Questões de Ginecologia e obstetrícia: ENAMED 2025
Esta área reúne 16 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Contracepção (3), Intercorrências obstétricas (3), Oncologia ginecológica e rastreamento (3).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Ginecologia e obstetrícia | 16 |
- Contracepção3
- Intercorrências obstétricas3
- Oncologia ginecológica e rastreamento3
- Diabetes gestacional1
- Endocrinologia ginecológica1
- Endometriose e dor pélvica1
- ISTs e vulvovaginites1
- Parto e puerpério1
- Sangramentos da gestação1
- Síndromes hipertensivas da gestação1
Todas as questões da área
Questão 1 · ENAMED 2025
Paciente de 16 anos, fenótipo feminino, procura ambulatório por amenorreia primária, pois colegas já menstruaram. Apresenta pelos pubianos e axilares esparsos. Exames: ausência de útero à USG pélvica, FSH normal, testosterona sérica em níveis masculinos e cariótipo 46 XY. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Amenorreia primária com fenótipo feminino, cariótipo 46,XY, testosterona em níveis masculinos, ausência de útero e pelos pubianos e axilares escassos caracteriza a síndrome de insensibilidade androgênica (síndrome de Morris). Os testículos produzem testosterona e hormônio antimülleriano: o útero não se forma, e a resistência periférica ao androgênio explica o fenótipo feminino e a pilificação escassa. A) Errada. Na disgenesia gonadal 46,XY (síndrome de Swyer) a testosterona é baixa, o FSH é elevado e o útero está presente. B) Errada. Na agenesia mülleriana (Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser) o cariótipo é 46,XX, com testosterona feminina e pilificação normal. C) Errada. Obstrução do trato genital cursa com útero presente e, em geral, dor cíclica. D) Correta. Cariótipo XY, testosterona masculina e ausência de útero definem insensibilidade androgênica. Análise de contexto do gabarito: o cariótipo 46,XY com testosterona elevada é o dado que separa a insensibilidade androgênica das demais causas. A ausência de útero confirma a ação do hormônio antimülleriano testicular. Fontes: FEBRASGO. Tratado de Ginecologia, 2019 | Taylor HS, Pal L, Seli E. Speroff’s Clinical Gynecologic Endocrinology and Infertility, 9ª edição, 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 18)
Questão 2 · ENAMED 2025
Multípara, 37 semanas, obesa, com diabetes mellitus gestacional controlada com insulina NPH e regular. Parto normal, recém-nascido com 3.300 g. Conduta no puerpério imediato. Qual a conduta no puerpério imediato de uma puérpera com diabetes mellitus gestacional controlada com insulina?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
No diabetes mellitus gestacional, a resistência insulínica é mediada por hormônios placentários e cai rapidamente após a dequitação. Por isso, a insulina é suspensa no puerpério imediato, com monitorização da glicemia nas primeiras 24 a 48 horas. A reavaliação do metabolismo glicêmico é feita com TOTG 75 g a partir de 6 semanas após o parto, e o aleitamento materno é estimulado. A) Correta. No DMG, a insulina é suspensa após o parto. B) Errada. Não há indicação de hipoglicemiante oral sem diagnóstico de diabetes fora da gestação. C) Errada. Reduzir a dose (para cerca de 1/3 a 1/2) é conduta no diabetes prévio à gestação, não no DMG. D) Errada. Manter a dose do pré-natal provoca hipoglicemia, pois a resistência insulínica desaparece com a saída da placenta. Análise de contexto do gabarito: o enunciado define o quadro como diabetes gestacional, e não diabetes prévio. Esse dado decide entre suspender e reduzir a insulina. Fontes: OPAS/Ministério da Saúde/FEBRASGO/SBD. Cuidados obstétricos em diabetes mellitus gestacional no Brasil, 2021 | American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes, seção 15, 2025 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 25)
Questão 3 · ENAMED 2025
Paciente de 30 anos procura ginecologista com fadiga, dismenorreia progressiva e dispareunia de profundidade. Ao toque vaginal, útero de volume normal, retroversofletido, com dor à mobilização do colo. Qual a principal hipótese diagnóstica para o quadro apresentado?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Dismenorreia progressiva, dispareunia de profundidade e fadiga, com útero de volume normal, retrovertido e doloroso à mobilização, compõem o quadro típico de endometriose, principalmente com acometimento do fundo de saco posterior e ligamentos uterossacros. O diagnóstico é clínico e confirmado por imagem com preparo (ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal ou ressonância), sem necessidade de laparoscopia para iniciar tratamento. A) Errada. A DIP também causa dor à mobilização do colo, mas é aguda, com febre e corrimento, e não explica dismenorreia progressiva. B) Errada. Miomatose costuma aumentar o volume uterino e causar sangramento aumentado. C) Errada. Cisto hemorrágico causa dor aguda, em geral unilateral, sem padrão progressivo. D) Correta. A tríade dismenorreia progressiva, dispareunia profunda e útero retrovertido doloroso favorece endometriose. Análise de contexto do gabarito: o caráter crônico e progressivo da dor e o útero de volume normal são os dados que favorecem endometriose. A ausência de febre ou corrimento torna a DIP improvável. Fontes: Becker CM et al. ESHRE guideline: endometriosis. Human Reproduction Open, 2022 | FEBRASGO. Tratado de Ginecologia, 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 4)
Questão 4 · ENAMED 2025
Paciente G5P3C1, 35 anos, 15 semanas de gestação, hipertensa crônica em uso de enalapril, com antecedente de pré-eclâmpsia. PA 140x90 mmHg. Necessita ajuste de anti-hipertensivo e prevenção de pré-eclâmpsia. Qual é a conduta medicamentosa indicada para essa paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Gestante com hipertensão crônica e pré-eclâmpsia prévia precisa de duas medidas: trocar o IECA, contraindicado na gestação, por anti-hipertensivo seguro (metildopa, nifedipino ou betabloqueador) e fazer profilaxia de pré-eclâmpsia. A profilaxia é AAS em baixa dose, iniciado entre 12 e 16 semanas e mantido até 36 semanas, associado a suplementação de cálcio em populações de baixa ingestão, como a brasileira. Com 15 semanas, ainda está no prazo ideal. A) Errada. Captopril é IECA, contraindicado; varfarina é teratogênica e não previne pré-eclâmpsia. B) Errada. Furosemida não trata hipertensão crônica na gestação, e varfarina é contraindicada. C) Errada. Losartana (BRA) é contraindicada; enoxaparina não previne pré-eclâmpsia. D) Correta. Metildopa, AAS e carbonato de cálcio. Análise de contexto do gabarito: o uso de enalapril e o antecedente de pré-eclâmpsia são os dados que exigem troca do anti-hipertensivo e profilaxia. A idade gestacional de 15 semanas permite iniciar o AAS. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco, 2022 | FEBRASGO. Protocolo Pré-eclâmpsia nos seus diversos aspectos, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 32)
Questão 5 · ENAMED 2025
Primigesta de 29 anos, 41 semanas de gestação, pré-natal de risco habitual, assintomática, movimentação fetal presente, exame físico normal, perfil biofísico fetal normal há 1 dia. Preocupada com a duração da gravidez e deseja saber os próximos passos. Qual a conduta para gestação de 41 semanas com vitalidade fetal normal?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A partir de 41 semanas, a morbimortalidade perinatal aumenta. Em gestação de risco habitual com vitalidade normal, recomenda-se vigilância fetal 2 vezes por semana (cardiotocografia e perfil biofísico ou avaliação do líquido amniótico) e indução do parto antes de completar 42 semanas. A Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal recomenda oferecer indução a partir de 41 semanas. A) Errada. Esperar até 42 semanas sem vigilância expõe o feto a risco evitável. B) Errada. Dopplervelocimetria não tem benefício comprovado na gestação prolongada de risco habitual. C) Errada. Amnioscopia está em desuso e não orienta conduta. D) Correta. Vigilância a cada 2 a 3 dias e indução até 41 semanas e 6 dias. Análise de contexto do gabarito: a idade gestacional de 41 semanas e a vitalidade normal definem a conduta de vigilância com indução programada. Não há indicação de interrupção imediata. Fontes: Ministério da Saúde. Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, 2017 | WHO. Recommendations: induction of labour at or beyond term, 2018 | ACOG. Practice Bulletin nº 146: Management of late-term and postterm pregnancies, 2014 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 39)
Questão 6 · ENAMED 2025
Parturiente de 29 anos, sem comorbidades, em trabalho de parto por 8 horas, evoluiu para parto vaginal. Após 10 minutos do desprendimento do feto, a placenta ainda não foi expelida. Paciente estável, sem sinais de hemorragia. Diante do quadro apresentado, a conduta a ser adotada é:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
No manejo ativo do 3º período, recomendado para prevenir hemorragia pós-parto, faz-se ocitocina após o nascimento e tração controlada do cordão com contrapressão suprapúbica (manobra de Brandt-Andrews), que protege contra inversão uterina. Com 10 minutos e paciente estável não há retenção placentária, definida após 30 minutos no manejo ativo. A tração controlada é a conduta indicada. A) Errada. Conduta expectante sem intervenção contraria o manejo ativo recomendado. B) Correta. Tração controlada do cordão com estabilização uterina suprapúbica. C) Errada. Curagem ou extração manual só é indicada na retenção placentária ou hemorragia. D) Errada. Massagem uterina contínua não é recomendada como profilaxia em quem recebeu ocitocina, e uterotônico adicional não está indicado sem sangramento. Análise de contexto do gabarito: o tempo de 10 minutos, a estabilidade e a ausência de sangramento mostram dequitação dentro do esperado. A questão avalia a técnica do manejo ativo. Fontes: OPAS. Recomendações assistenciais para prevenção, diagnóstico e tratamento da hemorragia obstétrica, 2018 | WHO. Recommendations: Uterotonics for the prevention of postpartum haemorrhage, 2018 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 44)
Questão 7 · ENAMED 2025
Mulher de 30 anos, nulípara, com lúpus eritematoso sistêmico e trombose venosa prévia, apresenta ciclos menstruais prolongados (8-10 dias), sangramento intenso e cólicas. Busca orientação sobre métodos contraceptivos, considerando critérios de elegibilidade da OMS. Qual é a melhor opção de contracepção para essa paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Mulher com LES e trombose venosa prévia tem contraindicação a estrogênio: métodos combinados são categoria 4 nos critérios de elegibilidade da OMS para trombose prévia. Entre os métodos sem estrogênio, o SIU de levonorgestrel é o que também trata o sangramento uterino aumentado e a dismenorreia, que são as queixas da paciente. A) Errada. O DIU de cobre é permitido, mas tende a aumentar fluxo e cólica, o que piora o quadro atual. B) Correta. Altamente eficaz, sem estrogênio, reduz volume de sangramento e dor. C) Errada. O injetável mensal é combinado (contém estrogênio): categoria 4 com trombose prévia. D) Errada. Pílula combinada contém estrogênio: categoria 4. Análise de contexto do gabarito: a trombose prévia elimina C e D; o sangramento intenso com cólica é o que separa B de A. A banca não informou o status de anticorpos antifosfolípides, dado que muda a categoria do SIU-LNG em LES; a questão assume o cenário sem essa informação. Fontes: World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use, 5th ed., 2015 | Nguyen AT et al. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024, MMWR Recomm Rep, 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 49)
Questão 8 · ENAMED 2025
Adolescente de 15 anos busca contracepção. História de enxaqueca com aura. Antecedentes familiares: avó materna com câncer de mama, mãe hipertensa, irmã diabética. Qual o risco que contraindica o uso de contraceptivo combinado nessa paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Enxaqueca com aura é contraindicação absoluta (categoria 4 da OMS) aos contraceptivos combinados, em qualquer idade, porque o estrogênio aumenta o risco de acidente vascular cerebral isquêmico nessas mulheres. Antecedentes familiares de câncer de mama, hipertensão ou diabetes não contraindicam o método. A) Errada. História familiar de câncer de mama é categoria 1 para combinados. B) Errada. Diabetes na irmã não altera a elegibilidade; mesmo DM pessoal sem lesão de órgão-alvo é categoria 2. C) Correta. O risco de AVC é o que justifica a categoria 4 na enxaqueca com aura. D) Errada. Hipertensão da mãe não interfere; só a HAS da própria paciente seria relevante. Análise de contexto do gabarito: o único dado pessoal relevante no enunciado é a enxaqueca com aura; os demais são antecedentes familiares, que não mudam a categoria de elegibilidade. Fontes: World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use, 5th ed., 2015 | Nguyen AT et al. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024, MMWR Recomm Rep, 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 54)
Questão 9 · ENAMED 2025
Mulher de 35 anos, diabética, com laqueadura tubária, apresenta prurido genital e disúria terminal há 7 dias. Uso recente de antibiótico para abscesso dental. Exame especular: edema vulvar, hiperemia, fissura, corrimento esbranquiçado, teste das aminas negativo. Qual o tratamento para o agente etiológico mais provável?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Mulher diabética, após uso de antibiótico, com prurido, disúria terminal, edema e hiperemia vulvar, fissuras e corrimento esbranquiçado com teste das aminas negativo tem candidíase vulvovaginal como hipótese mais provável. O tratamento de primeira linha no PCDT de IST é antifúngico azólico tópico, como miconazol creme 2% por 7 noites (alternativa oral: fluconazol 150 mg dose única). A) Correta. Miconazol vaginal por 7 noites trata a candidíase. B) Errada. Cefalexina é antibacteriano e pode até favorecer a candidíase. C) Errada. Azitromicina trata clamídia; o esquema de 10 dias não existe para essa indicação. D) Errada. Metronidazol trata vaginose bacteriana e tricomoníase, que costumam ter teste das aminas positivo. Análise de contexto do gabarito: os fatores predisponentes (diabetes e antibiótico recente), o aspecto do corrimento e o teste das aminas negativo direcionam para fungo, não para bactéria ou protozoário. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2022 | Workowski KA et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021, MMWR Recomm Rep, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 61)
Questão 10 · ENAMED 2025
Mulher de 30 anos apresenta citologia oncótica com laudo de ASC-H, isto é, atipias celulares escamosas em que não se pode afastar lesão de alto grau. Nega tabagismo e antecedente conhecido de infecção sexualmente transmissível. Nesse caso, a conduta adequada deve ser a realização de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Pelas diretrizes brasileiras de rastreamento do câncer do colo do útero, a citologia com ASC-H (atipias escamosas em que não se pode afastar lesão de alto grau) deve ser encaminhada diretamente à colposcopia, em qualquer idade dentro do rastreamento. A conduta seguinte (biópsia, excisão ou seguimento) depende do achado colposcópico e histológico. A) Errada. Conização é procedimento excisional e não é feita antes de colposcopia. B) Correta. ASC-H indica colposcopia imediata. C) Errada. A cirurgia de alta frequência (EZT) pode ser indicada depois, conforme colposcopia, não como primeiro passo. D) Errada. Repetir citologia em 6 meses é conduta para ASC-US em mulheres de 25 a 29 anos, não para ASC-H. Análise de contexto do gabarito: o próprio laudo define a conduta; idade de 30 anos e ausência de fatores de risco não mudam a indicação, pois ASC-H tem risco relevante de lesão de alto grau. Fontes: Instituto Nacional de Câncer. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, 2ª ed., 2016 | Perkins RB et al. 2019 ASCCP Risk-Based Management Consensus Guidelines, J Low Genit Tract Dis, 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 68)
Questão 11 · ENAMED 2025
Paciente de 29 anos, nuligesta, com ciclos irregulares (20-65 dias, duração 4-10 dias), IMC 41,5 kg/m², aguardando cirurgia bariátrica, busca contracepção. Apresenta anovulação crônica e obesidade, fatores de risco para hiperplasia endometrial. Qual a alternativa correta para contracepção e proteção endometrial nessa paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Mulher com obesidade grave, anovulação crônica e ciclos irregulares tem risco de hiperplasia endometrial por estrogênio sem oposição progestagênica. O SIU de levonorgestrel oferece contracepção de alta eficácia, proteção endometrial e não tem estrogênio; é categoria 1 em obesidade e não depende da absorção intestinal, que pode ficar prejudicada após a bariátrica. A) Correta. Endoceptivo antes da cirurgia contracepciona e protege o endométrio. B) Errada. Métodos só de progestagênio são seguros na obesidade; a restrição é relativa aos combinados. C) Errada. Anovulação não equivale a infertilidade, e preservativo isolado não protege o endométrio. D) Errada. Adesivo é combinado, com maior risco trombótico e possível menor eficácia na obesidade. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede contracepção e proteção endometrial ao mesmo tempo, e cita a bariátrica, após a qual se recomenda evitar gestação por 12 a 18 meses; o SIU-LNG cobre todos esses pontos. Fontes: World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use, 5th ed., 2015 | Nguyen AT et al. U.S. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use, 2024, MMWR Recomm Rep, 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 75)
Questão 12 · ENAMED 2025
Paciente G3P1A1, 24 semanas de gestação. Primeira gestação: abortamento com 16 semanas. Segunda: parto vaginal rápido com 28 semanas. Ultrassonografia transvaginal com 23 semanas mostra colo uterino com 1,5 cm. Qual é a conduta adequada à situação?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Gestante com antecedente de perda gestacional no segundo trimestre (16 semanas) e parto prematuro espontâneo (28 semanas) apresenta colo de 15 mm na ultrassonografia transvaginal de 23 semanas, assintomática. Colo curto (≤ 25 mm) no segundo trimestre tem indicação de progesterona vaginal (micronizada 200 mg/dia, à noite) até 36 semanas, para reduzir o risco de parto prematuro. Em pacientes com prematuridade prévia, a cerclagem também pode ser discutida antes de 24 semanas, mas não está entre as opções. A) Errada. O rastreio de estreptococo do grupo B é feito entre 35 e 37 semanas e não previne prematuridade. B) Errada. Atosiban é tocolítico para trabalho de parto prematuro agudo, por tempo curto. C) Errada. Nifedipina também é tocolítico de curta duração; não se usa como prevenção até 39 semanas. D) Correta. Progesterona vaginal é a profilaxia indicada no colo curto. Análise de contexto do gabarito: a ausência de contrações e o colo de 1,5 cm caracterizam colo curto assintomático, cenário de prevenção, não de tocólise. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco (2022) | ACOG Practice Bulletin nº 234. Prediction and Prevention of Spontaneous Preterm Birth (2021) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 82)
Questão 13 · ENAMED 2025
Mulher de 32 anos, sexualmente ativa, realiza primeiro exame preventivo. Citologia oncótica revela lesão intraepitelial de baixo grau (LSIL). Paciente retorna para discussão do resultado e definição de conduta. Qual a conduta adequada diante do resultado de citologia com lesão intraepitelial de baixo grau?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Pelas Diretrizes Brasileiras do INCA de 2016 (rastreamento citológico), a citologia com LSIL em mulher de 25 anos ou mais deve ser repetida em 6 meses, porque a maioria dessas lesões regride espontaneamente. Se duas citologias seguidas forem negativas, a paciente retorna ao rastreio trienal; se a LSIL persistir, encaminha-se para colposcopia. Em 2025, o Ministério da Saúde aprovou as novas diretrizes com rastreamento por teste de DNA-HPV, em implantação gradual; onde o teste molecular já é o método primário, a citologia passa a ser exame de triagem do HPV positivo. A) Errada. Ultrassonografia transvaginal não avalia lesão intraepitelial cervical. B) Correta. É a conduta para LSIL em maiores de 25 anos no rastreamento citológico. C) Errada. Colposcopia imediata é para ASC-H, HSIL, AGC ou LSIL persistente. D) Errada. Repetir de imediato não tem utilidade; o intervalo de 6 meses permite a regressão. Análise de contexto do gabarito: idade de 32 anos, primeiro exame e LSIL isolada definem a repetição semestral da citologia. Fontes: INCA. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, 2ª ed. (2016) | INCA/Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, Parte I: rastreamento organizado com testes de DNA-HPV (Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 83)
Questão 14 · ENAMED 2025
Gestante de 28 anos, idade gestacional desconhecida, em vulnerabilidade social, chega pelo SAMU com sangramento vaginal intenso, hipertonia uterina, PA 130x90 mmHg, altura uterina 32 cm, BCF 90 bpm. Toque: colo grosso, posterior, impérvio. Acompanhante relata uso de cocaína antes do episódio. Qual o diagnóstico, a conduta adequada e a complicação possível?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Sangramento vaginal intenso com hipertonia uterina e bradicardia fetal (BCF 90 bpm), após uso de cocaína, caracteriza descolamento prematuro de placenta (DPP). Com feto vivo em sofrimento e colo impérvio, sem perspectiva de parto vaginal rápido, a via indicada é a cesárea de emergência. A infiltração de sangue no miométrio (útero de Couvelaire) é complicação clássica e pode causar atonia; coagulopatia é outra complicação a monitorar. A) Correta. DPP, cesárea e útero de Couvelaire. B) Errada. Vasa prévia causa sangramento após amniorrexe, sem hipertonia; amniotomia com colo impérvio não se aplica. C) Errada. Hipertonia com sangramento intenso e sofrimento fetal não é trabalho de parto a inibir. D) Errada. PA 130x90 mmHg isolada não define pré-eclâmpsia, e rotura uterina não é a complicação típica. Análise de contexto do gabarito: hipertonia, sangramento e bradicardia fetal formam a tríade do DPP, e a cocaína é fator de risco conhecido por vasoconstrição. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco (2022) | Cunningham FG, et al. Williams Obstetrics, 26ª ed. (2022) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 89)
Questão 15 · ENAMED 2025
Mulher de 72 anos, menopausa aos 53, obesa, nulípara, sem reposição hormonal, apresenta sangramento vaginal há 2 dias. Exame especular: lesão polipoide no colo. USG: 3 nódulos uterinos (intramurais e submucoso), endométrio de 8 mm. Qual é a principal hipótese diagnóstica para o sangramento pós-menopausa?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Sangramento pós-menopausa exige investigação endometrial. Em mulher sem terapia hormonal, eco endometrial acima de 4 mm é considerado espessado; aqui mede 8 mm. A paciente tem fatores de risco de exposição estrogênica sem oposição (obesidade, nuliparidade, menopausa tardia aos 53 anos), o que favorece hiperplasia endometrial entre as opções. O carcinoma de endométrio também deve ser descartado, com biópsia ou histeroscopia. A) Correta. Endométrio espessado e fatores de risco estrogênicos favorecem hiperplasia endometrial. B) Errada. A lesão polipoide no colo não basta para esse diagnóstico e não explica o endométrio espessado. C) Errada. Miomas tendem a regredir na menopausa e raramente explicam sangramento novo nessa fase. D) Errada. Endométrio atrófico se associa a eco endometrial fino (até 4 mm). Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são a espessura endometrial de 8 mm e o perfil de risco estrogênico. A banca não informou biópsia da lesão do colo. Fontes: ACOG Committee Opinion nº 734. The Role of Transvaginal Ultrasonography in Evaluating the Endometrium of Women With Postmenopausal Bleeding (2018, reafirmada) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 94)
Questão 16 · ENAMED 2025
Primigesta de 28 anos, 33 semanas, pré-natal de risco habitual, relata saída de líquido claro vaginal há 2 horas. Exame físico normal, sem contrações, altura uterina compatível, movimentos fetais presentes, BCF 140 bpm. Especular mostra líquido amniótico claro pelo colo. Já recebeu antibiótico e corticoterapia. Qual a conduta adequada após antibiótico e corticoterapia em gestante com RPM pré-termo de 33 semanas?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Rotura prematura de membranas pré-termo com 33 semanas, sem sinais de infecção, sem trabalho de parto e com boa vitalidade fetal: a conduta é expectante com internação hospitalar, antibiótico de latência, corticoide e monitorização materno-fetal diária (temperatura, sinais de corioamnionite, vitalidade fetal) até 34 semanas. Nesse momento, ou antes se surgir complicação, indica-se a resolução da gestação. A) Correta. Internação com vigilância materno-fetal diária. B) Errada. Indução imediata a 33 semanas, sem infecção ou sofrimento fetal, aumenta morbidade da prematuridade. C) Errada. O seguimento domiciliar não é recomendado pelo risco de corioamnionite, prolapso de cordão e DPP. D) Errada. Monitoração ambulatorial semanal é ainda mais inadequada. Análise de contexto do gabarito: a idade gestacional abaixo de 34 semanas e a ausência de infecção e de contrações são os dados que definem a conduta expectante hospitalar. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Gestação de Alto Risco (2022) | ACOG Practice Bulletin nº 217. Prelabor Rupture of Membranes (2020) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 99)