Questões de Clínica médica: ENAMED 2025
Esta área reúne 28 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Psiquiatria (5), Infectologia (4), Cardiologia (3).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Clínica médica | 28 |
- Psiquiatria5
- Infectologia4
- Cardiologia3
- Endocrinologia3
- Neurologia3
- Reumatologia3
- Gastroenterologia e hepatologia2
- Dermatologia1
- Emergência e terapia intensiva1
- Geriatria1
Todas as questões da área
Questão 1 · ENAMED 2025
Mulher de 58 anos, hipertensa em tratamento irregular, apresenta fadiga e dispneia progressiva. Exame físico revela B3 e B4, crepitações pulmonares e PA 148x90 mmHg. Ecocardiograma mostra hipertrofia ventricular esquerda concêntrica e fração de ejeção de 38%. BNP elevado. Mantida IECA, associa-se fármaco para melhorar prognóstico. Qual fármaco deve ser associado ao IECA para melhorar o prognóstico da paciente com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (FE ≤40%), o antagonista mineralocorticoide (espironolactona) integra os quatro pilares que reduzem mortalidade e internação: IECA/BRA ou sacubitril-valsartana, betabloqueador, antagonista mineralocorticoide e iSGLT2. Com FE de 38% e IECA já em uso, associar espironolactona é a opção que muda prognóstico. A) Correta. Espironolactona reduz mortalidade na ICFEr (estudo RALES), com monitorização de potássio e função renal. B) Errada. Diurético alivia congestão, mas tiazídico não reduz mortalidade na ICFEr. C) Errada. Hidralazina só tem benefício associada a nitrato, em negros ou em quem não tolera IECA/BRA; isolada não melhora prognóstico. D) Errada. Clonidina não tem benefício na IC e o bloqueio simpático central pode piorar desfechos. Análise de contexto do gabarito: a FE de 38% define ICFEr, e a pergunta pede fármaco para prognóstico, não para controle pressórico. Só a espironolactona pertence às classes com redução de mortalidade comprovada. Fontes: SBC. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda, 2018, e Atualização de Tópicos Emergentes, 2021 | McDonagh TA et al. ESC Guidelines for heart failure, 2021, e Focused Update, 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 1)
Questão 2 · ENAMED 2025
Mulher de 82 anos, assintomática, sem história de hipertensão, apresenta três medidas pressóricas elevadas em serviços de saúde (146x86, 144x88, 146x88 mmHg) em duas semanas. Não há confirmação fora do consultório, como MAPA ou MRPA, e não há avaliação de fragilidade ou hipotensão ortostática. Qual é a abordagem adequada para essa paciente idosa com pressão elevada no consultório?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Idosa de 82 anos, assintomática, com PAS entre 144 e 146 mmHg apenas em medidas de consultório, sem MAPA ou MRPA e sem avaliação de fragilidade ou hipotensão ortostática. Antes de iniciar fármaco, é preciso confirmar a hipertensão fora do consultório (excluir efeito do avental branco) e avaliar fragilidade e ortostatismo, que definem limiar e intensidade do tratamento no muito idoso. Até lá, a conduta é seguir sem medicamento e monitorar a PA. A Diretriz Brasileira de Hipertensão de 2025 recomenda tratar a partir de PAS ≥140 mmHg também em pessoas com 80 anos ou mais, com individualização em frágeis e com hipotensão ortostática. A) Errada. Hipertensão estágio 1 sem complicações é manejada na atenção primária. B) Errada. Holter e ecocardiograma não confirmam hipertensão; o exame indicado seria MAPA ou MRPA. C) Errada. Iniciar losartana sem confirmar o diagnóstico e sem avaliar fragilidade e ortostatismo é prematuro. D) Correta. Conduta expectante com monitorização é adequada enquanto a avaliação não está completa. Análise de contexto do gabarito: o próprio enunciado destaca que faltam MAPA/MRPA e a avaliação de fragilidade e hipotensão ortostática. São esses dados ausentes que sustentam não medicar neste momento. Fontes: SBC/SBH/SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 | SBC. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 19)
Questão 3 · ENAMED 2025
Mulher de 21 anos, IMC 14,7 kg/m², amenorreia há 4 meses, perda de 30 kg em 10 meses, desmaio recente, ECG com alterações de ST e onda T, bradicardia, hipotensão, palidez e turgor cutâneo diminuído. Mantém restrição alimentar para perder mais peso. Qual a conduta adequada nesse momento?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Anorexia nervosa com IMC de 14,7 kg/m², perda de 30 kg em 10 meses, síncope, bradicardia, hipotensão, alterações de ST e onda T e desidratação indica instabilidade clínica com risco de arritmia e morte. A prioridade é internação em enfermaria clínica para estabilização, monitorização cardíaca e realimentação cuidadosa (risco de síndrome de realimentação). O cuidado psiquiátrico acompanha a internação e segue após a estabilização. A) Correta. Instabilidade hemodinâmica e eletrocardiográfica exige internação clínica. B) Errada. Enfermaria de saúde mental não oferece a monitorização clínica que o caso exige agora. C) Errada. A amenorreia é consequência da desnutrição; investigá-la na UBS atrasa o tratamento. D) Errada. Seguimento ambulatorial no CAPS é inadequado diante de instabilidade clínica. Análise de contexto do gabarito: bradicardia, hipotensão, síncope e alterações no ECG são critérios de internação clínica nos transtornos alimentares. A recusa em parar a restrição reforça o risco de piora rápida. Fontes: American Psychiatric Association. Practice Guideline for the Treatment of Patients With Eating Disorders, 4ª edição, 2023 | NICE. Eating disorders: recognition and treatment (NG69), 2017, atualizada em 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 21)
Questão 4 · ENAMED 2025
Mulher de 65 anos com bradicinesia, rigidez em roda dentada, tremor de repouso assimétrico, instabilidade postural, fácies em máscara, marcha de pequenos passos, sem déficit cognitivo. RNM com atrofia compatível com idade. Início há 6 meses. Qual o tratamento medicamentoso inicial recomendado?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Bradicinesia associada a rigidez em roda denteada e tremor de repouso assimétrico preenche os critérios clínicos de doença de Parkinson da Movement Disorder Society. Quando os sintomas motores afetam a funcionalidade, a levodopa associada a inibidor da dopa-descarboxilase (carbidopa ou benserazida) é o tratamento sintomático mais eficaz e a primeira escolha em pacientes idosos. A) Correta. Levodopa com carbidopa é o tratamento inicial recomendado para sintomas motores. B) Errada. Donepezila e memantina tratam demência; a paciente não tem déficit cognitivo. C) Errada. Propranolol trata tremor essencial (de ação); a amantadina tem efeito modesto e não é a escolha inicial aqui. D) Errada. Estatina e baclofeno não têm papel no tratamento da doença de Parkinson. Análise de contexto do gabarito: idade de 65 anos, tremor de repouso assimétrico e ausência de déficit cognitivo orientam para Parkinson e para a levodopa. A RM sem alterações específicas é compatível com o diagnóstico. Fontes: Postuma RB et al. MDS clinical diagnostic criteria for Parkinson’s disease. Movement Disorders, 2015 | NICE. Parkinson’s disease in adults (NG71), 2017 | Ministério da Saúde. PCDT da Doença de Parkinson, 2017 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 22)
Questão 5 · ENAMED 2025
Homem, 34 anos, febre 38,5°C, mialgia há 3 dias, hoje dor abdominal e vômitos incontroláveis. Exame: mucosas coradas, extremidades perfundidas, PA 120x80, FR 20, FC 80, dor leve à palpação abdominal. Qual a hipótese diagnóstica e o manejo para este paciente com suspeita de dengue?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Dor abdominal e vômitos incontroláveis em suspeita de dengue são sinais de alarme e classificam o caso no grupo C, mesmo com hemodinâmica preservada. A conduta é hidratação venosa imediata (SF 0,9% 10 mL/kg na primeira hora, conforme o manual de 2024), exames obrigatórios (hemograma, albumina, transaminases) e internação até estabilização. No 3º dia de sintomas, a confirmação é feita com NS1 ou RT-PCR; a sorologia IgM só a partir do 6º dia. A) Errada. Sinal de alarme exclui o grupo B; hidratação oral e manejo domiciliar são inadequados. B) Errada. O grupo C exige hidratação venosa, e IgM não é útil no 3º dia. C) Correta. Grupo C, hidratação parenteral, exames e NS1, em leito de observação ou internação. D) Errada. Grupo B não recebe hidratação parenteral; o caso é grupo C. Análise de contexto do gabarito: os vômitos incontroláveis e a dor abdominal são os dados que mudam a classificação. A PA, FC e perfusão normais afastam o grupo D, não o C. Fontes: Ministério da Saúde. Dengue: diagnóstico e manejo clínico – adulto e criança, 6ª edição, 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 26)
Questão 6 · ENAMED 2025
Homem de 48 anos, auxiliar de pedreiro, apresenta dor lombar há 6 semanas, insidiosa, sem irradiação, piora ao final do dia, melhora com repouso e paracetamol. Nega perda de peso, febre, incontinência ou fraqueza. Exame físico: dor à palpação paravertebral lombar, sem déficits neurológicos. Qual é o primeiro passo na condução desse caso de lombalgia?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Lombalgia mecânica inespecífica (piora com esforço, melhora com repouso) sem sinais de alerta (febre, perda de peso, déficit neurológico, incontinência) é manejada sem exame de imagem. A conduta inicial é explicar a natureza benigna, orientar manutenção das atividades e exercício, prescrever analgesia de curta duração (AINE na menor dose eficaz, se não houver contraindicação) e reavaliar. Imagem fica reservada para sinais de alerta ou falha do tratamento conservador. A) Errada. Ressonância e encaminhamento sem sinais de alerta não melhoram o desfecho e geram achados incidentais. B) Errada. Radiografia não está indicada, e corticoide sistêmico não tem benefício na lombalgia inespecífica. C) Errada. Repouso prolongado atrasa a recuperação, e antidepressivo tricíclico não é recomendado para lombalgia. D) Correta. Educação, analgesia, atividade física e reavaliação programada. Análise de contexto do gabarito: a ausência de sinais de alerta e o exame neurológico normal são os dados que dispensam imagem. O trabalho braçal explica o padrão mecânico. Fontes: Qaseem A et al. Noninvasive treatments for acute, subacute, and chronic low back pain: ACP guideline. Ann Intern Med, 2017 | NICE. Low back pain and sciatica in over 16s (NG59), 2016, atualizada em 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 27)
Questão 7 · ENAMED 2025
Homem de 68 anos, com HAS, DM e FA irregulares, apresenta rebaixamento de consciência e hemiparesia esquerda de predomínio braquiofacial. Visto bem há 90 minutos, chegou ao hospital 30 minutos após o déficit. Glasgow 9, PA 170x100 mmHg, FC irregular 96 bpm, glicemia 285 mg/dL. TC de crânio mostra hipodensidade em 40% do território da ACM direita, laudo obtido 3 horas após o último momento assintomático. Qual a contraindicação à terapia trombolítica nesse paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Hipodensidade estabelecida em mais de 1/3 do território da artéria cerebral média na TC indica infarto extenso já consolidado, com alto risco de transformação hemorrágica. Nessa situação a trombólise endovenosa não é recomendada. Os demais parâmetros estão dentro dos limites: 3 horas desde o último momento assintomático (janela de 4,5 horas), PA abaixo de 185x110 mmHg e glicemia acima de 50 e abaixo de 400 mg/dL. A) Correta. Isquemia extensa (>1/3 da ACM) contraindica a trombólise. B) Errada. 3 horas está dentro da janela de 4,5 horas. C) Errada. Hiperglicemia de 285 mg/dL deve ser corrigida, mas não contraindica a trombólise. D) Errada. PA de 170x100 mmHg está abaixo do limite de 185x110 mmHg. Análise de contexto do gabarito: o enunciado fornece tempo, PA e glicemia dentro dos limites aceitos. O único dado que impede a trombólise é a extensão da hipodensidade na TC. Fontes: Prabhakaran S et al. 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke. AHA/ASA. Stroke, 2026 | Powers WJ et al. Guidelines for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: 2019 Update. AHA/ASA. Stroke, 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 29)
Questão 8 · ENAMED 2025
Mulher de 52 anos, em acolhimento na UBS, apresenta choro intenso, insônia e hiporexia desde a morte do filho há 3 dias, vítima de atropelamento. Relata sonhos com o ocorrido, mas nega ideação suicida. Sem antecedentes psiquiátricos. Após acolhimento, acalma-se e pede ajuda. Qual a conduta adequada para essa paciente em luto recente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Choro, insônia, hiporexia e sonhos com o ocorrido 3 dias após a morte de um filho são reações esperadas de luto agudo, sem ideação suicida e sem antecedentes psiquiátricos. A conduta é acolhimento e acompanhamento longitudinal pela equipe da atenção primária, com reavaliação. Antidepressivo ou encaminhamento especializado ficam reservados para depressão maior, risco de suicídio ou luto prolongado (no DSM-5-TR, sintomas intensos 12 meses ou mais após a perda em adultos). A) Errada. Não se medica luto normal com antidepressivo. B) Errada. CAPS é para transtorno mental grave e persistente, o que não é o caso. C) Errada. Encaminhamento especializado não é necessário em luto recente sem complicação. D) Correta. Acompanhamento longitudinal e apoio pela equipe da UBS. Análise de contexto do gabarito: o intervalo de 3 dias, a ausência de ideação suicida e a resposta ao acolhimento caracterizam luto normal. O sofrimento é intenso, mas proporcional à perda. Fontes: American Psychiatric Association. DSM-5-TR, 2022 | WHO. mhGAP guideline for mental, neurological and substance use disorders, 2023 | Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 34: Saúde Mental, 2013 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 35)
Questão 9 · ENAMED 2025
Homem, 28 anos, estudante, zona urbana, apresenta lesão ulcerada com crostas e nodulações na mão dorsal, um mês após arranhadura de gato de rua. Biópsia mostra dermatite granulomatosa difusa, corpos asteroides e material eosinofílico periférico. Pergunta-se hipótese diagnóstica e tratamento. Qual a principal hipótese diagnóstica e o tratamento para o caso?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Lesão ulcerada e nodular na mão após arranhadura de gato, em área urbana, com granuloma e corpos asteroides (fenômeno de Splendore-Hoeppli) na biópsia é esporotricose, hoje transmitida principalmente por gatos (Sporothrix brasiliensis) no Brasil. O tratamento de escolha é itraconazol, mantido até 2 a 4 semanas após a cura clínica, o que costuma levar 3 a 6 meses. A) Errada. Furunculose é infecção bacteriana aguda folicular, sem granuloma com corpos asteroides. B) Errada. Herpes-zóster causa vesículas agrupadas em dermátomo, com dor neuropática. C) Correta. Esporotricose tratada com itraconazol por tempo prolongado. D) Errada. Paracoccidioidomicose acomete mucosas e pulmão em trabalhador rural, com células em roda de leme; anfotericina fica para formas graves. Análise de contexto do gabarito: o contato com gato de rua e os corpos asteroides na histologia são os dados que definem a esporotricose. A localização na mão no local da inoculação reforça a hipótese. Fontes: Orofino-Costa R et al. Sporotrichosis: an update on epidemiology, etiopathogenesis, laboratory and clinical therapeutics. An Bras Dermatol, 2017 | Kauffman CA et al. Clinical practice guidelines for the management of sporotrichosis: IDSA. Clin Infect Dis, 2007 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 5)
Questão 10 · ENAMED 2025
Mulher de 86 anos, com múltiplas comorbidades e polifarmácia, apresenta quedas frequentes, principalmente ao levantar-se à noite. Exame físico: PA deitada 138x92 mmHg, sentada 110x70 mmHg, bradipsiquismo e sarcopenia. Usa losartana, hidroclorotiazida, atenolol, entre outros. Qual o plano terapêutico apropriado para o caso?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Queda da PA de 138x92 para 110x70 mmHg (28 mmHg na sistólica) ao mudar de posição configura hipotensão ortostática (queda ≥20 mmHg na sistólica ou ≥10 mmHg na diastólica), que explica as quedas ao levantar à noite. A causa mais provável e reversível é medicamentosa: losartana, hidroclorotiazida e atenolol em idosa de 86 anos com polifarmácia. A conduta é revisar e desprescrever fármacos que causam hipotensão, antes de investigar outras causas ou acrescentar medicamentos. A) Errada. Catarata pode contribuir para quedas, mas não explica a queda pressórica ao mudar de posição. B) Errada. Disautonomia só deve ser investigada após retirar a causa medicamentosa. C) Correta. Revisão da polifarmácia para reduzir fármacos indutores de hipotensão. D) Errada. Fludrocortisona trataria efeito adverso de outro fármaco (cascata de prescrição) e piora a hipertensão em decúbito. Análise de contexto do gabarito: a medida em duas posições e a lista com três anti-hipertensivos são os dados que apontam a causa. O horário das quedas, ao levantar à noite, reforça o mecanismo ortostático. Fontes: American Geriatrics Society. Beers Criteria Update, 2023 | Montero-Odasso M et al. World guidelines for falls prevention and management for older adults. Age and Ageing, 2022 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 36)
Questão 11 · ENAMED 2025
Homem de 21 anos, diabético tipo 1 há 5 anos, sem insulina há 3 dias, apresenta dor abdominal, náuseas, vômitos, torpor, desidratação, hálito cetônico, taquicardia (112 bpm), taquipneia (38 irpm), PA 110x70 mmHg. Laboratório sugere acidose metabólica. Qual o diagnóstico e a conduta inicial para esse paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
DM1 sem insulina há 3 dias, com vômitos, dor abdominal, desidratação, hálito cetônico, respiração de Kussmaul e acidose metabólica configura cetoacidose diabética. O primeiro passo é a expansão volêmica com SF 0,9%. Antes da insulina, dosa-se o potássio: insulina só com K ≥3,5 mEq/L. Pelo consenso ADA/EASD de 2024, bicarbonato só se pH <7,0. A) Errada. A dor abdominal é comum na CAD; o quadro é explicado pela falta de insulina e pela acidose. B) Errada. Estado hiperosmolar ocorre em DM2, com cetose mínima e sem acidose significativa; e a insulina não é o primeiro passo. C) Correta. Cetoacidose diabética, com hidratação inicial com SF 0,9%. D) Errada. Lesão renal, se presente, é pré-renal pela desidratação; bicarbonato não é conduta inicial. Análise de contexto do gabarito: o DM1, a suspensão da insulina, o hálito cetônico e a acidose definem CAD. A desidratação e a taquicardia justificam o volume como primeira medida. Fontes: Umpierrez GE et al. Hyperglycemic Crises in Adults With Diabetes: A Consensus Report. Diabetes Care, 2024 | SBD. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2024 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 41)
Questão 12 · ENAMED 2025
Homem de 32 anos com dor lombar crônica insidiosa há 6 meses, piora pela manhã, melhora com movimento, rigidez matinal >30 min, dor sacroilíaca e fadiga. História familiar positiva para doenças reumatológicas. Painel de autoanticorpos mostra FAN reagente em baixos títulos, padrão homogêneo, anti-DNA negativo. Qual o diagnóstico mais provável para o caso?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Homem jovem com lombalgia inflamatória (início insidioso antes dos 45 anos, duração acima de 3 meses, rigidez matinal acima de 30 minutos, melhora com movimento) e dor sacroilíaca favorece espondiloartrite axial, cuja forma clássica é a espondilite anquilosante. A) Errada. Artrite reativa costuma ser aguda, oligoarticular assimétrica de membros inferiores e precedida por infecção entérica ou urogenital, ausente no caso. B) Errada. Artrite psoriática exige psoríase pessoal ou familiar, dactilite ou alteração ungueal, não descritas. C) Correta. Lombalgia inflamatória crônica com sacroiliíte clínica em homem de 32 anos é o quadro típico. D) Errada. LES predomina em mulheres, com manifestações sistêmicas; FAN em baixo título é inespecífico e, com anti-DNA negativo, não sustenta o diagnóstico. Análise de contexto do gabarito: o padrão inflamatório da dor, a idade, o sexo e o acometimento sacroilíaco definem a resposta; o painel de autoanticorpos entra como dado de distração clínica, pois espondiloartrites são soronegativas. A banca não informou HLA-B27 nem imagem, então o diagnóstico é de probabilidade. Fontes: Rudwaleit M et al. ASAS classification criteria for axial spondyloarthritis, Ann Rheum Dis, 2009 | Ramiro S et al. ASAS-EULAR recommendations for the management of axial spondyloarthritis: 2022 update, Ann Rheum Dis, 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 46)
Questão 13 · ENAMED 2025
Homem de 36 anos, tabagista, ascensorista, apresenta tosse seca há mais de 3 semanas, febre vespertina, dispneia aos esforços e dor infraescapular esquerda. Exame físico: emagrecido, descorado, afebril, murmúrios vesiculares diminuídos e macicez à percussão na base esquerda. Qual exame complementar e conduta são adequados para o diagnóstico provável?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Tosse por mais de 3 semanas, febre vespertina, emagrecimento, dor torácica e sinais de derrame pleural à esquerda (murmúrio diminuído e macicez na base) favorecem tuberculose pleural. A ultrassonografia confirma e quantifica o derrame e guia a toracocentese diagnóstica, que permite análise do líquido (exsudato linfocítico, ADA elevada) e, com a biópsia pleural, a confirmação. A) Errada. Ressonância não é exame inicial para derrame pleural, e não há indicação cirúrgica. B) Errada. Tomografia pode ajudar, mas lobectomia não tem papel no diagnóstico ou tratamento da TB pleural. C) Errada. Drenagem torácica é para empiema, pneumotórax ou hemotórax, não para derrame tuberculoso não complicado. D) Correta. USG localiza o derrame e guia a punção diagnóstica. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede exame e conduta "para o diagnóstico", e os achados de exame físico apontam derrame pleural; a resposta é a investigação do líquido, não um procedimento terapêutico. Fontes: Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed. atualizada, 2019 | Roberts ME et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease, Thorax, 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 48)
Questão 14 · ENAMED 2025
Homem de 55 anos, diabético, em uso de metformina 850 mg 3x/dia e gliclazida 30 mg/dia há mais de 6 meses. Exames mostram HbA1c 9,5% e creatinina 0,8 mg/dL. Busca conduta adequada para seguimento. Qual a conduta mais adequada para o seguimento desse caso?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
DM2 em uso de metformina e sulfonilureia em doses submáximas com HbA1c de 9,5% está muito acima da meta (em geral abaixo de 7%). Entre as opções, a conduta adequada é a insulinização basal: manter os orais e iniciar NPH noturna em dose baixa (10 UI ou 0,1 a 0,2 UI/kg), titulando pela glicemia de jejum. A) Errada. Não se suspendem os orais ao iniciar insulina basal, e o esquema proposto já é de dose plena dividida, sem titulação. B) Errada. Apenas otimizar orais dificilmente reduz HbA1c em mais de 2 pontos. C) Correta. Insulina basal bedtime associada aos orais, com titulação pela glicemia de jejum. D) Errada. Glibenclamida tem mais hipoglicemia, e 20 mg não muda a classe terapêutica. Análise de contexto do gabarito: HbA1c 9,5% após mais de 6 meses de dois orais define a necessidade de intensificação potente. As diretrizes atuais também consideram iSGLT2 ou agonista de GLP-1 conforme risco cardiorrenal e peso, mas essas opções não estão nas alternativas; entre as oferecidas, a basal noturna é a correta. Fontes: Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz Oficial da SBD: tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2, 2024 | American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes, 2025 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 50)
Questão 15 · ENAMED 2025
Homem de 38 anos com retocolite ulcerativa em acompanhamento ambulatorial. Exames mostram elevação significativa de fosfatase alcalina e gama-GT, discreta elevação de aminotransferases, sem hiperbilirrubinemia. Refere leve desconforto no hipocôndrio direito. Sem icterícia, febre ou sinal de Murphy. Qual exame complementar é indicado e qual o resultado provável, considerando a doença de base?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Paciente com retocolite ulcerativa e padrão colestático (fosfatase alcalina e GGT elevadas, sem hiperbilirrubinemia) sugere colangite esclerosante primária, associada à doença inflamatória intestinal em cerca de 70% dos casos. O exame de escolha é a colangiorressonância, não invasiva, que mostra estenoses multifocais alternadas com segmentos normais ou dilatados (aspecto em contas de rosário). A) Errada. Colangiocarcinoma hilar é complicação da CEP, mas o quadro não sugere tumor (sem icterícia ou massa). B) Errada. CPRE é invasiva e reservada a intervenção terapêutica; coledocolitíase cursaria com dor biliar e possivelmente icterícia. C) Correta. Colangio-RM com estenoses intercaladas a áreas normais ou dilatadas. D) Errada. Pólipo de vesícula não explica colestase bioquímica. Análise de contexto do gabarito: a associação RCU mais elevação desproporcional de FA e GGT, sem icterícia, é o que direciona para CEP e para o método diagnóstico não invasivo. Fontes: Bowlus CL et al. AASLD practice guidance on primary sclerosing cholangitis and cholangiocarcinoma, Hepatology, 2023 | European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on sclerosing cholangitis, J Hepatol, 2022 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 51)
Questão 16 · ENAMED 2025
Mulher de 20 anos procura atendimento médico no ambulatório de clínica médica de referência devido a quadro iniciado há 3 meses, com dor e edema articular acometendo articulações das mãos (interfalangeanas proximais, metacarpofalangeanas e punhos), assim como cotovelos, joelhos e tornozelos. Relata rigidez matinal que persiste por mais de 2 horas. O exame físico confirma dor e edema nas articulações descritas, além de mucosas hipocoradas (++/4+), sem outras alterações. A hipótese diagnóstica a ser considerada, o achado laboratorial esperado e a primeira linha de tratamento indicada são, respectivamente,
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Mulher jovem com poliartrite simétrica de pequenas e grandes articulações (IFP, MCF, punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos) há mais de 6 semanas e rigidez matinal acima de 1 hora sugere artrite reumatoide. A anemia leve é compatível com anemia de doença crônica. O fator reumatoide (e o anti-CCP) é o achado laboratorial esperado, e o metotrexato é o DMARD de primeira linha, idealmente iniciado logo após o diagnóstico. A) Errada. Esclerose sistêmica cursa com fenômeno de Raynaud e espessamento cutâneo; CK elevada sugere miopatia. B) Correta. AR, FR positivo e metotrexato como âncora do tratamento. C) Errada. LES pode ter artrite, mas em geral não erosiva e com manifestações sistêmicas que o caso não traz. D) Errada. DMCT exige anti-U1-RNP e cursa com Raynaud e mãos edemaciadas; azatioprina não é primeira linha. Análise de contexto do gabarito: o padrão articular (poliartrite simétrica com mãos e punhos, mais de 6 semanas) e a rigidez prolongada definem a hipótese; a ausência de manifestações extra-articulares torna colagenoses menos prováveis. Fontes: Aletaha D et al. 2010 ACR/EULAR rheumatoid arthritis classification criteria, Arthritis Rheum, 2010 | Smolen JS et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis: 2022 update, Ann Rheum Dis, 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 8)
Questão 17 · ENAMED 2025
Mulher de 45 anos com febre, mialgia, dor cervical anterior irradiada para mandíbula e orelhas, após infecção viral respiratória há 2 semanas. Apresenta taquicardia desproporcional, tremores, tireoide dolorosa e aumentada, VHS e PCR elevados. Suspeita-se de tireoidite subaguda. Considerando a principal hipótese diagnóstica, quais exames complementares a sustentariam e qual o tratamento indicado?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A tireoidite subaguda granulomatosa (de De Quervain) surge após infecção viral, com dor cervical anterior irradiada para mandíbula e orelhas, tireoide dolorosa, febre e VHS/PCR elevados. A tireotoxicose é por destruição folicular e liberação de hormônio pré-formado, por isso a captação de iodo radioativo está baixa. O tratamento é sintomático: betabloqueador para sintomas adrenérgicos e anti-inflamatório (AINE ou, nos casos mais intensos, corticoide). A) Correta. Captação reduzida, betabloqueador e anti-inflamatório. B) Errada. Nódulo quente é adenoma tóxico, sem dor ou inflamação sistêmica. C) Errada. TSH estaria suprimido, TRAb é de Graves e iodo radioativo não tem papel, pois a captação é baixa. D) Errada. TSH estaria baixo, e antiviral e metimazol não têm indicação, já que não há síntese aumentada de hormônio. Análise de contexto do gabarito: dor tireoidiana após quadro viral com marcadores inflamatórios elevados define a hipótese; a pergunta exige saber que a tireotoxicose é destrutiva, o que explica a captação baixa e a ausência de indicação de tionamida. Fontes: Ross DS et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis, Thyroid, 2016 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 58)
Questão 18 · ENAMED 2025
Homem de 23 anos, estudante, levado à UPA por amigo que o encontrou chorando e trancado no banheiro com cartelas de medicamentos. Nega ingestão, mas admite ideação suicida com plano. Há 2 meses com tristeza, insônia, perda de apetite, isolamento. Exame: vigil, orientado, afeto rebaixado. Laboratórios normais. Qual é a conduta adequada ao caso clínico apresentado?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Episódio depressivo com ideação suicida estruturada (plano), meios disponíveis (encontrado com cartelas de medicamentos) e comportamento de risco recente caracteriza alto risco de suicídio. Nessa situação, a conduta é proteção imediata com internação em leito de saúde mental, inclusive involuntária se necessário, conforme a Lei 10.216/2001. A) Errada. Seguimento na UBS não oferece proteção adequada para risco alto e iminente. B) Errada. Psicoterapia ambulatorial é parte do tratamento, mas não do manejo da crise. C) Errada. Avaliação ambulatorial no CAPS I não garante vigilância contínua; poderia ser opção se houvesse CAPS III com acolhimento noturno. D) Correta. Alto risco exige ambiente protegido e observação contínua. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são o plano suicida, o acesso aos meios e a cena encontrada pelo amigo; mesmo negando ingestão, o risco é alto. Fontes: Associação Brasileira de Psiquiatria. Suicídio: informando para prevenir, 2014 | Brasil. Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 64)
Questão 19 · ENAMED 2025
Mulher de 35 anos procura Unidade Básica de Saúde (UBS) informando ter tido diagnóstico de trombose venosa profunda há cerca de 2 anos. Fez tratamento adequado com anticoagulante oral por tempo limitado, tendo recebido alta com cura do quadro há cerca de 1 ano. Na ocasião, ela não havia realizado qualquer exame específico adicional. Entretanto, nos últimos 6 meses, seu pai e sua irmã também tiveram o diagnóstico de trombose. O médico assistente solicita exames complementares para rastreio de hipercoagulabilidade primária. Considerando a história apresentada, qual alteração laboratorial é compatível com a suspeita de doença hereditária?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Trombose venosa em mulher jovem com dois parentes de primeiro grau acometidos sugere trombofilia hereditária. A mutação do fator V de Leiden, que gera resistência à proteína C ativada, é a trombofilia hereditária mais comum em populações de ascendência europeia. As demais trombofilias hereditárias se manifestam por deficiência (níveis reduzidos) de proteína C, proteína S ou antitrombina. A) Correta. Fator V de Leiden é alteração compatível com trombofilia hereditária. B) Errada. O que predispõe à trombose é a deficiência de proteína S, não o aumento. C) Errada. O que predispõe à trombose é a deficiência de antitrombina. D) Errada. Redução do fator de von Willebrand causa tendência a sangramento. Análise de contexto do gabarito: a história familiar positiva é o dado que motiva a pesquisa; entre as alternativas, só A descreve alteração trombofílica, as demais estão no sentido oposto. A pesquisa foi feita fora da fase aguda e sem anticoagulante, condição necessária para dosar proteínas C, S e antitrombina. Fontes: Middeldorp S et al. American Society of Hematology 2023 guidelines for management of venous thromboembolism: thrombophilia testing, Blood Adv, 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 65)
Questão 20 · ENAMED 2025
Homem de 45 anos procura a UBS por perda de controle sobre a frequência e quantidade de consumo de álcool, faltas ao trabalho e amnésia durante a intoxicação. O médico deve investigar critérios diagnósticos de dependência conforme o DSM-5. Qual aspecto deve ser investigado para avaliar o padrão de dependência de substâncias psicoativas segundo o DSM-5?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
O DSM-5-TR define transtorno por uso de substância pela presença de pelo menos 2 de 11 critérios em 12 meses, agrupados em controle prejudicado, prejuízo social, uso arriscado e critérios farmacológicos (tolerância e abstinência). Gastar muito tempo para obter, usar ou se recuperar dos efeitos da substância é um dos critérios de controle prejudicado. A) Errada. Tolerância cruzada é conceito farmacológico, não critério diagnóstico. B) Errada. Adesão à abstinência não é critério diagnóstico. C) Correta. Tempo gasto com a substância é critério do DSM-5. D) Errada. O diagnóstico independe de a substância ser lícita ou ilícita. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede um aspecto a investigar segundo o DSM-5; só a alternativa C reproduz um dos 11 critérios formais. Fontes: American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR, 2023 (edição brasileira) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 69)
Questão 21 · ENAMED 2025
Homem de 28 anos, solteiro, mora com os pais, apresenta constrangimento no CAPS. Relata pensamentos recorrentes, indesejados e intrusivos sobre a mãe sofrendo violência, com angústia, duração superior a seis meses e prejuízo pessoal e profissional. Reconhece que as ideias são infundadas e sem sentido. Qual é a denominação da descrição clínica apresentada?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Pensamentos recorrentes, intrusivos e indesejados, que geram angústia e são reconhecidos pelo próprio paciente como sem sentido (insight preservado), são obsessões. Com duração prolongada e prejuízo funcional, o quadro favorece transtorno obsessivo-compulsivo. A) Errada. Delírio é crença falsa mantida com convicção, sem crítica; aqui há crítica preservada. B) Correta. Ideia intrusiva, egodistônica e reconhecida como absurda. C) Errada. Hipertimia é exaltação do humor, típica de mania. D) Errada. Compulsão é comportamento ou ato mental repetitivo para aliviar a angústia, não o pensamento em si. Análise de contexto do gabarito: o dado que define a resposta é o reconhecimento de que as ideias são infundadas, o que separa obsessão de delírio; a descrição é de pensamento, não de ato, o que separa obsessão de compulsão. Fontes: American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR, 2023 (edição brasileira) | Dalgalarrondo P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, 3ª ed., 2019 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 71)
Questão 22 · ENAMED 2025
Homem de 35 anos, IMC 15 kg/m², internado por diarreia líquida com produtos patológicos, flatulência e desconforto abdominal há 4 semanas, emagrecimento de 10 kg em 1 mês. Endoscopias alta e baixa sem alterações, biópsias normais. Teste respiratório com lactulose positivo. Qual o plano terapêutico adequado para esse paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Diarreia crônica com distensão, flatulência e grande perda de peso, endoscopias e biópsias normais e teste respiratório com lactulose positivo favorecem supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO). O tratamento é antibiótico: a rifaximina é a primeira escolha, e a associação com neomicina é usada sobretudo quando há produção de metano. A) Correta. Antibioticoterapia dirigida ao supercrescimento. B) Errada. Antidiarreico e antiespasmódico são só sintomáticos e não tratam a causa. C) Errada. Biópsias normais tornam doença celíaca improvável, e dieta não trata o supercrescimento. D) Errada. IBP reduz a acidez gástrica e é fator de risco para SIBO; probióticos não são tratamento estabelecido. Análise de contexto do gabarito: o teste respiratório positivo com investigação endoscópica e histológica normal é o dado que direciona para SIBO e para antibioticoterapia. A banca não informou fatores predisponentes, que devem ser investigados. Fontes: Pimentel M et al. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth, Am J Gastroenterol, 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 72)
Questão 23 · ENAMED 2025
Mulher de 62 anos, diabética, com infecções urinárias de repetição, chega à UPA com febre alta e calafrios. PA 110x70 mmHg, FC 106 bpm, FR 25 irpm, temperatura 38°C. Laboratório: hemoglobina 12,3 g/dL, hematócrito 36%, leucócitos 14.000/mm³ com 84% neutrófilos e 12% bastonetes, plaquetas 210.000/mm³. Qual a conduta recomendada para o caso?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Paciente com foco urinário provável, febre, taquicardia (FC 106), taquipneia (FR 25) e leucocitose com desvio à esquerda (12% de bastões): quadro de alta probabilidade de sepse. A conduta é coletar culturas (hemoculturas e urocultura) e iniciar antibiótico de amplo espectro o mais rápido possível, idealmente na primeira hora, junto à avaliação de lactato e reposição volêmica se houver hipoperfusão. A) Errada. Antitérmico e hidratação oral sem antibiótico atrasam o tratamento e aumentam a mortalidade. B) Correta. Antibiótico de amplo espectro precoce, após culturas, é o pilar do pacote da primeira hora. C) Errada. Não há indicação de cobertura empírica para Candida; o foco urinário comunitário é bacteriano. D) Errada. O esquema deve ser reavaliado diariamente e descalonado conforme culturas e evolução. Análise de contexto do gabarito: a combinação de diabetes, ITU de repetição, sinais de resposta inflamatória sistêmica e bastonetose sustenta a suspeita de sepse. A banca não informou lactato nem estado mental, mas os dados bastam para indicar antibiótico imediato. Fontes: Evans L, et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines 2021. Crit Care Med 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 79)
Questão 24 · ENAMED 2025
Mulher de 42 anos é levada à UPA pelo irmão com fala alterada, lentificação, tontura e sonolência. Admite ingestão de 30 comprimidos de clonazepam 2 mg há 20 minutos. Evolui com hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, coma e necessidade de ventilação mecânica. Qual medicação é indicada na intoxicação grave por benzodiazepínicos?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
A ingestão de 30 comprimidos de clonazepam 2 mg, com rebaixamento de consciência, coma e necessidade de ventilação mecânica, caracteriza intoxicação grave por benzodiazepínico. O antídoto específico é o flumazenil, antagonista competitivo do receptor benzodiazepínico no complexo GABA-A. O suporte (via aérea, ventilação, hemodinâmica) é a base do tratamento; o flumazenil deve ser usado com cautela em usuários crônicos de benzodiazepínicos ou em coingestão de pró-convulsivantes, pelo risco de abstinência e convulsões. A) Errada. N-acetilcisteína é o antídoto do paracetamol. B) Correta. Flumazenil reverte a sedação por benzodiazepínicos. C) Errada. Naloxona é antídoto de opioides. D) Errada. Atropina é usada em intoxicação por organofosforados e carbamatos. Análise de contexto do gabarito: a história de ingestão exclusiva de clonazepam, relatada há 20 minutos, define o agente e, portanto, o antídoto. Fontes: Nelson LS, et al. Goldfrank's Toxicologic Emergencies, 11ª ed. (2019) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 85)
Questão 25 · ENAMED 2025
Mulher de 55 anos, sem doenças crônicas, apresenta cefaleia persistente bilateral, alterações visuais (amaurose fugaz e diplopia), cansaço, artralgias, dor no couro cabeludo e perda de peso (2 kg em 2 meses). Nega fotofobia, fonofobia, febre, náuseas e rigidez de nuca. Exame físico normal. Qual é o tipo de cefaleia e qual exame é útil na investigação preliminar?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Cefaleia nova em mulher acima de 50 anos, com dor no couro cabeludo, amaurose fugaz, diplopia, artralgias e perda de peso, é sinal de alerta de cefaleia secundária e sugere arterite de células gigantes (arterite temporal). A VHS (e a PCR) elevada é o exame inicial útil, e o diagnóstico é confirmado por biópsia ou imagem da artéria temporal. Pela ameaça de perda visual, o corticoide deve ser iniciado sem aguardar a biópsia. A) Errada. Sintomas visuais, sistêmicos e idade de início tornam improvável o padrão tensional. B) Errada. Hemorragia subaracnóidea tem cefaleia súbita e intensa, frequentemente com rigidez de nuca. C) Errada. Migrânea nova após os 50 anos é improvável, e não há fotofobia nem náuseas. D) Correta. Arterite temporal, com triagem por VHS. Análise de contexto do gabarito: a combinação de idade de 55 anos, dor no couro cabeludo e amaurose fugaz é o que direciona a hipótese. A banca não informou se há espessamento ou dor à palpação da artéria temporal. Fontes: Ponte C, et al. 2022 ACR/EULAR classification criteria for giant cell arteritis. Ann Rheum Dis 2022 | Hellmich B, et al. 2018 Update of the EULAR recommendations for the management of large vessel vasculitis. Ann Rheum Dis 2020 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 86)
Questão 26 · ENAMED 2025
Homem de 56 anos, diabético, hipertenso e dislipidêmico, com angina instável recente, apresenta dor torácica típica há 2 horas, com 3 episódios similares nas últimas 24h. ECG mostra infradesnivelamento de ST e inversão de T em parede anterior, troponina elevada em curva, B4 à ausculta, sem congestão. GRACE 152, TIMI 5. Qual a conduta indicada para este paciente com SCA sem supra de alto risco?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Paciente com SCA sem supradesnivelamento de ST, troponina em curva, alterações dinâmicas de ST (infradesnivelamento e inversão de T), angina recorrente e GRACE 152 (> 140) é de alto risco. Para esse perfil, as diretrizes indicam estratégia invasiva precoce, com cateterismo nas primeiras 24 horas. Cateterismo imediato (< 2 h) fica para muito alto risco (instabilidade hemodinâmica, dor refratária, arritmias graves, insuficiência cardíaca aguda), ausentes no caso. A) Errada. Angiotomografia é usada em baixa ou intermediária probabilidade; não substitui o cateterismo no alto risco. B) Correta. Estratégia invasiva precoce em até 24 horas. C) Errada. Até 72 horas era o prazo de risco intermediário em diretrizes anteriores. D) Errada. Teste de estresse é para pacientes de baixo risco. Análise de contexto do gabarito: GRACE > 140, troponina em curva e alterações dinâmicas de ST são os critérios de alto risco do enunciado. A ausência de congestão e de instabilidade torna o cateterismo imediato desnecessário. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes da SBC sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST (2021) | Byrne RA, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J 2023 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 91)
Questão 27 · ENAMED 2025
Homem de 30 anos, profissional do sexo, com uso irregular de preservativo, apresenta astenia, emagrecimento de 10 kg em 3 meses, febre baixa e úlcera dolorosa no pênis há 1 semana. Exame: lesão ulcerada com bordas elevadas, base mole, 3 cm, sem secreção, e linfonodomegalia inguinal direita com sinais inflamatórios. Qual a investigação, achado esperado e tratamento para a úlcera genital?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Úlcera genital dolorosa, de base mole, sem secreção, com linfonodomegalia inguinal unilateral inflamatória sugere cancro mole (Haemophilus ducreyi). A bacterioscopia do esfregaço do fundo da úlcera (Gram) pode mostrar bacilos Gram-negativos em cadeias. O tratamento recomendado é azitromicina 1 g VO em dose única (2 comprimidos de 500 mg). Pelo risco de coinfecção, oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites, especialmente diante do emagrecimento e da febre. A) Errada. Linfogranuloma venéreo começa com lesão pequena e indolor; doxiciclina seria por 21 dias. B) Errada. Tuberculose genital é rara e não é o quadro típico de úlcera dolorosa aguda. C) Errada. O cancro duro da sífilis é indolor e de base endurecida. D) Correta. Bacterioscopia com Gram-negativos em cadeia e azitromicina 1 g dose única. Análise de contexto do gabarito: dor e base mole são os dados que distinguem cancro mole de sífilis primária. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (2022) | Workowski KA, et al. CDC Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines (2021) (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 96)
Questão 28 · ENAMED 2025
Homem de 50 anos com astenia, constipação e fezes em fita há 15 dias, edema de membros inferiores até raiz da região crural bilateral, perda de 10 kg em 6 meses. Nega hipertensão e diabetes. Exames mostram proteinúria de 3,6 g/24h, albumina sérica 1,8 g/dL, triglicerídeos 200 mg/dL e hematúria discreta. Quais achados laboratoriais são necessários para definir a síndrome renal do paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
A síndrome nefrótica é definida por proteinúria em faixa nefrótica (> 3,5 g/24 h em adultos) com hipoalbuminemia, geralmente acompanhadas de edema. Hiperlipidemia e lipidúria são frequentes, mas não são critérios necessários. Neste paciente, a perda de peso e as alterações do hábito intestinal (fezes em fita) levantam suspeita de neoplasia associada, causa conhecida de nefropatia membranosa secundária. A) Correta. Proteinúria de 3,6 g/24 h e albumina de 1,8 g/dL definem a síndrome nefrótica. B) Errada. Triglicerídeos elevados acompanham a síndrome, mas não a definem. C) Errada. Hematúria discreta e hipertrigliceridemia não definem síndrome nefrótica nem nefrítica. D) Errada. Hematúria não é critério da síndrome nefrótica. Análise de contexto do gabarito: a pergunta pede os achados necessários para definir a síndrome, e não os achados que acompanham. Por isso, apenas proteinúria e albumina são suficientes. Fontes: KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Glomerular Diseases. Kidney Int 2021 (Questão oficial: ENAMED 2025, nº 15)