Questões de Cirurgia: ENAMED 2025
Esta área reúne 12 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Trauma / ATLS (4), Fígado, vias biliares e pâncreas (3), Cólon e proctologia (2).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Cirurgia | 12 |
- Trauma / ATLS4
- Fígado, vias biliares e pâncreas3
- Cólon e proctologia2
- Abdome agudo1
- Cabeça e pescoço1
- Queimados1
Todas as questões da área
Questão 1 · ENAMED 2025
Homem de 45 anos encontrado inconsciente ao lado de escada, transportado por familiares sem cuidados pré-hospitalares. No pronto-socorro, inconsciente, com equimose periorbitária direita, escoriações cervicais e em membros direitos, respiração espontânea, PA 140x90 mmHg, pupilas isocóricas. Abre os olhos e se move, sem responder. Após 30 minutos, responde, mas não lembra da queda. Qual a conduta adequada para o paciente com TCE leve e mecanismo de alto impacto?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
TCE com perda de consciência, Glasgow inicialmente rebaixado, amnésia do evento, sinais de trauma de face (equimose periorbitária) e mecanismo de queda sem avaliação pré-hospitalar exige tomografia de crânio e face. Como o paciente chegou inconsciente e com escoriações cervicais, a coluna cervical não pode ser liberada clinicamente e também vai para TC. Membros são avaliados com radiografia, e a observação hospitalar é obrigatória mesmo com melhora neurológica. A) Correta. TC de crânio, face e cervical, radiografia de membros e observação hospitalar contemplam todos os riscos do caso. B) Errada. Radiografia de crânio não avalia lesão intracraniana e não substitui a TC. C) Errada. Paciente com perda de consciência e amnésia não deve ser liberado sem período de observação. D) Errada. Radiografia de crânio e face é insuficiente e omite a avaliação da coluna cervical. Análise de contexto do gabarito: perda de consciência, amnésia pós-traumática, Glasgow abaixo de 15 na chegada e lesão de face são critérios de alto risco das regras de decisão para TC. A ausência de imobilização e o rebaixamento inicial tornam obrigatória a imagem cervical. Fontes: American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 11ª edição, 2025 | Stiell IG et al. The Canadian CT Head Rule for patients with minor head injury. Lancet, 2001 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 3)
Questão 2 · ENAMED 2025
Homem de 20 anos, vítima de colisão automóvel contra muro sem cinto, atendido pelo SAMU. Está torporoso, com SpO2 60%, FR 28 irpm, FC 130 bpm, PA 90x50 mmHg. Apresenta desvio de traqueia à direita, turgência jugular, hipofonese de bulhas e diminuição do murmúrio vesicular à esquerda. Qual a conduta adequada no atendimento pré-hospitalar?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Choque, turgência jugular, desvio da traqueia para a direita e murmúrio vesicular diminuído à esquerda, em vítima de trauma torácico, configuram pneumotórax hipertensivo à esquerda. O diagnóstico é clínico, e a descompressão imediata com agulha (toracocentese de alívio) não deve esperar imagem nem a chegada ao hospital. A drenagem torácica em selo d’água vem depois. No adulto, o ATLS orienta a punção no 4º ou 5º espaço intercostal, entre as linhas axilares anterior e média. A) Errada. Volume não corrige choque obstrutivo por pneumotórax e atrasa a descompressão. B) Errada. Não há obstrução de via aérea alta descrita; a hipoxemia é causada pelo pneumotórax. C) Errada. Tamponamento também causa turgência jugular e bulhas abafadas, mas não desvia traqueia nem reduz murmúrio unilateral. D) Correta. Toracocentese de alívio é a conduta imediata no pneumotórax hipertensivo. Análise de contexto do gabarito: a hipofonese de bulhas aproxima o quadro do tamponamento, mas o desvio traqueal contralateral e o murmúrio diminuído à esquerda localizam o problema na pleura. A instabilidade hemodinâmica exige descompressão já no pré-hospitalar. Fontes: American College of Surgeons. ATLS – Advanced Trauma Life Support, 11ª edição, 2025 | NAEMT. PHTLS – Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado, 9ª edição, 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 17)
Questão 3 · ENAMED 2025
Mulher de 27 anos com dor abdominal iniciada em epigástrio há 2 dias, migrando para fossa ilíaca direita há 1 dia, associada a náuseas, anorexia e febre de 38,2°C. Exame físico com descompressão brusca dolorosa em QID. Última menstruação há 23 dias, ciclos regulares. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a conduta adequada?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Dor periumbilical ou epigástrica que migra para a fossa ilíaca direita, com náuseas, anorexia, febre e descompressão brusca dolorosa, favorece apendicite aguda (escore de Alvarado elevado). Em mulher em idade fértil, a ultrassonografia é o exame inicial preferido, pois avalia o apêndice e diferenciais ginecológicos sem radiação, e a avaliação cirúrgica deve ser solicitada de imediato. Teste de gravidez também faz parte da investigação. A) Errada. Peritonismo localizado não é explicado por infecção urinária; aguardar urocultura atrasa o diagnóstico. B) Errada. Metotrexato trata gravidez ectópica íntegra, hipótese pouco provável com DUM há 23 dias e ciclos regulares; TC não é o exame inicial nessa paciente. C) Errada. Antibiótico empírico sem confirmação diagnóstica e sem avaliação cirúrgica, com seguimento ambulatorial, é inadequado. D) Correta. Ultrassonografia e parecer cirúrgico. Análise de contexto do gabarito: a migração da dor, a febre e a descompressão brusca positiva definem a hipótese. Idade fértil e DUM recente justificam começar pela ultrassonografia. Fontes: Di Saverio S et al. Diagnosis and treatment of acute appendicitis: 2020 update of the WSES Jerusalem guidelines. World J Emerg Surg, 2020 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª edição, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 24)
Questão 4 · ENAMED 2025
Mulher de 72 anos, com emagrecimento, dor abdominal com irradiação dorsal há 3 meses, colúria, prurido e icterícia há 1 mês. Exame: icterícia +++/4+, fígado palpável e massa cística indolor em hipocôndrio direito, sugerindo sinal de Courvoisier-Terrier. Qual exame é mais adequado para investigar a hipótese de neoplasia periampular?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Icterícia colestática progressiva, prurido, emagrecimento e vesícula palpável e indolor (sinal de Courvoisier-Terrier) sugerem obstrução neoplásica da via biliar distal, como tumor periampular. O exame de escolha é a TC de abdome com contraste em protocolo para pâncreas, que define a lesão, a dilatação biliar e a ressecabilidade (relação com vasos, metástases). A) Errada. A ultrassonografia avalia mal o pâncreas e não estadia; colecistite calculosa não explica o quadro. B) Correta. TC com contraste avalia vias biliares, pâncreas e estadiamento. C) Errada. O Courvoisier torna coledocolitíase improvável; a CPRM não é o exame inicial para estadiar tumor. D) Errada. Biópsia percutânea da vesícula distendida não é o passo inicial e não está indicada antes do estadiamento. Análise de contexto do gabarito: idade, emagrecimento e vesícula palpável indolor favorecem neoplasia, não litíase. A massa cística palpada é a vesícula distendida, não o tumor. Fontes: Conroy T et al. Pancreatic cancer: ESMO Clinical Practice Guideline. Annals of Oncology, 2023 | NCCN Guidelines. Pancreatic Adenocarcinoma, 2025 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª edição, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 31)
Questão 5 · ENAMED 2025
Homem de 58 anos, tabagista e etilista pesado (8 doses/dia por 33 anos), apresenta dor epigástrica irradiada para as costas há 2 horas, progressiva, pós-prandial, com náuseas, vômitos e sudorese. Relata episódios semelhantes no último ano que melhoraram com analgésico. Exame: abdome globoso, distendido, doloroso em epigástrio e hipocôndrio esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal. Qual é o provável diagnóstico?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Etilismo pesado por 33 anos, tabagismo, dor epigástrica com irradiação dorsal, piora pós-prandial, náuseas e vômitos, com episódios semelhantes no último ano, favorecem pancreatite crônica com agudização. Álcool e tabaco são os principais fatores de risco. A confirmação depende de exames que a banca não forneceu: lipase e imagem (TC com calcificações pancreáticas, ductos irregulares ou atrofia). A) Errada. Colangite cursa com febre, icterícia e dor em hipocôndrio direito (tríade de Charcot). B) Errada. Colecistite causa dor em hipocôndrio direito com sinal de Murphy, sem relação com etilismo. C) Errada. Úlcera péptica causa dor em queimação, em geral sem irradiação dorsal, a menos que haja penetração. D) Correta. A recorrência da dor com irradiação dorsal em etilista crônico favorece pancreatite crônica. Análise de contexto do gabarito: a história de crises semelhantes no último ano é o dado que aponta cronicidade. A irradiação para o dorso e o etilismo localizam a dor no pâncreas. Fontes: Gardner TB et al. ACG Clinical Guideline: Chronic Pancreatitis. Am J Gastroenterol, 2020 | Townsend CM et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª edição, 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 38)
Questão 6 · ENAMED 2025
Homem de 23 anos, vítima de colisão automobilística, usava cinto de segurança, consciente no resgate, com amnésia anterógrada. Sem déficits motores ou sensitivos. No hospital, solicita-se TC de crânio. Minutos depois, rebaixamento do nível de consciência e anisocoria com pupila esquerda dilatada, necessitando intubação orotraqueal. TC sem contraste. Qual o diagnóstico e a conduta mais adequada para o paciente com TCE e piora neurológica súbita?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
TCE com período de consciência inicial seguido de rebaixamento rápido e anisocoria (midríase ipsilateral) é a apresentação clássica do hematoma epidural, em geral por lesão da artéria meníngea média. É emergência neurocirúrgica: hematoma com efeito de massa e deterioração neurológica exige craniotomia para drenagem imediata. A) Errada. Subdural agudo costuma ter rebaixamento desde o início, e "hidantalizar e aguardar" é inadequado diante de herniação. B) Errada. Contusão raramente causa deterioração tão súbita com intervalo lúcido típico. C) Correta. Intervalo lúcido mais anisocoria = epidural; tratamento cirúrgico de urgência. D) Errada. Conduta expectante é inadequada com sinais de herniação. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são o paciente consciente no resgate (intervalo lúcido) e a piora súbita com pupila dilatada; a TC confirma, mas a sequência clínica já define a hipótese e a urgência. Fontes: American College of Surgeons. ATLS: Advanced Trauma Life Support, 11th ed., 2025 | Bullock MR et al. Surgical management of acute epidural hematomas, Neurosurgery, 2006 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 53)
Questão 7 · ENAMED 2025
Homem, 59 anos, dor em fossa ilíaca esquerda há 5 dias, febre 38°C, prostração. Sem comorbidades. Episódio semelhante há 1 ano e hematoquezia há 6 meses. Exame: regular estado geral, desidratado, FC 95, PA 140x90, IMC 30,5. Abdome flácido, doloroso em FIE e hipogástrio, plastrão palpável. Leucócitos 17.000, bastões 7%. Qual exame complementar tem maior acurácia para o diagnóstico?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Dor em fossa ilíaca esquerda, febre, leucocitose com desvio e plastrão palpável em homem acima de 50 anos favorecem diverticulite aguda complicada (provável abscesso ou fleimão). A tomografia de abdome com contraste é o exame de maior acurácia: confirma o diagnóstico, gradua a gravidade (classificação de Hinchey) e identifica abscesso ou perfuração, orientando a conduta. A) Errada. Radiografia só detecta pneumoperitônio ou obstrução, com baixa sensibilidade para diverticulite. B) Errada. Colonoscopia é evitada na fase aguda pelo risco de perfuração; é feita após 6 a 8 semanas para avaliar neoplasia, sobretudo com hematoquezia prévia. C) Correta. TC com contraste é o padrão diagnóstico e de estadiamento. D) Errada. USG depende do operador e é limitada pela obesidade (IMC 30,5). Análise de contexto do gabarito: a pergunta é sobre maior acurácia na fase aguda; a hematoquezia prévia justifica colonoscopia futura, mas não muda o exame do momento. Fontes: Hall J et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Treatment of Left-Sided Colonic Diverticulitis, Dis Colon Rectum, 2020 | Sartelli M et al. 2020 update of the WSES guidelines for the management of acute colonic diverticulitis, World J Emerg Surg, 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 60)
Questão 8 · ENAMED 2025
Homem, 26 anos, vítima de disparo de arma de fogo no braço direito há 15 minutos. Apresenta palidez, pele fria, sudorese, FC 120 bpm, PA 90x50 mmHg, Glasgow 15. Sem outras lesões. Ferida perfuro-contusa medial no terço distal do braço com hemorragia pulsátil volumosa. Equipe sem hemoderivados. Qual a conduta pré-hospitalar adequada para hemorragia exsanguinante em membro?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Hemorragia externa exsanguinante de membro com choque deve ser controlada primeiro com compressão direta; se não cessar, aplica-se torniquete proximal à ferida, longe de articulações. Sem hemoderivados no pré-hospitalar, usa-se cristaloide isotônico em volume restrito, com objetivo de hipotensão permissiva até o controle definitivo do sangramento. A) Errada. Clampeamento às cegas no pré-hospitalar arrisca lesar nervos e vasos, e albumina não é recomendada na reanimação do trauma. B) Errada. Mesmo erro de hemostasia; soro glicosado não repõe volume intravascular. C) Correta. Compressão, torniquete se necessário e soro fisiológico. D) Errada. Hemostasia correta, mas coloides como albumina não têm indicação na reanimação do trauma. Análise de contexto do gabarito: hemorragia pulsátil volumosa em membro e ausência de hemoderivados definem a sequência; C e D diferem só na solução de reposição, e o cristaloide é a escolha. Fontes: American College of Surgeons. ATLS: Advanced Trauma Life Support, 11th ed., 2025 | National Association of Emergency Medical Technicians. PHTLS: Prehospital Trauma Life Support, 10th ed., 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 67)
Questão 9 · ENAMED 2025
Paciente de 47 anos, sexo feminino, submetida a tireoidectomia total há 60 dias por carcinoma folicular de tireoide restrito à glândula. No pós-operatório imediato apresentou rouquidão persistente, sem melhora no acompanhamento ambulatorial. Qual nervo foi lesionado durante a cirurgia?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Rouquidão persistente após tireoidectomia total é a manifestação típica da lesão do nervo laríngeo recorrente, ramo do vago que inerva os músculos intrínsecos da laringe (exceto o cricotireóideo) e corre no sulco traqueoesofágico, junto à face posterior da tireoide. A lesão unilateral causa paralisia da prega vocal e disfonia; a bilateral pode causar insuficiência respiratória. A) Correta. É o nervo em maior risco na tireoidectomia e explica a rouquidão. B) Errada. Glossofaríngeo não passa pelo campo cirúrgico e se relaciona à sensibilidade da faringe e à deglutição. C) Errada. Hipoglosso inerva a língua. D) Errada. O vago está fora do campo habitual da tireoidectomia; sua lesão alta é rara. Análise de contexto do gabarito: o dado decisivo é a rouquidão desde o pós-operatório imediato, persistente após 60 dias, o que sugere lesão definitiva e não apenas neuropraxia. A lesão do ramo externo do laríngeo superior causaria perda de agudos e fadiga vocal, não disfonia franca. Fontes: Chandrasekhar SS et al. Clinical Practice Guideline: Improving Voice Outcomes after Thyroid Surgery, Otolaryngol Head Neck Surg, 2013 | Haugen BR et al. 2015 American Thyroid Association Management Guidelines for Adult Patients with Thyroid Nodules and Differentiated Thyroid Cancer, Thyroid, 2016 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 74)
Questão 10 · ENAMED 2025
Homem jovem, atendido em UBS, apresenta dor e ardor anais com sangramento vivo em pequena quantidade ao evacuar, associado a esforço e fezes endurecidas. Nega tumoração perianal. Tem constipação crônica e diagnóstico recente de doença de Crohn. Exame geral sem alterações. Qual é o diagnóstico mais provável?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Dor e ardor anal à evacuação, com sangramento vermelho vivo em pequena quantidade, associados a esforço e fezes endurecidas, compõem o quadro típico de fissura anal. A constipação é o principal fator desencadeante. A doença de Crohn também se associa a fissuras, que nesse contexto podem ser atípicas (laterais, múltiplas, pouco dolorosas), mas o enunciado descreve o padrão clássico. A) Errada. Abscesso causa dor contínua, abaulamento/tumoração e frequentemente febre. B) Errada. Fístula cursa com drenagem crônica de secreção por orifício externo. C) Errada. Cisto pilonidal localiza-se na região sacrococcígea, não no canal anal. D) Correta. Dor evacuatória com sangramento vivo em constipado é o quadro de fissura anal. Análise de contexto do gabarito: o paciente nega tumoração perianal e o exame geral é normal, o que torna abscesso e fístula improváveis. A relação da dor com a evacuação de fezes endurecidas favorece a fissura. Fontes: Davids JS, et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Management of Anal Fissures (2023). Dis Colon Rectum | Townsend CM, et al. Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed. (2022) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 81)
Questão 11 · ENAMED 2025
Paciente de 45 anos, atendida em UBS, relata contato acidental com alvejante no olho durante limpeza doméstica. Exame revela hiperemia intensa, opacidade corneana e queimadura química na pálpebra superior do olho direito. Qual é o correto manejo da paciente com queimadura química ocular?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Queimadura química ocular é emergência oftalmológica. A medida que mais muda o prognóstico é a irrigação imediata e abundante com solução fisiológica (ou água corrente, se não houver), por pelo menos 15 a 30 minutos, até normalizar o pH. Em seguida, encaminha-se para avaliação oftalmológica imediata. A opacidade corneana descrita indica lesão significativa, com risco de sequela visual. A) Errada. Analgésico tópico e lubrificante não removem o agente químico e atrasam o tratamento. B) Errada. Água boricada não é a solução indicada, e curativo oclusivo não é conduta inicial. C) Correta. Irrigação com soro fisiológico e avaliação especializada imediata. D) Errada. Corticoide tópico pode ser usado pelo oftalmologista depois, mas não substitui a irrigação imediata. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve contato com alvejante e lesão já instalada (opacidade corneana e queimadura palpebral), o que exige irrigação e encaminhamento urgente. Fontes: American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course, Section 8: External Disease and Cornea (2024-2025) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 93)
Questão 12 · ENAMED 2025
Mulher de 43 anos, icterícia, colúria e acolia há 72h, afebril, estável. US mostra múltiplos cálculos e dilatação de vias biliares. Laboratório com colestase sem sinais de infecção. Quais são, respectivamente, o diagnóstico sindrômico e o exame complementar mais indicado?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Icterícia, colúria e acolia com colestase laboratorial, colelitíase e dilatação de vias biliares, em paciente afebril e estável, caracterizam síndrome colestática sem colangite, com suspeita de coledocolitíase. Pela estratificação de risco, quando a ultrassonografia não mostra o cálculo no colédoco e não há colangite, a colangiorressonância (ou ecoendoscopia) é o exame indicado para confirmar o diagnóstico antes de procedimento terapêutico. A) Errada. A tomografia é menos sensível que a colangiorressonância para cálculos no colédoco. B) Errada. Não há febre nem sinais de infecção para diagnosticar colangite. C) Correta. Colestase sem colangite, confirmada por colangiorressonância. D) Errada. Não há colangite, e a CPRE é terapêutica, com risco de pancreatite, reservada para coledocolitíase confirmada ou de alta probabilidade. Análise de contexto do gabarito: o enunciado diz explicitamente que a paciente está afebril e sem sinais de infecção. A banca não informou o valor da bilirrubina nem se o cálculo foi visto no colédoco, dados usados na estratificação de risco. Fontes: Buxbaum JL, et al. ASGE guideline on the role of endoscopy in the evaluation and management of choledocholithiasis. Gastrointest Endosc 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 98)