Questões de Pediatria: ENAMED 2025

Esta área reúne 16 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Comportamento e pediatria social (3), Crescimento e desenvolvimento (3), Neurologia pediátrica (2).

Perfil da prova em números

Questões por área
ÁreaQuestões
Pediatria16
Os 10 temas mais frequentes
  • Comportamento e pediatria social3
  • Crescimento e desenvolvimento3
  • Neurologia pediátrica2
  • Cardiologia pediátrica1
  • Endocrinologia pediátrica1
  • Hematologia e oncologia pediátrica1
  • Imunização1
  • Nefrologia e urologia pediátrica1
  • Neonatologia1
  • Ortopedia e reumatologia pediátrica1

Todas as questões da área

Questão 1 · ENAMED 2025

Recém-nascido de 15 dias, a termo, Apgar 8/9, peso ao nascer 2.600 g e comprimento 46 cm, com síndrome de Down. Gestação sem intercorrências. Na consulta de puericultura, peso atual 2.900 g e comprimento 47 cm. Em quais curvas de crescimento os dados devem ser plotados para o acompanhamento pondero-estatural?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Crianças com síndrome de Down têm crescimento linear e ponderal diferente da população geral, e o Ministério da Saúde recomenda acompanhá-las em curvas específicas para a síndrome desde o nascimento. Plotar esses dados na curva da OMS tende a classificar como baixa estatura uma criança que cresce de forma adequada para a condição. As curvas de Zemel et al. (2015) e as curvas brasileiras para síndrome de Down cobrem do nascimento à adolescência. A) Errada. A curva da OMS não reflete o padrão de crescimento da síndrome de Down. B) Correta. Curvas específicas para síndrome de Down são usadas desde o nascimento. C) Errada. Não existe fator de correção da curva da OMS para síndrome de Down. D) Errada. Não há transição aos 2 anos; a curva específica já se aplica no período neonatal. Análise de contexto do gabarito: o enunciado informa o diagnóstico de síndrome de Down já no 15º dia de vida, o que basta para indicar a curva específica. Os dados de nascimento e o ganho ponderal servem apenas para plotagem. Fontes: Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Pessoa com Síndrome de Down, 2013 | Zemel BS et al. Growth charts for children with Down syndrome in the United States. Pediatrics, 2015 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 16)

Questão 2 · ENAMED 2025

Adolescente de 13 anos, morando temporariamente com tios, apresenta equimoses em face, pernas e coxas em diferentes estágios de evolução há um mês, e evita falar sobre o assunto. Deve-se suspeitar de maus-tratos e notificar o Conselho Tutelar. Em qual situação deve-se notificar o Conselho Tutelar?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Equimoses em diferentes estágios de evolução, em locais pouco expostos a traumas acidentais (face, coxas), associadas a evitação do assunto e mudança recente de cuidadores, são sinais de alerta para violência física. Pelo ECA, a simples suspeita de maus-tratos contra criança ou adolescente obriga a comunicação ao Conselho Tutelar, sem prejuízo da notificação compulsória de violência ao SINAN. A) Errada. Quadro sugestivo de doença meningocócica: notificação imediata à vigilância epidemiológica, não ao Conselho Tutelar. B) Correta. Lesões de idades diferentes sem explicação clínica e comportamento de evitação exigem notificação ao Conselho Tutelar. C) Errada. Quadro de dengue com sinais hemorrágicos: notificação à vigilância epidemiológica. D) Errada. Febre, sudorese noturna, emagrecimento e linfonodomegalia sugerem doença linfoproliferativa ou infecciosa, sem indício de violência. Análise de contexto do gabarito: as demais alternativas têm doença sistêmica que explica as lesões. Em Michele, o padrão das equimoses e o comportamento são os únicos dados que apontam para violência. Fontes: Brasil. Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), arts. 13 e 245 | Brasil. Lei nº 13.431/2017 | SBP. Manual de Atendimento às Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência, 2ª edição, 2018 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 23)

Questão 3 · ENAMED 2025

Menino de 6 anos, com queixa de fimose. Mãe relata balanopostites frequentes desde 1 ano de idade, nega ITU. Exame físico: prepúcio cobre toda a glande, com exposição do meato uretral e anel fibrótico prepucial quando tracionado. Qual a conduta correta para este caso de fimose?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Fimose com anel fibrótico prepucial é cicatricial (patológica), e balanopostites de repetição reforçam a indicação de postectomia. A fimose fisiológica, comum na infância, tem prepúcio não retrátil sem fibrose e responde a higiene ou corticoide tópico. A presença de fibrose e de infecções recorrentes indica cirurgia sem aguardar a adolescência. A) Errada. Anel fibrótico não é achado de fimose fisiológica. B) Errada. Não há motivo para adiar a cirurgia até a adolescência; a exposição do meato não é o critério. C) Correta. Balanopostites recorrentes com fibrose prepucial indicam cirurgia. D) Errada. Corticoide tópico serve para fimose fisiológica ou sem cicatriz; na fimose cicatricial a resposta é pobre. Análise de contexto do gabarito: o anel fibrótico ao tracionar e as balanopostites desde 1 ano de idade são os dados que definem fimose patológica. A exposição do meato uretral não muda a indicação. Fontes: European Association of Urology. EAU Guidelines on Paediatric Urology, 2025 | SBP. Tratado de Pediatria, 5ª edição, 2022 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 30)

Questão 4 · ENAMED 2025

Menino de 10 anos, morador de área urbana, apresenta dor e edema em cotovelo direito há 1 dia. Há 1 semana, teve febre de 38,5°C, 1-2 picos/dia, com dor e inchaço no joelho direito que melhorou após 4 dias, seguido de tornozelo direito edemaciado e avermelhado por 2 dias. Há 3 semanas, teve dor de garganta. Exame: dificuldade de movimentar cotovelo direito, FC 110 bpm, sopro sistólico 3+/6+. Qual é o agente etiológico e o tratamento de escolha para o quadro clínico apresentado?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Poliartrite migratória de grandes articulações, febre e sopro sistólico (cardite) cerca de 3 semanas após faringite preenchem os critérios de Jones (2 maiores) para febre reumática, complicação não supurativa da infecção por Streptococcus pyogenes. O tratamento inclui erradicação do estreptococo com penicilina G benzatina, anti-inflamatório para a artrite, manejo da cardite e profilaxia secundária com penicilina benzatina. A banca não forneceu evidência laboratorial de infecção estreptocócica (ASLO), exigida para o diagnóstico. A) Errada. Doença de Lyme é rara no Brasil e não se associa a faringite prévia nem a cardite valvar com sopro. B) Errada. Artrite séptica por S. aureus é monoarticular e fixa, sem caráter migratório. C) Errada. Sífilis não explica artrite migratória após faringite. D) Correta. Streptococcus pyogenes e penicilina G benzatina. Análise de contexto do gabarito: a faringite 3 semanas antes, a artrite que migra entre articulações e o sopro novo definem o diagnóstico. A pergunta pede o agente e o antibiótico, não o tratamento completo. Fontes: Gewitz MH et al. Revision of the Jones Criteria for the Diagnosis of Acute Rheumatic Fever. AHA. Circulation, 2015 | SBC. Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática, 2009 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 37)

Questão 5 · ENAMED 2025

Recém-nascido de 14 dias, hipoativo, desconforto respiratório, cianose, SpO2 82%, taquipneia (70 irpm), taquicardia (160 bpm), pulsos débeis, TPC 5s, abdome globoso, fígado 2,5 cm, hiperemia e edema no coto umbilical. Parto domiciliar sem pré-natal. Qual o diagnóstico e as condutas adequadas?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Recém-nascido de 14 dias, parto domiciliar sem pré-natal, com onfalite (hiperemia e edema do coto umbilical), hipoatividade, taquicardia, taquipneia, pulsos débeis e TPC de 5 segundos: sepse neonatal tardia com choque séptico (distributivo). A conduta é suporte ventilatório, bolus de cristaloide de 10 a 20 mL/kg com reavaliação após cada bolus (hepatomegalia e estertores indicam sobrecarga), antibiótico empírico na primeira hora com cobertura para S. aureus e gram-negativos, e vasoativo se o choque persistir após volume. A) Errada. Não há dado de cardiopatia ducto-dependente; a cianose e a hepatomegalia são compatíveis com choque séptico. B) Errada. Não há trauma raquimedular nem bradicardia com hipotensão que sugiram choque neurogênico. C) Errada. Não há sinal de pneumotórax hipertensivo que justifique descompressão. D) Correta. Choque distributivo séptico com suporte, volume, antibióticos e vasoativos. Análise de contexto do gabarito: o coto umbilical inflamado em parto sem assepsia é o foco infeccioso que define o tipo de choque. Hepatomegalia e cianose exigem reavaliação a cada bolus. Fontes: Weiss SL et al. Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for Septic Shock in Children. Pediatr Crit Care Med, 2020 | Davis AL et al. ACCM Clinical Practice Parameters for Hemodynamic Support of Pediatric and Neonatal Septic Shock. Crit Care Med, 2017 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 42)

Questão 6 · ENAMED 2025

Adolescente de 12 anos, sexo feminino, comparece à UBS para verificação do cartão vacinal. Recebeu todas as vacinas do calendário infantil até os 8 anos, incluindo uma dose de febre amarela aos 9 meses. Assintomática, sem comorbidades. Quais vacinas devem ser administradas nesse momento?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Aos 12 anos o calendário do PNI prevê HPV (dose única para 9 a 14 anos desde 2024) e meningocócica ACWY (dose única entre 11 e 14 anos). Para febre amarela, o esquema infantil é dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos; o enunciado informa apenas a dose dos 9 meses, então a adolescente precisa completar o esquema com mais uma dose. A) Errada. Hepatite B se completa com 3 doses no primeiro ano de vida, e o reforço de dT na adolescência só é feito se o esquema estiver incompleto ou a última dose tiver mais de 10 anos. B) Errada. Hepatite B, dT e SCR (tríplice viral) já foram completadas no calendário infantil. C) Correta. HPV, meningocócica ACWY e a dose pendente de febre amarela. D) Errada. A SCR já foi feita (2 doses na infância); falta o HPV, prioritário nessa faixa. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são a idade (12 anos, janela de HPV e ACWY) e a menção explícita a uma única dose de febre amarela, que indica esquema incompleto. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação: adolescente, 2025 | Brasil. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação: criança, 2025 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 47)

Questão 7 · ENAMED 2025

Menina de 11 meses em consulta de puericultura, sem queixas, começando a andar de forma independente. Marcos do desenvolvimento anteriores normais, bom ganho pondero-estatural, gestação e parto sem intercorrências. Qual reflexo primitivo é usualmente presente em uma criança de 11 meses?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Aos 11 meses, a maioria dos reflexos primitivos já desapareceu. O reflexo cutâneo-plantar em extensão e a preensão plantar persistem até por volta do fim do primeiro ano (a preensão plantar some entre 9 e 15 meses, antes da marcha estável), por isso são os únicos ainda esperados nessa idade. A) Correta. O reflexo plantar ainda pode estar presente aos 11 meses. B) Errada. O Moro costuma desaparecer até os 4 a 6 meses; persistência indica investigação. C) Errada. O reflexo de procura (busca) desaparece por volta dos 3 a 4 meses. D) Errada. O tônico-cervical assimétrico desaparece em torno de 3 a 4 meses. Análise de contexto do gabarito: a criança tem desenvolvimento normal e está começando a andar; a pergunta é sobre o que é fisiológico nessa idade, e o reflexo plantar é o último a desaparecer entre as opções. Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed., 2022 | Kliegman RM et al. Nelson Textbook of Pediatrics, 22nd ed., 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 52)

Questão 8 · ENAMED 2025

Criança de 9 anos com TDAH diagnosticado há 2 anos, em uso de metilfenidato há 1 ano, com boa resposta escolar. Pai solicita continuidade do tratamento. Quais estratégias de monitoramento devem ser utilizadas durante o uso crônico de metilfenidato em criança com TDAH?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

No uso crônico de metilfenidato, o seguimento clínico é feito em consultas periódicas com medida de peso, estatura e pressão arterial (e frequência cardíaca), porque o estimulante reduz apetite, pode atenuar a velocidade de crescimento e eleva discretamente PA e FC. Recomenda-se reavaliar periodicamente a necessidade do tratamento, inclusive com períodos de suspensão programada. A) Errada. Dislipidemia não é efeito esperado do metilfenidato, e o seguimento não exige neuropediatra. B) Errada. Testes psicodinâmicos não são instrumento de monitoramento do tratamento farmacológico. C) Errada. Não há indicação de hemograma ou função tireoidiana de rotina, nem de antipsicótico para efeitos adversos. D) Correta. Antropometria e PA seriadas, com reavaliação da necessidade de manter o fármaco. Análise de contexto do gabarito: a criança está estável e com boa resposta; a pergunta é sobre monitoramento, e os efeitos adversos mais relevantes do estimulante são sobre crescimento e sistema cardiovascular. Fontes: Wolraich ML et al. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of ADHD in Children and Adolescents, Pediatrics, 2019 | National Institute for Health and Care Excellence. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87), 2018, atualizada 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 57)

Questão 9 · ENAMED 2025

Lactente de 9 meses, com crises epilépticas há 3 meses, caracterizadas por espasmos em flexão dos membros superiores, semelhantes a sustos, ocorrendo em sonolência. História gestacional e de parto normais. Exame físico: interage, mas não senta; manchas hipomelanóticas em membros inferiores e tronco. RM de crânio: dois astrocitomas de células gigantes subependimárias. Qual a principal hipótese diagnóstica?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Espasmos epilépticos em flexão no lactente, com atraso do desenvolvimento, máculas hipomelanóticas e astrocitomas subependimários de células gigantes (SEGA) na RM configuram esclerose tuberosa. Máculas hipomelanóticas (3 ou mais) e SEGA são critérios maiores; dois critérios maiores fecham o diagnóstico clínico. Os espasmos infantis são frequentes nessa doença. A) Errada. Neurofibromatose tipo 1 cursa com manchas café com leite (hiperpigmentadas), neurofibromas e nódulos de Lisch. B) Correta. Máculas hipomelanóticas, SEGA e espasmos infantis. C) Errada. Sturge-Weber tem mancha vinho do porto facial e angiomatose leptomeníngea. D) Errada. Von Hippel-Lindau cursa com hemangioblastomas, sem manchas cutâneas típicas e com início mais tardio. Análise de contexto do gabarito: os dois achados que definem a resposta são as manchas hipomelanóticas e os SEGA; a crise em espasmos e o atraso motor são compatíveis, mas não específicos. Fontes: Northrup H et al. Updated International Tuberous Sclerosis Complex Diagnostic Criteria and Surveillance and Management Recommendations, Pediatr Neurol, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 59)

Questão 10 · ENAMED 2025

Criança de 2 anos, há 7 dias, apresentou crise tônico-clônica generalizada com febre de 39,3°C, durando 2 minutos, sem recorrência em 24 horas. Exame físico e neurológico normais, compatível com infecção viral de vias aéreas superiores. Encaminhada ao matriciamento de pediatria. Qual a conduta adequada para uma criança com convulsão febril simples?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Crise febril simples: generalizada, com menos de 15 minutos, sem recorrência em 24 horas, em criança de 6 a 60 meses com exame neurológico normal. Tem bom prognóstico e não exige EEG, neuroimagem ou exames de rotina; também não há indicação de anticonvulsivante profilático. A conduta é orientar a família (inclusive sobre o risco de recorrência e como agir numa nova crise) e manter puericultura. A) Errada. EEG não tem indicação na crise febril simples. B) Errada. Profilaxia contínua com fenobarbital não é recomendada pelos efeitos adversos e por não reduzir risco de epilepsia. C) Correta. Tranquilizar a família e manter acompanhamento de rotina. D) Errada. Exames laboratoriais e de imagem só se houver suspeita de infecção do SNC ou alteração neurológica. Análise de contexto do gabarito: idade de 2 anos, crise generalizada de 2 minutos, sem recorrência e exame normal preenchem todos os critérios de crise febril simples. Fontes: Subcommittee on Febrile Seizures, American Academy of Pediatrics. Febrile seizures: guideline for the neurodiagnostic evaluation of the child with a simple febrile seizure, Pediatrics, 2011 | Steering Committee on Quality Improvement, American Academy of Pediatrics. Febrile seizures: clinical practice guideline for the long-term management of the child with simple febrile seizures, Pediatrics, 2008 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 73)

Questão 11 · ENAMED 2025

Recém-nascido a termo, no 1º minuto de vida, apresenta apneia e bradicardia, desvio do íctus à direita, abdome escavado e ruídos hidroaéreos no hemitórax esquerdo. Quadro sugere hérnia diafragmática congênita. Quais procedimentos são adequados no atendimento desse recém-nascido em sala de parto?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

O quadro (abdome escavado, ruídos hidroaéreos no hemitórax esquerdo e desvio do íctus para a direita) indica hérnia diafragmática congênita. Nesses recém-nascidos, a ventilação com balão e máscara deve ser evitada, pois distende as alças intestinais no tórax e piora a compressão pulmonar. Com apneia e bradicardia, indica-se intubação traqueal imediata e sonda gástrica para descompressão; a massagem cardíaca entra se a FC permanecer abaixo de 60 bpm após ventilação adequada. A) Correta. Intubação imediata e, se FC < 60 bpm apesar da ventilação, massagem cardíaca. B) Errada. Cateterismo umbilical pode ser necessário depois, mas drenar o hemitórax lesaria as vísceras herniadas. C) Errada. Óxido nítrico e surfactante não são procedimentos de sala de parto nessa situação. D) Errada. Ventilação com balão e máscara está contraindicada na hérnia diafragmática. Análise de contexto do gabarito: a apneia com bradicardia exige ventilação, e os sinais de vísceras no tórax definem que ela deve ser feita por cânula traqueal, não por máscara. Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria. Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: diretrizes 2022 | American Heart Association/AAP. Neonatal Resuscitation Guidelines (2025) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 80)

Questão 12 · ENAMED 2025

Adolescente de 13 anos, sexo masculino, apresenta manchas hipercrômicas em dobras (pescoço, axilas, virilhas). IMC com Z-escore entre +2 e +3, relação circunferência abdominal/estatura aumentada. Sem outros achados. Além de prescrever mudança de hábitos alimentares e aumento da atividade física, qual exame deve ser solicitado?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Acantose nigricans em adolescente com obesidade (IMC entre +2 e +3 escores z) e circunferência abdominal/estatura aumentada é marcador de resistência insulínica. Além da mudança de estilo de vida, deve-se rastrear comorbidades metabólicas: perfil lipídico, glicemia, transaminases e, conforme o caso, ultrassonografia abdominal para doença hepática gordurosa. Entre as opções, perfil lipídico e ultrassonografia de abdome é a única sem conduta inadequada. A) Errada. Acantose nigricans tem diagnóstico clínico; biópsia não é necessária. B) Correta. Rastreia dislipidemia e esteatose hepática associadas à obesidade. C) Errada. Corticoide tópico não trata acantose, que melhora com a redução da resistência insulínica. D) Errada. A lesão não é fúngica; o antifúngico invalida a alternativa, mesmo com o teste de tolerância à glicose sendo útil. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede exame complementar e descreve sinais de obesidade central com resistência insulínica, o que direciona para o rastreio metabólico. Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Obesidade na Infância e Adolescência, 3ª ed. (2019) | Hampl SE, et al. AAP Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Treatment of Children and Adolescents With Obesity. Pediatrics 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 87)

Questão 13 · ENAMED 2025

Menino de 10 anos, levado pelos pais à UBS. Comporta-se bem até ser contrariado, quando fica irritado, agressivo e agitado por horas. Após se acalmar ou conseguir o que quer, torna-se feliz. Pais percebem que age deliberadamente para aborrecer, não assume culpa, discute com autoridades e não aceita regras. Qual o diagnóstico mais provável para o menino descrito?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

O padrão de raiva e irritabilidade quando contrariado, discussões com figuras de autoridade, recusa a regras, comportamento deliberado para aborrecer e não assumir a culpa corresponde ao transtorno de oposição desafiante (TOD) pelo DSM-5-TR. Os sintomas devem durar ao menos 6 meses. Fora dos episódios, o menino fica feliz, o que indica humor basal normal. A) Errada. Não há episódios de mania ou hipomania nem alteração de humor sustentada. B) Correta. Desafio à autoridade, irritabilidade e comportamento vingativo/provocador definem o TOD. C) Errada. O transtorno disruptivo da desregulação do humor exige humor irritável persistente entre as explosões. D) Errada. Não há desatenção, hiperatividade ou impulsividade descritas. Análise de contexto do gabarito: o dado que define a resposta é a normalização do humor após se acalmar. Esse dado torna o transtorno disruptivo da desregulação do humor improvável e favorece o TOD. Fontes: American Psychiatric Association. DSM-5-TR (2022) | Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed. (2022) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 14)

Questão 14 · ENAMED 2025

Menina de 1 ano e 10 meses, com asma, apresenta tosse e dispneia há 4 dias, piora há 6 horas, sem melhora com salbutamol. Exacerbações frequentes nos últimos 3 meses apesar de prednisolona. Pais asmáticos. Exame: sonolenta, taquidispneica, choro entrecortado, saturação 94%, retração acessória. Além da internação, qual a conduta adequada para esta criança com exacerbação grave de asma?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Criança com sonolência, choro entrecortado, uso de musculatura acessória e ausência de resposta ao salbutamol tem exacerbação grave de asma. Além de broncodilatador inalatório repetido e oxigênio para manter SpO2 adequada, o corticoide sistêmico deve ser iniciado precocemente; com rebaixamento do nível de consciência, a via endovenosa (metilprednisolona) é preferida à oral. A) Correta. Corticoide sistêmico EV é parte essencial do tratamento da exacerbação grave. B) Errada. VNI não é medida de primeira linha, e sedação em asma grave pode precipitar insuficiência respiratória. C) Errada. Salbutamol endovenoso não é rotina, reservado a casos refratários em UTI. D) Errada. Sulfato de magnésio é adjuvante com evidência limitada abaixo de 2 anos e não é a conduta prioritária. Análise de contexto do gabarito: a idade abaixo de 2 anos e a sonolência são os dados que definem a escolha. Tornam a via oral inadequada e o magnésio menos indicado. Fontes: Global Initiative for Asthma (GINA). Global Strategy for Asthma Management and Prevention (2025) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 92)

Questão 15 · ENAMED 2025

Menina de 11 anos, levada pela mãe à UBS, apresenta cansaço, palidez cutânea e baixo rendimento escolar há 3 meses. Exame físico: mucosas hipocrômicas (3+/4+), palidez cutânea, pulso radial 104 bpm, rítmico e cheio, sopro sistólico 2/6. Hemograma realizado há 2 semanas. Qual a conduta mais adequada para o caso de anemia ferropriva?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Na anemia ferropriva, o tratamento é ferro elementar oral de 3 a 5 mg/kg/dia, mantido após normalização da hemoglobina para repor os estoques. A resposta esperada é reticulocitose em cerca de 4 a 7 dias e elevação da hemoglobina em 2 a 4 semanas, o que também confirma o diagnóstico. Taquicardia e sopro sistólico são achados compatíveis com anemia significativa. A) Errada. Ferro sérico isolado é pouco sensível e específico e varia ao longo do dia; a ferritina é o melhor marcador de estoque. B) Correta. Dose de 4 mg/kg/dia está na faixa recomendada, com resposta reticulocitária em 4 a 7 dias. C) Errada. A classificação por tamanho usa o VCM; a ferropriva é microcítica e hipocrômica. D) Errada. Trombocitose reativa é comum na ferropenia e não exige hematologista; eosinofilia não foi descrita. Análise de contexto do gabarito: o enunciado já define o diagnóstico de anemia ferropriva, então a pergunta testa o tratamento e a resposta esperada. Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria. Consenso sobre anemia ferropriva: mais que uma doença, uma urgência médica (2018) | Ministério da Saúde. Programa Nacional de Suplementação de Ferro: manual de condutas gerais (2022) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 95)

Questão 16 · ENAMED 2025

Menina de 7 anos, pré-púbere (Tanner M1P1), com estatura -3<z<-2, alvo genético z-2, IMC normal, velocidade de crescimento de 6 cm/ano, idade óssea compatível com a cronológica (5a10m para 6a8m), relação segmentos normal. Sem comorbidades. Qual a hipótese diagnóstica adequada para o caso?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Criança com baixa estatura (escore z entre -3 e -2), alvo genético também baixo (z -2), velocidade de crescimento normal (6 cm/ano), idade óssea compatível com a cronológica e proporção de segmentos normal tem baixa estatura familiar, uma variante da normalidade. A criança cresce no canal compatível com o potencial genético. A) Errada. Acondroplasia altera a proporção entre segmentos (membros curtos). B) Errada. Síndrome de Turner cursa com velocidade de crescimento reduzida e, muitas vezes, estigmas; o cariótipo é indicado em meninas com baixa estatura inexplicada. C) Correta. Alvo genético baixo, velocidade normal e idade óssea compatível definem baixa estatura familiar. D) Errada. No atraso constitucional, a idade óssea está atrasada em relação à cronológica. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são o alvo genético baixo e a idade óssea compatível com a cronológica. Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria, 5ª ed. (2022) | Kliegman RM, et al. Nelson Textbook of Pediatrics, 22ª ed. (2024) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 97)