Questões de Clínica médica: SES-GO 2026
Esta área reúne 30 questões oficiais. Os temas mais frequentes são Reumatologia (5), Cardiologia (4), Emergência e terapia intensiva (3).
Perfil da prova em números
| Área | Questões |
|---|---|
| Clínica médica | 30 |
- Reumatologia5
- Cardiologia4
- Emergência e terapia intensiva3
- Gastroenterologia e hepatologia3
- Infectologia3
- Neurologia3
- Dermatologia2
- Endocrinologia2
- Patologia geral2
- Pneumologia2
Todas as questões da área
Questão 1 · SES-GO 2026
Leia o caso a seguir. Um homem de 67 anos procurou uma unidade de atenção primária devido à presença de múltiplas pápulas hipercrômicas (de cor marrom-clara) com a superfície verrucosa no tronco e na face, que surgiram ao longo dos últimos 5 anos. Nega dor, sangramento e prurido. Uma das lesões, na área da barba, foi removida com uma cureta, pois causava incômodo ao paciente. O médico o orientou sobre o caráter benigno destas lesões epidérmicas. As lesões epidérmicas citadas no caso acima são denominadas de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Pápulas múltiplas, marrom-claras, de superfície verrucosa, em tronco e face de idoso, com evolução lenta, sem sintomas e removíveis por curetagem, descrevem queratoses seborreicas: proliferação epidérmica benigna muito comum após os 50 anos, com aspecto de lesão "colada" na pele. A) Errada. Queratose actínica é lesão pré-maligna, áspera, eritematosa ou descamativa em área fotoexposta, e não é descrita como benigna. B) Errada. Nevos melanocíticos não têm superfície verrucosa típica nem surgem em grande número após os 60 anos. C) Errada. Melanose solar é mácula plana acastanhada, sem relevo verrucoso. D) Correta. Corresponde à morfologia, à idade, à evolução e ao caráter benigno descritos. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são "pápulas verrucosas", "múltiplas", "idoso", "benignas" e a remoção por curetagem, técnica típica para queratose seborreica. Fontes: Bolognia JL et al. Dermatology, 4ª ed., 2018 | Rivitti EA. Dermatologia de Sampaio e Rivitti, 4ª ed., 2018 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 20)
Questão 2 · SES-GO 2026
Mulher de 45 anos apresenta onicólise e hiperceratose subungueal acometendo 80% da superfície da unha do hálux esquerdo. Tem antecedente de gota e dislipidemia, em tratamento com rosuvastatina e colchicina. Exame direto com hidróxido de potássio de amostra da unha acometida identificou hifas hialinas septadas, e na cultura, houve crescimento de Trichophyton rubrum. Para evitar interações medicamentosas e apresentar boa resposta em três meses, o tratamento dessa paciente deve ser realizado com
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Onicomicose por Trichophyton rubrum com 80% de acometimento da lâmina exige tratamento sistêmico. A terbinafina 250 mg/dia por 12 semanas (unhas dos pés) é a droga de escolha para dermatófitos, com as maiores taxas de cura micológica. Ela inibe CYP2D6, sem interação relevante com colchicina ou rosuvastatina. A) Correta. Fungicida para dermatófitos, esquema de 3 meses e sem interação significativa com as medicações em uso. B) Errada. Fluconazol é menos eficaz contra dermatófitos, exige uso prolongado e inibe CYP3A4/2C9. C) Errada. Itraconazol inibe fortemente CYP3A4 e glicoproteína-P, aumentando o risco de toxicidade da colchicina. D) Errada. Esmalte de amorolfina é indicado em acometimento limitado (geralmente < 50% da lâmina, sem matriz), insuficiente para 80%. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são a extensão (80%), o agente (dermatófito), o uso de colchicina e o prazo de três meses. Fontes: Lipner SR, Scher RK. Onychomycosis: treatment and prevention of recurrence. J Am Acad Dermatol, 2019 | Bolognia JL et al. Dermatology, 4ª ed., 2018 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 21)
Questão 3 · SES-GO 2026
Paciente do sexo masculino, 66 anos de idade, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial há vários anos e antecedente de infarto agudo do miocárdio há 4 meses. De acordo com último guideline brasileiro de dislipidemia, publicado em 2025, qual deve ser a meta de LDL-c para esse paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose da SBC (2025), está em risco extremo quem tem múltiplos eventos cardiovasculares maiores ou um evento maior associado a duas ou mais condições de alto risco (entre elas diabetes, hipertensão e idade a partir de 65 anos). Este paciente tem infarto há 4 meses, diabetes, hipertensão e 66 anos: risco extremo, com meta de LDL-c < 40 mg/dl. A) Errada. < 70 mg/dl é a meta do risco alto. B) Errada. < 50 mg/dl é a meta do risco muito alto (evento maior sem duas condições adicionais). C) Correta. < 40 mg/dl é a meta do risco extremo. D) Errada. Não há categoria com meta de < 20 mg/dl na diretriz. Análise de contexto do gabarito: o enunciado explicita a diretriz de 2025, que criou a categoria de risco extremo; o infarto recente somado a diabetes, hipertensão e idade enquadra o caso nela. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025. Arq Bras Cardiol, 2025 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 23)
Questão 4 · SES-GO 2026
Homem de 26 anos, com obesidade de grau 3, procurou serviço de endocrinologia com queixa de diminuição da libido. Submetido a exame físico, apresentou ginecomastia bilateral associada a diminuição do volume testicular. Exames hormonais: Testosterona total: 144,0 ng/dl; SHBG: 22,0 nmol/L; Testosterona livre calculada: 3,34 ng/dL; LH: 23 UI/L; Prolactina: 23 ng/mL. Qual é o diagnóstico desse paciente?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Testosterona total baixa (144 ng/dl) com LH elevado (23 UI/L) define hipogonadismo primário (hipergonadotrófico): a falha é testicular. Em homem jovem, com testículos pequenos e ginecomastia, a causa mais provável é a síndrome de Klinefelter (47,XXY), confirmada por cariótipo. A) Errada. Kallmann é hipogonadismo hipogonadotrófico congênito (LH baixo), associado a anosmia. B) Errada. Tumor selar causa hipogonadismo central, com LH baixo ou inapropriadamente normal; a prolactina de 23 ng/mL é praticamente normal. C) Correta. LH alto, testosterona baixa, testículos pequenos e ginecomastia favorecem Klinefelter. D) Errada. O hipogonadismo funcional da obesidade cursa com LH normal ou baixo. Análise de contexto do gabarito: a obesidade grau 3 sugere hipogonadismo funcional, mas o LH elevado desloca o diagnóstico para falência testicular primária; com o fenótipo descrito, Klinefelter é a principal hipótese. Fontes: Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018 | Williams Textbook of Endocrinology, 14ª ed., 2020 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 24)
Questão 5 · SES-GO 2026
Em casos de hipertensão arterial de difícil controle em pacientes jovens, e em casos de investigação de hipertensão arterial secundária, deve-se descartar o hiperaldosteronismo primário. Segundo o último guideline de aldosteronismo primário publicado pela Endocrine Society em 2025, quais exames laboratoriais são recomendados como screening do hiperaldosteronismo primário?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
A diretriz da Endocrine Society de 2025 recomenda rastrear aldosteronismo primário com a dosagem pareada de aldosterona e renina (atividade de renina ou renina direta), interpretando aldosterona elevada com renina suprimida (relação aldosterona/renina). A diretriz amplia o rastreio para todos os pacientes com hipertensão e, em geral, permite fazê-lo sem suspender a maioria dos anti-hipertensivos. A) Errada. Cortisol não faz parte do rastreio de aldosteronismo primário. B) Correta. Aldosterona e renina formam o exame de rastreio recomendado. C) Errada. Potássio está normal na maioria dos casos; renina isolada não basta. D) Errada. Sem a renina, não se distingue hiperaldosteronismo primário de secundário. Análise de contexto do gabarito: o enunciado cita a diretriz de 2025; o essencial é a dupla aldosterona e renina, que define o padrão de autonomia da adrenal. Fontes: Adler GK et al. Primary Aldosteronism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2025 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 25)
Questão 6 · SES-GO 2026
O achado de hepatopatia crônica em adolescentes, associado a níveis reduzidos de ceruloplasmina, sugere o diagnóstico de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Hepatopatia crônica em adolescente com ceruloplasmina reduzida sugere doença de Wilson, distúrbio autossômico recessivo do gene ATP7B com acúmulo de cobre no fígado, cérebro e córnea. A investigação prossegue com cobre urinário de 24 horas, pesquisa de anéis de Kayser-Fleischer e, se necessário, cobre hepático ou teste genético. A) Errada. Hepatite autoimune cursa com autoanticorpos e hipergamaglobulinemia, sem ceruloplasmina baixa típica. B) Errada. Colangite biliar primária acomete mulheres de meia-idade, com colestase e anticorpo antimitocôndria. C) Errada. Deficiência de alfa-1 antitripsina é investigada pelo nível sérico de alfa-1 antitripsina e fenótipo. D) Correta. Ceruloplasmina baixa em jovem com hepatopatia é o marcador clássico de Wilson. Análise de contexto do gabarito: os dois dados do enunciado (idade jovem e ceruloplasmina reduzida) bastam para a hipótese; o diagnóstico definitivo exige exames complementares. Fontes: Schilsky ML et al. A multidisciplinary approach to the diagnosis and management of Wilson disease: 2022 Practice Guidance from AASLD. Hepatology, 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 26)
Questão 7 · SES-GO 2026
Qual é a principal etiologia da pancreatite crônica calcificante?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
O álcool é a principal causa de pancreatite crônica, inclusive da forma calcificante, respondendo pela maioria dos casos em adultos nos países ocidentais. O tabagismo atua como cofator independente e acelera a calcificação. A lesão decorre de precipitação proteica nos ductos (rolhas) que calcificam, com fibrose progressiva. A) Correta. Álcool é a etiologia mais frequente. B) Errada. Hipertrigliceridemia é causa importante de pancreatite aguda, raramente de crônica. C) Errada. Diabetes tipo 1 não causa pancreatite crônica; o diabetes pancreatogênico é consequência dela (tipo 3c). D) Errada. Hipercalcemia (hiperparatireoidismo) é causa rara. Análise de contexto do gabarito: a pergunta é epidemiológica ("principal etiologia"); as demais alternativas são causas raras ou consequências da doença. Fontes: Gardner TB et al. ACG Clinical Guideline: Chronic Pancreatitis. Am J Gastroenterol, 2020 | Sabiston Textbook of Surgery, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 27)
Questão 8 · SES-GO 2026
Em pacientes portadores de RCUI que apresentam aumento persistente de fosfatase alcalina e Gama GT, deve-se investigar a associação com
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Elevação persistente de fosfatase alcalina e GGT em paciente com retocolite ulcerativa indica colestase e deve levar à investigação de colangite esclerosante primária (CEP), feita principalmente por colangiorressonância. A maioria dos pacientes com CEP tem doença inflamatória intestinal, sobretudo RCU. A) Errada. Colangite biliar primária associa-se a outras doenças autoimunes (tireoidite, Sjögren), não à RCU, e é diagnosticada pelo anticorpo antimitocôndria. B) Correta. CEP é a hepatopatia classicamente associada à RCU. C) Errada. Colangiocarcinoma é complicação da CEP; a investigação inicial de colestase persistente busca a CEP. D) Errada. Colangite supurativa é quadro agudo (febre, icterícia, dor), não elevação enzimática persistente e assintomática. Análise de contexto do gabarito: os dados "RCUI" e "aumento persistente" de enzimas canaliculares apontam para doença crônica associada à DII, e não para quadro agudo. Fontes: Bowlus CL et al. AASLD practice guidance on primary sclerosing cholangitis and cholangiocarcinoma. Hepatology, 2023 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 28)
Questão 9 · SES-GO 2026
Leia o caso a seguir. Homem, 52 anos, comparece à unidade básica de saúde para avaliação de exames solicitados em um check-up de rotina. Refere ser ex-usuário de drogas injetáveis e ter recebido transfusão sanguínea na década de 1990. Está assintomático e sem doenças conhecidas. Os resultados laboratoriais mostram elevação discreta das transaminases e sorologia reagente para o anti-HCV. Diante do caso apresentado, qual conduta deve ser adotada?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Anti-HCV reagente indica exposição ao vírus, mas não diferencia infecção ativa de infecção resolvida (cerca de 15% a 25% eliminam o vírus espontaneamente). O próximo passo é a pesquisa do HCV-RNA (carga viral); se detectável, confirma-se infecção ativa e avalia-se o tratamento com antivirais de ação direta. A) Correta. HCV-RNA confirma infecção ativa. B) Errada. Repetir a sorologia não acrescenta informação: o teste continuaria reagente. C) Errada. Com esquemas pangenotípicos, o PCDT do Ministério da Saúde dispensa a genotipagem para o tratamento. D) Errada. Tratamento só após confirmação virológica. Análise de contexto do gabarito: o enunciado traz fatores de risco e sorologia reagente; falta a confirmação da viremia, que é o passo seguinte. Fontes: Ministério da Saúde. PCDT para Hepatite C e Coinfecções (Portaria SCTIE/MS nº 39/2026) | Ministério da Saúde. Manual Técnico para o Diagnóstico das Hepatites Virais, 2ª ed., 2018 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 39)
Questão 10 · SES-GO 2026
Leia o caso a seguir. Paciente do sexo masculino, 32 anos, comparece ao ambulatório de infectologia relatando lesão ulcerada em região genital, de crescimento progressivo e indolor. Nega secreção purulenta, febre ou outros sintomas sistêmicos. Refere múltiplas parcerias sexuais e uso irregular de preservativos. Ao exame físico, evidencia-se úlcera na região inguinal e na base do pênis, com bordas planas e granulomatosas, sem linfonodomegalias inguinais. Diante do quadro clínico, a hipótese diagnóstica é de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Úlcera genital indolor, de crescimento progressivo e crônico, com bordas planas e aspecto granulomatoso (vermelho-vivo, friável), sem linfonodomegalia inguinal, favorece donovanose (Klebsiella granulomatis). Nela as lesões se estendem por contiguidade e há pseudobubões (granulomas subcutâneos), não adenite verdadeira. A) Errada. Linfogranuloma venéreo tem úlcera fugaz e adenopatia inguinal importante, que pode fistulizar. B) Errada. Cancro mole é doloroso, com fundo purulento e adenopatia dolorosa. C) Correta. Lesão crônica, granulomatosa, indolor e sem adenopatia. D) Errada. O cancro duro é indolor, mas tem bordas endurecidas, evolução autolimitada e costuma vir com adenopatia inguinal. Análise de contexto do gabarito: os dados decisivos são o crescimento progressivo, o aspecto granulomatoso e a ausência de linfonodomegalia. Fontes: Ministério da Saúde. PCDT para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, 2022 | CDC. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 40)
Questão 11 · SES-GO 2026
Mulher de 36 anos, diagnosticada com HIV há 3 meses, comparece à consulta de acompanhamento inicial. Encontra-se assintomática, em uso regular de terapia antirretroviral (TARV) com o esquema tenofovir + lamivudina + dolutegravir. Exames recentes mostram contagem de linfócitos T CD4+ de 420 células/mm³ e carga viral indetectável. Nesse caso, qual conduta deve ser adotada?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Toda pessoa vivendo com HIV deve ser rastreada para infecção latente por tuberculose. Com CD4 > 350 células/mm³ e sem sintomas de tuberculose ativa, o rastreio é feito com prova tuberculínica ou IGRA, e o tratamento preventivo é indicado se o teste for positivo. Com CD4 ≤ 350, trata-se a infecção latente sem teste, após excluir doença ativa. A) Errada. Não há motivo para simplificar o esquema com 3 meses de TARV e carga viral recém-suprimida. B) Correta. IGRA é o rastreio de infecção latente indicado com CD4 de 420. C) Errada. Densitometria não é indicada de rotina em mulher de 36 anos sem fatores de risco. D) Errada. Com CD4 > 350, a profilaxia depende de teste positivo. Análise de contexto do gabarito: o CD4 de 420 células/mm³ é o dado que define a conduta: acima de 350, testar antes de tratar. Fontes: Ministério da Saúde. Protocolo de vigilância da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis no Brasil, 2ª ed., 2022 | Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, 2ª ed., 2019 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 41)
Questão 12 · SES-GO 2026
Um paciente em hemodiálise há cerca de 15 anos desenvolve dor e limitação funcional no ombro esquerdo. A radiografia simples do local mostra cistos ósseos próximos à articulação. Qual é o diagnóstico mais provável?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Hemodiálise por mais de 10 a 15 anos favorece o acúmulo de beta-2-microglobulina, pouco removida pela diálise, que se deposita como amiloide em sinóvia, tendões e osso. As manifestações clássicas são síndrome do túnel do carpo, artropatia escapuloumeral (ombro doloroso com limitação) e cistos ósseos subcondrais/justa-articulares em cabeça do úmero, carpo e quadril. Membranas de alto fluxo e transplante reduziram sua incidência, mas o quadro segue típico de diálise prolongada. A) Errada. O hiperparatireoidismo secundário causa reabsorção subperiosteal, osteíte fibrosa e tumores marrons, sem o padrão de cistos justa-articulares no ombro ligado ao tempo de diálise. B) Errada. Hiperparatireoidismo primário não tem relação com o tempo de diálise. C) Errada. A doença óssea adinâmica cursa com baixo remodelamento, dor e fraturas, não com cistos periarticulares. D) Correta. Amiloidose da diálise (por beta-2-microglobulina). Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são o tempo de diálise (cerca de 15 anos), a localização (ombro) e os cistos ósseos próximos à articulação. Fontes: Yu ASL et al. Brenner and Rector's The Kidney, 11ª ed., 2020 | KDIGO. CKD-MBD Guideline Update, 2017 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 52)
Questão 13 · SES-GO 2026
A intoxicação por metanol costuma cursar com
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O metanol é metabolizado pela álcool-desidrogenase a formaldeído e ácido fórmico. O formato é um ânion não mensurado que consome bicarbonato, gerando acidose metabólica com ânion gap aumentado; na fase inicial também há gap osmolar elevado pelo próprio metanol. O formato é tóxico para a retina e os gânglios da base (alterações visuais, necrose putaminal). A) Errada. Ânion gap normal (hiperclorêmica) ocorre em perdas de bicarbonato, como diarreia e acidose tubular renal. B) Correta. Acúmulo de ácido fórmico eleva o ânion gap. C) Errada. Alcalose metabólica com hipocalemia associa-se a vômitos, diuréticos e hiperaldosteronismo. D) Errada. Bartter e Gitelman são tubulopatias com alcalose hipocalêmica, sem relação com intoxicação. Análise de contexto do gabarito: a questão é conceitual; o metanol integra o grupo de álcoois tóxicos que, com etilenoglicol, são causas clássicas de acidose com ânion gap aumentado. Fontes: Harrison's Principles of Internal Medicine, 21ª ed., 2022 | Goldfrank's Toxicologic Emergencies, 11ª ed., 2019 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 53)
Questão 14 · SES-GO 2026
Um jovem paciente é vítima de acidente ofídico por uma serpente do gênero crotálico e desenvolve Injúria Renal Aguda (IRA) grave com urina escurecida. Qual é o mecanismo mais provável da etiologia dessa IRA?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
O veneno crotálico (cascavel) tem ações neurotóxica, miotóxica sistêmica e coagulante. A miotoxicidade causa rabdomiólise, com mioglobinúria (urina escura, cor de "coca-cola") e necrose tubular aguda pigmentar; a IRA é a principal causa de óbito nesse acidente. Hidratação vigorosa e soro anticrotálico precoce são as medidas centrais. A) Errada. A nefrotoxicidade direta do veneno é considerada fator contributivo, mas a urina escura aponta para mioglobinúria como mecanismo predominante. B) Correta. Rabdomiólise com mioglobinúria e NTA. C) Errada. A coagulopatia crotálica raramente causa sangramento relevante; a lesão renal por coagulopatia e hipovolemia é mais associada ao acidente botrópico. D) Errada. Síndrome compartimental é complicação local, mais típica do acidente botrópico; o crotálico tem pouca reação local. Análise de contexto do gabarito: o gênero crotálico e a urina escurecida definem a resposta; a pergunta pede o mecanismo "mais provável". Fontes: Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., 2023 (acidentes por animais peçonhentos) | FUNASA/MS. Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos, 2ª ed., 2001 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 54)
Questão 15 · SES-GO 2026
Manifestações clínicas como coreia, balismo, tiques e parkinsonismo ocorrem em lesões/disfunções de estruturas que compõem os núcleos da base. São exemplos dessas estruturas:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Os núcleos da base são caudado, putâmen e globo pálido (corpo estriado), com o núcleo subtalâmico e a substância negra como estruturas funcionalmente integradas ao circuito. Lesões nesse sistema causam distúrbios do movimento: coreia (estriado), balismo (subtalâmico), tiques e parkinsonismo (via nigroestriatal). A) Correta. Putâmen e globo pálido (juntos, núcleo lentiforme) pertencem aos núcleos da base. B) Errada. O caudado pertence, mas o corpo mamilar integra o hipotálamo/sistema límbico. C) Errada. A substância negra integra o circuito, mas o núcleo basal de Meynert é colinérgico do prosencéfalo basal, ligado à memória. D) Errada. Núcleo rubro (mesencéfalo) e área postrema (quimiorreceptora do vômito) não são núcleos da base. Análise de contexto do gabarito: a questão pede um par em que as duas estruturas pertençam aos núcleos da base; só a alternativa A cumpre o critério integralmente. Fontes: Machado ABM, Haertel LM. Neuroanatomia Funcional, 3ª ed., 2014 | Ropper AH et al. Adams and Victor's Principles of Neurology, 12ª ed., 2023 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 55)
Questão 16 · SES-GO 2026
As isquemias e hemorragias parenquimatosas ocorrem em vários tipos de doenças vasculares encefálicas. Qual processo fisiopatológico pode cursar exclusivamente com hemorragias no Sistema Nervoso Central?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Os microaneurismas de Charcot-Bouchard são dilatações de pequenas artérias perfurantes associadas à hipertensão crônica (lipo-hialinose). Sua complicação é a ruptura, com hemorragia intraparenquimatosa hipertensiva em putâmen, tálamo, ponte e cerebelo. Por isso é o único processo listado que cursa apenas com hemorragia. A) Errada. A trombose venosa cerebral causa infarto venoso, frequentemente com transformação hemorrágica: há componente isquêmico. B) Errada. Vasculites do SNC causam sobretudo isquemias múltiplas, podendo sangrar. C) Errada. A cocaína causa AVC isquêmico (vasoespasmo, vasculopatia) e hemorrágico (picos hipertensivos). D) Correta. A ruptura do microaneurisma produz hemorragia, não isquemia. Análise de contexto do gabarito: o termo "exclusivamente" define a resposta; as demais condições produzem ambos os tipos de lesão. Fontes: Ropper AH et al. Adams and Victor's Principles of Neurology, 12ª ed., 2023 | Greenberg SM et al. AHA/ASA Guideline for the Management of Spontaneous Intracerebral Hemorrhage, Stroke, 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 56)
Questão 17 · SES-GO 2026
A Classificação Internacional das Cefaleias descreve 14 grupos de cefaleias, sendo os 4 primeiros grupos pertencentes às Cefaleias Primárias e os demais, às Cefaleias Secundárias. O grupo 1 descreve os vários subtipos das migrâneas, que são doenças que geram sintomas que vão além da dor. Qual é o processo fisiopatológico que se manifesta clinicamente como aura?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
A ICHD-3 organiza as cefaleias em 14 grupos, sendo os grupos 1 a 4 as primárias. A aura da migrânea corresponde à depressão cortical alastrante: onda de despolarização neuronal e glial seguida de supressão da atividade, que avança cerca de 3 a 5 mm/min pelo córtex. Isso explica o sintoma visual que se expande gradualmente em 5 a 60 minutos. A) Errada. A ativação do sistema trigeminovascular está ligada à fase de dor. B) Correta. A depressão cortical alastrante é o substrato da aura. C) Errada. A inflamação neurogênica perivascular participa da dor, não da aura. D) Errada. A liberação de CGRP medeia vasodilatação e transmissão nociceptiva (dor); é alvo dos gepantes e anticorpos anti-CGRP. Análise de contexto do gabarito: a pergunta separa a fisiopatologia da aura (cortical) da fisiopatologia da dor (trigeminovascular); apenas B se refere ao fenômeno cortical. Fontes: Headache Classification Committee of the IHS. ICHD-3, Cephalalgia, 2018 | Ashina M. Migraine. N Engl J Med, 2020 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 57)
Questão 18 · SES-GO 2026
A hemorragia que ocorre quando há eliminação de sangue proveniente do trato respiratório inferior, pulmões ou brônquios é denominada de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Hemoptise é a eliminação de sangue pela tosse, originado abaixo da glote (traqueia, brônquios ou parênquima pulmonar). Costuma ser vermelho vivo, aerado e de pH alcalino, o que ajuda a diferenciar de sangramento digestivo. Na prática, deve-se afastar origem nasofaríngea (pseudo-hemoptise) e digestiva alta. A) Correta. Sangue proveniente da via aérea inferior. B) Errada. Epistaxe é sangramento nasal. C) Errada. Melena é eliminação de fezes escuras por sangue digerido, geralmente de TGI alto. D) Errada. Hematêmese é vômito com sangue de origem digestiva alta. Análise de contexto do gabarito: questão de definição; o enunciado cita trato respiratório inferior, pulmões e brônquios. Fontes: Porto CC. Semiologia Médica, 8ª ed., 2019 | Harrison's Principles of Internal Medicine, 21ª ed., 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 61)
Questão 19 · SES-GO 2026
Um paciente de 62 anos, hipertenso e portador de fibrilação atrial, apresenta dor lombar súbita e intensa, acompanhada de hematúria e redução da função renal. O exame de imagem evidencia área triangular hipodensa no córtex renal, com base voltada para a superfície do órgão e ápice em direção à medula, compatível com infarto renal. Considerando o mecanismo fisiopatológico envolvido, qual é o tipo de morte celular no tecido afetado?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
O infarto renal por embolia (fibrilação atrial) é isquemia em órgão sólido. A falta de fluxo desnatura proteínas estruturais e enzimas, o que preserva por alguns dias o contorno celular e a arquitetura tecidual: é a necrose de coagulação. A área em cunha, com base na cápsula e ápice na medula, reflete o território arterial ocluído. A) Errada. Necrose caseosa é típica da tuberculose e de algumas micoses. B) Errada. Necrose liquefativa ocorre em infecções piogênicas e na isquemia do sistema nervoso central. C) Errada. Esteatonecrose ocorre no tecido adiposo (pancreatite, trauma mamário). D) Correta. Padrão de morte celular da isquemia em órgãos sólidos, exceto o cérebro. Análise de contexto do gabarito: os dados que definem a resposta são a causa isquêmica (FA, infarto) e o órgão (rim). Fontes: Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: Bases Patológicas das Doenças, 10ª ed., 2021 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 62)
Questão 20 · SES-GO 2026
Qual a nomenclatura de uma neoplasia benigna originada de tecido glandular?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
Na nomenclatura das neoplasias epiteliais, o sufixo "-oma" indica tumor benigno e "carcinoma" indica malignidade. A neoplasia benigna de epitélio glandular é o adenoma; sua contraparte maligna é o adenocarcinoma. A) Errada. Papiloma é neoplasia benigna de epitélio de revestimento com projeções digitiformes. B) Correta. Adenoma: benigna, glandular. C) Errada. Adenocarcinoma é a neoplasia maligna glandular. D) Errada. Carcinoma escamoso é maligno e de epitélio escamoso. Análise de contexto do gabarito: o enunciado combina dois critérios, comportamento benigno e origem glandular; só o adenoma reúne ambos. Fontes: Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: Bases Patológicas das Doenças, 10ª ed., 2021 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 63)
Questão 21 · SES-GO 2026
Leia o caso a seguir. Paciente do sexo masculino, 72 anos, ex-tabagista com carga tabágica de 45 maços-ano, hipertenso em uso de losartana 50 mg/dia, procura atendimento ambulatorial por dispneia e tosse seca progressivas há 2 anos. Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 21 irpm, murmúrio vesicular reduzido nos ápices e estertores crepitantes finos bibasais. Saturação periférica de oxigênio em ar ambiente: 92%. Traz tomografia computadorizada de tórax realizada durante internação devido a piora da tosse há 2 meses, que mostra áreas de enfisema centrolobular nos lobos superiores associadas a reticulações, bronquiectasias e bronquiolectasias de tração nos lobos inferiores, e cistos de faveolamento, sem consolidações ou derrame pleural. Considerando o quadro clínico e o achado tomográfico, o diagnóstico provável e o exame complementar a ser solicitado para confirmar a repercussão funcional da doença são, respectivamente:
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Grande tabagista com enfisema centrolobular nos lobos superiores e fibrose com faveolamento e bronquiectasias de tração nos inferiores tem o padrão da síndrome de combinação fibrose pulmonar e enfisema (CPFE). Volumes e espirometria podem ficar relativamente preservados, porque a hiperinsuflação do enfisema compensa a restrição da fibrose. A difusão de monóxido de carbono (DLCO) fica desproporcionalmente reduzida. Por isso, a repercussão funcional se confirma com prova de função pulmonar completa com DLCO. A) Errada. Não há bronquiectasias císticas, e a alfa-1 antitripsina causa enfisema panlobular de bases, sem fibrose. B) Errada. Ignora a fibrose com faveolamento; a gasometria isolada não caracteriza a repercussão funcional. C) Correta. Superposição DPOC/enfisema e fibrose, avaliada por PFP completa com DLCO. D) Errada. Ignora o enfisema de lobos superiores; o TC6 avalia capacidade de exercício, não o padrão funcional da doença. Análise de contexto do gabarito: a TC traz os dois componentes (enfisema em ápices e fibrose em bases); o diagnóstico precisa contemplar ambos, e a DLCO é o parâmetro mais sensível. Fontes: Cottin V et al. Syndrome of Combined Pulmonary Fibrosis and Emphysema: An Official ATS/ERS/JRS/ALAT Research Statement. Am J Respir Crit Care Med, 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 79)
Questão 22 · SES-GO 2026
B.K.C., 52 anos, sexo feminino, procura o posto de saúde com dor articular nas mãos e punhos há um ano, associada à rigidez matinal e à limitação de movimentação. Diante do quadro apresentado, os exames laboratoriais demonstraram anemia, anti-ccp e fator reumatoide positivos. Considerando o quadro clínico e exames laboratoriais, a alteração de imagem esperada na coluna vertebral para a hipótese diagnóstica é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
Mulher de meia-idade com poliartrite de mãos e punhos há um ano, rigidez matinal, anemia, fator reumatoide e anti-CCP positivos tem como hipótese a artrite reumatoide. Na AR, o acometimento axial típico é na coluna cervical alta. A sinovite erode o processo odontoide e enfraquece o ligamento transverso, causando subluxação ou instabilidade atlantoaxial (C1-C2), com risco de mielopatia. Deve ser investigada antes de intubação ou cirurgia. A) Correta. Instabilidade atlantoaxial. B) Errada. Erosões nos cantos dos corpos vertebrais (lesão de Romanus, "shiny corners") são típicas da espondilite anquilosante. C) Errada. Anquilose por sindesmófitos ("coluna em bambu") é típica das espondiloartrites. D) Errada. Espessamento das trabéculas verticais é achado do hemangioma vertebral e da doença de Paget, não da AR. Análise de contexto do gabarito: o perfil sorológico (FR e anti-CCP) e o padrão articular periférico definem AR; as alternativas B e C pertencem às espondiloartrites, que são soronegativas. Fontes: Aletaha D et al. 2010 ACR/EULAR Rheumatoid Arthritis Classification Criteria. Arthritis Rheum, 2010 | Firestein GS et al. Firestein & Kelley's Textbook of Rheumatology, 11ª ed., 2021 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 82)
Questão 23 · SES-GO 2026
A espondilolistese consiste no deslocamento de uma vértebra em relação à vértebra subjacente. Em jovens, a descontinuidade da parte interarticular da lâmina (espondilólise) é uma causa comum da espondilolistese e pode ser diagnosticada na radiografia convencional com incidências adicionais. Qual é a incidência adicional da radiografia da coluna lombar utilizada para o diagnóstico?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: B
A espondilólise é o defeito da pars interarticularis, comum em jovens atletas e principal causa de espondilolistese ístmica, sobretudo em L5. Na radiografia, a incidência adicional que mostra a pars é a oblíqua: o defeito aparece como uma "coleira" no pescoço do "cachorrinho escocês" (sinal do Scottie dog). Hoje a TC com cortes finos e a RM são mais sensíveis, mas a pergunta trata de radiografia convencional. A) Errada. As incidências dinâmicas em flexão/extensão avaliam instabilidade da listese, não a pars. B) Correta. A oblíqua projeta a pars interarticularis e evidencia a lise. C) Errada. Inclinação lateral avalia mobilidade e escoliose, não a pars. D) Errada. A incidência PA (ou AP) é a rotina e não isola a pars. Análise de contexto do gabarito: o enunciado pede a incidência adicional para a descontinuidade da parte interarticular, o que define a oblíqua. Fontes: Herkowitz HN, Garfin SR et al. Rothman-Simeone and Herkowitz's The Spine, 7ª ed., 2018 | Weinstein SL, Flynn JM. Lovell and Winter's Pediatric Orthopaedics, 8ª ed., 2020 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 83)
Questão 24 · SES-GO 2026
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica autoimune, de etiologia multifatorial, que afeta predominantemente mulheres jovens e pode acometer diversos órgãos e sistemas. Algumas de suas manifestações são agudas e extremamente graves, com risco de lesão definitiva em órgãos vitais ou de óbito. Qual é a rara urgência nessa doença que deve ser reconhecida prontamente e que cursa com surgimento rápido (horas ou dias) de fraqueza bilateral de membros inferiores com ou sem envolvimento de membros superiores (paraplegia/tetraplegia), podendo ser assimétrica e/ou com déficit sensorial com nível similar ao da fraqueza motora; com ou sem disfunção vesical e intestinal, podendo causar retenção urinária e/ou fecal?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: A
O quadro descrito (paraparesia ou tetraparesia de instalação em horas a dias, nível sensitivo correspondente e disfunção vesical e intestinal) é a síndrome medular aguda: mielite transversa. No LES é manifestação neuropsiquiátrica rara, associada a anticorpos antifosfolípides em parte dos casos, e exige RM de medula, líquor e tratamento imediato com pulsoterapia de metilprednisolona, geralmente com ciclofosfamida, para reduzir sequela. A) Correta. Déficit motor, nível sensitivo e disfunção esfincteriana agudos caracterizam mielite transversa. B) Errada. Psicose lúpica altera o pensamento e a percepção, sem déficit medular. C) Errada. Anemia hemolítica autoimune causa anemia, icterícia e reticulocitose, não síndrome medular. D) Errada. SAF catastrófica cursa com tromboses em múltiplos órgãos em curto prazo, não com quadro medular isolado. Análise de contexto do gabarito: o enunciado descreve sinais de lesão medular (nível sensitivo e esfíncteres), o que direciona para mielite transversa. Fontes: Fanouriakis A et al. EULAR recommendations for the management of systemic lupus erythematosus: 2023 update. Ann Rheum Dis, 2024 | Firestein GS et al. Firestein & Kelley's Textbook of Rheumatology, 11ª ed., 2021 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 85)
Questão 25 · SES-GO 2026
Qual é a manifestação extra-articular mais prevalente nas espondiloartrites?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A uveíte anterior aguda é a manifestação extra-articular mais frequente das espondiloartrites, acometendo cerca de um quarto a um terço dos pacientes com espondiloartrite axial. É tipicamente unilateral, alternante, recorrente, com olho vermelho doloroso e fotofobia, e fortemente associada ao HLA-B27. Outras manifestações extra-articulares são psoríase e doença inflamatória intestinal. A) Errada. Pleurite é serosite típica do LES; no pulmão da espondilite o achado é fibrose apical, rara. B) Errada. Nefrite intersticial não é manifestação característica; o rim pode ser acometido por amiloidose ou nefropatia por IgA, raras. C) Errada. Serosite pericárdica é própria do LES; na espondilite o coração sofre aortite e distúrbios de condução. D) Correta. É a manifestação extra-articular mais prevalente. Análise de contexto do gabarito: a pergunta é direta sobre prevalência; a uveíte anterior aguda supera as demais. Fontes: Ramiro S et al. ASAS-EULAR recommendations for the management of axial spondyloarthritis: 2022 update. Ann Rheum Dis, 2023 | Firestein GS et al. Firestein & Kelley's Textbook of Rheumatology, 11ª ed., 2021 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 86)
Questão 26 · SES-GO 2026
Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo feminino, 25 anos, com diagnóstico prévio de lúpus eritematoso sistêmico (LES) há 3 anos, FAN 1/640 nuclear homogêneo e anti-dsDNA positivo. Foi trazida ao serviço de emergência após surgimento de cefaleia intensa, vômitos, perda de força em dimidio direito e disartria há 72 horas. A tomografia computadorizada (TC) de crânio evidenciou área de hipodensidade frontoparietal à esquerda aguda/subaguda, sem sinais de sangramento e desvio da linha média. Paciente negava o uso de drogas ilícitas. O antecedente obstétrico é marcado por três abortos prévios, um na 5ª e dois na 8ª semana gestacional. A avaliação laboratorial para diagnóstico e o tratamento de síndrome do antifosfolípede (SAF) consistem em
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Mulher jovem com LES, AVC isquêmico sem outra causa aparente e três abortos antes de 10 semanas: o quadro favorece síndrome antifosfolípide secundária. A investigação laboratorial usa os três anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticardiolipina IgG/IgM e anti-beta2-glicoproteína I IgG/IgM), com confirmação em nova dosagem após pelo menos 12 semanas. No evento arterial, o tratamento é anticoagulação com antagonista da vitamina K (varfarina); a associação com AAS em baixa dose é opção aceita. A) Errada. C3, C4 e função renal avaliam atividade lúpica; hidroxicloroquina não trata trombose. B) Errada. ANCA investiga vasculites; pulsoterapia com ciclofosfamida trata atividade inflamatória grave, não trombose. C) Correta. Combina o painel diagnóstico da SAF com o tratamento antitrombótico. D) Errada. Coombs e anti-Sm não diagnosticam SAF; micofenolato não previne trombose. Análise de contexto do gabarito: AVC isquêmico, abortos de repetição e LES definem a suspeita de SAF; só a alternativa C traz os anticorpos de diagnóstico e tratamento antitrombótico. Fontes: Tektonidou MG et al. EULAR recommendations for the management of antiphospholipid syndrome in adults, 2019 | Barbhaiya M et al. 2023 ACR/EULAR antiphospholipid syndrome classification criteria. Arthritis Rheumatol, 2023 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 87)
Questão 27 · SES-GO 2026
O que é um ruido débil, que ocorre no final da diástole e que pode ser ouvido em crianças e idosos, não necessariamente patológico, causado pela desaceleração abrupta do fluxo sanguíneo mobilizado pela contração atrial?
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
A quarta bulha (B4) é um som de baixa frequência no final da diástole (pré-sistólico), gerado pela desaceleração do sangue impulsionado pela contração atrial contra um ventrículo pouco complacente. Pode ser audível em idosos e em algumas crianças sem doença, mas é frequente em hipertrofia ventricular, isquemia e hipertensão. Não ocorre em fibrilação atrial, pois depende da contração atrial. A) Errada. O estalido de abertura é protodiastólico, de alta frequência, típico da estenose mitral. B) Errada. O ruflar é sopro diastólico em decrescendo da estenose mitral, não ruído débil isolado. C) Errada. A B3 ocorre no início da diástole, na fase de enchimento rápido. D) Correta. Telediastólica e dependente da contração atrial. Análise de contexto do gabarito: os dados "final da diástole" e "contração atrial" definem a B4 e a separam da B3. Fontes: Porto CC. Semiologia Médica, 8ª ed., 2019 | Libby P et al. Braunwald's Heart Disease, 12ª ed., 2022 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 4)
Questão 28 · SES-GO 2026
A fibrilação atrial na qual o médico e o paciente chegaram à decisão de não tentar o reestabelecimento do ritmo sinusal, independentemente do seu tempo de instalação, é denominada de
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
A fibrilação atrial permanente é definida pela decisão conjunta de médico e paciente de não buscar mais o ritmo sinusal, adotando apenas controle de frequência. É um conceito terapêutico, não temporal, e pode ser revisto. As demais categorias usam tempo: paroxística (termina em até 7 dias), persistente (mais de 7 dias) e persistente de longa duração (mais de 12 meses, com estratégia de controle de ritmo ainda considerada). A) Errada. Persistente é definida pela duração acima de 7 dias. B) Errada. Persistente de longa duração tem mais de 12 meses, mas ainda com intenção de controle de ritmo. C) Correta. Corresponde à decisão de não restaurar o ritmo sinusal. D) Errada. "Crônica" é termo abandonado pelas diretrizes. Análise de contexto do gabarito: a expressão "independentemente do seu tempo de instalação" e a decisão compartilhada definem FA permanente. Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial, 2025 | Van Gelder IC et al. 2024 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation. Eur Heart J, 2024 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 5)
Questão 29 · SES-GO 2026
Em um paciente com fibrilação atrial, a condição em que se pode optar pelo uso de anticoagulantes diretos (DOACs), como primeira opção, em relação aos antagonistas da vitamina K (warfarina), é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: D
Os anticoagulantes orais diretos (apixabana, rivaroxabana, edoxabana, dabigatrana) são preferidos à varfarina na fibrilação atrial não valvar, inclusive após angioplastia por síndrome coronariana aguda, em que se associa o DOAC a um inibidor de P2Y12 por tempo limitado. A varfarina continua indicada em prótese valvar mecânica, estenose mitral reumática moderada a grave e síndrome antifosfolípide, especialmente com triplo positivo ou evento arterial. A) Errada. Na prótese mecânica, dabigatrana mostrou mais trombose e sangramento; usa-se varfarina. B) Errada. Na estenose mitral reumática moderada a grave, a varfarina foi superior à rivaroxabana (estudo INVICTUS). C) Errada. Na SAF, DOACs se associaram a mais eventos arteriais que a varfarina. D) Correta. Pós-angioplastia em FA não valvar, o DOAC é a primeira escolha. Análise de contexto do gabarito: entre as opções, só a D é cenário de FA não valvar sem contraindicação ao DOAC. Fontes: Van Gelder IC et al. 2024 ESC Guidelines for the management of atrial fibrillation. Eur Heart J, 2024 | Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial, 2025 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 6)
Questão 30 · SES-GO 2026
Leia o caso a seguir. Um homem de 62 anos chega ao pronto-socorro com choque hipovolêmico após hemorragia digestiva alta. Foi reanimado em outro serviço com 3 L de solução salina 0,9%. Evolui com pH 7,30, HCO3- 19 mEq/L e Cl- sérico de 116 mEq/L. Nesse caso, a conduta para continuar a reanimação volêmica minimizando a acidose metabólica é
Análise de contexto do gabarito
Gabarito: C
Após 3 L de soro fisiológico 0,9%, o paciente tem acidose metabólica (pH 7,30, HCO3 19) com cloro de 116 mEq/L: acidose hiperclorêmica induzida pelo excesso de cloreto. Para continuar a reposição sem agravar a acidose, preferem-se cristaloides balanceados (Ringer lactato, Plasma-Lyte), com menos cloreto. No choque hemorrágico, a prioridade é controlar o sangramento e repor hemocomponentes, limitando cristaloides; a pergunta trata apenas da escolha do cristaloide. A) Errada. Mais SF 0,9% aumenta o cloro e piora a acidose. B) Errada. Glicose 5% é água livre, não expande volume e causa hiponatremia. C) Correta. Balanceados minimizam acidose hiperclorêmica. D) Errada. Amidos (hidroxietilamido) aumentam lesão renal e necessidade de diálise. Análise de contexto do gabarito: o cloro alto após grande volume de SF define a causa da acidose e direciona para o cristaloide balanceado. Fontes: Semler MW et al. Balanced Crystalloids versus Saline in Critically Ill Adults (SMART). N Engl J Med, 2018 | American College of Surgeons. Advanced Trauma Life Support (ATLS) Student Course Manual, 10ª ed., 2018 (Questão oficial: SES-GO 2026, nº 7)