequência cardíaca irregular de aproximadamente 110 bpm, ausculta pulmonar sem alterações. O eletrocardiograma de 12 derivações evidencia ausência de ondas P identificáveis, intervalos estreitos. Identifique a arritmia apresentada pelo paciente.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Paciente idoso, hipertenso, com palpitações, frequência irregular de cerca de 110 bpm, ausência de ondas P identificáveis e QRS estreito tem fibrilação atrial com resposta ventricular elevada. O ritmo irregularmente irregular sem atividade atrial organizada é o que define a FA no ECG. A) Errada. O flutter mostra ondas F em serrote; com bloqueio variável o ritmo é irregular, mas há atividade atrial organizada. B) Errada. A taquicardia atrial multifocal exige ao menos 3 morfologias diferentes de onda P. C) Correta. Ritmo irregular, sem P identificável e com QRS estreito é fibrilação atrial. D) Errada. Na taquicardia sinusal as ondas P são visíveis antes de cada QRS. E) Errada. A taquicardia por reentrada nodal é regular. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são frequência irregular, ausência de ondas P e QRS estreito. Hipertensão e idade são fatores de risco que reforçam a hipótese de FA. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022 | Van Gelder IC et al. 2024 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation. Eur Heart J, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 1)

Questão 4 · IAMSPE 2026

Paciente de 72 anos é atendido no pronto-socorro com história de síncope. Refere episódios prévios de tonturas. É portador de cardiopatia chagásica. Ao exame físico encontra-se lúcido, normotenso, bradicárdico. O eletrocardiograma evidencia ondas P com frequência de 75 bpm e complexos QRS largos com frequência regular de 35 bpm, sem relação entre as ondas P e os complexos QRS. O intervalo PP é regular, assim como o intervalo RR. Identifique o tipo bloqueio atrioventricular apresentado

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Ondas P regulares a 75 bpm e QRS largos regulares a 35 bpm, sem relação entre si, caracterizam dissociação atrioventricular completa: bloqueio atrioventricular total. O QRS largo e a frequência muito baixa indicam escape ventricular. A cardiopatia chagásica é causa clássica de lesão do sistema de condução no Brasil, e síncope com BAV total indica marca-passo definitivo. A) Errada. No BAV de 1º grau todas as P conduzem, com PR > 200 ms. B) Errada. No Mobitz I há prolongamento progressivo do PR até uma P bloqueada. C) Errada. No 2:1, cada QRS tem relação fixa com uma P; aqui não há relação. D) Correta. P e QRS independentes, ambos regulares, com escape ventricular lento. E) Errada. No bloqueio sinoatrial faltam ondas P; aqui elas estão presentes e regulares. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são intervalos PP e RR regulares, frequência atrial maior que a ventricular e ausência de relação entre P e QRS. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022 | Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 2)

Questão 5 · IAMSPE 2026

Um paciente de 72 anos, hipertenso e diabético, é admitido no pronto-socorro com dor torácica opressiva há 40 minutos. O médico solicita um eletrocardiograma para avaliação inicial. Analise o traçado considerando os critérios de sobrecarga ventricular esquerda

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

A questão avalia os critérios eletrocardiográficos de sobrecarga ventricular esquerda. O critério de Cornell (S de V3 + R de aVL ≥ 28 mm no homem e ≥ 20 mm na mulher) é a única alternativa descrita corretamente. O índice de Sokolow-Lyon usa ponto de corte de 35 mm, e R em aVL isolada é considerada a partir de 11 mm. A) Errada. O ponto de corte usual para R em aVL é 11 mm. B) Correta. É a definição do critério de voltagem de Cornell. C) Errada. O Sokolow-Lyon (SV1 + RV5 ou RV6) exige ≥ 35 mm. D) Errada. QRS > 120 ms sugere bloqueio de ramo; aumento discreto da duração só pontua no escore de Romhilt-Estes. E) Errada. Desvio de eixo para a esquerda pontua no Romhilt-Estes, mas isoladamente não define SVE. Análise de contexto do gabarito: o enunciado cita um traçado, mas não o fornece. A resposta depende apenas do conhecimento dos critérios; a dor torácica do caso não altera a análise. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022 | Hancock EW et al. AHA/ACCF/HRS Recommendations for the Standardization and Interpretation of the Electrocardiogram, Part V. Circulation, 2009 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 3)

Questão 6 · IAMSPE 2026

Médico plantonista atende paciente de 55 anos, sexo masculino, admitido com quadro de dor torácica típica há 2 horas. Ao exame físico apresenta-se ansioso, sudoreico, com pressão arterial de 150/90 mmHg e frequência cardíaca de 95 bpm. O eletrocardiograma de admissão revela supradesnivelamento do segmento ST nas derivações DII, DIII e aVF. Considerando a necessidade de investigar possível acometimento do ventrículo direito, determine quais derivações adicionais devem ser solicitadas.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Supradesnivelamento de ST em DII, DIII e aVF indica infarto de parede inferior, geralmente por oclusão da coronária direita. Nesse cenário, deve-se pesquisar extensão para o ventrículo direito com as derivações precordiais direitas V3R e V4R; supra de ST ≥ 1 mm em V4R é o achado de maior valor. O reconhecimento muda a conduta: evitar nitratos e diuréticos e manter pré-carga. A) Errada. V7 e V8 avaliam a parede posterior (inferobasal) do VE. B) Correta. V3R e V4R avaliam o ventrículo direito. C) Errada. V1 e V2 já fazem parte do ECG de 12 derivações e avaliam septo. D) Errada. D1 e aVL são derivações laterais altas do ECG convencional. E) Errada. V5 e V6 avaliam a parede lateral do VE. Análise de contexto do gabarito: o enunciado informa supra em parede inferior e pede explicitamente a pesquisa de ventrículo direito, o que direciona às derivações direitas. Fontes: Byrne RA et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J, 2023 | Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 4)

Questão 7 · IAMSPE 2026

Um homem de 50 anos, com histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) há 15 anos, realiza um eletrocardiograma de rotina. O laudo menciona achados sugestivos de sobrecarga atrial direita. Identifique o achado eletrocardiográfico característico desta condição

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Na DPOC de longa data, a hipertensão pulmonar e o cor pulmonale levam à sobrecarga atrial direita, que aumenta a amplitude da onda P sem prolongar sua duração. O achado característico é a P pulmonale: onda P apiculada com amplitude > 0,25 mV (2,5 mm) em DII, DIII e aVF. A) Errada. P com duração > 120 ms e entalhe (P mitrale) indica sobrecarga atrial esquerda. B) Correta. Amplitude > 0,25 mV em DII é o critério de sobrecarga atrial direita. C) Errada. O índice de Morris positivo em V1 sugere sobrecarga atrial esquerda. D) Errada. Na sobrecarga atrial direita o eixo da P tende a desviar para a direita (próximo de +90°). E) Errada. A alternativa descreve uma onda P sem critério de amplitude, o que não define sobrecarga. Análise de contexto do gabarito: o dado que define a resposta é a DPOC de 15 anos, que favorece sobrecarga de câmaras direitas. A pergunta pede o achado de átrio direito, e só a alternativa B traz o critério de amplitude. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022 | Hancock EW et al. AHA/ACCF/HRS Recommendations for the Standardization and Interpretation of the Electrocardiogram, Part V. Circulation, 2009 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 5)

Questão 8 · IAMSPE 2026

Paciente de 45 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro após episódio sincopal. Familiares referem que o paciente apresentou movimentos tônico-clônicos generalizados. Ao exame físico encontra-se consciente, orientado, normotenso. O eletrocardiograma evidencia ritmo cardíaco com frequência de aproximadamente 180 bpm, ausência de ondas P identificáveis, complexos QRS estreitos e regulares, com presença de pseudo-S em DII, DIII e aVF, e pseudo-R em V1. Identifique o diagnóstico eletrocardiográfico mais provável.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Taquicardia regular de QRS estreito a cerca de 180 bpm, sem ondas P visíveis, com pseudo-S em DII, DIII e aVF e pseudo-r' em V1 é típica da taquicardia por reentrada nodal. A onda P retrógrada cai junto ou logo após o QRS e deforma sua porção final, produzindo essas imagens. A) Correta. O padrão pseudo-S inferior e pseudo-r' em V1 é característico da reentrada nodal. B) Errada. Taquicardia ventricular cursa com QRS largo. C) Errada. Flutter 2:1 costuma ter frequência próxima de 150 bpm e ondas F visíveis. D) Errada. Na taquicardia atrial a onda P precede o QRS, com morfologia diferente da sinusal. E) Errada. Fibrilação atrial é irregular. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são QRS estreito, ritmo regular e as pseudo-ondas no fim do QRS. Os movimentos tônico-clônicos relatados são compatíveis com hipofluxo cerebral transitório durante a taquicardia, sem mudar o diagnóstico eletrocardiográfico. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz sobre Análise e Emissão de Laudos Eletrocardiográficos, 2022 | Brugada J et al. 2019 ESC Guidelines for the management of patients with supraventricular tachycardia. Eur Heart J, 2020 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 6)

Questão 9 · IAMSPE 2026

Em um paciente com insuficiência cardíaca descompensada e hipoperfusão periférica refratária à terapia inicial com diuréticos, indique a droga vasoativa de escolha que possui efeito inotrópico positivo puro, sem ação vasoconstritora significativa

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Na insuficiência cardíaca descompensada com hipoperfusão (perfil frio), o objetivo é aumentar o débito cardíaco. A dobutamina é agonista predominante beta-1, com discreto efeito beta-2 vasodilatador: aumenta contratilidade sem vasoconstrição significativa. Por isso é o inotrópico de escolha quando a pressão arterial permite. A) Correta. Dobutamina é inotrópico sem ação vasoconstritora relevante. B) Errada. Noradrenalina é vasopressora alfa-1 predominante; usada se houver choque com hipotensão. C) Errada. Dopamina em doses altas tem efeito alfa vasoconstritor e mais arritmias. D) Errada. Adrenalina tem efeitos beta e alfa, com vasoconstrição em doses maiores. E) Errada. Vasopressina é vasoconstritora pura (receptor V1), sem efeito inotrópico. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede inotrópico positivo sem vasoconstrição, em hipoperfusão refratária a diurético. Isso define dobutamina; o enunciado não informa a pressão arterial, dado que poderia exigir associação de vasopressor. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, 2018 | McDonagh TA et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 9)

Questão 10 · IAMSPE 2026

Um paciente idoso com história de dispneia progressiva, ortopneia e edemas em membros inferiores é avaliado com crepitações pulmonares e turgência jugular. Organize o diagnóstico sindrômico de insuficiência cardíaca, segundo critérios validados para prática clínica

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Paciente com dispneia progressiva, ortopneia, edema de membros inferiores, crepitações e turgência jugular tem síndrome clínica de insuficiência cardíaca. O diagnóstico sindrômico se apoia em critérios validados que combinam achados maiores e menores, como os de Framingham e o escore de Boston. A confirmação é complementada por peptídeos natriuréticos e ecocardiograma. A) Errada. BNP isolado tem maior valor para tornar IC improvável (alto valor preditivo negativo) do que para confirmá-la. B) Errada. Escore de Duke é usado para endocardite, não para IC ou doença coronária crônica. C) Errada. Tomografia com contraste não é exame diagnóstico de IC. D) Correta. Framingham e Boston são critérios clínicos validados para o diagnóstico sindrômico. E) Errada. A impressão subjetiva isolada não é critério validado. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede o diagnóstico sindrômico por critérios validados para a prática clínica, e não exames complementares. Isso direciona para os conjuntos de critérios clínicos. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, 2018 | McDonagh TA et al. 2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure. Eur Heart J, 2021 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 10)

Questão 11 · IAMSPE 2026

Um paciente do sexo masculino, 58 anos, é avaliado no ambulatório com queixa de rigidez articular matinal que persiste por 90 minutos após o despertar, acompanhada de edema e calor articular em pequenas articulações das mãos. Ao exame físico, identifica-se poliartrite simétrica acometendo interfalangeanas proximais e metacarpofalangeanas, sem evidências de erosões ósseas ao radiograma. Solicitados exames laboratoriais que revelam elevação de marcadores inflamatórios. Analise a sequência de manifestações clínicas e características apresentadas e identifique qual aspecto é compatível com o padrão de apresentação de uma doença articular reumática

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Rigidez matinal de 90 minutos, poliartrite simétrica de IFP e MCF com calor e edema e marcadores inflamatórios elevados indicam artrite inflamatória, com padrão de artrite reumatoide. A AR acomete pequenas articulações das mãos, punhos e também grandes articulações como joelhos, de forma simétrica e aditiva, com rigidez matinal acima de 1 hora. A) Errada. Erosões ósseas na AR são lesão estrutural e não acompanham deformidades reversíveis. B) Correta. Rigidez > 1 hora com poliartrite crônica, simétrica e aditiva é o padrão da AR. C) Errada. Lesão discoide é manifestação cutânea do lúpus, não padrão de doença articular. D) Errada. Monoartrite de grande articulação não é o padrão da AR; deformidade em ziguezague ocorre no punho e nos dedos, não isolada. E) Errada. Dor inflamatória piora no repouso e na madrugada e melhora com movimento; ausência de calor sugere processo não inflamatório. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são rigidez de 90 minutos, simetria e envolvimento de IFP e MCF. A ausência de erosões não afasta AR inicial. Fontes: Aletaha D et al. 2010 Rheumatoid Arthritis Classification Criteria: ACR/EULAR collaborative initiative. Arthritis Rheum, 2010 | Smolen JS et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis: 2022 update. Ann Rheum Dis, 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 11)

Questão 12 · IAMSPE 2026

Uma paciente com diagnóstico confirmado de lúpus eritematoso sistêmico em acompanhamento ambulatorial refere desenvolvimento insidioso de edema em membros inferiores, hematúria e redução gradual de acuidade visual nos últimos três meses. A avaliação laboratorial revela proteinúria significativa, elevação de creatinina sérica e redução de complemento C3 e C4. Biópsia renal é realizada para confirmação diagnóstica. Qual classificação histológica de glomerulonefrite lúpica é mais frequentemente associada com prognóstico mais grave e maior necessidade de terapia imunossupressora agressiva?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Paciente com lúpus, edema, hematúria, proteinúria significativa, creatinina em elevação e C3 e C4 baixos tem nefrite lúpica ativa. Pela classificação ISN/RPS, a classe IV (proliferativa difusa, acometendo ≥ 50% dos glomérulos) é a forma mais associada a pior prognóstico renal entre as ativas e exige imunossupressão de indução, com corticoide associado a micofenolato ou ciclofosfamida em baixa dose, podendo-se acrescentar belimumabe ou inibidor de calcineurina. A) Errada. As classes mesangiais (I e II) têm bom prognóstico e não exigem imunossupressão agressiva. B) Errada. A classe III (focal, < 50%) tem prognóstico intermediário. C) Correta. A classe IV proliferativa difusa é a mais grave entre as ativas. D) Errada. A classe V (membranosa) cursa com síndrome nefrótica e complemento geralmente preservado. E) Errada. A classe VI (esclerosante avançada) reflete dano crônico; não responde à imunossupressão. Análise de contexto do gabarito: a pergunta associa prognóstico grave a maior necessidade de imunossupressão agressiva. A classe VI tem dano irreversível e não se beneficia de imunossupressão, o que direciona para a classe IV. Fontes: KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Management of Lupus Nephritis. Kidney Int, 2024 | Bajema IM et al. Revision of the ISN/RPS classification for lupus nephritis. Kidney Int, 2018 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 12)

Questão 13 · IAMSPE 2026

Um paciente com histórico de fibrilação atrial é admitido na emergência com um novo episódio de arritmia. Após estabilização inicial, a equipe médica opta por iniciar a infusão de amiodarona. Diante do caso, avalie a correta administração do fármaco

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

A amiodarona endovenosa em paciente com pulso deve ser diluída em soro glicosado 5% e infundida de forma controlada, pelo risco de hipotensão, bradicardia e flebite. A bula brasileira recomenda diluição exclusiva em SG 5%. Esquema usual: ataque de 150 a 300 mg em 10 a 30 minutos e manutenção diluída em volumes maiores (250 a 500 mL) em 24 horas. A) Errada. A diluição recomendada é em SG 5%, não em soro fisiológico. B) Errada. Bolus de 300 mg é usado na PCR por FV/TV sem pulso; fora dela, a infusão rápida causa hipotensão. C) Correta. Diluição em SG 5% está de acordo com a bula e os protocolos. D) Errada. Os efeitos agudos típicos são hipotensão e bradicardia, não hipertensão. E) Errada. A forma injetável é de uso endovenoso, não intramuscular. Análise de contexto do gabarito: o enunciado informa paciente estabilizado, ou seja, fora de PCR. Isso define infusão diluída em SG 5% e torna a alternativa de bolus inadequada para o caso. Fontes: Joglar JA et al. 2023 ACC/AHA/ACCP/HRS Guideline for the Diagnosis and Management of Atrial Fibrillation. Circulation, 2024 | Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bulário eletrônico: cloridrato de amiodarona solução injetável (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 13)

Questão 14 · IAMSPE 2026

Um adulto com episódios recorrentes de dispneia, tosse e sibilos, sem alterações estruturais prévias, chega assintomático à consulta de seguimento. Defina o procedimento prioritário para comprovar obstrução variável ao fluxo aéreo, quando necessário para diagnóstico e classificação do caso

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

O diagnóstico de asma exige sintomas respiratórios variáveis e demonstração objetiva de limitação variável ao fluxo aéreo. O exame de escolha é a espirometria com prova broncodilatadora: em adultos, aumento do VEF1 > 12% e > 200 mL em relação ao basal. A padronização ATS/ERS de 2022 propõe resposta > 10% do valor previsto. Se a espirometria for normal em paciente assintomático, considera-se teste de broncoprovocação ou variabilidade do pico de fluxo. A) Errada. Radiografia de tórax não confirma asma; serve para diagnóstico diferencial. B) Errada. IgE total não confirma asma; pode estar elevada em atopia sem asma. C) Errada. Gasometria não diagnostica asma e não é exame de rotina ambulatorial. D) Errada. Pletismografia mede volumes pulmonares, não variabilidade do fluxo. E) Correta. Espirometria com resposta ao broncodilatador é o principal exame de confirmação. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede comprovação de obstrução variável ao fluxo aéreo. Esse é exatamente o que a prova broncodilatadora mede. Fontes: Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2025 | Stanojevic S et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J, 2022 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 14)

Questão 15 · IAMSPE 2026

Um paciente apresenta dor súbita em superior do abdome com irradiação dorsal retrógrada, náuseas e vômitos, sinais inflamatórios e instabilidade inicial. Estabeleça os elementos necessários para firmar o diagnóstico de pancreatite aguda no atendimento inicial

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Pelos critérios de Atlanta revisados, o diagnóstico de pancreatite aguda exige 2 de 3: dor abdominal típica (epigástrica, com irradiação para o dorso), amilase ou lipase ≥ 3 vezes o limite superior e imagem compatível. Com clínica e enzimas típicas, a TC não é necessária para o diagnóstico; fica para dúvida diagnóstica ou avaliação de complicações após 72 horas. A) Errada. CPRE é terapêutica (colangite ou obstrução biliar persistente), não diagnóstica. B) Errada. A USG avalia etiologia biliar, mas isoladamente não confirma pancreatite. C) Errada. Gordura fecal avalia insuficiência pancreática exócrina crônica. D) Errada. TC contrastada não é obrigatória e não precede a avaliação laboratorial. E) Correta. Clínica típica com enzimas ≥ 3 vezes o limite superior, com imagem quando indicada. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve dor típica e pede os elementos para firmar o diagnóstico no atendimento inicial. Isso direciona para os critérios de Atlanta. Fontes: Banks PA et al. Classification of acute pancreatitis 2012: revision of the Atlanta classification. Gut, 2013 | Tenner S et al. American College of Gastroenterology Guidelines: Management of Acute Pancreatitis. Am J Gastroenterol, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 15)

Questão 16 · IAMSPE 2026

Um paciente apresenta-se ao pronto-socorro com dor precordial retroesternal em aperto há 45 minutos, acompanhada de diaforese profusa, e sensação de morte iminente. O sintoma foi desencadeado durante repouso, sem esforço físico prévio, e persiste apesar do repouso contínuo. O eletrocardiograma evidencia ondas T invertidas difusas com discreto infradesnivelamento do segmento ST. Identifique a classificação de síndrome coronariana aguda correspondente a este padrão de apresentação

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

Dor retroesternal em aperto em repouso, prolongada (45 minutos), com diaforese, inversão de T e infradesnivelamento de ST configura síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST. A distinção entre infarto sem supra e angina instável depende da troponina, que o enunciado não informa; entre as alternativas, a única classificação compatível é o infarto sem supra. A) Errada. Angina estável é desencadeada por esforço e alivia com repouso. B) Errada. Prinzmetal cursa com supra de ST transitório por vasoespasmo. C) Errada. Não há supradesnivelamento de ST no traçado. D) Errada. Angina variante é sinônimo de Prinzmetal, com supra transitório. E) Correta. Dor > 30 minutos, em repouso, com infra de ST é compatível com infarto sem supra. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são dor em repouso prolongada e alterações de ST-T sem supradesnivelamento. A banca omitiu a troponina, dado necessário para confirmar infarto; a alternativa E é a mais compatível com o quadro. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST, 2021 | Byrne RA et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J, 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 16)

Questão 17 · IAMSPE 2026

Uma mulher de 45 anos com história clínica de insuficiência cardíaca é internada com dispneia paroxística noturna há três noites consecutivas, edema bilateral de tornozelos ao final do dia com melhora após repouso noturno, hepatomegalia dolorosa à palpação profunda e refluxo hepatojugular positivo. Radiografia de tórax evidencia cardiomegalia (índice cardiotorácico > 0,5) e linhas B de Kerley.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Pelos critérios de Framingham, o diagnóstico clínico de insuficiência cardíaca exige 2 critérios maiores ou 1 maior com 2 menores. Dispneia paroxística noturna e cardiomegalia radiográfica são critérios maiores; refluxo hepatojugular também é maior. Edema de tornozelos e hepatomegalia são menores. A) Correta. Dois critérios maiores (DPN e cardiomegalia) já confirmam o diagnóstico. B) Errada. Dois critérios menores isolados não bastam. C) Errada. Linhas B de Kerley não são critério de Framingham, e hepatomegalia é menor; a afirmação de diagnóstico definitivo sem critérios não se aplica. D) Errada. Hepatomegalia é critério menor. E) Errada. Os critérios de Boston são alternativa, não substituto obrigatório. Análise de contexto do gabarito: o enunciado não traz pergunta explícita, mas as alternativas avaliam a aplicação de Framingham. Os dados decisivos são DPN e cardiomegalia (índice cardiotorácico > 0,5), ambos maiores. Fontes: McKee PA et al. The natural history of congestive heart failure: the Framingham study. N Engl J Med, 1971 | Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, 2018 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 17)

Questão 18 · IAMSPE 2026

Paciente de 62 anos, com diagnóstico de hipertensão arterial e histórico de taquicardia supraventricular, inicia tratamento com um fármaco que também é utilizado para controle de tremores essenciais. A melhora do quadro hipertensivo se dá pela redução do débito cardíaco e da resistência vascular periférica. Assinale a alternativa que descreve o mecanismo de ação principal do propranolol

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

O propranolol é betabloqueador não seletivo (beta-1 e beta-2). O bloqueio beta-1 reduz frequência e contratilidade, o que diminui o débito cardíaco e controla taquiarritmias supraventriculares; também reduz a liberação de renina. O bloqueio beta-2 periférico explica o efeito no tremor essencial, no qual o propranolol é droga de primeira linha. A) Errada. Inibição da ECA é o mecanismo de captopril, enalapril e similares. B) Errada. Diurético de alça é a furosemida. C) Correta. Antagonismo não seletivo de receptores beta-adrenérgicos. D) Errada. Bloqueio de canais de cálcio é o mecanismo de anlodipino, verapamil e diltiazem. E) Errada. Agonismo alfa-2 central é o mecanismo da clonidina e da metildopa. Análise de contexto do gabarito: o enunciado nomeia o propranolol e dá pistas compatíveis (taquicardia supraventricular e tremor essencial). Betabloqueadores não são primeira linha na hipertensão sem indicação específica, mas a questão avalia apenas o mecanismo. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão, Sociedade Brasileira de Nefrologia. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 | Zesiewicz TA et al. Evidence-based guideline update: treatment of essential tremor. Neurology, 2011 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 18)

Questão 19 · IAMSPE 2026

Um paciente é trazido ao serviço de emergência com depressão respiratória, miose puntiforme e rebaixamento do nível de consciência. A suspeita clínica é de intoxicação exógena por analgésicos narcóticos. Um fármaco é administrado por via endovenosa, resultando em melhora rápida e significativa do padrão respiratório e do estado de alerta do paciente. Indique o mecanismo de ação do fármaco de primeira escolha para reverter este quadro:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Miose puntiforme, depressão respiratória e rebaixamento de consciência formam a síndrome opioide. O antídoto de escolha é a naloxona, antagonista competitivo dos receptores opioides (sobretudo mu), que desloca o agonista e reverte a depressão respiratória em minutos. Como sua meia-vida é curta, o paciente deve ser observado pelo risco de recorrência. A) Errada. Bloqueio de recaptação de serotonina e noradrenalina é o mecanismo de antidepressivos. B) Errada. Antagonismo do receptor benzodiazepínico é o mecanismo do flumazenil. C) Errada. Inibição da acetilcolinesterase causaria quadro colinérgico, não reversão opioide. D) Correta. Naloxona compete com o opioide e o desloca do receptor. E) Errada. Agonistas adrenérgicos não revertem a intoxicação por opioides. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são a tríade clínica e a resposta rápida ao fármaco EV. Intoxicação por benzodiazepínico isolada costuma ter depressão respiratória menos intensa e sem miose puntiforme. Fontes: Lavonas EJ et al. 2023 American Heart Association Focused Update on the Management of Patients With Cardiac Arrest or Life-Threatening Toxicity Due to Poisoning. Circulation, 2023 | Nelson LS et al. Goldfrank's Toxicologic Emergencies, 11ª ed., 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 19)

Questão 20 · IAMSPE 2026

Um paciente apresenta-se ao ambulatório com relato de estar recebendo mensagens codificadas através da televisão e do rádio, que o orientam sobre conspirações contra sua vida. Refere que essas mensagens são exclusivamente direcionadas a ele, sendo capaz de descodificá-las apenas através de sua inteligência especial. O paciente mantém crítica à natureza da vivência, reconhecendo que outras pessoas não conseguem captar tais mensagens. Identifique o fenômeno psicopatológico que melhor caracteriza essa clínica:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

O dado que define a resposta é a crítica preservada: o paciente reconhece que a vivência é anormal e que outras pessoas não a percebem. Na alucinose (e na pseudoalucinação, no sentido usado pela banca), o fenômeno é vivido como estranho ao eu, com juízo crítico. Já o delírio e a alucinação verdadeira cursam com convicção plena e ausência de crítica. A) Errada. Prosopagnosia é agnosia para faces, sem relação com o quadro. B) Errada. Delírio sistematizado exige ausência de crítica, e o paciente a mantém. C) Correta. Vivência sensoperceptiva anormal com crítica adequada. D) Errada. Não há lacuna de memória. E) Errada. Exige ausência completa de crítica, contrária ao enunciado. Análise de contexto do gabarito: o conteúdo de autorreferência e perseguição sugere delírio, mas a frase "mantém crítica à natureza da vivência" é o dado que torna improváveis delírio e alucinação verdadeira e favorece a C. Fontes: Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3ª ed., Artmed, 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 91)

Questão 21 · IAMSPE 2026

Uma mulher de 42 anos, em surto agudo de esquizofrenia, relata transformação profunda de sua vivência temporal. Descreve que o tempo parece encolhido, não passa normalmente, e que experimenta fragmentação completa do fluxo temporal junto com vivências de estranhamento radical do tempo passado e futuro. Refere ainda perda de controle sobre sua percepção temporal, como se alguém externo controlasse o passar do tempo. Analise o mecanismo fisiopatológico subjacente a essa alteração da vivência temporal.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Na esquizofrenia, a alteração da vivência do tempo é qualitativa: há ruptura do caráter pré-reflexivo (automático e natural) do fluxo temporal, com fragmentação e estranhamento do passado e do futuro, frequentemente integrada a vivências de influência externa. Nos transtornos de humor a mudança é quantitativa: o tempo parece lento na depressão e rápido na mania. A) Errada. Na depressão o tempo se alonga e se arrasta, sem fragmentação nem controle externo. B) Correta. Desarticulação do tempo vivido pré-reflexivo, com fragmentação e relação com delírios. C) Errada. No TOC não há fragmentação da vivência temporal. D) Errada. Aceleração subjetiva é típica da mania, não de surto esquizofrênico. E) Errada. Cenestesia não é o mecanismo central do quadro descrito. Análise de contexto do gabarito: o surto agudo de esquizofrenia, a "fragmentação completa do fluxo temporal" e a sensação de controle externo definem a alteração qualitativa da alternativa B. Fontes: Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3ª ed., Artmed, 2019 | Fuchs T. Temporality and psychopathology. Phenomenology and the Cognitive Sciences, 2013 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 92)

Questão 22 · IAMSPE 2026

Um paciente com diagnóstico estabelecido de fobia específica apresenta medo intenso desencadeado pela exposição a seringas ou agulhas. Reconhece plenamente o caráter irracional e desproporcional de seu medo, porém apresenta comportamento de evitação persistente. Identifique a característica fundamental que diferencia esta fobia específica de outras manifestações psicopatológicas de medo:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Fobia específica é medo intenso, persistente e desproporcional ao perigo real, circunscrito a um objeto ou situação (aqui, sangue-injeção-ferimento), com evitação ativa e prejuízo. O reconhecimento da irracionalidade é comum no adulto, embora o DSM-5-TR não o exija mais como critério. A) Correta. Medo desproporcional e persistente, com crítica e evitação estruturada. B) Errada. Medo racional e proporcional à ameaça não é fobia. C) Errada. Ansiedade difusa e não circunscrita descreve o transtorno de ansiedade generalizada. D) Errada. Crises sem gatilho definido descrevem o transtorno de pânico, sem amnésia. E) Errada. Medo de avaliação negativa por terceiros é ansiedade social. Análise de contexto do gabarito: o estímulo único e definido (agulhas), a crítica preservada e a evitação são os dados que levam à alternativa A. Fontes: American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, texto revisado, 2022 | Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3ª ed., Artmed, 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 93)

Questão 23 · IAMSPE 2026

Um homem de 35 anos, diagnosticado com transtorno dissociativo de identidade, apresenta dois estados distintos de personalidade que controlam alternadamente sua consciência e comportamento. Refere amnésia durante transições entre os estados. Analise o mecanismo psicopatológico central que caracteriza este transtorno:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

O transtorno dissociativo de identidade tem como núcleo a ruptura da identidade: dois ou mais estados de personalidade distintos, com descontinuidade do senso de si e da agência. Esses estados assumem alternadamente o controle do comportamento, com lacunas amnésicas recorrentes. A) Errada. Evento único autolimitado sem ruptura de identidade não descreve o transtorno. B) Correta. Dois ou mais estados de personalidade, alternância de controle e descontinuidade do self. C) Errada. Descreve amnésia dissociativa, com identidade preservada. D) Errada. Descreve reação dissociativa aguda ao estresse, transitória. E) Errada. Descreve despersonalização, em que a identidade se mantém contínua. Análise de contexto do gabarito: o enunciado já traz os dois estados de personalidade que controlam a consciência e a amnésia entre eles, que correspondem aos critérios do DSM-5-TR. Fontes: American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, texto revisado, 2022 | Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3ª ed., Artmed, 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 94)

Questão 24 · IAMSPE 2026

Um paciente com esquizofrenia em fase crônica apresenta progressivo isolamento social, ausência de iniciativa para realizar atividades, incapacidade de sentir prazer em atividades que antes o gratificavam e fala cada vez mais reduzida e monótona.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Isolamento progressivo, falta de iniciativa, perda de prazer e fala reduzida e monótona compõem os sintomas negativos da esquizofrenia: avolição/abulia, anedonia, alogia e embotamento afetivo, com retração social. São típicos da fase crônica ou residual e relacionam-se ao pior prognóstico funcional. A) Correta. Reúne os sintomas negativos descritos. B) Errada. Há anedonia e alogia; não é apatia isolada. C) Errada. O enunciado não descreve alucinações; o quadro é de déficit, não de sintomas positivos. D) Errada. A fala está reduzida, o que contradiz "sem prejuízo da fluência". E) Errada. Há comprometimento volitivo (abulia) e da linguagem (alogia), não só afetivo. Análise de contexto do gabarito: cada achado do enunciado corresponde a um sintoma negativo nomeado em A: ausência de iniciativa (abulia), incapacidade de sentir prazer (anedonia), fala reduzida (alogia) e monotonia (embotamento). Fontes: American Psychiatric Association. DSM-5-TR: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, texto revisado, 2022 | Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3ª ed., Artmed, 2019 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 95)

Questão 25 · IAMSPE 2026

Paciente de 58 anos, hipertenso há 15 anos em uso irregular de enalapril, comparece ao pronto-socorro referindo cefaleia intensa de início há 2 horas. À admissão, apresenta PA de 210/130 mmHg em ambos os membros superiores, confirmada após três aferições. Ao exame físico, encontra-se consciente, orientado, sem déficits neurológicos focais, ausculta cardiopulmonar sem alterações e sem sinais de edema periférico. Eletrocardiograma mostra ritmo sinusal sem alterações isquêmicas e radiografia de tórax com área cardíaca normal. Estabeleça o diagnóstico e o tratamento inicial adequado para esse caso.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

PA de 210/130 mmHg com cefaleia, mas sem déficit neurológico, isquemia no ECG ou congestão: não há lesão aguda de órgão-alvo, o que caracteriza urgência hipertensiva na nomenclatura usada pela banca. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 passou a chamar esse quadro de "elevação importante da PA sem lesão progressiva de órgãos-alvo", com a mesma conduta: observação em ambiente calmo e, sem melhora, anti-hipertensivo oral (captopril ou clonidina), com redução gradual e reavaliação ambulatorial em 1 a 7 dias. A) Errada. Nitroprussiato em UTI é reservado à emergência hipertensiva. B) Correta. Sem lesão aguda de órgão-alvo, usa-se captopril oral, com pico de ação em cerca de 60 a 90 minutos. C) Errada. Não é emergência, e nifedipino de liberação rápida é contraindicado pelo risco de hipotensão abrupta e isquemia. D) Errada. Furosemida IV não é primeira escolha e piora a hipovolemia relativa. E) Errada. O quadro não é emergência. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são o exame neurológico normal, o ECG sem isquemia e a radiografia sem congestão, ou seja, ausência de lesão aguda de órgão-alvo. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia, SBH, SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol, 2025 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 96)

Questão 26 · IAMSPE 2026

Homem de 62 anos com história de diabetes mellitus e dislipidemia é atendido na emergência com queixa de dor torácica em aperto retroesternal com irradiação para membro superior esquerdo, iniciada há 40 minutos durante atividade física leve. O eletrocardiograma realizado 8 minutos após admissão evidencia elevação do segmento ST de 3 mm em V2 e V3, e de 1,5 mm em V4, V5 e V6. Identifique a classificação do quadro e a localização da parede cardíaca acometida:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Supradesnivelamento de ST de 3 mm em V2–V3 e de 1,5 mm em V4–V6, em contexto de dor típica, preenche critério de IAM com supra de ST. A extensão por septo (V1–V2), parede anterior (V3–V4) e lateral baixa (V5–V6) define IAMCSST de parede anterior extensa, em geral por oclusão proximal da artéria descendente anterior. A) Errada. Lateral isolada envolveria DI, aVL e/ou V5–V6, sem o supra marcado em V2–V4. B) Errada. Há supra de ST, portanto não é SCA sem supra. C) Correta. Supra de V2 a V6: parede anterior extensa. D) Errada. Há supra, e parede inferior corresponderia a DII, DIII e aVF. E) Errada. Não há derivações inferiores acometidas. Análise de contexto do gabarito: a distribuição do supra pelas precordiais de V2 a V6 é o dado que define a parede; o ECG em menos de 10 minutos da admissão segue a meta das diretrizes. Fontes: Byrne RA et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J, 2023 | Thygesen K et al. Fourth Universal Definition of Myocardial Infarction. Circulation, 2018 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 97)

Questão 27 · IAMSPE 2026

Paciente de 54 anos, tabagista, é admitida no pronto-socorro com queixa de dor torácica em aperto iniciada há 1 hora, durante caminhada leve. Relata história de hipertensão arterial e dislipidemia em tratamento irregular. É realizado eletrocardiograma que evidencia depressão do segmento ST em derivações precordiais e dosagem de troponina convencional na admissão com resultado de 0,8 ng/mL (limite superior: 0,04 ng/mL). Nova dosagem de troponina 3 horas após apresenta valor de 1,5 ng/mL. Determine a classificação diagnóstica e a interpretação da variação dos biomarcadores neste caso

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Dor anginosa em repouso relativo, infradesnivelamento de ST e troponina acima do percentil 99 com curva ascendente (0,8 para 1,5 ng/mL, aumento de cerca de 87%) caracterizam SCA sem supra de ST com lesão miocárdica aguda, ou seja, IAM sem supra. Para troponina convencional, variação acima de 20% entre dosagens seriadas, com valor acima do limite superior, define curva positiva. A) Errada. A variação de 87,5% torna a curva positiva, não negativa. B) Errada. Angina instável tem troponina normal; curva positiva não é compatível com esse diagnóstico. C) Errada. O ECG mostra infradesnivelamento, não supra. D) Correta. SCA sem supra com curva positiva (variação > 20%). E) Errada. Dor recente em esforço leve com troponina elevada não é angina estável. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são o ECG com infra de ST e os dois valores de troponina acima do limite com variação maior que 20%. Fontes: Nicolau JC et al. Diretrizes da SBC sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021. Arq Bras Cardiol, 2021 | Byrne RA et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J, 2023 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 98)

Questão 28 · IAMSPE 2026

Homem de 67 anos é levado ao serviço de emergência com quadro de dispneia súbita e dor torácica pleurítica iniciadas há 2 horas. Apresenta história de neoplasia de próstata em tratamento quimioterápico. Ao exame físico: FR=28 irpm, FC=110 bpm, PA=100/60 mmHg, SatO2=91% em ar ambiente, sem edema ou sinais flogísticos em membros inferiores. É realizado eletrocardiograma que evidencia onda S em D1, onda Q em D3 e inversão de onda T em D3. Identifique o achado eletrocardiográfico encontrado e sua relação com a fisiopatologia do quadro clínico.

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

S em DI, Q em DIII e T invertida em DIII formam o padrão S1Q3T3 (McGinn-White), sinal de sobrecarga aguda do ventrículo direito. No TEP ele aparece em minoria dos casos (cerca de 10 a 15%), com baixa sensibilidade: favorece o diagnóstico em contexto clínico compatível, mas não confirma nem descarta. O achado eletrocardiográfico mais comum no TEP é a taquicardia sinusal. Neoplasia em quimioterapia, dispneia súbita, dor pleurítica e hipoxemia aumentam a probabilidade pré-teste. A) Correta. Frequência baixa e significado de sobrecarga de câmaras direitas. B) Errada. Frequência superestimada, e o achado não é específico de TEP maciço. C) Errada. BRD não é patognomônico de TEP. D) Errada. Westermark é sinal radiográfico (oligoemia), não eletrocardiográfico. E) Errada. McConnell é sinal ecocardiográfico de disfunção aguda do VD, não crônica. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve o padrão S1Q3T3 em paciente de alto risco; a resposta depende de reconhecer o padrão e sua baixa frequência. Fontes: Konstantinides SV et al. 2019 ESC Guidelines for the diagnosis and management of acute pulmonary embolism. Eur Heart J, 2020 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 99)

Questão 29 · IAMSPE 2026

Médica plantonista atende dois pacientes diabéticos com descompensação metabólica na mesma madrugada. O primeiro apresenta glicemia de 450 mg/dL, pH 7,15, cetonemia acentuada e padrão respiratório de Kussmaul. O segundo paciente exibe glicemia de 1100 mg/dL, pH 7,32, ausência de cetoacidose, rebaixamento do nível de consciência e desidratação grave. Estabeleça as principais características que diferenciam o estado hiperglicêmico hiperosmolar da cetoacidose diabética:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: E

O estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH) cursa com glicemia muito elevada (≥ 600 mg/dL, podendo passar de 1.000), osmolaridade alta, pH ≥ 7,30, cetonemia ausente ou leve, desidratação intensa e alteração neurológica frequente, com instalação em dias. A cetoacidose diabética tem glicemia menor, acidose metabólica com respiração de Kussmaul e instalação em horas. Pelo consenso ADA/EASD 2024, a CAD exige glicemia ≥ 200 mg/dL (ou diabetes prévio), cetonemia ≥ 3,0 mmol/L e pH < 7,3 ou bicarbonato < 18. A) Errada. Descreve a cetoacidose. B) Errada. O EHH tem glicemia alta, sinais neurológicos e desidratação grave. C) Errada. A hiperglicemia no EHH é intensa, e a evolução é em dias. D) Errada. Não há cetoacidose moderada, e a consciência costuma estar alterada. E) Correta. Reúne as características do EHH. Análise de contexto do gabarito: o segundo paciente (glicemia de 1.100 mg/dL, pH 7,32, sem cetoacidose, rebaixamento de consciência e desidratação grave) é o modelo descrito na alternativa E. Fontes: Umpierrez GE et al. Hyperglycemic Crises in Adults With Diabetes: A Consensus Report. Diabetes Care, 2024 (Questão oficial: IAMSPE 2026, nº 100)

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