Questões de Preventiva: SES-GO 2026

Esta área reúne 18 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Atenção primária e ESF (7), SUS e políticas de saúde (3), Vigilância e notificação (3).

Perfil da prova em números

Questões por área
ÁreaQuestões
Preventiva18
Os 10 temas mais frequentes
  • Atenção primária e ESF7
  • SUS e políticas de saúde3
  • Vigilância e notificação3
  • Bioestatística e estudos2
  • Rastreamento e níveis de prevenção2
  • Testes diagnósticos1

Todas as questões da área

Questão 1 · SES-GO 2026

O Guia de Vigilância aborda diversos desfechos, incluindo a vigilância das coberturas vacinais. Nesse contexto, qual indicador é calculado a partir do número de últimas doses do esquema vacinal aplicadas em determinada faixa etária da população, em determinado local e período, dividido pela população da respectiva faixa etária e local, estimada pelo IBGE ou pela SVS para o último ano do período, multiplicado por 100?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

O Guia de Vigilância em Saúde descreve diferentes formas de calcular coberturas vacinais. O indicador que usa no numerador as últimas doses do esquema aplicadas em determinada faixa etária e no denominador a população dessa faixa (estimativa IBGE ou SVS) é a cobertura vacinal nas coortes de vacinados. Ele mede a proporção da população-alvo que completou o esquema. A) Errada. Não é a denominação usada no Guia para esse cálculo. B) Errada. Cobertura de doses aplicadas considera o total de doses, não apenas as últimas do esquema. C) Correta. É o indicador descrito no enunciado. D) Errada. Mistura termos e não corresponde ao indicador oficial. Análise de contexto do gabarito: a expressão "últimas doses do esquema vacinal" é o dado que define o indicador, segundo a nomenclatura do Ministério da Saúde. Fontes: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 42)

Questão 2 · SES-GO 2026

Em um estudo caso-controle para investigar fatores associados ao diagnóstico de câncer de esôfago, os casos foram identificados em um hospital de referência oncológica e os controles foram selecionados na comunidade. Qual é o principal viés que pode ocorrer nesse estudo?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Em estudo caso-controle com casos de hospital de referência e controles da comunidade, os controles podem incluir pessoas com câncer de esôfago ainda não diagnosticado (doença subclínica). Esse erro de classificação torna os grupos mais parecidos quanto à exposição e tende a aproximar a medida de associação do nulo, subestimando o efeito. A) Correta. Controles com doença subclínica reduzem a diferença real entre os grupos. B) Errada. Exclusão de expostos seria problema de seleção, não de aferição, e não decorre do desenho descrito. C) Errada. Hospital de referência oncológica tende a concentrar casos mais graves, não menos. D) Errada. Controles com maior exposição geram viés de seleção; confusão é outro conceito (terceira variável associada à exposição e ao desfecho). Análise de contexto do gabarito: a origem diferente de casos e controles é o dado central; a alternativa A é a única que descreve corretamente uma consequência desse desenho. Fontes: Celentano DD, Szklo M. Gordis Epidemiology, 6ª ed., 2019 | Medronho RA et al. Epidemiologia, 2ª ed., 2009 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 43)

Questão 3 · SES-GO 2026

Em um estudo transversal, foi observado que as idades dos pacientes apresentaram distribuição assimétrica à direita. Considerando os conceitos de tendência central e dispersão, qual medida é mais adequada para representar a tendência central desse conjunto de dados, e por quê?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: C

Em distribuição assimétrica à direita, a média é deslocada pelos valores extremos da cauda e fica maior que a mediana. A mediana, que divide os dados ao meio, é pouco influenciada por valores extremos e representa melhor a tendência central nesse cenário. A) Errada. A sensibilidade da média aos extremos é justamente a desvantagem dela em dados assimétricos. B) Errada. Desvio padrão é medida de dispersão, não de tendência central. C) Correta. Mediana é a medida robusta para dados assimétricos. D) Errada. A moda pode ser útil, mas não é "sempre a melhor escolha"; a generalização torna a alternativa incorreta. Análise de contexto do gabarito: o termo "assimétrica à direita" define a resposta; a justificativa da alternativa C é a única tecnicamente correta. Fontes: Medronho RA et al. Epidemiologia, 2ª ed., 2009 | Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Clinical Epidemiology: The Essentials, 6ª ed., 2020 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 44)

Questão 4 · SES-GO 2026

Em um estudo multicêntrico, um novo teste rápido para detecção de tuberculose pulmonar apresentou sensibilidade de 95% e especificidade de 90%. Em uma população cuja prevalência estimada da doença é de 2%, qual será o principal desafio relacionado ao valor preditivo positivo desse teste, e por quê?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Valores preditivos dependem da prevalência. Em 1.000 pessoas com prevalência de 2%: 20 doentes, 19 verdadeiros positivos (sensibilidade 95%); 980 sadios, 98 falsos positivos (especificidade 90%). VPP = 19/117, cerca de 16%. Ou seja, com baixa prevalência, a maioria dos positivos é falso positivo, mesmo com teste acurado. O VPN fica próximo de 99,9%. A) Errada. O VPP é baixo; e poucos falsos negativos dizem respeito à sensibilidade e ao VPN, não ao VPP. B) Correta. Baixa prevalência derruba o VPP pelo excesso relativo de falsos positivos. C) Errada. O VPN é alto em baixa prevalência, e a prevalência interfere nele. D) Errada. O VPN é de fato elevado, mas a justificativa é incorreta, e a pergunta trata do VPP. Análise de contexto do gabarito: a prevalência de 2% é o dado decisivo; com ela, o cálculo mostra VPP baixo apesar de sensibilidade e especificidade altas. Fontes: Fletcher RH, Fletcher SW, Fletcher GS. Clinical Epidemiology: The Essentials, 6ª ed., 2020 | Medronho RA et al. Epidemiologia, 2ª ed., 2009 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 45)

Questão 5 · SES-GO 2026

Em um município, observou-se aumento progressivo do uso de causas inespecíficas nas Declarações de Óbito (DO) ao longo de uma década. Considerando os princípios da vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis (DANT), as repercussões desse fenômeno para a análise epidemiológica e a gestão em saúde

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Causas inespecíficas ou mal definidas na Declaração de Óbito retiram óbitos das causas específicas. Se essa proporção cresce ao longo do tempo, as taxas de mortalidade por doenças crônicas podem parecer estáveis ou em queda sem que isso reflita a realidade. Isso reduz a capacidade da vigilância de detectar tendências e de avaliar o efeito de intervenções. A) Correta. Descreve a estabilidade artificial das taxas e a perda de sensibilidade das análises. B) Errada. Causas inespecíficas não uniformizam os registros; elas pioram a qualidade e a comparabilidade. C) Errada. A má definição interfere, sim, na avaliação de políticas de prevenção de DANT. D) Errada. Não há compensação: a reclassificação posterior é limitada e não recupera a informação perdida. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve aumento progressivo ao longo de uma década; o impacto principal é a distorção das tendências de mortalidade específica. Fontes: Ministério da Saúde. Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil 2021-2030, 2021 | Medronho RA et al. Epidemiologia, 2ª ed., 2009 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 46)

Questão 6 · SES-GO 2026

Leia o caso clínico a seguir. O Sr. A.E.S tem 73 anos e trabalha em uma área rural. Durante atendimento, A.E.S relatou dormência em algumas partes dos braços e das pernas. Após a realização do exame laboratorial, A.E.S recebeu o diagnóstico de hanseníase e, em seguida ao diagnóstico inicial da doença, recebeu o tratamento da Poliquimioterapia (PQT). Além disso, foi realizado o acompanhamento de familiares e de outras pessoas que convivem com o paciente, a fim de identificar novos casos precocemente. As condutas descritas nesse caso foram realizadas

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

No SUS, a hanseníase é manejada prioritariamente na Atenção Primária: diagnóstico clínico, início e acompanhamento da poliquimioterapia, prevenção de incapacidades e avaliação dos contatos são atribuições da UBS/Estratégia Saúde da Família. Serviços de referência ficam para casos de dúvida diagnóstica, reações hansênicas graves, efeitos adversos importantes e recidivas. A) Errada. Serviços de dermatologia atuam como referência, não como porta de entrada. B) Correta. A UBS/ESF é o nível responsável pelo diagnóstico, tratamento e vigilância de contatos. C) Errada. Centros de referência atendem casos complexos. D) Errada. Hanseníase não exige atendimento hospitalar de rotina. Análise de contexto do gabarito: o caso descreve diagnóstico, PQT e busca de contatos sem complicações, todas ações típicas da Atenção Primária. Fontes: Ministério da Saúde. PCDT Hanseníase, 2022 | Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica (Portaria nº 2.436), 2017 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 47)

Questão 7 · SES-GO 2026

A Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. No Título II (Do Sistema Único de Saúde), Capítulo IV (Da Competência e das Atribuições), Seção II (Da Competência), a Lei nº 8.080 define as competências de cada instância de gestão (federal, estadual, distrital e municipal). É competência estadual:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

A Lei 8.080/1990 distribui as competências por esfera: o estado coordena, apoia e executa de forma supletiva; o município planeja, gere e executa os serviços. Coordenar a rede de laboratórios de saúde pública e hemocentros e gerir as unidades que permaneçam em sua organização administrativa está no art. 17, inciso V, como competência da direção estadual do SUS. A) Errada. Planejar, organizar, controlar, avaliar e gerir/executar os serviços públicos de saúde é competência municipal (art. 18, I). B) Correta. Reproduz o art. 17, V: competência da direção estadual. C) Errada. Participar do planejamento, programação e organização da rede regionalizada, em articulação com o estado, é competência municipal (art. 18, II). D) Errada. Participar da execução, controle e avaliação das ações referentes às condições e aos ambientes de trabalho é competência municipal (art. 18, III). Análise de contexto do gabarito: o enunciado delimita a Seção II do Capítulo IV; a palavra "coordenar" uma rede (laboratórios, hemocentros) é a marca da esfera estadual, enquanto "executar" e "gerir os serviços públicos" caracterizam o município. Fontes: Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, arts. 17 e 18 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 48)

Questão 8 · SES-GO 2026

Desde 1988, o Brasil tem estabelecido um sistema de saúde dinâmico e complexo (o Sistema Único de Saúde – SUS), baseado nos princípios da saúde como um direito do cidadão e um dever do Estado. O SUS tem o objetivo de prover uma atenção abrangente e universal, preventiva e curativa, por meio da gestão e prestação descentralizadas de serviços de saúde, promovendo a participação da comunidade em todos os níveis de governo. Essa participação foi garantida

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

A participação da comunidade é diretriz constitucional do SUS (CF/1988, art. 198, III), mas seus mecanismos foram regulamentados pela Lei 8.142/1990, que criou as instâncias colegiadas em cada esfera de governo (Conferência de Saúde e Conselho de Saúde) e também dispôs sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros. Os artigos da Lei 8.080/1990 sobre participação e repasses foram vetados, o que motivou a edição da 8.142 no mesmo ano. A) Correta. A Lei 8.142/1990 trata das duas matérias: participação da comunidade e transferências intergovernamentais. B) Errada. O Pacto pela Saúde (2006) pactuou metas e compromissos de gestão; não instituiu a participação social. C) Errada. As NOBs (1991 a 1996) regularam descentralização e financiamento; não são a base legal da participação. D) Errada. A Lei 8.080/1990 organiza o SUS, mas não define "todas" as formas de funcionamento e teve os dispositivos sobre participação vetados. Análise de contexto do gabarito: a alternativa A se identifica pelo complemento "transferências intergovernamentais de recursos", que é o segundo objeto da ementa da Lei 8.142/1990. Fontes: Brasil. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990 | Brasil. Constituição Federal de 1988, art. 198 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 50)

Questão 9 · SES-GO 2026

A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) é a diretriz do Ministério da Saúde para a Atenção Primária à Saúde no Brasil, estruturada para ser a porta de entrada preferencial e coordenadora do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS). Ela define como as equipes multiprofissionais se organizam em territórios definidos para realizar ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação da saúde. Sua implementação é feita por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), com o objetivo de garantir o acesso integral e gratuito à saúde, e estabelece atribuições comuns e atribuições específicas aos membros das Equipes de Atenção Básica. Nesses casos, a atribuição específica do profissional médico é:

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

A PNAB (Portaria GM/MS nº 2.436/2017, consolidada na Portaria de Consolidação nº 2/2017) separa atribuições comuns a todos os membros da equipe e atribuições específicas de cada categoria. Entre as específicas do médico está indicar, de forma compartilhada com outros pontos de atenção, a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a responsabilização pelo acompanhamento do usuário. A) Errada. Participar da territorialização e do mapeamento da área é atribuição comum a todos os profissionais. B) Errada. Realizar o cuidado da população adscrita na unidade, no domicílio e em espaços comunitários é atribuição comum. C) Errada. Realizar ações conforme a necessidade de saúde local e os protocolos da gestão é atribuição comum. D) Correta. Consta no rol de atribuições específicas do médico na PNAB 2017. Análise de contexto do gabarito: as alternativas A, B e C descrevem tarefas que qualquer membro da equipe executa; apenas D envolve decisão clínica de internação, que a PNAB reserva ao médico, preservando a longitudinalidade do cuidado. Fontes: Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 (PNAB) (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 51)

Questão 10 · SES-GO 2026

Uma mulher de 38 anos foi diagnosticada recentemente com tuberculose pulmonar bacilífera, iniciando tratamento supervisionado na unidade de saúde. Seu esposo, de 42 anos, comparece ao serviço de referência como contactante domiciliar, relatando nenhum sintoma respiratório e bom estado geral. Ele não possui comorbidades, teste para HIV negativo e apresenta vacinação BCG na infância. Qual é a conduta para esse contactante?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Contato domiciliar de caso pulmonar bacilífero deve ser avaliado para TB ativa e infecção latente (ILTB). No adulto assintomático, faz-se prova tuberculínica (PPD) ou IGRA e radiografia de tórax. Excluída TB ativa, PPD de 5 mm ou mais (independentemente da BCG prévia) ou IGRA positivo indica tratamento da ILTB. As opções incluem 3HP (rifapentina com isoniazida), 4R (rifampicina) ou isoniazida por 6 a 9 meses. A) Errada. Inverte o critério: PPD abaixo de 5 mm em contato imunocompetente não indica tratamento da ILTB. B) Correta. Radiografia de tórax e PPD/IGRA; tratar ILTB se teste positivo e TB ativa excluída. C) Errada. Apenas observar perde a oportunidade de diagnosticar e tratar a ILTB. D) Errada. Baciloscopia de escarro é para sintomáticos respiratórios; não avalia ILTB. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a conduta são contato domiciliar, caso índice bacilífero, ausência de sintomas e HIV negativo. A BCG na infância não altera o ponto de corte de 5 mm para contatos. Fontes: Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed. atualizada, 2019 | Ministério da Saúde. Protocolo de Vigilância da Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis no Brasil, 2ª ed., 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 81)

Questão 11 · SES-GO 2026

Leia o caso a seguir. V.C.C. agenda uma consulta para realizar seu "check up" de rotina. Nega comorbidades ou medicações em uso contínuo. Na consulta, o médico afere a pressão arterial, que marca 148x98mmHg. Esta é a primeira vez que a pressão de V.C.C. apresenta elevação. Utilizando o método SOAP para registro em prontuário, o que deve ser descrito no campo "avaliação"?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Uma única medida de 148x98 mmHg, em pessoa sem diagnóstico prévio, não basta para diagnosticar hipertensão arterial: o diagnóstico exige confirmação com medidas repetidas em consultas diferentes ou com MAPA/MRPA. No SOAP, o campo "Avaliação" registra o problema no grau de certeza disponível. Portanto, o registro adequado é "pressão arterial elevada", com plano de confirmação. A) Errada. Classificar estágio pressupõe diagnóstico confirmado de hipertensão. B) Errada. Uma única aferição não confirma o diagnóstico. C) Errada. "Descompensada" se aplica a quem já tem hipertensão em tratamento, o que não é o caso. D) Correta. Registra o achado sem rotular a pessoa antes da confirmação. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são "primeira vez que apresenta elevação" e ausência de comorbidades; não há confirmação, logo a avaliação é de problema, não de doença. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia, SBH e SBN. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, 2025 | Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2ª ed., 2019 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 93)

Questão 12 · SES-GO 2026

O método clínico centrado na pessoa constitui ferramenta imprescindível para o médico de família e comunidade e possui quatro componentes. Desenhar um ecomapa é um exemplo da aplicação de qual componente?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

O método clínico centrado na pessoa, na versão atual de Stewart e colaboradores, tem quatro componentes: 1) explorar a saúde, a doença e a experiência da doença; 2) entender a pessoa como um todo; 3) elaborar um plano conjunto de manejo; 4) fortalecer a relação médico-pessoa. O 2º componente inclui a pessoa, o contexto próximo (família, trabalho, apoio social) e o contexto amplo (comunidade, cultura). O ecomapa representa as relações da pessoa e da família com o meio, por isso aplica o 2º componente. A) Errada. O 1º componente explora sentimentos, ideias, funcionalidade e expectativas sobre a doença. B) Correta. O ecomapa mostra o contexto da pessoa. C) Errada. O 3º componente trata de problemas, metas e papéis na decisão compartilhada. D) Errada. O 4º componente se refere ao vínculo terapêutico. Análise de contexto do gabarito: a ferramenta citada, o ecomapa, é instrumento de contexto, o que define o 2º componente. Fontes: Stewart M et al. Medicina centrada na pessoa: transformando o método clínico, 3ª ed., 2017 | Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2ª ed., 2019 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 94)

Questão 13 · SES-GO 2026

A coordenação do cuidado é um dos princípios da atenção primária e uma habilidade importante para a medicina de família e comunidade. Um exemplo de aplicação do princípio da coordenação do cuidado é quando se realiza

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Coordenação do cuidado é o atributo da atenção primária que integra as ações dos diferentes pontos da rede, mantendo a APS como responsável pelo acompanhamento da pessoa e garantindo fluxo de informação entre serviços. O matriciamento com a equipe do CAPS é cuidado compartilhado entre equipes, com troca de informação e plano conjunto: exemplo direto de coordenação. A) Correta. O matriciamento articula APS e CAPS no cuidado do mesmo paciente. B) Errada. O encaminhamento isolado, sem comunicação nem acompanhamento, não caracteriza coordenação. C) Errada. Grupo sobre alimentação é ação de promoção de saúde e orientação comunitária. D) Errada. Visita domiciliar a acamado amplia acesso e longitudinalidade, mas, sozinha, não integra serviços. Análise de contexto do gabarito: a alternativa A é a única que envolve articulação entre dois serviços da rede no cuidado de um mesmo paciente. Fontes: Starfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. UNESCO/Ministério da Saúde, 2002 | Brasil. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 (Política Nacional de Atenção Básica) (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 95)

Questão 14 · SES-GO 2026

A prevenção quaternária deve ser levada em consideração no contexto da prática em atenção primária, buscando evitar procedimentos e intervenções desnecessários que possam causar mais danos do que benefícios para o paciente. Qual das seguintes condutas representa um exemplo de prevenção quaternária?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

Prevenção quaternária é a ação que protege a pessoa de intervenções desnecessárias ou cujo dano supera o benefício. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata em homens assintomáticos, pelo risco de sobrediagnóstico, biópsias e tratamentos com complicações (incontinência, disfunção erétil) sem ganho claro de mortalidade. Não solicitar esse rastreio é o exemplo de prevenção quaternária. A) Errada. Vacinação pneumocócica em pessoas vivendo com HIV é prevenção primária indicada. B) Correta. Evita rastreamento com balanço dano-benefício desfavorável. C) Errada. Aos 25 anos, com início da vida sexual, o rastreio do câncer do colo do útero é indicado; não solicitar seria omissão. D) Errada. Dapagliflozina na ICFEr reduz eventos em doença estabelecida: prevenção terciária. Análise de contexto do gabarito: só a alternativa B descreve deixar de fazer uma intervenção sem benefício comprovado, que define a prevenção quaternária. Fontes: Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer, 2021 | Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Primária nº 29: Rastreamento, 2010 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 96)

Questão 15 · SES-GO 2026

Um exemplo considerado como uma ferramenta de diagnóstico comunitário é

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

Diagnóstico comunitário é o levantamento das condições de vida, problemas e recursos de um território. A estimativa rápida participativa é ferramenta típica: usa dados já registrados, entrevistas com informantes-chave e observação ativa do território, com participação da comunidade, para identificar prioridades em pouco tempo e com baixo custo. A) Errada. O genograma é ferramenta de abordagem familiar. B) Errada. Matriciamento é apoio especializado compartilhado entre equipes. C) Errada. Grupo comunitário é dispositivo de cuidado e educação em saúde. D) Correta. A estimativa rápida é ferramenta de diagnóstico comunitário. Análise de contexto do gabarito: a pergunta pede uma ferramenta de diagnóstico do território; apenas a estimativa rápida tem essa finalidade. Fontes: Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2ª ed., 2019 | Brasil. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 (Política Nacional de Atenção Básica) (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 97)

Questão 16 · SES-GO 2026

Uma ferramenta da abordagem familiar sistêmica é

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: B

A abordagem familiar sistêmica entende a família como sistema em que as mudanças de um membro afetam os demais. Entre suas ferramentas estão genograma, ecomapa, ciclo de vida familiar, APGAR familiar, FIRO e PRACTICE. O ciclo de vida descreve fases previsíveis (casal, filhos pequenos, filhos adolescentes, saída dos filhos, aposentadoria) e ajuda a antecipar crises de transição. A) Errada. O projeto terapêutico singular organiza o cuidado de casos complexos pela equipe; não é ferramenta específica da abordagem familiar. B) Correta. O ciclo de vida é ferramenta clássica da abordagem familiar. C) Errada. Diagnóstico de demanda organiza o acesso e o perfil de procura do serviço. D) Errada. Educação popular é estratégia de educação em saúde e participação. Análise de contexto do gabarito: entre as opções, só o ciclo de vida pertence ao conjunto de ferramentas de abordagem familiar. Fontes: Gusso G, Lopes JMC, Dias LC. Tratado de Medicina de Família e Comunidade, 2ª ed., 2019 | McGoldrick M, Carter B, Garcia-Preto N. The Expanded Family Life Cycle, 5ª ed., 2015 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 98)

Questão 17 · SES-GO 2026

Conhecer e levar em consideração os saberes tradicionais dos povos indígenas na elaboração de um plano terapêutico de um paciente indígena significa aplicar qual dos princípios da atenção primária?

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: A

Competência cultural é um dos atributos derivados da atenção primária descritos por Starfield, ao lado da orientação familiar e da orientação comunitária. Significa reconhecer as características culturais da população atendida e adaptar o cuidado a elas. Incorporar saberes tradicionais indígenas ao plano terapêutico é aplicação direta desse atributo, alinhada à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. A) Correta. Considerar crenças e práticas culturais no plano de cuidado define competência cultural. B) Errada. Humanização é política transversal do SUS (acolhimento, ambiência), não atributo da APS. C) Errada. Coordenação integra os pontos da rede de atenção. D) Errada. Participação popular é diretriz do SUS de controle social, não adaptação cultural do cuidado. Análise de contexto do gabarito: o enunciado fala de saberes tradicionais de um povo específico no plano terapêutico, o que define competência cultural. Fontes: Starfield B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. UNESCO/Ministério da Saúde, 2002 | Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, 2ª ed., 2002 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 99)

Questão 18 · SES-GO 2026

Os conselhos de saúde são espaços de participação popular que possuem caráter

Análise de contexto do gabarito

Gabarito: D

A Lei nº 8.142/1990 define os conselhos de saúde como órgãos colegiados de caráter permanente e deliberativo, com composição paritária de usuários em relação aos demais segmentos. Eles atuam na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, e suas decisões são homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera. As conferências de saúde avaliam a situação e propõem diretrizes. A) Errada. A lei não atribui caráter normativo aos conselhos. B) Errada. Os conselhos não são apenas consultivos; suas decisões têm caráter deliberativo. C) Errada. A execução das ações cabe ao gestor, não ao conselho. D) Correta. Caráter permanente e deliberativo, conforme a Lei 8.142/1990. Análise de contexto do gabarito: a pergunta reproduz o texto legal sobre a natureza dos conselhos, o que define "deliberativo". Fontes: Brasil. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990 | Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 453, de 10 de maio de 2012 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 100)

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