Questões de Preventiva: ENAMED 2025
Esta área reúne 17 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Vigilância e notificação (6), Rastreamento e níveis de prevenção (3), Atenção primária e ESF (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Preventiva | 17 |
- Vigilância e notificação6
- Rastreamento e níveis de prevenção3
- Atenção primária e ESF2
- Ética médica e documentos2
- Bioestatística e estudos1
- Imunização (PNI)1
- Saúde do trabalhador1
- Testes diagnósticos1
Todas as questões da área
Questão 1 · ENAMED 2025
Mulher travesti de 28 anos, profissional do sexo, assintomática, relata relações sexuais frequentes com uso inconsistente de preservativos, principalmente anais receptivas. Há 2 dias, teve relação desprotegida com cliente. Nunca usou PrEP ou PEP. Busca prevenção ao HIV. Qual é a melhor estratégia de prevenção ao HIV para essa paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
A exposição sexual desprotegida ocorreu há 2 dias, dentro da janela de 72 horas para PEP. Com teste rápido não reagente para HIV, inicia-se PEP por 28 dias. Como a exposição é contínua (profissional do sexo, sexo anal receptivo, uso inconsistente de preservativo), há indicação de PrEP, que o PCDT de PEP de 2024 recomenda iniciar imediatamente após o término da PEP. Testagem para sífilis e outras ISTs faz parte do atendimento. A) Errada. A sequência está invertida: a exposição recente exige PEP primeiro. B) Errada. PrEP não protege contra uma exposição ocorrida há 2 dias. C) Correta. Testagem rápida, PEP com HIV não reagente e transição programada para PrEP ao fim da PEP. D) Errada. PEP e PrEP não são prescritas juntas; a PEP já contém esquema antirretroviral completo. Análise de contexto do gabarito: a exposição há 2 dias é o dado que define PEP agora. O padrão de risco contínuo justifica a PrEP na sequência, sem intervalo. Fontes: Ministério da Saúde. PCDT para Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP) à Infecção pelo HIV, ISTs e Hepatites Virais, 2024 | Ministério da Saúde. PCDT para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV, 2022 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 20)
Questão 2 · ENAMED 2025
Notícia sobre internações sem consentimento na Cracolândia e leis municipais que contradizem a legislação federal. Sobre a internação involuntária no Brasil, é correto afirmar que:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Pela Lei nº 10.216/2001, a internação psiquiátrica involuntária ocorre sem consentimento do paciente, a pedido de terceiro, e é autorizada por médico registrado no CRM do estado. Deve ser comunicada ao Ministério Público Estadual em até 72 horas, e o término ocorre por solicitação escrita do familiar ou responsável legal ou por decisão do especialista responsável. A internação compulsória é a determinada pela Justiça. Para dependentes de drogas, a Lei nº 13.840/2019 manteve a autorização médica e a comunicação ao MP em 72 horas. A) Errada. Determinação judicial define a internação compulsória, não a involuntária. B) Correta. A internação involuntária é autorizada por médico registrado no CRM. C) Errada. O prazo é de 72 horas, ao Ministério Público Estadual. D) Errada. O término ocorre por solicitação da família ou responsável legal ou por decisão do médico. Análise de contexto do gabarito: a pergunta separa os três tipos de internação da lei. Saber quem autoriza cada uma resolve a questão. Fontes: Brasil. Lei nº 10.216/2001 | Brasil. Lei nº 13.840/2019 | CFM. Resolução nº 2.057/2013 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 28)
Questão 3 · ENAMED 2025
Homem de 48 anos, em uso de substâncias psicoativas, interrompeu o tratamento para tuberculose há 2 meses, após 4 meses de esquema. Mudou-se há 15 dias e procura a UBS para reiniciar tratamento. Foram solicitados TRM-TB, baciloscopia e radiografia de tórax. Qual a conduta adequada para reiniciar o tratamento de tuberculose após abandono?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
No reingresso após abandono, o Ministério da Saúde orienta solicitar baciloscopia, TRM-TB e cultura com teste de sensibilidade. Em retratamento, o TRM-TB detecta DNA também de bacilos não viáveis; seu papel principal é rastrear resistência à rifampicina, e a atividade da doença é confirmada por baciloscopia e cultura. Com baciloscopia positiva e TRM-TB não detectável, o caso é tratado como TB provável: reinicia-se o esquema básico e aguarda-se cultura com TS, que também investiga micobactéria não tuberculosa. A) Errada. TRM-TB detectável com baciloscopia negativa no retratamento não confirma doença ativa; depende da cultura. B) Errada. Resistência à rifampicina não permite esquema básico, e TRM-TB negativo não informa resistência. C) Correta. Baciloscopia positiva com TRM-TB negativo: cultura com TS e reinício do esquema básico. D) Errada. Resistência à rifampicina exige encaminhamento à referência terciária e esquema especial. Análise de contexto do gabarito: abandono após 4 meses caracteriza retratamento, e o uso de substâncias reforça a necessidade de cultura com TS. Isso explica por que o TRM-TB não é usado isoladamente. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª edição atualizada, 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 33)
Questão 4 · ENAMED 2025
Instituição de saúde pesquisa um novo teste de triagem para hanseníase com sensibilidade de 92% e especificidade de 65%, aplicado em população de baixa prevalência da doença. Qual afirmação é correta sobre o teste de triagem para hanseníase?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Sensibilidade de 92% gera poucos falsos-negativos, mas especificidade de 65% faz 35% dos não doentes terem resultado positivo. Em população de baixa prevalência, os não doentes são a grande maioria, então os falsos-positivos superam os verdadeiros-positivos e o valor preditivo positivo é baixo. Testes sensíveis servem para triagem; a confirmação exige teste de alta especificidade. A) Errada. A proporção de positivos verdadeiros (VPP) depende da especificidade e da prevalência, e aqui é baixa. B) Correta. Baixa especificidade e baixa prevalência produzem muitos falsos-positivos. C) Errada. Com sensibilidade de 92%, os falsos-negativos são poucos. D) Errada. Alta sensibilidade favorece triagem, não confirmação diagnóstica. Análise de contexto do gabarito: os três números do enunciado (sensibilidade, especificidade e prevalência baixa) bastam para prever o comportamento do teste. A especificidade de 65% é o dado decisivo. Fontes: Fletcher GS. Clinical Epidemiology: The Essentials, 6ª edição, 2020 | Medronho RA et al. Epidemiologia, 2ª edição, 2009 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 34)
Questão 5 · ENAMED 2025
Homem de 27 anos, detento em regime fechado, apresenta tosse há duas semanas. Considerando sua condição de vulnerabilidade, o médico de família e comunidade deve definir a conduta diagnóstica e terapêutica adequada para tuberculose nesse contexto. Qual a conduta mais adequada para investigação e tratamento da tuberculose em paciente privado de liberdade com tosse há 2 semanas?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Pessoas privadas de liberdade têm risco de tuberculose muito maior que a população geral. Nessa população, o Ministério da Saúde define sintomático respiratório como tosse de qualquer duração, com investigação imediata: TRM-TB como primeira escolha (ou baciloscopia, se indisponível), cultura com teste de sensibilidade e radiografia de tórax sempre que disponível. Confirmado o diagnóstico, o tratamento é feito na própria unidade prisional, de preferência com tratamento diretamente observado. A) Errada. Não há indicação de internação para investigar tuberculose em paciente estável. B) Correta. Radiografia de tórax e pesquisa de M. tuberculosis, com tratamento garantido se positivo. C) Errada. Internação social não é a estratégia; o tratamento supervisionado é feito na unidade. D) Errada. O corte de 3 semanas de tosse vale para a população geral, não para pessoas privadas de liberdade. Análise de contexto do gabarito: a condição de detento em regime fechado é o dado que dispensa esperar 3 semanas de tosse. Duas semanas de tosse já exigem investigação. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª edição atualizada, 2019 | Ministério da Saúde. Tuberculose em pessoas privadas de liberdade (folder), 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 45)
Questão 6 · ENAMED 2025
Observe o encaminhamento realizado por um médico de família. À cardiologia, Encaminho o Sr. J. L. S., de 56 anos, com diagnóstico de cardiopatia isquêmica, que sofreu um infarto agudo do miocárdio há 3 meses. Tem orientação para o uso de antiagregantes plaquetários, mas tem história de úlcera péptica e teve reação alérgica ao clopidogrel e à ticlopidina. Desta forma, solicito orientação quanto à conduta preventiva. Ao ser assistido pelo cardiologista, o paciente será atendido em qual nível de atenção e receberá que tipo de prevenção, respectivamente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O cardiologista que recebe o paciente por encaminhamento da atenção primária atua no nível secundário. O objetivo é evitar novo evento coronariano em doença já estabelecida (IAM há 3 meses) por meio de terapia antitrombótica, o que, na classificação usada pela banca, corresponde a prevenção secundária. A) Errada. Primário é o nível da UBS/médico de família, que fez o encaminhamento, não o cardiologista. B) Correta. Especialista ambulatorial = nível secundário; controle de doença coronariana estabelecida para evitar recorrência = prevenção secundária. C) Errada. Nível terciário corresponde a serviços hospitalares de alta complexidade; o caso é consulta ambulatorial especializada. D) Errada. Prevenção quaternária não é nível de atenção; ela trata de evitar iatrogenia e sobremedicalização. Análise de contexto do gabarito: o enunciado define a resposta pelo tipo de serviço (consulta especializada referenciada) e pela pergunta sobre "conduta preventiva" antitrombótica após IAM, que na cardiologia é chamada de prevenção secundária. Alguns autores classificariam a reabilitação pós-IAM como prevenção terciária; a banca adotou o conceito de prevenção de recorrência. Fontes: Leavell HR, Clark EG. Medicina Preventiva, 1976 | Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.436/2017, Política Nacional de Atenção Básica, 2017 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 6)
Questão 7 · ENAMED 2025
Idoso de 80 anos, acamado, restrito ao lar e dependente para atividades diárias, não recebeu vacinas do calendário nacional. A filha, cuidadora principal, recusa vacinação por medo de efeitos colaterais e por considerar o pai frágil. A médica de família deve avaliar a situação e propor conduta adequada. Quais vacinas são indicadas para o idoso e como abordar a recusa vacinal?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Para idoso acamado, o calendário do SUS indica pneumocócica 23-valente (1 dose, com um reforço após 5 anos), dT a cada 10 anos, hepatite B (3 doses), influenza anual e covid-19 (no calendário 2025, idosos com 60 anos ou mais recebem dose a cada 6 meses). A recusa do familiar deve ser abordada com diálogo, escuta das preocupações e envolvimento da rede familiar, mantendo o vínculo. A) Correta. Esquema mais adequado ao PNI e abordagem dialogada com a família. B) Errada. Omite a pneumocócica, inclui herpes-zóster (não disponível no SUS) e propõe denúncia como primeira medida. C) Errada. A pneumocócica 10-valente é do calendário infantil, e termo de responsabilidade não resolve a hesitação. D) Errada. 10-valente e herpes-zóster não fazem parte do calendário do idoso no SUS. Análise de contexto do gabarito: o idoso acamado e restrito ao domicílio é grupo com indicação de VPP23, e a pergunta inclui a abordagem da recusa, que na APS é feita por diálogo e nova visita, não por coerção. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação: idoso, 2025 | Brasil. Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 55)
Questão 8 · ENAMED 2025
O vírus chikungunya é transmitido pelo Aedes sp. e causou epidemias com desfechos graves. O controle do vetor envolve o manejo integrado de vetores (MIV), um processo cíclico executado pela vigilância do território. Quais ações fazem parte do manejo integrado de vetores no controle do Aedes sp.?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
O manejo integrado de vetores é um processo cíclico de tomada de decisão: análise situacional com dados epidemiológicos e entomológicos, desenho das operações, planejamento, implementação, monitoramento e avaliação. Ele integra métodos de controle e intersetorialidade, com uso racional de inseticidas, e não se resume a ações isoladas. A) Errada. Índice larvário e indicadores entomológicos são componentes de vigilância, mas a alternativa não descreve o ciclo de planejamento. B) Errada. Uso intensivo de inseticidas contraria o princípio do MIV de uso racional, por risco de resistência. C) Errada. Descreve ações de vigilância epidemiológica de casos, não manejo de vetores. D) Correta. Corresponde às etapas cíclicas do MIV. Análise de contexto do gabarito: o próprio enunciado define o MIV como "processo cíclico executado pela vigilância do território", o que corresponde às etapas de análise, planejamento, execução e avaliação da alternativa D. Fontes: World Health Organization. Global Vector Control Response 2017–2030, 2017 | Organização Pan-Americana da Saúde. Documento técnico para a implementação de intervenções baseado em cenários operacionais genéricos para o controle do Aedes aegypti, 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 56)
Questão 9 · ENAMED 2025
Paciente hipertenso há 30 anos, com AVE há 5 anos, apresentou síndrome gripal há 10 dias e agravamento respiratório há 1 dia, com dispneia e cianose, evoluindo a óbito. Acompanhado regularmente pela médica de família. Quem deve preencher a declaração de óbito e como deve ser preenchida?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Paciente com doenças conhecidas, em acompanhamento regular, que evolui a óbito por causa natural tem a declaração de óbito preenchida pelo médico assistente, aqui a médica de família. Na Parte I, a cadeia vai da causa imediata (linha a) à causa básica (última linha), com intervalos crescentes; na Parte II entram as condições que contribuíram sem fazer parte da cadeia. A) Errada. IML é para morte violenta ou suspeita; além disso, HAS não é causa básica da síndrome gripal. B) Correta. Médica assistente; cadeia insuficiência respiratória, pneumonia, síndrome gripal; AVE e HAS como contribuintes. C) Errada. A ordem da Parte I está invertida, e o SAMU não é o responsável quando há médico assistente. D) Errada. SVO é para morte natural sem assistência ou de causa indeterminada; AVE e HAS não causam a síndrome gripal. Análise de contexto do gabarito: acompanhamento regular e causa natural definem quem preenche; a sequência temporal (10 dias e 1 dia) define a cadeia. A banca não descreve pneumonia de forma explícita; o diagnóstico é inferido pelo agravamento respiratório com dispneia e cianose. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Declaração de Óbito: manual de instruções para preenchimento, 2022 | Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 1.779/2005 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 62)
Questão 10 · ENAMED 2025
Equipe de saúde da família observa aumento de complicações do diabetes tipo 2 em 280 pacientes de 3500 cadastrados, com amputações, retinopatia e doença renal. Identificam dieta inadequada, sedentarismo e baixo conhecimento. Planejam intervenção coletiva com orientação nutricional e atividade física. Qual é o desenho de pesquisa para avaliação do impacto desse projeto de intervenção coletiva?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Uma intervenção coletiva aplicada pela equipe à população cadastrada, sem sorteio dos participantes, e cujo impacto será medido comparando desfechos antes e depois (ou com grupo não aleatorizado) é um estudo de intervenção não randomizado (quase-experimental). O investigador controla a exposição, o que o diferencia dos estudos observacionais. A) Errada. Caso-controle aninhado é observacional, parte do desfecho e não testa intervenção aplicada pelo pesquisador. B) Correta. Há intervenção planejada pelo pesquisador, sem randomização. C) Errada. Coorte retrospectiva é observacional e não aplica intervenção. D) Errada. O enunciado não descreve alocação aleatória, e intervenções coletivas em território raramente são randomizadas individualmente. Análise de contexto do gabarito: o dado decisivo é que a equipe aplica a intervenção (estudo experimental) e não há menção a sorteio dos grupos, o que define o desenho não randomizado. Fontes: Fletcher GS. Epidemiologia Clínica: elementos essenciais, 6ª ed., 2021 | Medronho RA et al. Epidemiologia, 2ª ed., 2009 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 63)
Questão 11 · ENAMED 2025
Homem de 52 anos, branco, solteiro, sem acompanhamento desde os 35 anos. História familiar de diabetes, hipertensão e mãe com câncer de pulmão. Tabagista 2 maços/dia por 21 anos. PA 120x80 mmHg, IMC 23 kg/m². Sem outras alterações. Considerando as recomendações de rastreamento para esse paciente, o médico de família e comunidade deve:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Homem de 52 anos assintomático deve receber, na APS, rastreamento de dislipidemia, de diabetes e de câncer colorretal (pesquisa de sangue oculto nas fezes entre 50 e 75 anos), oferta de testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, e abordagem ativa da cessação do tabagismo. PSA e radiografia de tórax não são rastreamentos recomendados pelo Ministério da Saúde. A) Errada. Inclui PSA, toque retal, radiografia de tórax, hemograma e creatinina sem indicação de rastreamento. B) Errada. Inclui PSA e toque retal, não recomendados como rastreamento populacional pelo Ministério da Saúde. C) Errada. Adiar exames ignora rastreamentos já indicados para a idade. D) Correta. Corresponde ao rastreamento indicado e à abordagem do tabagismo. Análise de contexto do gabarito: idade de 52 anos e carga tabágica de 42 maços-ano são os dados centrais. A tomografia de baixa dose para câncer de pulmão é recomendada por diretrizes internacionais para esse perfil, mas não consta no rastreamento do SUS nem nas alternativas. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 29: Rastreamento, 2010 | US Preventive Services Task Force. Screening for Colorectal Cancer: Recommendation Statement, JAMA, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 12)
Questão 12 · ENAMED 2025
Agentes penitenciários relatam aumento de prurido intenso e lesões cutâneas entre detentos. Cela com capacidade para 35 abriga 75 pessoas. A situação sugere surto de escabiose, exigindo manejo coletivo e intersetorial. Quais são as ações prioritárias no manejo adequado de surto de escabiose em prisão superlotada?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Escabiose em ambiente fechado e superlotado se transmite rapidamente; tratar só casos isolados mantém a reinfestação. O manejo de surto institucional é coletivo: tratamento simultâneo de casos e contatos (bloqueio), notificação do surto à vigilância, reorganização de fluxos e medidas educativas e estruturais, como manejo de roupas e redução da superlotação. A) Errada. Isolamento e tratamento individual sem bloqueio coletivo não interrompem a transmissão. B) Correta. Bloqueio coletivo simultâneo, notificação e ações intersetoriais. C) Errada. Tratar só confirmados deixa contatos incubando e mantém o ciclo. D) Errada. Transferir casos graves e entregar folhetos é insuficiente. Análise de contexto do gabarito: a superlotação (75 pessoas em espaço para 35) e o aumento de casos definem um surto institucional, o que exige ação coletiva e notificação, e não conduta clínica individual. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 | Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), Portaria Interministerial nº 1/2014 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 70)
Questão 13 · ENAMED 2025
Equipe de saúde da família atende comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. Uma mulher ribeirinha evita contato visual e responde com monossílabos; um indígena Tikuna recusa atendimento sem a presença do pajé. A equipe deve adotar abordagem adequada a essas especificidades culturais. Qual a abordagem adequada que a equipe de saúde deve adotar diante das situações descritas?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
A situação exige competência cultural: a equipe precisa reconhecer e dialogar com os saberes tradicionais (inclusive o papel do pajé) para construir vínculo e adesão. As políticas de saúde indígena e das populações do campo, da floresta e das águas preveem atenção diferenciada, com articulação entre a medicina ocidental e as práticas tradicionais. Por isso, promover espaços formativos que reconheçam esses saberes é a abordagem adequada. A) Errada. Comunicação técnica e rotinas padronizadas não respondem às barreiras culturais descritas. B) Correta. Formação da equipe com reconhecimento dos saberes e práticas locais é a base da atenção diferenciada. C) Errada. Reforçar a autonomia médica impõe o modelo biomédico e desconsidera a interculturalidade. D) Errada. Uniformizar condutas para grupos com culturas distintas contraria o princípio da equidade. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve dois comportamentos ligados à cultura (comunicação reservada e exigência do pajé), não falhas técnicas. A alternativa que valoriza o diálogo intercultural é a única coerente com esses dados. Fontes: Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (Portaria nº 254/2002) | Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (Portaria nº 2.866/2011) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 77)
Questão 14 · ENAMED 2025
Homem trans de 21 anos, em processo de afirmação de gênero, procura UBS. Usa binder, busca informações sobre terapia hormonal e cuidados de saúde. Sem sofrimento psíquico intenso, sem sintomas depressivos, ansiosos ou psicóticos. Deseja orientação sobre próximos passos. Qual a conduta mais adequada na atenção básica para esse paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Identidade de gênero não é transtorno mental: a CID-11 (OMS) retirou a incongruência de gênero do capítulo de transtornos mentais. A APS é porta de entrada e coordenadora do cuidado: deve acolher, usar o nome social, manter acompanhamento longitudinal, orientar cuidados (inclusive uso seguro do binder) e articular o processo transexualizador quando desejado. Sem sofrimento psíquico, não há indicação de avaliação psiquiátrica obrigatória. A) Errada. Exigir diagnóstico psiquiátrico prévio patologiza a identidade de gênero. B) Errada. A hormonização exige avaliação clínica e laboratorial prévia e seguimento estruturado, não início imediato na primeira consulta. C) Errada. Encaminhar e transferir todo o seguimento rompe a longitudinalidade da APS; o especialista complementa, não substitui. D) Correta. Acolher, despatologizar e manter o cuidado na UBS com orientação é a conduta adequada. Análise de contexto do gabarito: o enunciado destaca ausência de sintomas depressivos, ansiosos ou psicóticos e o desejo de orientação. Esses dados tornam desnecessária a avaliação psiquiátrica e reforçam o papel da UBS no acompanhamento. Fontes: Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (Portaria nº 2.836/2011) | OMS. CID-11 (2019) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 78)
Questão 15 · ENAMED 2025
Mulher de 32 anos, trabalhadora rural, diarista no plantio de morango, apresenta tonturas, cefaleia, cansaço, náuseas e dispneia há 2 semanas, após pulverização de agrotóxicos. Colega de trabalho com sintomas semelhantes. Médica da UBS suspeita de intoxicação aguda por agrotóxicos. Qual a conduta adequada na assistência a uma paciente com suspeita de intoxicação aguda por agrotóxicos na Atenção Primária?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Intoxicação exógena (incluindo por agrotóxicos) é agravo de notificação compulsória no Sinan, e a notificação é feita na suspeita, sem exigir confirmação ou nexo causal comprovado. Na APS, o médico trata os sintomas, solicita exames, afasta a trabalhadora com atestado, notifica e aciona a Vigilância em Saúde do Trabalhador (CEREST) para apoio matricial e investigação do ambiente de trabalho, especialmente diante de um colega com sintomas semelhantes. A) Errada. O cuidado começa na APS; encaminhar e denunciar ao MPT não substitui assistência e notificação. B) Errada. A notificação não depende de nexo causal estabelecido por exames. C) Correta. Reúne assistência, notificação, afastamento e matriciamento, que é a conduta integral. D) Errada. Qualquer médico pode emitir a CAT; não é atribuição exclusiva do médico do trabalho. Análise de contexto do gabarito: a exposição recente à pulverização e o caso semelhante no colega caracterizam suspeita de intoxicação relacionada ao trabalho, o que já obriga notificação e acionamento da vigilância. Fontes: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. (2023) | Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 4/2017, Anexo 1 do Anexo V (Lista Nacional de Notificação Compulsória, atualizada em 2024) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 13)
Questão 16 · ENAMED 2025
Agente comunitária de saúde relata em reunião de equipe que em ILPI há 38 idosos em isolamento excessivo, sem vínculos familiares, sofrendo agressões por funcionários, com contenção física em demência avançada e lesões por pressão. Qual a conduta mais adequada da equipe de saúde diante da situação de violência institucional?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
O relato descreve violência institucional contra pessoas idosas: agressões, isolamento, contenção física e lesões por pressão por negligência. A suspeita de violência contra a pessoa idosa é de notificação compulsória e deve ser comunicada às autoridades (Ministério Público, conselhos do idoso, vigilância sanitária). A resposta adequada é intersetorial: notificar, articular os órgãos de controle e elaborar um plano de ação com a instituição. A) Errada. Contenção física e lesões por pressão não são esperadas na institucionalização; indicam cuidado inadequado. B) Errada. Apenas apoio clínico, respeitando a autonomia da ILPI, mantém a situação de violência. C) Correta. Notificação compulsória com ação intersetorial e plano conjunto é a conduta indicada. D) Errada. Educação permanente isolada, sem acionar outras instâncias, é omissão diante da violência. Análise de contexto do gabarito: o número de idosos afetados e a presença de agressão por funcionários caracterizam violência sistemática, o que exige notificação e envolvimento de órgãos externos. Fontes: Brasil. Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003, com redação da Lei nº 14.423/2022) | Ministério da Saúde. Portaria de Consolidação nº 4/2017, Anexo 1 do Anexo V (Lista Nacional de Notificação Compulsória, atualizada em 2024) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 84)
Questão 17 · ENAMED 2025
Homem de 23 anos, hígido, há 2 horas foi mordido por gato de rua ao resgatá-lo de árvore. Feridas cortocontusas nos dedos da mão esquerda. Animal fugiu, não observável. No ano anterior, houve confirmação de raiva em felinos na cidade. Qual a conduta adequada no atendimento imediato?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Mordedura por gato com ferimentos nos dedos (extremidade) é exposição grave. O animal fugiu e não pode ser observado, e houve raiva felina confirmada no município no ano anterior. Pelo protocolo do Ministério da Saúde, indicam-se lavagem abundante com água e sabão, vacina antirrábica em 4 doses (dias 0, 3, 7 e 14) e soro ou imunoglobulina antirrábica humana, aplicados o mais rápido possível. Avaliar também a profilaxia do tétano. A) Errada. Ferimentos por mordedura não devem ser suturados de rotina, e penicilina benzatina não é a profilaxia indicada. B) Errada. Com animal não observável e exposição grave, não se aguarda o animal: a profilaxia é imediata. C) Correta. Limpeza com água e sabão, esquema de 4 doses e imunobiológico passivo. D) Errada. Esquema incompleto e lógica de contraindicação inadequada; a vacina não tem contraindicação na pós-exposição. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a conduta são o local (mão), o animal não observável e a circulação recente de raiva em felinos. Fontes: Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 8/2022-CGZV/DEIDT/SVS/MS (atualização da profilaxia da raiva humana) | Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. (2023) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 90)